quarta-feira, julho 27, 2022

UM MÊS DEPOIS, DEZ ANOS DEPOIS - O CURRÍCULO

 E quando eu, há um mês atrás, pensava que ia arranjar algum tempo para escrever aqui no Malfadado, eis que vou tomar conta do sobrinho neto e sou contaminado novamente com Covid. Sintomas muito ligeiros, desta vez, mas com uma sequela mais chata, é que fiquei sem energia, muito cansaço e tem demorado a passar. E com o cansaço não me dá para estar sentado a escrever. O último texto que aqui escrevi tinha por título "Dez anos depois". E hoje estou a escrever porque precisamente dez anos depois estive a actualizar o meu currículo, o qual, tal como o anterior, fica aqui disponível on line (clicar aqui para a drive on line) para quem o quiser consultar. Para além das actualizações, introduzi uma coisa antiga dos tempos de Idanha-a-Nova, que foi a participação como representante das associações de defesa do ambiente no Conselho Municipal Cinegético e de Conservação da Fauna de Idanha-a-Nova. Uma coisa que nunca serviu para mais nada do que empatar e justificar muitas coisas injustificáveis que se passam no mundo das zonas de caça, privadas (incluindo as associativas) ou públicas.

sexta-feira, junho 17, 2022

DEZ ANOS DEPOIS

 Fica aqui este link para um texto do malfadado (clicar aqui) que poderia escrever este ano outra vez. Houve muita matéria prima e experimentei diferentes maneiras, mas a receita melhor é mesmo a que já usei há dez anos atrás.

quinta-feira, junho 16, 2022

UMA EXPLICAÇÃO DEVIDA AOS LEITORES DESTE MALFADADO

 Pois é, foram uns meses em branco aqui no blogue. A vontade de escrever é muita, mas a organização do tempo de vida não tem permitido ficar sentadinho a registar memórias ou a deixar as minhas dicas culturais e políticas. Fico em dívida para com os leitores, mas fico também em dívida para com a minha memória, na certeza de que não registar certas coisas no malfadado vai significar perderem-se algumas coisas que mais tarde não conseguirei recordar. E se recordar é viver, estarei a perder alguns meses de vida. Perder, também não é bem assim, é mais trocar esse tempo por outras coisas, por cuidar, por andar entretido na descoberta de outras coisas da vida. Fica a devida explicação da vida vivida nestes últimos meses, sempre ocupado e sempre desocupado, sem tempo para escrever aqui.

terça-feira, fevereiro 01, 2022

OS REFLEXOS ELEITORAIS, DEPOIS DO DIA DE REFLEXÃO

 E pronto, nada vai mudar na vida dos destinos do País. Mas as eleições foram muito importantes, pois mudou muita coisa. E muita coisa vai mudar na vida dos partidos e nas notícias do dia-a-dia.

O PS vai continuar a governar e a levar as suas políticas adiante, como aconteceu nos últimos anos. E consegue uma maioria absoluta para aprovar legislação que "facilite" a execução orçamental do extraordinário PRR e dos Fundos Europeus normais. O destino do país é o mesmo, mas com Comissões Parlamentares menos participadas à esquerda, as negociatas têm mais uma porta aberta para se encobrirem certas coisas. Claro está que serão mais participadas à direita, mas por pessoas que são normalmente mais mal preparadas para fazer o seu trabalho, deixando aos líderes o papel de uma oposição apenas ruidosa e sem outro fim que não seja o desgastar e o angariar simpatizantes com falinhas mansas ou discursos inflamados.

Esteve bem o Presidente da República ao marcar eleições, pois o chumbo orçamental e todo o teatro à sua volta, vieram fazer com que os portugueses escolhessem os seus representantes no parlamento de forma completamente diferente num espaço de dois anos. E houve mais gente a votar. Justificaram-se, as eleições. Houve uma adaptação dos representantes do povo, e estamos a acompanhar o que se passa na Europa em termos de dar voz  e um pouco de sistema, aos que se dizem anti-sistema e que dizem ir acabar com os maus políticos, mesmo que sejam partidos recheados de maus políticos. O que traz sempre a vantagem de trazer inspiração aos comediantes.

