terça-feira, fevereiro 03, 2026

A DEGLUTIÇÃO DO ANFÍBIO - VOTO ANTECIPADO

 Tal como tinha anunciado aqui, está depositado o meu voto para as eleições do próximo Domingo. Fica aqui a prova:



segunda-feira, fevereiro 02, 2026

MAIS UM MANIFESTO ARTÍSTICO CONTRA A GANÂNCIA DESTRUIDORA DA BEIRA BAIXA

Mais um pequeno vídeo musical, ainda a propósito da manifestação contra os painéis solares que querem colocar nas zonas rurais de vários concelhos na Beira Baixa. Desta vez é com um manifesto assinado pela Mariana Root, que emoldura um espectáculo em Aljezur, do (com o) Edgar Valente. Um duo que eu vi actuar há alguns anos no Festival Salva a Terra. Por falar nisso, este ano é ano de Salva a Terra. Em Junho, em data a anunciar. Na Beira Baixa. (já se pode dizer que também na Extremadura?) Fica o texto, que roubei da página na rede social que se vê.

domingo, fevereiro 01, 2026

O AMOR À LUTA

Fica um videozinho que roubei da página na rede social descarada do Tiago Pereira, o tal da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, que andou, e muito bem, a registar estes momentos de luta na baixa de Lisboa. Eu estaria lá ontem, se não fosse a linha do norte, usada pela CP, não estar preparada para efeitos das alterações climáticas. E vêm estes liberais com mais projectos de tirar espaço à natureza e à agricultura para "plantar" painéis solares"... enfim...

sábado, janeiro 31, 2026

ALTERCAÇÕES CLIMÁTICAS

 É o tema destes dias, mas o vento foi tanto, tanto que ainda só se fala das situações de destruição de bens. Fica aqui um trabalhinho novo do humorista da moda, numa partilha de vídeo da rede descarada:


quarta-feira, janeiro 28, 2026

AINDA HÁ ESPERANÇA PARA O MUNDO - PARA ALÉM DAS NAÇÕES UNIDAS

 Está em inglês, mas será nesta língua cada vez mais universal que os boicotes a tanta coisa que vai mal terão que ser convocados. A nossa aldeia global precisa de um hino para os boicotes, eu proponho já esta música que junta o Michel William (Moçambicano que eu vi ao vivo no Festival Salva a Terra (este ano é ano sim!)) com a cantora Regina dos Santos (a "moçambicana", não a brasileira que cantava a versão brasileira da "Lambada", que essa já vai a caminho de completar 70 anos).

TU TENS QUE SER, A MUDANÇA QUE QUERES VER TU TENS QUE SER, A MUDANÇA QUE QUERES VER JUNTOS VAMOS MUDAR O MUNDO

terça-feira, janeiro 27, 2026

INICIATIVA DE CIDADANIA EUROPEIA - CONTRA A POLÍTICA DO GOVERNO DE ISRAEL

 

Copio abaixo o que apareceu no final de ter concluído a minha assinatura, a qual fiz na plataforma do parlamento europeu (link para quem quiser fazer o mesmo).

Exigir a suspensão total do Acordo de Associação UE-Israel, tendo em conta as violações dos direitos humanos cometidas por Israel

ASSINATURA CONFIRMADA

Identificador de assinatura

228bfe4b-0b3... ... ...

Descarregue esta referência e conserve-a como lembrete de que assinou a iniciativa e caso tenha perguntas sobre a sua declaração de apoio.

O que se segue?

  • Se a iniciativa obtiver pelo menos um milhão de assinaturas (e um número mínimo em, pelo menos, sete Estados-Membros), os seus organizadores solicitarão às autoridades nacionais que verifiquem a validade das assinaturas.
  • Se o processo de verificação confirmar que os limiares foram atingidos, os organizadores podem solicitar uma resposta da Comissão a esta iniciativa.
  • A Comissão terá de responder no prazo de 6 meses, indicando as medidas que tomará, se for caso disso.

segunda-feira, janeiro 26, 2026

SEGUNDA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 Apesar de ser um grande gastar de papel, em envelopes e etc, acabei de tratar do voto antecipado em mobilidade. Dia 31 vou a Lisboa e volto, por isso é Seguro que neste Domingo vou ter a ventura de conseguir votar em consciência. Mas antes vou beber qualquer coisa forte, para ajudar na deglutição do anfíbio...

