Depois da Tipetí e do Punti, a Peki (lê-se Péqui) foi o 3º
cão que deixou de ser de rua / abandonado e que ganhou novos donos. Não é um
processo rápido o de arranjar novos donos, mas na verdade todo o tempo que
passo com cada um destes cães é um excelente investimento. Só financeiramente é
que acaba por ser um prejuízo, mas feitas as contas há coisas bem piores.
Esta cadelinha preta passou por vários locais do país, só
não a levava comigo quando era mesmo impossível, e mesmo nesses casos procurava
sempre deixá-la em casas de amigos. Mas também foi treinada para ficar presa a
uma pequena corrente de forma paciente e tranquila, sempre com comida e água,
claro, pois como é novinha e gosta muito de caçar, e de forma bastante
barulhenta, a vizinhança acabava por protestar quando ela andava à solta. Foi
assim que a Peki ficou a conhecer vários locais, desde a Praia da Vagueira até
à Sobreda, lá em cima no Canedo, Gaia. Ficou a conhecer Castelo Branco e também
Ílhavo. Sou capaz de falhar alguém, mas agora assim de memória a Peki passou
nas casas e nas vidas de miúdos e graúdos, os meus amigos que a acolheram nas
minhas ausências: Andrés, Konrad e Zé e Íris, Alexandre e Luísa, Jorge e Alice
e Aurora, Pedro e Fátima e Maria João e Francisco, António e Sandra e Inês e
Eva, Zé Duarte e Sandra e Mafalda e Matilde e Nicolau, Emanuel e Yanina e
Benjamim, Dario e Nadia e dois meninos, Inês e Francisco e Mariana e Ana, João,
Maribel e Simão, Zári e Maria e Guida e Tito.

Aqui no Malfadado estão as histórias da Tipetí (2015 - clicar aqui)
e do Punti (2017 - clicar aqui e também este link no final do mesmo ano - clicar aqui). A primeira ainda hoje é uma companhia espectacular,
vive entre Lisboa e Ílhavo e continua a passear muito e a ser muito tranquila.
É a Gigi. Não podia estar mais bem entregue. O famoso Punti vive em Belazaima
do Chão e tem toda a liberdade para correr e passear, é um dos históricos do
Projecto Cabeço Santo. Não podia estar mais bem entregue.
A história da adopção da Peki é muito engraçada, porque eu
andava a ver se descobria uma família que precisasse dela, mas acabou por ser
ela sozinha a encontrar. Muitas vezes quando eu ia a qualquer lado levava a
Peki e a Nadi comigo e soltava-as, para elas correrem um bocado e explorarem
ali em redor. Naquela tarde de Outubro assim fiz. Depois de vários dias mais
chuvosos, aquela tarde ficou com Sol radiante e céu azul claro, e fui a uma
povoação próxima buscar água de nascente. S. Caetano, nascente e parque de
merendas. Ali foram elas as duas, sempre nas correrias e nas perseguições à
bicharada. Chegada a hora de ir embora assobiei, chamei, apitei e nada. Nem uma
nem outra. A Nadi é surda de um ouvido, enfim, poderia ter desculpa, mas a Peki
desta vez não dava sinal. Nem me ouvia nem eu a ouvia a ela a ladrar atrás de
algum bicho. Ali andei entretido a cortar umas silvas, até que apareceu a Nadi.
Entrou para o carro e continuei à espera, passivamente e depois activamente, já
com a Nadi pela trela a dar uma volta e a chamar e a apitar. Nada. Sabendo eu
que o fim de tarde, princípio de noite era o período em que a Peki ficava
descontrolada, e como tinha compromissos, fiz o que sempre faço nestas ocasiões,
deixo uma mantinha num local abrigado e vou à minha vida, regressando ao local
posteriormente.
No dia seguinte, depois do almoço, recebo um telefonema de
uma senhora que a tinha recolhido, a perguntar se eu não tinha perdido uma
cadela. Respondi que não a tinha perdido uma vez que a cadela é que me tinha
perdido a mim, mas de facto estava registada em meu nome. A grande vantagem do
chip, pois é. Lá falámos um pouco sobre a devolução da Peki e ficou combinado
para o fim do dia. Tinha aparecido numa zona industrial, não muito longe do
local da nascente, e também não muito longe da Gândara, por pouco não tinha
voltado a casa sozinha. E ainda bem que não voltou, porque passados 15 minutos
do telefonema a mesma pessoa liga-me e pergunta se eu não lhe quero dar a
cadela. Disse logo que sim, mesmo sem saber se a Peki iria para um lugar onde
fizesse falta. Mas foi mesmo assim, depois ao fim da tarde fiquei a conhecer em
pessoa a rapariga que a recolheu, a Bruna, e ela disse que o seu companheiro
tinha concordado em ficarem com a Peki pois de momento só tinham uma cadela mas
estavam habituados a ter mais cães em casa, e davam passeios com eles e davam
liberdade para correr nos campos e até davam alimentação natural. É muito à
frente, pensei eu com os meus botões. A Peki está aqui perto de Vagos, em S.
André, e tal como eu pretendia foi fazer companhia a outro cão, eu dizia sempre
que ela deveria ir para um local onde houvesse um cão sozinho, pois era uma
excelente companhia para todos os cães, grandes, pequenos, machos e fêmeas.
Termino só com um apontamento para memória futura. Eu dizia
sempre que a Peki se dava com todos os cães, era realmente bonito de se ver.
Mas um dia vi-a a atacar um outro cão, até maior do que ela. Foi até junto dele
e de repente, zás, investiu contra ele. O cão nem reagiu mal, encolheu-se todo.
Lá pedi desculpa ao dono que o levava com trela. Passados uns dias a mesma
coisa, com outro cão, uma cadela neste caso. Que também não reagiu mal,
afastou-se o que pôde no limite da trela. Lá pedi desculpa ao dono e ele
respondeu que não fazia mal, a cadela era medrosa e não tinha sofrido nada. De
facto, estes ataques da Peki também não eram muito violentos, uma cadela
pequena limita-se normalmente a dar um beliscão e a fazer barulho, ladrar e
rosnar. Na terceira vez tive o cuidado de observar bem e concluir. A Peki
aproxima-se dos cães de forma tranquila e curiosa, aproxima o focinho e se
sente que o outro é medroso, que a ignora por medo não a olhando ou dando à
cauda, ela ataca num repente. Não dá nenhum aviso. Pelo que o aviso terá que
ser observado no outro cão, se for um cão medroso, que desvie o olhar para
ignorar a presença de outro cão, o melhor é estar preparado.
Para que conste, aqui fica o link para a publicação que fiz no Fb para depois divulgar a procura de dono, dia 14 de Setembro do ano passado.