Muita coisa vai mudar na vida de alguns partidos. Do CDS, do BE, do PEV. Só não deve mudar tão depressa o PCP, que tem estruturas preparadas para aguentar o embate nas suas contas, derivado do menor número de votos angariados. E não se vai ouvir falar de geringonça, nem de negociações com a esquerda mais ou menos radical, ou mais ou menos democrática. Talvez se fale mais de regionalização.

E pode ser que numas outras eleições apareçam finalmente as coligações à esquerda por acordos distritais, pois em caso contrário, nós os de esquerda, arriscamo-nos a ter que votar PS para não ver o Chega a eleger deputados em distritos onde isso facilmente poderia ser evitado. Não é de esperar é que o sistema de círculos eleitorais que elegem 2 a 4 deputados mude, garantindo assim que só os 2 maiores partidos angariem deputados nesses distritos, regiões ou círculos eleitorais.

Um dia destes volto ao tema eleitoral, analisando os resultados do meu distrito. De facto as sondagens enganaram-me, e o Chega conseguiu aproveitar bem. E votei em mobilidade, uma estreia pessoal, mas que merece uma reflexão.

sexta-feira, janeiro 28, 2022

DIA DE REFLEXÃO ELEITORAL

 Não vou fazer previsões mas tenho como certo que em termos de percentagens a geringonça vai descer, castigo justo por não se terem entendido, nem terem conseguido explicar bem a razão de andarmos agora metidos em eleições.

Tenho para mim que a geringonça não funcionou por força dos dinheiros explosivos que a UE nos vai dar neste período. A questão é que o Costa sem maioria absoluta, e com as costas voltadas para o BE e PC, faz uma maioria mais do que absoluta com o PPD/PSD, e com isso garantirá o melhor desempenho de sempre no aproveitamento dos fundos da UE, o tal PRR e mais os fundos do costume. E havendo mais dinheiro a circular por cá e na Europa, alguma coisa há-de pingar para as contas públicas.  Não esquecer este nome, Ana Abrunhosa, porque ela estará por trás dos grandes atropelos a tudo, na mira de um belo desempenho no aproveitar dos dinheiros da UE. Falo com conhecimento de causa, por causa do que fez para favorecer o famoso PCI, em Ílhavo. E depois é só extrapolar para a realidade nacional, com uma margem de erro de mais ou menos 20%, como nas sondagens que nos atiram daqui e dacolá.

Por falar em sondagens, porque é que nenhuma sondagem fala do PEV? Sempre gostava de saber o peso eleitoral deste satélite vermelho que orbita à volta do PCP, pois elegem sempre um grupo parlamentar. Se fossem sozinhos a votos arriscavam-se a ser dos menos votados, mas lá arranjaram um sistema que mantém a estrutura viva e com um bom financiamento. Esta é a minha proposta para reflexão.

Tenho para mim que nestas eleições o BE e o PCP poderiam ter feito coligações nalguns distritos para garantir a eleição de mais um par de deputados para cada partido. Mas a dificuldade seria alargar essa coligação ao PEV, pois para o BE não fará sentido dar espaço a uma estrutura partidária que ninguém conhece a base de apoio. Depois queixam-se que o André Ventura vai eleger mais deputados... a culpa não é só dos outros, o BE e PCP deveriam ter uma estratégia adaptável às realidades, e numa coligação em certos distritos seria fácil, certamente, chegar a um entendimento sobre a distribuição do valor de financiamento partidário resultante dos votos obtidos.