Também há aquela música do Sérgio Godinho, o "Acesso Bloqueado":

"Adivinhar o futuroÉ muito duro, é muito duroSai sempre o cálculo furado
Adivinhar o passadoÉ mais Seguro, é mais SeguroSe bem que às vezes também sai errado"

domingo, janeiro 25, 2026

MATAR SAUDADES - MARIA JOÃO E MÁRIO LAGINHA EM 1999 NA ALEMANHA

 

Esta formação em quarteto vi muitas vezes, mas com estes músicos nunca tinha visto. E agora, recentemente, vi que tinham colocado este concerto no YouTube, na íntegra e com bom som e imagem. É de ficar maravilhado, hoje como no passado.

sábado, janeiro 24, 2026

FOTOS

 Aproveitar bem os dias de chuva e frio é dar andamento às coisas que há para fazer no computador. E então andei por aqui a organizar pastas com as fotografias. Partilho aqui apenas uma foto de cada uma das pastas que criei. Até agora, porque ainda tenho muito aqui para fazer...

Paracuru:

 Pedalar no Ceará:

Buenos Aires fotopasseio:


Tilcara 1

Tilcara 2

Bici Tilcara + Oran

Postales Recuerdo Argentina

sexta-feira, janeiro 23, 2026

RALPH TOWNER - O GUITARRISTA "FABULOSO"

Morreu há uns dias o Ralph Towner. Fiquei a saber na rede social que anda por aí descaradamente a vender falsidades, mas onde apanhamos partilhas de amigos que são verdades. Algumas delas são coisas de infelicidade. Como esta, da morte aos 86 anos deste americano que encheu o mundo de boa música. Fiquei a conhecer este músico porque ele entrou num disco da Maria João, o Fábula, onde aparece uma versão desta sua música que a seguir partilho. No Fábula aparece também uma música composta por ele, em parceria com a Maria João, e que é esta que aqui partilho igualmente.

quinta-feira, janeiro 22, 2026

AINDA HÁ ESPERANÇA PARA O MUNDO, PARA ALÉM DA ONU

2025 UM ANO DE ESPERANÇA, CORAGEM E COMUNIDADE

 


Para fazer conjunto com o texto do discurso na íntegra do primeiro-ministro Carney, do Canadá, aqui partilho este vídeo do canal Greenpeace International no You Tube

Ainda fui ao canal do Greenpeace Brasil, para ver se tinham o mesmo vídeo com legendagem em português, mas não. Só descobri dois videos recentes, com boa música brasileira, como esta (link aqui) da Joyce Alane, ou como esta outra (novo link, aqui) da cantora Majur (transsexual e com um historial de infância duro), que tem mais documentário do que música.

quarta-feira, janeiro 21, 2026

O DISCURSO DE MARK CARNEY A 20 DE JANEIRO 2026 NA ÍNTEGRA


AINDA HÁ ESPERANÇA PARA O MUNDO, PARA ALÉM DA ONU!!!

Do presidente re-eleito dos EUA todos temos que ouvir falar todos os dias. Mas sobre o primeiro-ministro do Canadá pouco sabemos. Chama-se Mark Joseph Carney, e foi eleito pelos Liberais (link para a Wikipedia) em 2025 formando um governo sem maioria absoluta. Discursando em Davos ontem, fez um discurso que está a dar que falar, o qual transcrevo aqui:

CONSTRUIR UMA NOVA ORDEM MUNDIAL

Começa em francês:
"É um prazer — e um dever — estar convosco neste momento crucial para o Canadá e para o mundo. Hoje, vou falar sobre a ruptura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua actuação.
Mas também quero dizer-vos que os outros países, especificamente as potências médias, como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados. O poder dos menos poderosos começa com a honestidade."

Passa ao inglês:
"Todos os dias alguma coisa nos lembra de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências, que a ordem mundial suportada por regras está a desvanecer-se e que os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que têm de sofrer.
E este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável, é apenas a lógica natural das relações internacionais a reorganizar-se. E, perante esta lógica, há uma forte tendência para os países se acomodarem, de forma a evitarem problemas. Esperam que essa aceitação lhes traga segurança.
Mas não trará. Então, quais são as nossas opções?

