sábado, junho 13, 2026

JUNHO COMEÇA BEM, E PODE ACABAR MELHOR

 Pois é, o Malfadado tem ficado para trás, sem o devido registo das pequenas ou grandes coisas que vão passando por mim. Há muitas e boas fotos para partilhar, mas como escrever toma algum tempo, tenho passado por muitas coisas e depois acabo por não conseguir fazer aqui o devido registo, e muito menos tenho tido tempo para reflexões. O que vai acontecer é que, mais uma vez, um dia destes vou dedicar-me a escrever aqui e vou dar uma data anterior, para as coisas ficarem mais ou menos por ordem cronológica. Em Maio completei 62 anos, mas houve muitas coisas dignas de registo, uma ida a Idanha-a-Nova, um convívio no Monte Barata, uma visita ao Ti Ferreira, viagens de comboio, um concurso literário, bicicletas e ida a festivais.

De Abril já não me lembro de nada, mas tenho de certeza um par de coisas para escrever.

E de Junho, que ainda mal começou, mas com feriados à mistura já tenho muitas coisas para registar e partilhar. Estas coisas ainda me lembro bem, mas se não escrevo aqui, daqui a 2 meses já não vou recordar.


quinta-feira, maio 21, 2026

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL TAMBÉM AFECTA OS CÃES

 A IA é danada!

E pode ser daninha. Esse é um dos temas do momento sobre esta ferramenta a que já muita gente deita a mão. Às vezes sem saber bem as implicações futuras deste presente.

Volvido o prazo para candidatar os trabalhos ao Concurso Literário João Grave, uma iniciativa dirigida aos munícipes de Vagos, encontrei-me casualmente na rua com o meu amigo Tiago, que me tinha cedido uma poesia sua, a letra de uma música que ele tinha composto e produzido com o seu nome artístico Juno the First (link aqui para uma das suas criações, onde fala sobre ele, no Soundcloud), para incluir no meu trabalho criativo.

A dada altura da conversa ele diz-me que na origem dessa letra, sobre as Nações Unidas, esteve um texto gerado pela Inteligência Artificial.

O QUÊ?

Então eu tinha incluído no meu texto uma coisa com recurso à IA? Fiquei surpreendido e ele disse-me que normalmente não usa a IA nos seus poemas. Que, aliás, são mais que muitos. Demasiados, até, para a minha sensibilidade artística. Mas que para ele fazem todo o sentido e o ajudam no seu dia-a-dia, isso é um facto. Mas este em particular, que incluí no meu trabalho como parte de uma narrativa, tinha tido origem na IA e ele depois tinha adaptado.

Nesse dia eu andava com a Pingas em Vagos, uma cadela espectacular que tem heterocromia. E o Tiago, para exemplificar como faz, logo ali na rua e com acesso ao seu telemóvel, pediu à sua IA para fazer um poema para uma cadela que se chama Pingas e que tem heterocromia.

O resultado foi este, que aqui deixo, porque é de facto impressionante.

A Pingas e os seus Mundos

Num olhar que o sol desenha,
Um segredo a cadela guarda:
Uma íris de terra castanha,
Outra de céu que a alma aguarda.

A Pingas, menina de quatro patas,
Com o olhar que é bússola e farol,
Une o azul das manhãs mais exatas
Ao tom doce e quente de um fim de sol.

Se num olho espelha o oceano profundo,
No outro retém o brilho do mel;
Traz no rosto a magia de todo o mundo,
Um pincel de luar num traço fiel.

Corre livre, entre sombras e luzes,
Com a sorte a brilhar em cada iris,
É a Pingas, que a vida seduzes,
Dona de um encanto que nunca perdes.