Aqui no distrito de Aveiro já votei em mobilidade, para experimentar. Aqui quem é de esquerda vota BE, para segurar deputados e mostrar um cartão amarelo ao Costa (aqui o PC e o PEV não elegem deputados, mas é pena não conseguirem meter o Miguel Viegas do PC no parlamento). E quem é de direita vota CDS, para garantir que não se perde o único deputado eleito no distrito. O André Ventura, que não é de direita nem de esquerda, é só populista e chico-esperto, vai aqui arrecadar uma boa votação e um bom aumento de salários para os seus funcionários obedientes, e vai roubar deputados ao PS e talvez ao PSD, se roubar também o do CDS e um do BE então pode gabar-se de ter conseguido fazer história. Se bem que é uma história que se repete, esta da falta de cultura política e de intervenção cidadã do povo que vai votar, e que acaba por moldar as sociedades.


segunda-feira, janeiro 10, 2022

LER PARA VIVER

Este ano não fiz o guia de ofertas de Natal. Falta de tempo... mas lá teria que aparecer este livro, ou outro desta editora, a Foge Comigo. Neste caso a aventura pela EN2, que um dia gostaria de percorrer de bicicleta e


tenda às costas. Se me dissessem "foge comigo", eu largava já tudo!


E este papa-figos fica muito bem como imagem de marca.

1506 - LISTEN

 A RTP presenteou-nos com este filme português. Gostei de ver, mas achei a história um pouco mal contada, principalmente a situação do filho mais novo. Parece que ficaram a fazer falta algumas cenas, por corte na parte da edição do filme. Falta revolta, parece um filme fofinho sobre uma situação inaceitável e que de facto existiu. Mas abre a porta para uma reflexão sobre as intervenções das comissões de protecção de menores...

domingo, janeiro 09, 2022

BROTÉRIA - REVISTA MAIS DO QUE CENTENÁRIA

 Neste link podem começar a abrir mais do que um livro, pois tem pistas para tanta informação. BROTÉRIA. É mais do que uma revista centenária porque:

Faz este ano 120 anos de publicação mensal.

É um espaço aberto, uma casa em Lisboa, espaço de cultura dos jesuítas portugueses.

Está nas redes sociais, onde divulga as actividades. (link para a página de Facebook).

Estando eu muito afastado destas coisas da religião, cheguei a esta informação através da minha amiga Elisabete Oliveira, uma activista das coisas da cultura e que vai enviando uns emails com divulgações ou dicas para amigos.

É sempre de saudar a persistência de coisas como a Brotéria, de saudar as pessoas que se movem por ideais e que em tempos de estupidificação dão tudo de si por manter viva a cultura do conhecimento e do activismo, do encontro e da participação cívica.

E é importante assinalar que se pode assinar, recebendo a revista em casa. Sem gastar papel e tintas, claro.

E para quem é de Lisboa pode usufruir de um espaço com biblioteca, galeria, livraria e um café para estar com gente à volta.



sábado, janeiro 08, 2022

1504 - ESTEVE BEM, O BLOCO

Não havia necessidade de convocar eleições. Passo a comentar.

Mais uma vez, o Bloco de Esquerda é acusado de tombar um governo do partido socialista. Na primeira ocasião, 2011, o governo cai na Assembleia da República por chumbo do Plano de Estabilidade e Crescimento, juntando esquerda e direita na votação, depois do Bloco de Esquerda ter anunciado uma Moção de Censura ao governo (mas que não foi aprovada pela direita). Sai o PS e entra o PSD e CDS. Mas se na altura os socialistas culparam o BE pelo sucedido (e os eleitores castigaram depois na altura de votar), uns anos depois, com o caso Sócrates a ser conhecido, é certo que o Bloco de Esquerda esteve bem na altura. As negociatas eram mais que muitas e o governo Sócrates não conseguiu deixar de pagar às clientelas, afundando Portugal em dívidas.

Em 2021, o governo socialista tem pela frente milhões de euros, juntando o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e os fundos estruturais da Europa. As clientelas agigantam-se. Mas o PS tem que governar com apoio dos partidos à sua esquerda, o que decerto travará alguns negócios. As coisas vão bem em termos de sondagens e aparece o sonho nalgumas cabeças socialistas (muitas delas saudosas dos tempos de Sócrates com maioria absoluta) de tentar uma maioria absoluta. Mas para isso, há que forçar os antigos parceiros parlamentares a chumbarem um orçamento, dando a entender que é um orçamento de esquerda, mas depois não se fazem concessões aos parceiros, obrigando-os a ser coerentes, chumbando o orçamento. Basta depois inventar e dizer que o governo cedeu onde podia, e que a culpa das eleições é dos partidos à esquerda, para ver se os eleitores castigam esses partidos, aliás único terreno onde o PS consegue ir buscar eleitores. Esteve bem o Bloco, desta vez acompanhado pelo PC.