O PODER DO SISTEMA NÃO ADVÉM DA SUA VERDADE

Em 1978, o dissidente checoslovaco Václav Havel (depois presidente) escreveu um ensaio chamado “O Poder dos Impotentes”. Nele, faz uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?
A resposta começa com um vendedor de hortaliças. Todas as manhãs, este merceeiro coloca um cartaz na sua montra: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Ele não acredita naquilo. Ninguém acredita. Mas coloca o cartaz na mesma, para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para se acomodar. E, porque todos os lojistas em todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.
Não apenas através da violência, mas através da participação de pessoas comuns em rituais que sabem, no seu íntimo, serem falsos.
Havel chamou a isto “viver dentro da mentira”. O poder do sistema não advém da sua verdade, mas da disposição de todos a representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte: quando uma pessoa, uma pessoa que seja, deixa de representar, quando o vendedor de hortaliças retira o seu cartaz, a ilusão começa a quebrar-se.

Amigos, está na altura de empresas e países retirarem os seus cartazes.

Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos implantar políticas externas sob a protecção destas regras.
Sabíamos que a história desta ordem internacional era parcialmente falsa. Que os mais fortes se eximiriam quando lhes fosse conveniente. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variado, dependendo da identidade do acusado ou da vítima.

ESTAMOS A MEIO DE UMA RUPTURA, NÃO DE UMA TRANSIÇÃO

Esta ficção foi útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou-nos a ter acesso a rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança colectiva, e apoiou organismos que se ocupariam da resolução de conflitos. E foi por isso que colocámos o cartaz na montra. Participámos nos rituais. E evitámos, em boa parte, apontar as lacunas entre retórica e realidade.

Este acordo já não funciona. Deixem-me ser directo: estamos a meio de uma ruptura, não de uma transição. 
Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas finanças, saúde, energia e geopolítica revelou os riscos da integração global.
Mais recentemente, as grandes potências começaram a usar a integração económica como arma: tarifas como vantagem negocial, a infraestrutura financeira como coerção, as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a serem exploradas.

Não se pode “viver dentro da mentira” de benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da nossa subordinação.

SEJAMOS REALISTAS SOBRE ONDE ISTO NOS LEVA

As instituições multilaterais de que os poderes médios dependiam — a OMC [Organização Mundial do Comércio], a ONU, a COP [Conferência das Partes] — e a arquitetura de resolução coletiva de problemas estão muito diminuídas.
Como resultado, muitos países estão a tirar as mesmas conclusões, que devem desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. 
Este impulso é compreensível. Um país que não pode alimentar-se, abastecer-se ou defender-se a si mesmo tem poucas opções. Quando as regras já não vos protegem, é preciso que se protejam a vocês mesmos.

Mas sejamos realistas sobre onde isto nos leva: a um mundo de fortalezas, mais pobre, mais frágil e menos sustentável.

E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a aparência de regras e valores pela busca desimpedida do seu poder e dos seus interesses, os ganhos do comercialismo desencapotado tornam-se mais difíceis de replicar.
As potências hegemónicas não podem retirar lucros eternos das suas relações.
Os aliados vão diversificar para se protegerem contra a incerteza: vão comprar segurança, aumentar a lista de opções. Para reconstruir a soberania. A soberania que antes era baseada em regras, mas que estará, a partir de agora, cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.

A QUESTÃO É SE PODEMOS FAZER ALGO MAIS AMBICIOSO

Como disse, esta gestão de risco clássica tem um preço, mas esse custo de autonomia estratégica, de soberania, também pode ser partilhado. Investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que a conta de cada um construir a sua própria fortaleza individualmente.
Padrões partilhados reduzem a fragmentação, as complementaridades são operações com resultado positivo.
A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso.

O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.

Os canadianos sabem que a antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e o nosso sistema de alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.

A nossa nova abordagem assenta no que Alexander Stubb [Presidente da Finlândia] chamou “realismo baseado em valores”, ou, por outras palavras, termos princípios e, ao mesmo tempo, sermos pragmáticos.

FORÇA DOS NOSSOS VALORES

Devemos manter o princípio do nosso compromisso com valores fundamentais: soberania e integridade territorial, a proibição do uso da força exceto quando consistente com a Carta da ONU, respeito pelos direitos humanos. E devemos ser pragmáticos ao reconhecermos que o progresso é frequentemente gradual, que os interesses divergem, que nem todos os parceiros partilham os nossos valores.

Podemos envolver-nos amplamente, estrategicamente, mas com os olhos abertos.

