sexta-feira, junho 19, 2020

BOA MÚSICA PORTUGUESA COM LUÍS PEIXOTO

Deixo aqui este video com mais de uma hora, muita música e algo de entrevista, foi gravado vai fazer três anos.

quinta-feira, junho 18, 2020

PARA OS AFICIONADOS EM VIAJAR - PRAIA DE MIRA

Há muita coisa para ler na net. Hoje volto a divulgar aqui este blog (clicar aqui), porque de vez em quando traz coisas interessantes e lê-se muito bem. E como o nosso tempo não está para grandes viagens, relembro aqui a Praia de Mira e os fantásticos bungalows do Parque de Campismo Municipal (link para artigo antigo). Continuam com muito boas condições e aconselham-se.

terça-feira, junho 16, 2020

domingo, junho 14, 2020

TARTILHA DE ABOBRINHA

Porque razão existe um termo português, e ainda por cima tão portuguesinho, para designar uma curgete e teimamos em usar o termo francês com escrita aportuguesada? A partir de agora vou sempre chamar abobrinha. No ano passado as abobrinhas produziram muito, como sempre, e fui pesquisar na net receitas para aproveitar. E descobri uma receita chamada torta (no brasil dizem torta quando é uma tarte) de abobrinha. Mas o resultado final tem pouco de tarte e muito de tortilha, pelo que inventei um nome para esta receita, com as minhas adaptações, e que vou escrever aqui mas também colocar no meu livro de receitas on line (neste blogue está o link no separador aqui do lado esquerdo, AS MINHAS COISINHAS). Passou então a ser a TARTILHA DE ABOBRINHA. Claro que dificilmente será encontrada nas pesquisas na net, mas pronto, há que chamar as coisas pelos nomes e diferenciar. Uma coisa é uma tarte, outra coisa é uma tartilha, podendo até ser que daqui a 25 anos entre no dicionário de português. Ou até no de espanhol, na versão de castellano como tartilla, em que a abobrinha aparece como calabacín. É então como se segue:

INGREDIENTES:
1 ABOBRINHA picada, ou seja, cortada em cubinhos pequenitos
1 CEBOLA picadinha
3 OVOS ligeiramente batidos
AZEITE - 2 colheres de sopa
FARINHA DE TRIGO - 1/4 chávena
QUEIJO PARMEGGIANO RALADO - 1/2 chávena
FERMENTO - 1 colher de chá
ERVA AROMÁTICA - opcional folhas de salsa, manjericão, ou oregãos, tomilho secos
SAL (a gosto mas cuidado porque o queijo já leva bastante sal) e ou PIMENTA.
E ainda qualquer óleo e pão ralado ou farinha integral para untar a forma (de tarte de rebordo liso ou forma com mola de abrir de diâmetro mais pequeno) e polvilhá-la.

Separar os ingredientes. Ligar o forno a 200º. Preparar os ingredientes. Misturar tudo numa tigela e ir mexendo, de forma a não criar grumos e ficar tudo bem misturado. Despejar para a forma preparada. Entretanto o forno já deve estar no ponto, enfiar lá a forma e esperar cerca de 20 minutos. Para a tartilha ficar homogénea pode ser rodada a forma aos 15 minutos, e verificar se está a ficar com bom aspecto. Depois pode ser comida quentinha, ou fria levando para pic-nic, tal como uma tortilha.

Claro está que as quantidades de ingredientes são indicativas, pois o tamanho da abobrinha, da cebola e dos ovos podem variar. O queijo ralado pode ser outro tipo de queijo. Mas depois cada um adaptará.

A primeira que fiz este ano ficou mesmo boa, deu para 4 doses, acompanhando com arroz e saladas. Devia ter fotografado para colocar aqui, mas esqueci-me. E na verdade até é mais fácil clicar aqui neste link e ver a receita (quase igual) filmada, colocada no youtube e falada em brasileiro.