Vamos lá ver se os eleitores não se deixam enganar outra vez com as falinhas mansas de um Costa, que vai buscar inspiração ao Sócrates, empurrado por um punhado de homens de negócios saudosistas.


sexta-feira, janeiro 07, 2022

CINEMA NA SEMANA DE FICAR EM CASA

 Além do certificado, alguma mente mal iluminada deste país achou que para se ir ao cinema era necessário apresentar um teste negativo à COVID nestes dias em que a variante Ómicron fez aumentar o número de casos detectados. E lá fui eu fazer mais um bocado de lixo, com plásticos e cartão de embalagens, para estar no cinema sem ninguém à volta, em salas quase vazias. Enfim, o mundo tem as prioridades trocadas, por força das crenças no capital.

Fica então o registo de dois filmes, com os respectivos trailers. Duas obras de arte bem diferentes, um filme americano em que a estrela é o filho do Philip Seymour Hoffman (inesquecível actor americano que morreu por uso de drogas em 2014) e uma jovem actriz que o realizador lançou no cinema depois de a conhecer ao realizar alguns videos de músicas do grupo em que ela toca e canta com as duas irmãs (Haim). Vale bem a pena o filme, pela história de amor quase impossível entre um adolescente e uma rapariga 10 anos mais velha, de família tradicionalista judaica. Mas vale também pela beleza das imagens, os contra-luz, o colorido da luz do dia, as sombras da noite, a forma como a história nos é contada. E vale pelas interpretações, sem serem perfeitas mas conseguindo bem transportar-nos para os anos 70 e para a pele dos personagens. No filme e na realidade, a actriz principal é mais velha dez anos do que o actor principal. Tem duas irmãs e é de família judaica, como no filme. É o que dá ter um realizador que fez também o argumento, que assim agarra em toda a família da actriz para fazerem o papel de família da protagonista. Aplauso para o realizador, Paul Thomas Anderson, que faz belos filmes de época, e já receberam alguns Oscar por isso.Falta ainda o Oscar para melhor realizador, mas com 50 anos ainda tem tempo para isso. Fica o trailer, em versão mal legendada...



O outro filme é com um guião do próprio realizador francês, François Ozon, mas baseado num livro biográfico de uma escritora, onde ela narra como foram os últimos dias familiares de vida do pai. De facto, a escritora já tinha escrito guiões para o François Ozon, e por já a conhecer, depois da morte desta com um cancro de pulmão aos sessenta e poucos anos (em 2017), agarrou no livro dela e construiu uma história com imagens realistas, bem contada e comovente. Para além da Sophie Marceau, no papel da escritora, é uma oportunidade de voltar a admirar a Charlotte Rampling, que faz de mãe dela, uma escultora idosa que já não consegue fazer as suas obras.

quinta-feira, janeiro 06, 2022

1502 - VOTAR OU VOTAR ANTECIPADAMENTE

 Nestas eleições para escolher os deputados distritais que nos vão representar, no próximo 30 de Janeiro, só tenho uma dúvida, que é se vou pedir para votar antecipadamente. Enquanto o sistema eleitoral continuar o mesmo, as eleições por distritos vão continuar a garantir o desequilíbrio entre o litoral e o interior, onde no interior apenas os grandes partidos conseguem eleger deputados. No interior e nos círculos eleitorais do estrangeiro. Os do sistema garantem logo uma boa dúzia de deputados cada um. Quem vive em distritos do interior com pouca população e não vota nos grandes do sistema, ajuda apenas às contabilidades. Às contabilidades do número de votos a nível nacional, para saber quem ganha os lugares do pódio, mas também às contabilidades dos euros que entram nos cofres dos partidos. De forma simplista é mesmo assim, os eleitores do interior contam como um apoio importante para os cofres dos partidos mais pequenos, mas a maior parte dessa malta não tem noção disso quando tem que escolher em que partido vai votar.