Participamos activamente no mundo como ele é, e não ficamos só à espera de um mundo como desejamos que ele seja.

O Canadá está a calibrar as suas relações para que a profundidade das mesmas reflita os seus valores.

Estamos a dar mais importância a um envolvimento amplo para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que isto representa e o que está em jogo para o que vem a seguir.
Já não estamos dependentes apenas da força dos nossos valores, mas também do valor da nossa força.

Estamos a construir essa força no nosso país.

Desde que o meu Governo tomou posse, cortámos impostos sobre rendimentos, mais-valias e investimento empresarial, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar mil milhões de dólares de investimento em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais.
Estamos a duplicar as nossas despesas na Defesa até ao final desta década e estamos a fazê-lo de forma a desenvolver as nossas indústrias nacionais.
Estamos também a diversificar no estrangeiro, e recentemente acordámos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE [Ação de Segurança para a Europa], os acordos europeus de aquisição e adjudicação de material de Defesa.
Assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes nos últimos seis meses.
Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Catar. Estamos a negociar pactos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.

DIFERENTES COLIGAÇÕES PARA DIFERENTES PROBLEMAS

E estamos a fazer outra coisa. Para ajudar a resolver problemas globais, estamos a aplicar uma geometria variável: diferentes coligações para diferentes problemas, baseadas em valores e interesses.

Assim, sobre a Ucrânia, somos um membro central da Coligação de Vontades e um dos maiores contribuintes per capita para a defesa e segurança do país.

Sobre a soberania do Ártico, estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e demos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5º é inabalável.
Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os Nórdicos-Bálticos) para robustecer ainda mais os flancos norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas no terreno. O Canadá opõe-se fortemente a impostos alfandegários sobre a Gronelândia e apela a conversações focadas em alcançar os nossos objetivos partilhados de segurança e prosperidade para o Ártico.

No comércio plurilateral, estamos a liderar esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1500 milhões de pessoas.

Nos minerais essenciais, estamos a formar grupos de compradores, ancorados no G7, para que o mundo possa diversificar-se da oferta concentrada.

Na inteligência artificial, estamos a cooperar com democracias similares à nossa para garantir que não seremos forçados a escolher apenas entre empresas hegemónicas e hiperescaladores.

Isto não é multilateralismo ingénuo, nem é depender de instituições diminuídas, é construir as coligações que funcionam, questão por questão, com parceiros que partilham terreno comum suficiente para agirem em conjunto.

Nalguns casos, será a grande maioria das nações. E é criar um teia densa de ligações através do comércio, investimento, cultura, nas quais nos podemos apoiar para futuros desafios e oportunidades.

NÃO À REPRESENTAÇÃO DE SOBERANIA ENQUANTO SE ACEITA A SUBORDINAÇÃO

As potências médias devem agir em conjunto, porque se não estão à mesa, estão no menu.

As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm mercado, capacidade militar, alavancagem para ditar termos. As potências médias não.
Mas quando apenas negociamos bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos uns com os outros para sermos os que mais acomodam as suas exigências.

Isto não é soberania. É a representação de soberania enquanto se aceita a subordinação.

Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países no meio têm uma escolha: competir uns com os outros para cair “nas graças” ou unirem-se para criar um terceiro caminho, com impacto.

Não devemos permitir que a ascensão do poder nos cegue para o facto de que o poder da legitimidade, integridade e regras permanecerá forte se escolhermos exercê-lo em conjunto.
O que me traz de volta a Havel.
O que significaria para as potências médias “viver na verdade”? 

Significa dizer as coisas como são na realidade.
Parem de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse conforme anunciado. Chamem ao sistema o que ele é: um período de intensificação de rivalidade entre grandes potências, onde os mais poderosos prosseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.

Significa agir consistentemente. Aplicar os mesmos padrões a aliados e rivais. Quando os poderes médios criticam a intimidação económica quando vem de um lado mas ficam em silêncio quando vem de outro, estamos a manter o cartaz na montra.

Significa construir aquilo em que alegamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, criar instituições e acordos que funcionem conforme o que fica escrito nesses acordos.

E significa reduzir a influência que abre espaço à coerção. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de cada governo.
A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é uma fundação estrutural para uma política externa honesta.
Os países ganham o direito a posturas baseadas em princípios ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações.