Se tivesse algum tempo agarrava nisto e mudava algumas coisas, e fazia umas belas quadras dedicadas a esta amiga que procura um lugar melhor para estar, pois está com uma família espectacular, como conheço poucas, mas neste momento têm pouco espaço e pouco tempo para ela. Como o meu tempo também é pouco mudo só dois ou três pormenores:


A PINGAS TEM OS SEUS MUNDOS

Num olhar que o sol desenha,
Um segredo a cadela guarda:
Uma íris de terra castanha,
Outra de céu que a alma guarda.

Ó Pingas, do alto das tuas quatro patas,
Tens um olhar que é bússola e farol,
Unes o azul das manhãs mais exactas
Ao tom doce e quente de um fim de sol.

Se num olho espelha o oceano profundo,
No outro retém o brilho doce do mel;
Traz no focinho a magia do mundo,
Uma pincelada de luar, raio fiel.

Corres livre, entre sombras e luzes,
Com a sorte a brilhar em cada iris,
És a Pingas, que a vida seduzes,
Dona de um encanto que nunca perdes.

terça-feira, maio 19, 2026

CONVÍVIO MONTE BARATA - AMIGOS QUERCUS À VOLTA DO LUÍS MONTEIRO

 

Decorreu no Monte Barata um convívio de velhos amigos, cujo ponto alto foi um almoço partilhado no sábado, dia 16 de Maio. Cheguei no próprio dia, tinha ido de comboio de Aveiro até Castelo Branco uns dias antes, para participar no festival da Ajidanha, fiquei a dormir em casa da Lena em Idanha-a-Nova e nesse dia precisei de boleia, que tentei combinar na véspera. A amiga Lídia do Ladoeiro arranjou uma boleia até essa conhecida terra da campina, depois pensei ir andando e pedir boleia a quem passasse, até Monforte da Beira. Mas o Tito afinal lá teve que ir a Idanha e deu-me logo boleia directa. Mas, como eu queria ainda ir comprar queijos à queijaria Falcão, para partilhar no almoço, fiquei por ali e o Tito levou a minha mochila e a velha tenda até ao Monte.

Ali fiquei na conversa, na queijaria, com a Júlia e com o Fernando, em despique de contar novidades, ainda vi o grande Sérgio (filho do casal e continuador da tradição ganadeira), até que já muito atrasado lá me despedi e comecei a descer a encosta, disposto a fazer o resto do caminho a pé. Mal tinha descido 20 metros, toca o telemóvel, era a Marta, que estava com o Artur, e iam para o Monte na carrinha da Quercus, queriam saber onde eu andava e se precisava de boleia. Claro! Num instante estava lá no meio de malta que já não via há mais de 30 anos, outros ainda tinha visto entretanto, aqui e ali. Já todos velhos como eu, mas tal como eu, ainda não tão velhos que prescindissem de participar neste convívio.

E revi o Armando Carvalho, que a propósito deste convívio o Samuel me tinha dito que lhe tinham contado que ele tinha estado muito mal. Eu não fazia ideia, até que lá fiz uns telefonemas e me contaram assim por alto. Mas a verdadeira história contou-me ele, que sobreviveu mesmo por um triz. Na verdade, apesar de muitos amigos em comum, como andei afastado da net mais de um mês, na altura em que ele foi hospitalizado, acabou por me passar ao lado essa notícia trágica, e que ficou a uns passos de ser fatídica.

Foi um momento para recordar com saudade o Luís Monteiro, que uniu todas aquelas pessoas há muitos anos atrás, e para isso contámos com a presença do Paulo Monteiro.

Voltando atrás no tempo, muito atrás, eu conheci o Luis Monteiro em Montesinho, bem lá no norte. Soubemos que a Quercus estava a organizar um Campo de Verão, e eu e o João Santos fomos de propósito desde Coimbra até lá. Fomos à boleia, mas depois a última parte do trajecto acabámos por apanhar um comboio, uma vez que as boleias escasseavam, na mesma medida em que escasseava o trânsito automóvel. Desse acampamento guardo excelentes memórias, do Armando e da Bebé, da Paula Leitão, da Cristina (de Aveiro) e do Luís Monteiro (os dois que nos deixaram na sequência de trágicos acidentes), do João Santos (como não!), de uma Joana Barbedo (do Porto), de uma jugoslava que já não me lembro do nome mas deve andar por aí perdido em papéis.

