segunda-feira, fevereiro 24, 2020

GESTÃO DANOSA NA QUERCUS - 6ª ÀS NOVE - RTP

As suspeitas já vêm de 2017, e o Ministério Público anda a investigar há meses demais. Eu fui eleito e reeleito como presidente do Conselho Fiscal da Quercus e detectei coisas gravíssimas, uso de cartão de crédito, despesas abusivas de tesoureiro e presidente, aluguer de apartamento em Castelo Branco sem integração em projecto e sem justificação, actas de reuniões da Direcção Nacional forjadas, contrato com empresa italiana muito lesivo e dispendioso, despesas com advogado amigo do presidente para pagar trabalhos sem decisão da Direcção Nacional, secretário de Direcção Nacional que aparece em actas como estando presente, mas não pôs lá os pés, o mesmo secretário da Direcção Nacional aparece noutras actas como tendo estado presente por procuração (ilegal, e passando o poder deliberativo ao presidente, pois claro) que não está anexa à acta.
No passado fim-de-semana recebi um e-mail de um dos grandes ecologistas que conheci na Quercus, nos idos anos oitenta, e colocando um link para a notícia. Sem lhe pedir autorização, até porque não o vou identificar, aqui fica o que ele escreveu:
"Ao menos que se tenha tocado o trombone pela televisão...

É impressionante esta bosta. O dinheiro e a corrupção nos seus tentáculos...
"A Quercus precisava de receitas."..."
Ficam aqui 37 minutos de reportagem na televisão (link para RTP Play clicar aqui), onde eu apareço a referir algumas das coisas estranhas na gestão da Quercus.

Depois de verem a reportagem, é bom eu esclarecer que tentei em várias frentes ajudar a resolver internamente as situações anómalas, sozinho e com o apoio dos outros membros do Conselho Fiscal. Mas o presidente João Branco, com o apoio do advogado, seu grande amigo e beneficiado financeiramente com os dinheiros da associação, em conluio com o anterior presidente da Mesa da Assembleia Geral, Leonel Folhento, conseguiram desvirtuar completamente o propósito de uma Assembleia Geral Extraordinária, que decorreu em Viseu há cerca de um ano atrás. E o resto já se sabe, quando houve eleições o João Branco rodeou-se de amigos de negociatas para conseguir continuar a mexer com toda a facilidade os cordelinhos, qual marionetista rasca. E para garantir a vitória nas eleições accionou os associados que foram feitos de forma a garantir a manutenção do poder (funcionários das empresas que aparecem nesta reportagem, familiares de funcionários da Quercus que beneficiam da gestão do João Branco e associados de última hora angariados pelos membros marionetados da Direcção Nacional). E nessas eleições nacionais afastando toda a gente que ainda acreditava ser possível ter uma associação competente e transparente. Mas dessa gente há gente que não desiste. E que propõe, e que denuncia, e que trabalha regionalmente em iniciativas junto das populações.

O programa da Sandra Felgueiras nunca veio investigar as ilegalidades funestas do Parque de Ciência e Inovação, aqui em Ílhavo, denunciadas pela Quercus há um bom par de anos atrás (e se as associações envolvidas insistiram, enviando provas e mais provas), e acabou por vir cá entrevistar-me por causa das negociatas nefastas de um colega de estudos do Ribau Esteves... negociatas que são verdadeiramente danosas para a já de si fraca conservação do ambiente em Portugal. Termino com um agradecimento público ao jornalista que andou no terreno a recolher os depoimentos e imagens, bem como à equipa do Sexta às Nove, pois ficou um trabalho final bom em termos de informação e cadência.