ESTA RUPTIRA EXIGE MAIS DO QUE SIMPLES ADAPTAÇÃO

Agora o Canadá. O Canadá tem o que o mundo quer. Somos uma superpotência energética, temos vastas reservas de minerais, temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um Governo com imensa capacidade fiscal para agir decisivamente. E temos os valores aos quais muitos outros aspiram.
O Canadá é uma sociedade plural que funciona, a nossa praça pública faz-se ouvir, é diversificada e livre. Os canadianos mantêm-se comprometidos com a sustentabilidade.

Somos um parceiro estável e fiável, num mundo que é tudo menos isso, um parceiro que constrói e valoriza relações a longo prazo.

O Canadá tem algo mais: reconhecemos o que está a acontecer e estamos determinados a agir em conformidade.

Compreendemos que esta ruptura exige mais do que simples adaptação, exige honestidade sobre o mundo como ele é.

Estamos a retirar o cartaz da montra.

A velha ordem não vai voltar. Não devemos lamentá-la. A nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fractura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo. Esta é a tarefa dos poderes médios, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.
Os poderosos têm o seu poder.
Mas nós também temos algo, a capacidade de parar de fingir, de dizer as coisas como são, de construir a nossa força no nosso país e de agir em conjunto.

Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo aberta e confiantemente.

E é um caminho amplamente aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco. Muito obrigado."

FIN - END

Só para terminar, apanhei este discurso numa rede social (que anda a enganar descaradamente os seus utilizadores), numa partilha do jornalista Carlos Fino, mas depois dei um jeito à tradução, retirando o acordo ortográfico, colocando links e fazendo separadores temáticos em negrito, para ficar mais fácil de ser lido. Baseei-me também na publicação integral do discurso em inglês (site do Fórum Económico Mundial de Davos) e numa notícia da Al Jazeera (de hoje mesmo).
Usem e abusem deste serviço público se acharem por bem, e se acharem que está bem traduzido.

sábado, janeiro 17, 2026

E AINDA A JESSIE "WILD ROSE" BUCKLEY

Fui pesquisar na net uma actuação como cantora desta actriz, e logo me sugeriram os motores de busca este video, onde canta numa homenagem da RTV pública irlandesa à falecida Sinead O'Connor. Grande momento para as artes, podem ver e ouvir no YouTube:

sexta-feira, janeiro 16, 2026

SEGUNDA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 Só passam à 2ª volta os dois mais votados. A esquerda não se soube entender, mas o Livre esteve melhor que BE e PCP. Fizeram a campanha, ocuparam o espeço e no final disseram para cada um fazer o seu voto útil. Para mim é difícil escolher quem vai passar à 2ª volta, dentro dos que sabemos que têm hipóteses, porque são todos muito falinhas mansas e mais do mesmo. E já sei que na segunda volta, confirmando-se que um deles é o André Ventura, Mr. Hamburguer, vou ter que votar no outro.  Mas vou deixar a escolha nas mãos dos meus concidadãos. E para não votar em branco, faço um voto McDonalds. Para a malta do Chega embandeirar em arco com a morte dos extremistas de esquerda. E depois perderem esse voto quando for a votação mesmo a contar.

Não sabem em quem vão votar na segunda volta das presidenciais? Assim já sabem o meu voto, mesmo eu não sabendo também em quem...

quinta-feira, janeiro 15, 2026

WILD ROSE - ROSA SELVAGEM

É mais do que devido. Já vi este filme há alguns anos, e como falei sobre a actriz anteriormente, participando num filme que ainda não vi, aqui fica agora o trailer do filme onde ela tem o papel principal e canta e tudo. A história é estranha, por ser tão fora do comum, mas é inesquecível. Quem não viu, ainda está a tempo... JESSIE BUCKLEY

quarta-feira, janeiro 14, 2026

HAMNET - GLOBOS DE OURO 2026

 Este filme, que vai estrear em Portugal no próximo mês, ganhou na categoria de melhor filme - drama. Eu vi o trailer, mas acho que desvenda demais sobre o filme. Pelo que aconselho ir ver o filme mas não ver o trailer. Em vez disso, partilho aqui o vídeo do discurso da actriz, que desempenha o papel de mulher do Shakespeare, uma actriz irlandesa que já vi noutros filmes e que ganhou um destaque na minha memória. Foi distinguida com o Globo de Ouro para a melhor actriz principal num filme - drama.