Neste meu regresso ao Monte Barata tirei fotografias e verifiquei como as coisas estavam depois da passagem da tempestade que derrubou azinheiras centenárias. Mas as que foram podadas em 2024/2025 estavam todas imponentes e belas. E inspiradoras.

Aqui partilho algumas dessas fotos.












segunda-feira, maio 18, 2026

CONTOS NA OLIVEIRA - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CONTOS - 3º EDIÇÃO

 Consegui!!! À terceira vez que se realizou participei finalmente como espectador neste Festival, organizado anualmente pela Ajidanha. Foram 4 dias de apresentações/espectáculos. E começou de forma excelente, com uma apresentação de contos de José Saramago, pelos actores da própria Ajidanha.

Fiz algumas fotos, que partilho aqui, das diferentes noites em que consegui estar presente, 14, 15 e 16 de Maio. E fica o cartaz.



















sábado, maio 16, 2026

TI FERREIRA - MUDOU DE CASA AOS 93 ANOS

 Aquela figura icónica do Monte Barata, o vizinho que passava por ali de vez em quando, mas que nós visitávamos bastas vezes, está internado no Lar de Idanha-a-Nova. E aproveitando uma das tardes da passagem por esta minha terra entrei lá nessa instituição e estive com dois amigos que ali estão. Mas que preferiam não estar. A mãe da minha amiga Lena, com quem estive a falar um pouco, e o inquebrável Ti Ferreira. Ficou todo contente de me ver, talvez mais de eu o ter visto. O Lar é muito bom, mas para ele é um local estranho. Agora não tem acesso livre ao espaço exterior, vive num primeiro andar e ouve muito mal. Anda a caminhar pelos corredores, com um cajado. O seu cajado de pastor, o que segura a sua vida toda, de criança a idoso. Como tem essa dificuldade auditiva, os outros moradores desta grande casa acham que ele tem dificuldades cognitivas, associadas à idade. Mas não tem, está igual a si próprio. Na minha cabeça nasceu um projecto: agarrar nele um dia e levá-lo a caminhar pelas ruas da vila. E sentá-lo à sombra da oliveira, ali ao lado da casa grande que baptizaram com o nome da São. E eu agarro nas minhas pernas e braços e faço aquilo que ele faria: podar a famosa oliveira dos contos. Ficam aqui registadas as suas palavras na década de 90, porque a minha memória não durará para sempre: "- Dá-lhe João Paulo, dá-lhe com força. Mais vale podar mal uma oliveira do que não a podar".

A propósito de idosos e dificuldades cognitivas, há aqui um episódio que envolve também a poda de oliveiras e que tem algo de estranho. E poderia muito bem entrar numa crónica. Nas traseiras de duas ou três vivendas existe um terreno com oliveiras junto aos muros das casas. As oliveiras foram sendo vagamente cuidadas, mas no ano passado um senhor perto dos 60 anos falou com a dona do terreno e ofereceu-se para podar as oliveiras na altura da colheita da azeitona, pois assim apanhava as azeitonas, fazia azeite e ainda oferecia desse azeite aos donos. Cuidava e ainda oferecia algum azeite. Os donos aceitaram e... o resultado foi terrível. Armado da sua motosserra só deixou o tronco principal, cortou e fez lenha para queimar no Inverno, e deixou o terreno cheio de ramagens, ainda alguns panais debaixo dos ramos, para a tal apanha da azeitona. Que nunca fez. Estragou as oliveiras e nunca mais lá foi. Uma vizinha ainda o indagou, se acaso não estaria a estragar as oliveiras, mas ele respondeu que não, que assim é que se fazia a poda da oliveira. De facto não, não é assim que se faz. É uma técnica, rolar uma oliveira, mas não se aplica quando uma oliveira está saudável e em produção. Ali na terra este senhor já é conhecido pelos problemas que arranja, mas nem todos sabem todas essas histórias. Esta é mais uma.