Agora é só os inovadores adaptarem esta receita para outros vegetais e criar-se uma variedade de tartilhas e o conceito ganhar raízes na culinária.

sábado, junho 13, 2020

MAIS UM MAX ROACH NA COLECÇÃO - NEWPORT REBELS

De vez em quando lá chega mais um CD à minha colecção Max Roach (ver neste link texto aqui no Malfadado sobre este baterista e a minha colecção). Deste feita fica a referência a mais um para a colecção, com a característica dele apenas tocar numa música do CD. É de 1960 e diz aqui a wikipédia (link) que alguns artistas da nova onda do jazz da altura se revoltaram contra os organizadores de um festival de Jazz e organizaram eles próprios, quais rebeldes, um festival alternativo em Newport, uma das cidades do mais pequeno estado americano, o de Rhode Island.
Deixo aqui o som poderoso da 2ª faixa do CD, onde aparece então o Max Roach a tocar, uma música intitulada Cliff Walk (uma das atracções turísticas de Newport), composta pelo trompetista que também se ouve a tocar, o Booker Little. Acompanhados por trombone, saxofone tenor e contrabaixo.

quinta-feira, junho 11, 2020

SIDNEY BECHET - PETITE FLEUR

Hoje fica aqui a referência a esta música, que ouvi tantas vezes desde criança. 

  

E até descobri que alguém a colocou no youtube, na versão que conheço tão bem, pelo que aqui fica para memória e também para dar a conhecer aos leigos leitores este clarinetista do jazz que nasceu ainda no século 19.



quarta-feira, junho 10, 2020

CONTIGO

Uma espanholada romântica, música de 2005, e que um amigo agora partilhou por e-mail nesta versão com animação usando ilustrações. Dedicado pelo seu cantor ao vocalista dos Jarabe de Palo, que morreu ontem com 53 anos (link para wikipedia). E cá aparecem os discos em vinil a rodarem... canal youtube do cantor Kiko Veneno:


Sim, não parece pela ilustração, mas hoje é Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Hoje a comemoração aqui no Malfadado vai para as Comunidades Portuguesas nessa futura fusão de repúblicas e monarquia que será a Espanha do futuro, e para a qual os portugueses que lá trabalham estão a contribuir.

terça-feira, junho 09, 2020

BIOGRAFIA DE ACTIVISMO

Só quem conhece de há longa data as minhas andanças associativas conseguiria fazer assim uma biografia resumida (e não autorizada) da minha cidadania activa na área do ambiente:
"Início de participação cívica no extinto GIDC, onde também desempenhou alguns cargos associativos. Fundador da AGROBIO, onde desempenhou alguns cargos associativos e pertenceu ao Gabinete Técnico. Formado em Produção Animal pela ESA de Coimbra. Membro da Quercus desde o final da década de 80. Na Quercus desempenhou cargos associativos no Núcleo de Castelo Branco, Núcleo de Coimbra, Núcleo de Aveiro e nos anos mais recentes ao nível da estrutura nacional, participando no Conselho Fiscal, estando agora afastado desses cargos. Agricultor Biológico no concelho de Castelo Branco até ao ano 2000.
Pelo seu activismo passaram situações que ainda hoje têm grande impacto naquilo que se pode considerar como a preservação do ambiente em Portugal: a eucaliptização e favorecimento das grandes empresas, com a destruição do mundo rural. O estabelecimento de zonas de caça privadas, turísticas ou associativas, com grandes impactos na biodiversidade. A implantação de métodos agrícolas industriais e de elevado recurso a adubos e pesticidas, com grandes impactos na saúde da população e na qualidade da água. A construção de grandes barragens financiadas pelo estado e concedidas a grandes empresas privadas, com graves impactos regionais e na biodiversidade. A destruição da ferrovia e a aposta nos veículos individuais motorizados, em detrimento do transporte público ou dos modos suaves de deslocação, contribuindo para problemas para a conservação da natureza e para a saúde individual. A construção de inúmeras instalações industriais e comerciais em áreas agrícolas e florestais, aumentando o número de edifícios abandonados quer em meios urbanos quer em meios rurais, mas também destruindo solos e promovendo a impermeabilização dos mesmos. O abandono rural, a promoção da florestação monoespecífica e as alterações climáticas, que levaram aos enormes incêndios rurais dos últimos anos."