É por isso que nas eleições para os deputados o valor (não é o valor em euros definido pela lei de financiamento dos partidos) de cada voto é diferente para pessoas que vivem em lugares diferentes. Um voto nos partidos pequenos que já têm uma base de apoio importante pode de facto eleger deputados em todos os distritos do litoral. E para os pequenos partidos, que são muitos e alguns dos quais nem sequer conseguem apresentar listas em todos os distritos, a esperança em eleger deputados resume-se aos distritos mais povoados do litoral. Como aconteceu há dois anos atrás, com o Livre, o PAN, a Iniciativa Liberal e o Chega. Certo é que apenas os partidos que elegem deputados recebem depois a anuidade prevista na lei de financiamento partidário. Segundo os jornais (link aqui) Lisboa elege 48, o Porto elege 40, Castelo Branco 4, Beja, Évora e Guarda elegem 3 e Portalegre apenas 2, para referir apenas os extremos. O método de Hondt faz com que apenas os grandes partidos consigam eleger deputados nestes distritos do interior, que são aliás onde os grandes partidos do sistema acabam por ter as votações mais expressivas. É preciso ter uma boa consciência sobre as diferentes valências de um voto para os eleitores do interior que não votam PS ou PSD se darem ao trabalho de ir votar, sabendo de antemão que nunca vão conseguir eleger um representante da sua confiança. Com excepções nos distritos do interior sul e ex-comunista, onde a geração mais velha mantém a fidelidade às suas convicções, e assim não ficam os 3 deputados apenas para PS e PSD. As listas dos deputados eleitos por distrito estão aqui neste artigo da comunicação social (link).

No meu distrito o Bloco conseguiu eleger dois deputados, de forma tangencial o segundo deputado. Ambos fizeram um bom trabalho nestes dois anos, merecem que a população os volte a escolher. Se a votação diminuir, certamente o PS ou PSD absorverão esse, ou esses deputados.


terça-feira, janeiro 04, 2022

1501 - SORRI E LUTA

  A ver as novidades do activismo no Facebook, reparei numa publicação da grande Ana Matias, onde denunciava a participação das entidades oficiais que deveriam proteger o ambiente, as águas dos rios, na continuidade de casos repetidos de poluição por gente que só pensa em lucrar. E depois vi esta montagem de fotografia, que roubei e coloco aqui. Há que sorrir, para depois cerrar os dentes nos momentos que exigem luta.


domingo, janeiro 02, 2022

1500

A minha mensagem 1500 neste malfadado blogue é a primeira de 2022. Para ilustrar esta minha foto, colocada na página oficial de Facebook da Quercus, escrevi este texto na minha página de Facebook: "A "minha azinheira" no Monte Barata, resistiu ao calor, ao frio, à falta de água no solo, à estupidez humana, à ganância de um vigarista, está sempre lá à minha espera, com oxigénio, com sombra e com uma vibração que nos aproxima. É minha e é de todos os sócios da Quercus. Esta está já cuidada, ainda precisa de um "toque", mas até ver pode aguentar mais um par de anos.
Nesta passagem de ano ouvi a Margarida Pinto Correia a falar da necessidade de cada um fazer a sua parte, para salvar o planeta e para ajudar o próximo, mas apanhei também outras pessoas a fazer a mesma referência. A dela destacou-se pela forma como colocou as palavras, e pelo seu exemplo.
A minha esperança nessa participação, nessa cidadania activa, nunca desapareceu, mas gostava mesmo era de ver muita malta nova a arregaçar as mangas e juntar-se aos poucos mais velhos que ainda agarram nas ferramentas, e deixam estas ferramentas virtuais, e que só fazem calos digitais, em segundo plano. Vai ser em 2022, é a minha esperança. É a nossa esperança...
Bom ano para todos!"