Esqueci-me de tirar fotos ao lado dos meus amigos lá no lar.

quinta-feira, maio 14, 2026

TEMPUS FUGIT - CRÓNICA LITERÁRIA 5

 

PERDESTE UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO? OU FOI O ANIMAL QUE TE PERDEU A TI?

 

TEMPUS FUGIT

No tempo das plantações há quem ande a plantar mato, onde antes houve floresta. Bela ocasião para levar um cão à liberdade de correr montes e vales. No tempo dos fogos a floresta foi derrotada, o ciclo natural foi interrompido, a paisagem agora é um reverdecer rasteiro com hastes queimadas. É nestas terras que a rafeirita Nadi se esgueira entre obstáculos, perseguindo cheiros, focinho para baixo, salta valas e moitas, agora vê-se, depois já não se vê.

Habitualmente esta cadela leva o seu tempo nas suas caçadas, e de vez em quando passa no ponto de partida. Mas há dias que demora um pouco mais. E há dias que demora um pouco demais. Esse demais, este termo que nos remete para alguma transgressão, é aplicado no conceito humano, uma vez que o tempo dessa demora em voltar ao ponto de partida é muito diferente para as pessoas. Para a Nadi é apenas o tempo de andar em liberdade, a usufruir dos cheiros e da sua capacidade em deslocar-se rapidamente. O drama do tempo que nos foge é uma invenção humana.

Temos sempre mais coisas para fazer, do que tempo para fazer essas coisas todas. É por isso que às vezes, os donos de cães como a Nadi, não têm tempo para esperar pelo regresso dos cães ao ponto de partida. É uma coisa que acontece frequentemente com os cães dos caçadores. Sejam eles cães dos próprios caçadores, sejam eles cães de matilhas treinadas para fazer caçadas, as famosas batidas ou montarias, em que os animais selvagens são assustados pelos batedores e sua matilha, em direcção às espingardas dos caçadores. Em direcção à bala, em direcção ao chumbo grosso. O tempo aí passa a correr, e o projéctil não tem tempo para pensar, ou passa ao lado ou fere. Se fere pode ser mortal. Até para a morte o tempo conta, pode ser imediatamente, rápida como o estrondo do tiro, ou pode ser a ferida que leva a uma morte lenta, um, dois dias, uma semana ou um par delas, um mês. A lentidão vai de um tempo que medimos em “breve” ou num “lá mais para diante”.

A Nadi foi passear uma bela manhã de fim de Inverno, e perdeu o seu dono, que não tinha tempo para esperar. O seu dono encontra-se envolvido em compromissos, a Nadi fica em liberdade nas encostas do vale do Mondego, para lá da pequena povoação termal das Caldas da Felgueira.

Noutros tempos (para nós foi há muito tempo, geologicamente foi há muito pouco tempo), nestas terras agora desertificadas, era outra espécie que deambulava entre montes e vales, que espreitava os homens que se adentravam nas florestas. Era o tempo do lobo, agora extinto. Dizem que a extinção é para sempre, mas esta é uma extinção local, os lobos ainda resistem às investidas e destruições de habitats, noutros locais. Talvez o tempo ainda venha a trazer os lobos de volta.

Nas Caldas da Felgueira, nem cão, nem cadela, nem lobo, foi uma gata que não deu tempo à dona para a levar de volta a casa. Foi para lá escondida debaixo do capot do carro, fugiu quando a tentaram agarrar, escondeu-se noutro carro. E noutro. Nunca mais apareceu. Onde terá ido parar? Nem o chip a fez aparecer. O que vale é que a gata tem tempo para viver mais vidas. São 7 no total.