Um dia gostava de ter tempo de ir colando aqui no Malfadado os recortes que ilustram todo este activismo, principalmente os anteriores a este registo em forma de artigos malfadados. Mas para já fica aqui este guia.

Quem sabe um dia alguém leia isto e me convide para fazer palestras sobre partes deste currículo de contestação.

segunda-feira, junho 08, 2020

BAÚ DAS MEMÓRIAS - LP FINE ART OF SURFACING

O texto de ontem levou-me a recordar um LP que comprei em 1980, e que ouvi tantas e tantas vezes (link para o texto na Wikipedia em inglês, e com imagem da capa). Das várias músicas deste LP dos Boomtown Rats ainda consigo trautear quase todas, e até todas se ouvir o início para "dar o tom".

Fica aqui uma das que melhor descreve o som e intervenção desta banda irlandesa, na versão ao vivo da época, e que está no Fine Art of Surfacing:



Os Boomtown Rats (link para o seu site) estiveram activos entre 1975 e 1986, nessa altura pararam e dedicaram-se a outras coisas individualmente, mas regressaram em 2013, tendo lançado um novo álbum de composições originais este ano, e fica aqui o single tal como partilhado no Youtube:



Vê-se bem o passar dos anos, estão velhinhos como eu. Mas não parámos ainda, essa é que é essa. Mesmo com pausas pelo meio.

Este grupo tem referência resumida na Wikipédia em português (link), para quem quiser ter uma ideia da cronologia do seu trabalho.



domingo, junho 07, 2020

BLACK FLOYD

Porque nasceste preto em vez de cor-de-rosa? (14 de Outubro 1973 - 25 de Maio 2020) (link aqui para Wikipedia)

A obra de Banksy, tal como publicada no seu Insta:


Do álbum The Wall, dos Pink Floyd, que continua na minha lista da análise crítica obrigatória para alunos do ensino secundário:

"Are there any queers in the theater tonight?
Get them up against the wall! There's one in the spotlight, he don't look right to me, Get him up against the wall! That one looks Jewish! And that one's a coon! Who let all of this riff-raff into the room? There's one smoking a joint, And another with spots! If I had my way, I'd have all of you shot!"



Ou a mesma música no excerto do filme The Wall, protagonizado pelo Bob Geldof (vocalista nos Boomtown Rats, quem se lembra?):

sexta-feira, junho 05, 2020

5 ANOS DE VOLTAR À TERRA

Hoje, Dia Mundial do Ambiente, celebra-se o 5. Foi a 5 de Junho de 1972 que teve início em Estocolmo aquilo que mais tarde daria direito à declaração do Dia Mundial do Ambiente. Cujas comemorações farão 50 anos em 2023. Eu já tinha nascido nessa altura, mas não percebia nada do que se passava à minha volta, nem o fascismo nem o colonialismo, estávamos em estado de guerra a matar pretos na sua terra, sem perceber que aquela faz parte da nossa Terra. Sem perceber que vivemos numa aldeia global e que só temos a ganhar em conviver de forma harmoniosa com os vizinhos. Também nessa altura não percebia nada de ambiente, nem eu nem os portugueses, salvo raras excepções, de gente que sempre existe e que vai à frente do seu tempo. Mas nessa altura já havia gente que protestava e chamava a atenção para a necessidade de defender o ambiente, o Greenpeace vai comemorar 50 anos já para o ano que vem.