sexta-feira, dezembro 31, 2021

STOP VESPA ASIÁTICA - ICNF

 A última do ano. É por estas e por outras que desisti de fazer reclamações. Em vez disso escrevo aqui no Malfadado. Descobri um ninho de vespa asiática e reportei usando a plataforma oficial que as pessoas devem usar para as autoridades actuarem. Coloquei todas as informações e recebi um mail a confirmar a boa recepção da comunicação. Passada uma semana uma vizinha contactou-me a perguntar se eu já tinha visto o ninho, e lá lhe disse que sim e que já estava oficialmente comunicado às autoridades, e que estava a aguardar a intervenção e que me contactassem. Até agora nada de me contactarem, passadas 3 semanas. Apesar de eu ter escrito expressamente para me contactarem. Essa vizinha entretanto contactou com a Câmara Municipal de Vagos, e no dia seguinte foram lá e eliminaram as vespas desse ninho. E lá me disse que era melhor assim, contactar directamente a Câmara Municipal, muito mais rápido. Então para que existe esta plataforma? Para justificar pagar uns milhares aos amigos que a produziram? Negociatas do Ministério do Ambiente, sempre a mesma coisa desde os tempos do Sócrates, que outra coisa posso ficar a pensar? E neste caso acabei por ficar mal visto pela simpática vizinha...

segunda-feira, dezembro 27, 2021

JOÃO PAULO COTRIM E A BANDA DESENHADA

 Pronto, não gosto nada de fazer referências apenas depois de alguém morrer, mas esta tem que ser. Este meu homónimo nunca se cruzou em pessoa no meu caminho, mas é da minha geração e ouvi falar dele bastas vezes, sempre ligado a uma das minhas paixões, a banda desenhada. Por estes dias o organismo do João Paulo Cotrim não aguentou mais um ataque e ele morreu. Foi o vírus desta pandemia. Fica o seu trabalho. Fica aqui o artigo do Esquerda.net (link) que dá a notícia e dá um vislumbre da sua herança.

sábado, dezembro 25, 2021

A FÚRIA DOS ANOS 20

 São as redes sociais. Aqui fica o cartãozinho que andei a espalhar nas mensagens de amigos do Fb.


DO MEU NATAL DE CRIANÇA À FÚRIA DO SÉC. XXI !

Aqui vos deixo um texto algo longo, nada que os meus leitores não estejam habituados. É roubado ao meu amigo Daniel Folhas, que o escreveu esta manhã no seu Fb, e que eu também publiquei na minha página nessa plataforma.