A Nadi só tem uma. E um chip.

quarta-feira, maio 13, 2026

ENCONTRO DE AUTORES - RASCUNHO - LAPA DO LOBO

 Ao inscrever-me na Oficina de Escrita Documental, e sem saber, acabei por participar na 1ª edição do Rascunho. Este formato de encontro de autores, idealizado e promovido pela Fundação Lapa do Lobo, tinha um programa para dois dias, aberto ao público e de entrada gratuita.


Na noite do dia 13, depois do jantar em grupo oferecido aos participantes da oficina, tivemos o espectáculo com a Soledad Felloza, uma uruguaia que reside na Galiza. Nas suas palavras "Galicia me ha adoptado pero nací a orillas de un rio que en lengua guaraní quiere decir de pájaros pintados, Uruguay. Las madreselvas aroman mi infancia y cobijan mis primeros amores. Las calles anchas de tierra esconden las primeras letras que garabateé y bajo el arenero de la plaza de la Bella Vista enterré un día mis miradas torcidas y me fuí por el mundo a contar mentiras mas verdaderas. Haciendo cuentas, me deben quedar por vivir uno 54 años, aunque preferiria que fueran 68 o 72. Así y todo, algunas cosas ya las tengo hechas. Algunas me llenan de orgullo, otras que si fuera por piel más clarita, me sonrojarían."

Foi muito divertido o espectáculo, a Soledad envolve-nos numa história que vai buscar às suas origens e que depois vem dar à Galiza e aos costumes peculiares dos galegos. Tem ritmo, tem muita piada, é quase uma "stand up comedy", um solo humorístico, para falar em português, ou galego.

No site da Fundação Lapa do Lobo podemos ler a notícia sobre o que aconteceu. Fiquei com pena de ter perdido a parte teatral, mas a minha agenda tinha um outro compromisso aqui no litoral.


terça-feira, maio 12, 2026

OFICINA DE ESCRITA DOCUMENTAL, COM MARLENE BARRETO

 Foi em Março que decorreu uma Oficina de Escrita Documental, com organização da Fundação Lapa do Lobo (Canas de Senhorim, concelho de Nelas) (link para o site da Fundação clicar aqui). Inscrevi-me porque apanhei a divulgação na plataforma Coffeepaste, e como ia para aquelas bandas naqueles dias, pensei: porque não?

Nesta oficina, em que conheci um pequeno grupo interessante de pessoas (da Fundação, a formadora e os outros participantes), a ideia era termos acesso a processos de transformação de histórias reais em material narrativo.

Foi no segundo destes dois dias em que decorreu a oficina que a Nadi se perdeu de mim (como noticiado aqui no Malfadado).

Foi muito enriquecedor participar nesta oficina. Para além da parte teórica fomos desafiados a passar à prática. De forma muito livre poderíamos escolher um tema, e sair para documentar a realidade e depois, num outro momento, construir uma narrativa à volta da recolha de imagens e/ou sons recolhidos.

Assim, depois de almoço, cada um escreveu a sua narrativa, depois foi o momento da partilha dos textos, e finalmente um espaço de criação colectiva a partir de imagens recolhidas pelos participantes, que proporcionou alguns momentos interessantes e que não imaginei quando pensei inscrever-me.

O meu tema foi escolhido pela Carolina, participante como eu e uma advogada de Viseu, que de forma muito espontânea e decidida sugeriu que o meu tema deveria ser o desaparecimento da Nadi. De facto, era uma boa oportunidade de voltar ao local, quem sabe a Nadi aparecesse, fotografar, filmar, documentar. E foi assim. Ficam aqui 3 fotos da extensa recolha que fiz, estas 3 documentam o que escrevi depois, mas fiz também videos, que não cabe partilhar.