Hoje o Malfadado comemora voltando a referir o blogue da actriz Anabela Teixeira, "Voltar à Terra" (link aqui). Fez 5 anos este blogue, muito bonitinho e bem organizadinho, que com a sua edição e divulgação vai levando as questões ambientais a um pequeno universo de leitores. E até organiza alguns pequenos e simpáticos passatempos. A Anabela Teixeira é das que contribui com o seu grãozinho de areia.

Nestes tempos em que as artes estão a passar mal, especialmente as artes de palco, aqui fica a divulgação desta iniciativa pessoal de uma das nossas melhores e mais conceituadas actrizes. E aqui fica um videozinho com a Anabela nalguns papéis principais:

Anabela Teixeira Showreel 2020 from Anabela Teixeira on Vimeo.

quinta-feira, junho 04, 2020

FAZER PARTE DA ASSOCIAÇÃO CABEÇO SANTO

A ida ao Cabeço Santo teve também como resultado ter recebido em mão o recibo de pagamento da quota de 2020 referente a associado fundador. A nova associação precisa de novos sócios e não é preciso ter ido ao Cabeço Santo, para trabalhar ou apenas para reequilibrar corpo e mente, para pertencer. Pertencer pode ser de alguém lá de longe e que com o seu pequeno contributo de 10 euros anuais quer dizer que também acredita na mudança e na resistência e que contribui assim. Muitos com pouco podem fazer muito mais que apenas um com muito.

Fica o convite para se inscreverem na ACS e fica aqui uma música dedicada ao local perto e longe onde toda a beleza do mundo se esconde:



Video de espectáculo ao vivo, com letra e tudo na descrição. 

quarta-feira, junho 03, 2020

JORNADA DE VOLUNTARIADO NO CABEÇO SANTO - DIA DE FESTA

No dia a seguir ao meu aniversário estava marcada mais uma das famosas jornadas de voluntariado. Vai daí aproveitei e fiz eu o almoço, que contou ainda com bebidas e uns biscoitos ucranianos que eu não forneci, mas que foram muito apreciados.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, planta, árvore, criança, ar livre e natureza

Nasceu assim mais uma tradição no Cabeço Santo, que é o meu almoço de aniversário, confecionado por mim, ou pelo menos grande parte desse almoço, decorrer na primeira jornada a seguir ao aniversário, ou no dia do aniversário. O almoço decorrerá sempre à sombra de carvalhos, junto de um ribeiro, e é aberto a amigos meus que ali se possam deslocar. Neste caso o único que se deslocou de propósito foi o Gabriel Soares, aqui de camiseta verde, e que ajudou à festa trazendo o Bobito para um passeio e convívio com a Pipoca e o Punti, e os já referidos biscoitos. Só não ajudou a comer, mas não foi por falta de comida. Para a ementa deste ano escolhi fazer uma desconstrução dos famosos piqueniques de há uns anos atrás no Cabeço Santo, por isso apresentei uma salada fria de grão-de-bico com atum e ovo cozido, mas com três versões: vegana, vegetariana e flexitariana. Neste almoço a comida foi servida em pratos de loiça e os sumos em copos de vidro. Um luxo, para piqueniques longe da urbe.

Para mim foi um dia muito bem passado, com muito convívio e muita intervenção no terreno, boas pedaladas de bicicleta logo pela manhã e temperaturas muito amenas. Só os mosquitos é que estavam mesmo a mais, e deixaram-me várias marcas. Já tinha tido ataques de mosquitos no Cabeço Santo noutras primaveras, mas desta vez foi mesmo a pior. Ainda assim controlámos centenas de acácias e uma vintena de eucaliptos, enquanto um dos voluntários andava ali por perto de motorroçadora a controlar silvados e matagais, deixando a descoberto belas árvores plantadas por outros voluntários. Todas as fotos desta jornada aqui neste link (clicar aqui).