Quando eu era puto na minha aldeia da Beira Litoral não se trocavam prendas de Natal, ou pelo menos da forma como agora se faz..
Os parcos ordenados dos nossos pais ( pais, no masculino, porque as mães eram essencialmente donas de casa/camponesas ) não davam grande espaço para o nível de consumo a que estamos agora habituados.
Praticamente só os miúdos as recebiam e eram quase sempre constituídas por aqueles objectos de que necessitávamos sendo, obviamente, a roupa e o calçado as prioridades, não fossem os putos fazer má figura no baile da aldeia, apresentando-se de meia sola remendada ou camisola desbotada!
Em geral, os adultos não trocavam presentes entre si e não se sentia qualquer tipo de obrigação social ou recriminação pelo facto de não se ter dado um presente à pessoa X ou Y.
Evidentemente que, o sentimento era recíproco e do outro lado também ninguém se sentia desiludido por não ter recebido ou dado alguma coisa a outrem.
Este hábito não significa que não houvesse trocas entre as pessoas, pois esta era a altura ideal para as ofertas dos produtos produzidos pelos próprios e de que poderiam ter alguma abundância.
Quem tinha uma boa nogueira podia oferecer um saco de nozes para juntar às iguarias da Consoada e quem sabe se não recebia uma bela "abóbora menina" para os filhoses do dia 24!
Com o passar do tempo e aumento gradual do poder de compra as pessoas da aldeia passaram a ter alguma disponibilidade financeira para oferecer aquilo que não tinham e já não só o
excedente, fruto do trabalho agrícola na maior parte das vezes. É aí que me lembro de ver os mais velhos a dar outras prendas a outras pessoas, nascendo o (confortável) hábito de oferecer as
peuguinhas quentes ou o par de cuecas a estrear no ano novo!
Este hábito tão português e que se prolongou no tempo quase até aos nossos dias pode parecer "cafona" e "parolo" porque as pessoas tendem a esquecer que essas pequenas lembranças,
fora daquilo que era o tal esquema de trocas dos excedentes agrícolas, está na génese daquilo que são hoje os nossos hábitos de troca de presentes no Natal. A quadra natalícia rural e tranquila da minha infância, acabou no momento em que as pessoas, já prisioneiras das influências urbanas veiculadas pela TV, começam a dar presentes fora daquela esfera sócio-económica restrita de que já falei.
Os hábitos urbanos instalaram-se progressivamente e a TV foi conseguindo vender ao mundo rural o hábito, tornado já obrigação moral, de oferecer prendas no Natal a toda a família e não só.
Este processo de incentivo à compra nos nossos dias transformou o Natal numa fúria consumista. Gostava de saber quantos miúdos desconhecem que, na origem do Natal, está a história cristã de um miúdo pobre, ao cuidado de um carpinteiro que precisa da ajuda de um burro e de uma vaca para se aquecer no seu "colchão" de palha...?
Obviamente que a figura de Jesus, esse miúdo pobre e desamparado, que foge para não ser assassinado, como fogem tantas crianças hoje, na mesma zona do globo, também para não
serem elas assassinadas por radicais e pobres de espírito e pelos senhores da guerra, é uma história que não interessa contar. É uma história que não vende, porque é real, é triste e essencialmente porque se repete desde há 2000 anos sem que nós, os ditos homens da boa boa vontade a consigamos parar...
A história de Natal que nos contam é a história do Pai Natal, esse "boneco", criado pela Coca-Cola, imagem tão mais simpática do que um esfarrapado em fuga pelos desertos arábicos. Os miúdos de hoje cada vez sabem menos sobre a existência desse tal menino Jesus, mas conhecem de cor o percurso televisionado do velhote simpático, desde a Lapónia até sua casa.
O Pai Natal é a figura central da fúria consumista em que tornámos esta quadra do ano, é um tipo gordinho, bem nutrido, que reluz na sua missão de levar presentes a todas as crianças do
mundo, sem excepção!
Podíamos ao menos ser espertos, fazendo como os Espanhóis, e deixar a missão do Sr. Coca-Cola para o dia que deu origem a esta tradição de oferta, o dia de Reis, mas não, continuamos
teimosamente a tornar esta quinzena de Dezembro uma verdadeira aflição de busca, procura e embrulha, induzidos pela caixa que governa o Mundo e movidos por um sentimento de culpa
que nos foi paulatinamente sendo inculcado de nunca quebrar a corrente de troca...
Esta corrente faz mover milhões de euros e eu não tenho nada contra isso a não ser o facto de amanhã de manhã o caixote do lixo de milhões de lares por esse mundo fora estar cheio com a
ex-última versão da consola xptO de 2021 ou o casaco de Dezembro de 2020 que afinal já não está na moda e que vai engrossar os milhões de toneladas de lixo que, entretanto são
discretamente enviadas para determinadas zonas / países por onde o Sr. Santa Klaus se esqueceu de passar e onde as esperam milhares de meninos que vivem de catar lixo!
E dou por mim a pensar, tão felizes que seriam essas crianças na simplicidade do meu Natal de há 40 anos, onde sem receber presentes, recordo com saudade a espera pelo arroz doce que
vai misturando o seu cheiro com o frito dos filhoses e eu menino, saio e volto a entrar vezes sem conta apreciando as conversas ali mesmo à minha porta no adro da capela, onde a fogueira de Natal irá arder até ao dia de ano novo. A casa está quente, lá fora a singela iluminação pública de Natal da época é apenas um adereço porque a verdadeira luz está nas pessoas, novos e velhos que junto à fogueira que ilumina as paredes da minha casa, conversam animadamente, mais ou menos aquecidas pela cepa irão por ali ficar até de madrugada e eu terei o privilégio de ali ficar à fogueira que aquece a parede do meu quarto.
Ali ficarei, em mais um Natal em que não tive direito a mais do que uns doces como presente e, claro, à roupa nova para estrear no bailarico de ano novo.
Tenho 10 anos, não tenho o quarto a abarrotar de brinquedos, nem nunca irei ter, mas sou feliz porque na minha cabeça isso nunca foi importante!