Ficam também algumas fotos de momentos da criação colectiva:






segunda-feira, maio 11, 2026

AJIDANHA RECEBE NOVA DISTINÇÃO - TALVEZ A MAIS IMPORTANTE ATÉ AGORA

 Passou rápido o mês de Abril, não deu tempo para escrever aqui no Malfadado. Na Edição de 2026 dos Prémios do Jornal do Fundão, entregues na Gala anual do Jornal do Fundão, o Prémio Desenvolvimento Associativo e Cívico foi para esta pequena, mas enorme, associação de Idanha-a-Nova. Muito bom o discurso do presidente da direcção, ao agradecer o reconhecimento.

A partir da hora e 47 minutos de transmissão neste canal Youtube do Jornal do Fundão, temos a Ajidanha:


quarta-feira, abril 08, 2026

SINAIS - TSF

 Fernando Alves voltou a fazer as crónicas na TSF. Podemos ouvir (e ler os textos) na internet, ouvir nas plataformas de podcast. São os "Sinais". O link para o site da TSF onde estão recolhidas estas crónicas diárias fica aqui (clicar). O "Sinal" de hoje, 8 de Abril, é particularmente bonito, e acaba com um cão a sorrir!

Hoje enviei também um ofício a responsáveis israelitas pelo terrorismo de estado, a pedir para libertar um activista palestiniano em particular, que apenas andava a documentar a realidade. Foi um pedido da Amnistia Internacional, a que acedi. E mandei com conhecimento ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, claro. Toda a história e instruções estão num pdf partilhado pela AI (link aqui).

E ainda tive tempo para um abaixo-assinado aqui da região, onde assinei e até comentei!!! (quem quiser pode também assinar, o nº de assinaturas conta nesta petição que está aberta no site Petição Pública - link aqui).

Agora já chega, hora para descansar e poupar energias... amanhã há mais, Sinais e coisas para fazer.

terça-feira, abril 07, 2026

PALESTINA 1936

Um filme de época. Que estreia agora em 2026. Mas é daqueles filmes que trazem luz a acontecimentos que passados quase 100 anos ainda estão a destruir vidas na mesma região da Terra. Acontecimentos que alguns estados terroristas gostariam que ficassem no escuro. Provavelmente este filme (tem apresentação escrita na descrição do vídeo) não vai passar em Portugal, mas o trailer original sim, passa aqui no Malfadado e acredito que em mais alguns lugares:

segunda-feira, abril 06, 2026

ROGER WATERS CANTA NOVA MÚSICA - SUMUD

 Vi em casa de um amigo recentemente, e tenho mesmo que partilhar aqui, em solidariedade com os israelitas e judeus que se opõem à violência do seu governo, e à violência dos meninos do Trump.

domingo, abril 05, 2026

A PROPÓSITO DAS OPINIÕES E DO TRIUNFO DOS PORCOS

 Miguel Sousa Tavares, publicou no Expresso, deste 26 de Março que passou, uma crónica semanal. A última semanal. Fica aqui um excerto, da parte final:

"E se alguém podia imaginar, como eu imaginei em tempos, que nesta nova luta de classes os vencedores seriam os que se deram ao trabalho de tentar saber, aprender, distinguir a verdade da mentira, tentar ver claro o que não é nítido, enganaram-se redondamente: os vencedores são os ignorantes e os que tiram partido dessa ignorância, servindo, pronto-a-vestir, um simplismo opinativo que se torna irresistível para os crentes. Donald Trump é, obviamente, o exemplo consumado deste mundo assustador, cuja história não vejo como possa não acabar mal.
E então, chegado àquilo que consta ser a idade da sabedoria, dei-me conta de que talvez saiba mais do que percebo — uma armadilha muito comum. Parece-me que, incapaz de continuar a acompanhar eternamente a urgência e a abundância dos acontecimentos, a menos que nada mais de jeito faça, e mesmo já desinteressado de tanta espuma noticiosa, é chegado o tempo de me deter e recuar — como fazemos diante de um quadro, para melhor o fixarmos, melhor o decifrarmos. Quero tentar entender em vez de saber, olhar em vez de contar, escutar em vez de declarar, pensar em vez de concluir. Quero um dia novo, com menos notícias, menos ruído do mundo e das gentes. A partir de hoje, a minha colaboração com o Expresso passa a quinzenal — um pedido meu que a direcção do jornal teve a delicadeza de compreender e aceitar. Quem sabe se assim mais desprendido desta voragem em que vivemos, não ficarei mais lúcido ou, pelo menos, mais esclarecido!"

Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia

sábado, abril 04, 2026

MAIS E MAIS PORRADA NOS TERRORISTAS - O COMENTÁRIO DE ANDROLFO

 Incrível! Ainda há gente que defende os palestinianos. Essa raça nunca deveria ter nascido. Israel poderia agora ser um país sem apartheid, sem armas nucleares para se defender do terrorismo, poderia ser um paraíso na terra para todos os judeus do mundo, poderia ser um enorme país abarcando territórios que são agora de países vizinhos e cujas populações não palestinianas sempre se poderiam mudar para outros lugares. Só não vê quem não quer ver. Israel só fez uma lei nova de aplicação de pena de morte por culpa dos terroristas palestinianos. Israel só assassinou milhares de palestinianos, crianças, médicos, jornalistas, mulheres, jovens e idosos porque foi obrigado a isso, a culpa é dos terroristas. Que andam para aí a gritar que Israel é um estado terrorista. Terrorista? Só se for por culpa dos palestinianos, que teimam em não deixar Israel em paz, que não percebem que as suas terras ficam mais valorizadas e em paz nas mãos dos colonos israelitas, todos eles, sem excepção, excelentes pessoas que se preocupam em fazer a paz.

Vi na televisão um especialista a comentar as acções das Forças de Defesa de Israel, no Líbano, na Síria, no Irão. Ele tem toda a razão, de que servem as leis internacionais? Se um país soberano, que até participa no Eurofestival da Canção e tudo, é atacado, tem todo o direito em se defender, de todas as formas mais violentas possíveis. Porque como o próprio nome indica, o exército de Israel nunca ataca ninguém, só se defende.

Só não percebo é o que raio é que os palestinianos têm contra o estado de Israel, mas também não quero perder tempo a informar-me. Vem aí o Mundial de Futebol e preciso de acompanhar as notícias sobre a nossa selecção. Que normalmente também é muito boa a defender!

A. D.

sexta-feira, abril 03, 2026

20 ANOS DE MALFADADO - 3 DE ABRIL, HÁ 10 ANOS ATRÁS

 Há precisamente 10 anos atrás, no Malfadado, registei uma entrevista ao Dr. António Coimbra de Matos. A mesma estava publicada de forma aberta no Público, mas agora o link de então vai para o site do Público, onde a entrevista só pode ser acedida pelos assinantes...

Pesquisando na net, lá descobri que um ano antes dele falecer, o Fumaça, em 2020, lhe fez uma entrevista, sobre depressões e medos. Esta está disponível também no YouTube (só som), fica já aqui, para quem quiser aproveitar:


quinta-feira, abril 02, 2026

HUMANTI - ESCREVER AO NOSSO MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS

Na última semana de Março apanhei na net uma acção online de uma organização que desconhecia. A Humanti (link aqui para o site) (o site adianta pouco sobre esta organização, resume-se a este parágrafo: "We're a grass-roots collective advocating for Palestinian liberation. Humanti Project share resources and strategic actions to mount political and societal pressure to invoke meaningful change.". Ora a Humanti lançou uma campanha em que os activistas de cada país poderiam escrever ao seu ministro dos negócios estrangeiros. Para isso eles criaram uma plataforma onde somos dirigidos para a página do Ministério, e ali escrever um ofício (link aqui). Neste caso, para Portugal, não colocaram a página do próprio ministério no portal do governo, mas sim um endereço dedicado a promover o contacto com portugueses espalhados pelo mundo. E nesta página não dá para mandar ofícios, mas eu inseri o ofício como se fosse uma sugestão / reclamação, e assim já foi aceite.