terça-feira, junho 02, 2020

8 AO 80 E NOVO FILME SALLY POTTER

Ainda há pouco tempo referi aqui a minha admiração por esta realizadora inglesa, a propósito de um DVD. Mas a Zé ouviu na Antena 1 uma rubrica que começou por causa da pandemia, e que todos os dias dá pistas engraçadas sobre muitas coisas da cultura, referirem o nome dela, eu já não apanhei. Mas fui à procura do programa on line e aqui está ele (link para quem quiser ouvir na RTP Play). Lá referiram o filme Orlando, que já via outra vez, e falaram que tinha sido lançado o novo filme. Aqui fica ele, para que vejam o trailer. Em termos de história não foi muito bem recebido pelos críticos, mas tem excelentes desempenhos de actuação e imagino que de realização também. Vou ter que esperar para ver...

Para quem preferir o trailer legendado em brasileiro… Sonhos de uma vida.

segunda-feira, junho 01, 2020

OGRE - NOVO SINGLE ANUNCIANDO CD

Lançado on line, em várias plataformas, aqui fica este teledisco no youtube. Apreciem. Eu gostei da nova música e acho muito bom este trabalho de vídeo do teledisco, com a Maria João bem sintonizada com a animação. Deve ter dado um trabalhão, mas deve ter dado uma grande satisfação no final, pelo bom resultado.


domingo, maio 31, 2020

DIA DA CRIANÇA E DA ENERGIA

No dia da Energia, fixado como o dia 29 de Maio, a Coopérnico fechou mais um pedido de investimento cooperativo, desta vez numa Adega Cooperativa em Mangualde. Tal como anunciado na sua página do Facebook (clicar aqui neste link), mas também como noticiado de forma mais detalhada pelo jornal Expresso (link para o site do semanário). Claro que esta é também uma boa ocasião para dizer mais uma vez que aconselho vivamente a adesão a esta Cooperativa de produção e comercialização de energia, é possível fugir das multinacionais e ter um excelente serviço de fornecimento de energia a preços mais baixos do que aquilo que se paga nessas empresas. E tem-se ainda a possibilidade de investir com retorno garantido a taxas muito atractivas e em projectos de forte cariz social, ajudando ao desenvolvimento da nossa sociedade civil. Se quiserem ajuda no processo de adesão podem falar comigo ou contactar directamente a Coopérnico. É sempre a ganhar!

Como vem aí o Dia da Criança deixo-vos aqui um pequeno vídeo para partilharem com os mais pequenos. Por esta geração de miúdos vale a pena fazer alguma coisa de positivo, e são acções como as da Coopérnico ou da plataforma Go Parity no financiamento de centrais de produção energética que devem merecer todo o nosso apoio.


sexta-feira, maio 29, 2020

ANIVERSÁRIO

Hoje foi dia de comemorar mais um ano de vida. A minha mãe avisou-me que no facebook muita gente me deixou lá uma mensagem, mas como já saí dessa plataforma, os agradecimentos têm que ir por outra via. Um dia destes, se tiver tempo, vou lá e mando um link para esta mensagem aqui no Malfadado. Muito obrigado a todos e a cada um em particular, aos que ainda telefonam e contam novidades, aos que mandam sms logo pela manhã e aos que ainda usam o Fb. A caminho dos 57!!! E de bicicleta, porque a caminhar a pé perde-se muito tempo.

sábado, maio 23, 2020

LIDO: MEMORIAL DO CONVENTO

É sublime, somos transportados no tempo para as vidas na corte e nas pessoas do povo, com uma dose grande de imaginação, misticismo e as análises filosóficas do grande José Saramago integradas nas pequenas histórias do livro. Dá para ler duas vezes, talvez mais. Ainda bem que não o li há mais tempo, há uma altura certa para tudo. "Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas".
Não sou de sublinhar livros mas há pouco tempo transcrevi aqui para o Malfadado a reflexão tão actual sobre a justiça em Portugal (link). E hoje deixo aqui mais umas ideias da parte final do livro, agora quando a visionária Blimunda Sete Luas dialoga com o seu Baltasar Sete Sóis: "(Baltazar diz:) Dizes-me sempre que me acautele, eu vou e venho, mais cuidados não posso ter.
Tem-nos todos, não te esqueças.
Sossega, mulher, que o meu dia ainda não chegou.
Não sossego, homem, os dias chegam sempre."

quarta-feira, maio 20, 2020

DIA MUNDIAL DAS ABELHAS - COMEMORAÇÃO EM PORTUGAL

Pelo segundo ano consecutivo, os Aidos da Vila colocaram na agenda do dia a importância das abelhas. Aqui ficam algumas fotos que tirei, enquanto seguia as actividades planeadas. Só não fica a receita da mousse de alfarrobas (produzidas nos Aidos) que estava deliciosa e inigualável em frescura e cremosidade. Parabéns a toda a equipa dos Aidos, um eemplo que devia ser bem mais conhecido por pequenos e graúdos. Lá virá o seu tempo...











segunda-feira, maio 18, 2020

sábado, maio 02, 2020

INICIATIVA CIDADÃ EUROPEIA

Estamos de fim-de-semana e normalmente há mais algum tempo livre nas nossas vidas. Hoje proponho uma coisa simples e que pode ser muito eficaz: participar numa Iniciativa Cidadã Europeia. Funciona mais ou menos como uma petição dirigida à Assembleia da República, mas neste caso é ao nível dos órgãos democráticos europeus. Quem pode participar? Todos os que são potenciais eleitores, e somos muitos. Mas infelizmente são poucos os que se dedicam ao activismo.
O tema é SALVEMOS AS ABELHAS E TAMBÉM OS AGRICULTORES - POR UMA AGRICULTURA QUE RESPEITA AS ABELHAS E UM AMBIENTE SALUTAR.
Numa época em que a vespa asiática provoca mais danos à saúde (a longo prazo) do que o novo corona vírus asiático, esta é uma chamada de atenção para a necessidade de se reverem as práticas agrícolas que matam as abelhas e poluem os nossos recursos ambientais.
É muito fácil participar, depois de clicar neste link (clicar aqui) que segue direitinho para o site da plataforma que promove a Iniciativa Cidadã Europeia. Nesse site aceitam-se os cookies, para depois saltar por cima da inscrição no site e passar directamente para o formulário. É preciso ter o cartão de cidadão à mão, pois pedem o número completo do mesmo para autenticação da participação, e é um site seguro da União Europeia. É só preencher com os dados pessoais solicitados, verificar três quadradinhos e submeter. Eu já faço parte, claro, e agora divulgo aqui pela sua relevância e necessidade de participação alargada de forma a ser efectiva.

sexta-feira, maio 01, 2020

1º DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR - EUCALIPTOS EM VALPAÇOS