Havia uma minuta de texto, em inglês. Com a IA fiz uma tradução, que depois revi e adaptei, acrescentando alguns conteúdos. Aqui está o resultado final:

Exmo. Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros

Dr. Paulo Rangel

Escrevo-lhe este ofício na medida em que gostaria que Vossa Excelência representasse Portugal e os portugueses, e não apenas parte dos eleitores que o elegeram, que não representam, nem de longe, nem de perto, a maioria dos cidadãos nacionais. De facto, mesmo sem nenhuma sondagem, será fácil perceber que num país de maioria cristã, e com uma história plena de bons exemplos (muitos episódios também para esquecer, ou melhor, para nunca esquecer!), os portugueses defendem os direitos humanos e as leis internacionais.

Aqui ficam alguns factos que serão certamente do seu conhecimento, mas que registo para enquadramento da minha solicitação:

- Desde 2 de março de 2026, os ataques israelitas ao Líbano e as ordens de deslocação forçada causaram o deslocamento de quase 1 em cada 5 pessoas no país — mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas. Destas, 134.377 encontram-se em abrigos governamentais, enquanto centenas de milhares vivem com amigos e familiares, ou foram forçadas a dormir nas ruas.

- Desde 2 de março de 2026, Israel matou pelo menos 1.000 pessoas no Líbano, incluindo 118 crianças e 40 profissionais de saúde. Antes da mais recente guerra de Israel contra o Líbano, Israel violava diariamente o anterior acordo de cessar-fogo, com mais de 15.400 violações registadas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2026.

- Atualmente, o sul do Líbano está a ser esvaziado dos seus habitantes pelas forças de ocupação israelitas, que utilizam armas proibidas internacionalmente, como o fósforo branco — uma substância química que se inflama em contacto com o oxigénio e arde a temperaturas extremamente elevadas, causando ferimentos graves, incêndios e danos ambientais duradouros. Israel também está a destruir infraestruturas civis, incluindo pontes, habitações e redes elétricas em todo o país.

- Os bombardeamentos israelitas destruíram edifícios residenciais inteiros nos subúrbios de Beirute — uma área urbana densamente povoada —, matando frequentemente vários membros da mesma família ao mesmo tempo. Os mesmos crimes de guerra cometidos em Gaza estão agora a ser cometidos no Líbano.

O que o mundo está a testemunhar no sul do Líbano é uma limpeza étnica de parte de um território soberano e ocupação. Tal como em Gaza. Dirigentes israelitas ameaçaram explicitamente, há apenas alguns dias, transformar partes do Líbano em Gaza. Não podemos permitir que isto continue.

Apelo-lhe, com urgência, para que:

- Imponha sanções totais e abrangentes a Israel e ponha fim às relações diplomáticas;
- Faça cumprir um embargo comercial completo em ambas as direções, encerrando toda a atividade de importação e exportação;
- Cesse imediatamente todas as vendas de armamento e a cooperação em matéria de informação com o Estado de apartheid;
- Garanta acesso livre e sem restrições às organizações de ajuda humanitária;
- Exija o fim da ocupação ilegal dos territórios palestinianos e sírios.

No mínimo, caso não queira Vossa Excelência expor-se, e à sua família, às pressões e chantagens mais ou menos violentas vindas de interesses sionistas (sejam eles israelitas ou americanos), agradecia que tomasse uma atitude cristã e pró-semita, ao contactar a administração da RTP e a direcção da FPF, no sentido de estas entidades ameaçarem publicamente que vão deixar de participar em competições que envolvam Israel como sendo uma nação europeia de plenos direitos.


Com os meus melhores cumprimentos