Hoje é comemoração de dias de luta. O povo unido jamais será vencido. Hoje vou referir aqui uma coisa que merece lugar de destaque no Malfadado: o dia em que os ecologistas se juntaram ao povo para arrancarem uma plantação industrial de eucaliptos. Foi em 1989 e ficou para a história da ecologia em Portugal. Houvessem mais pessoas como os transmontanos em Portugal e certamente teríamos um muito melhor mundo rural. Agora, além dos eucaliptos, teríamos que andar a arrancar olivais e amendoais intensivos. Fica aqui uma notícia de 2017 sobre os acontecimentos que completaram no ano passado 30 anos (link clicando aqui).
Eu tinha 25 anos e andava com outros dois técnicos (Ângelo Rocha e mais alguém que não me lembro, talvez o Luis Filipe Carloto) em Trás-os-Montes em trabalho de acompanhamento dos agricultores biológicos pioneiros (éramos do Gabinete Técnico e de Certificação da AGROBIO), e lembro-me bem que o Ângelo Rocha referiu que ia haver um arranque de eucaliptos e perguntou se nós queríamos lá ir. Eu disse logo que sim. E lá andei no arranque e confirmo os relatos desta notícia de 2017. Ecologistas ao lado dos agricultores. Aquilo ia mesmo dando para o torto, a determinada altura só vejo um calhau enorme a passar ao lado da cabeça de um GNR a cavalo, e sabia que a malta dali estava toda armada com revólveres. Se o calhau tem acertado no guarda, era o fim do mundo. Mas vá lá, passou ao lado. Veio a carga da polícia a cavalo e lá começou a debandada. No ar andava um helicóptero a filmar tudo para as reportagens televisivas, mas os meus 5 minutos de glória foram ter aparecido na capa do Diário de Notícias (ou Jornal de Notícias, agora não posso precisar). Quando cheguei a casa dos meus pais lá estava o jornal e o comentário do meu pai, muito espirituoso como sempre: " - A primeira vez que um filho meu sai na capa do jornal é a fugir da GNR.". Esse recorte deve andar por aqui no meio das minhas papeladas. Bem merece uma digitalização e publicação aqui a ilustrar este texto.
Viva o 1º de Maio, este ano não fui à manifestação, mas estive lá em espírito!


quinta-feira, abril 30, 2020

GUILLAUME CANET - CINÉMA

Apanhei na TV (devida vénia ao canal de TV Cine Mundo, que tem uma boa programação de filmes francófonos recentes) um filme deste actor francês, actor que já conhecia de outros filmes. Ficam aqui cenas inesquecíveis de um desses filmes em dois trailers distintos:


Comecei então a ver este filme mais recente, de 2017, sem saber quem era o realizador, só reparei que era protagonizado pela Marion Cotillard. E apanho com um filme em que a narrativa é sobre o próprio filme, e só a meio percebo isso. E no final confirmo: o realizador é o próprio actor principal. É uma comédia de crítica, em que o guião se confunde com a vida real destes dois actores, Guillaume e Marion, que são mesmo um casal desde há vários anos (não, não é desde que fizeram os papéis principais no "Amor ou Consequência", só se juntaram uns anos mais tarde, mas até ver de forma duradoura). Se gostarem tanto de ver filmes em que a história se confunde com a realidade do mundo do cinema, não percam, pois para além de um filme bem-disposto, é também romântico, reflecte sobre os problemas do passar da idade e os actores são as próprias pessoas. Fica aqui o trailer:


quarta-feira, abril 29, 2020

A VINGANÇA DA BURCA

Depois de terem corrido rios de tinta e/ou rios de pixeis sobre o uso da burca nos países ocidentais, por pessoas cuja tradição passa por usar a burca como quem usa uma gravata, estamos a um passo de ver nas escolas, nas ruas, nos supermercados, nos bares e até nas igrejas cristãs, mais ou menos fundamentalistas, toda a malta de cara tapada com máscaras pouco confortáveis. E por imposição do estado, através de leis que impõem regras de convivência e de distanciamento social. É o confinamento cultural!

terça-feira, abril 28, 2020

VOLTA GONÇALVES, ESTÁS PERDOADO

Neste final de mês vou tentar colocar aqui alguns textos da minha autoria, e que abordam as situações paralelas à crise provocada pela pandemia. Textos que vão desembocar no dia 1 de Maio, primeiro dia de mais um período de confinamento obrigatório ao concelho de residência.
Uma das coisas mais impressionantes do 25 de Abril foi o período das nacionalizações, ligado ao Gonçalvismo, pequeno período da história de Portugal onde a receita comunista vigente no leste europeu foi implantada em Portugal. Grandes empresas, como os bancos, seguradoras, as grandes indústrias (estaleiros navais, cimenteiras, transportes públicos) que estavam na mão de famílias capitalistas ligadas ao regime fascista foram nacionalizadas, ou seja, os lucros entravam para o orçamento de estado. Desse período também, a reforma agrária, com a tomada da posse de grandes propriedades agrícolas pelos agricultores, reunidos em cooperativas. Não vou aqui escrever uma tese sobre os resultados finais, há já bastante literatura sobre este assunto da autoria de investigadores, sociólogos e historiadores.
A sociedade voltou depois ao capitalismo e as novas gerações foram aprendendo que o mercado deve funcionar com o mínimo de intervenção do estado. E assim foi durante vários anos, passando as nacionalizações nas notícias apenas como casos de países da América do Sul em que perigosos esquerdistas chegavam ao poder, com grande destaque para a Venezuela.
Quando as nacionalizações voltaram a Portugal foi por causa da grande crise financeira provocada pela ganância de banqueiros e esquemas de corrupção e desvios de dinheiros para paraísos fiscais. Toca a nacionalizar o BPN, depois o BES. Mas desta vez não foi para os lucros irem para o orçamento do estado, foi precisamente para o contrário. Agora é o orçamento do estado que tem que financiar os lucros dos grandes empresários. E para o orçamento do estado têm que contribuir os pequenos contribuintes, empresas e consumidores através de impostos, uma vez que as grandes empresas têm as sedes em paraísos fiscais ou equivalentes. Ou pagam também os trabalhadores do estado, como por exemplo os professores, que são roubados nos seus salários e na contagem do tempo de serviço.
A cereja no topo do bolo aparece agora com a pandemia. O orçamento do estado, ainda a pagar os lucros dos bancos, nacionalizados há poucos anos, à gente da alta finança, é chamado a pagar os prejuízos de empresas que andam a pagar salários chorudos a administradores ou a distribuir dividendos a grandes capitalistas proprietários de acções. A TAP é uma dessas empresas que nos dizem que é preciso salvar. Mas não é um exclusivo português, isto acontece em todos os países, levantando ondas de indignação em países com mais cultura de cidadania.
Para ilustrar o texto, fica aqui a musiquinha do Carlos Alberto Moniz e da Maria do Amparo, na versão recente com a voz da Manuela Azevedo, e no final imagens da altura, de campanhas de dinamização cultural, e que apanhei aqui na net:




segunda-feira, abril 27, 2020

GO PARITY - INVESTIR DE FORMA COOPERATIVA

Numa altura em que é má ideia ter o dinheiro a render em bancos, está disponível uma plataforma portuguesa que nos permite investir o dinheiro em projectos que podem ajudar instituições sociais ou ideias inovadoras. E que nos permite procurar apoio financeiro para ideias nossas, sem recorrer a créditos bancários. Há um limite legal para aplicar poupanças neste tipo de plataformas, não pode ser mais de 10 mil euros.
Depois de poder ser cooperante na Coopérnico (link para a página da cooperativa), investindo em centrais de produção de energia fotovoltaica e comprando a energia à cooperativa, existe esta possibilidade para quem não quer ser cooperante (membro de cooperativa), sendo cooperante com instituições sociais em investimentos de autoprodução de energia eléctrica. Basta aceder à plataforma Go Parity (link aqui), registar-se e através de processos simples passar a ser um investidor em projectos, cujas taxas de rentabilidade anual pode variar consoante os projectos disponíveis.

domingo, abril 26, 2020

SCONES E GELEIA

Há que tempos que andava para fazer scones. E para os comer ao lanche, quentinhos e com geleia de marmelo. Foi agora o tempo, inspirado por ter visto na TV alguém a fazer uns verdadeiros scones, mas com gengibre fresco e limão. Vai daí vim à net procurar uma receita equilibrada e descobri esta (link para o site inglês Waitrose). Aqui vai a minha adaptação, com as doses a dobrar e que deu para dois tabuleiros do forno, que cozinharam ao mesmo tempo:
480 g de farinha com fermento
4 col. de sopa de açúcar
55 g de manteiga gelada
50 ml de óleo de girassol
250 ml de leite gordo
2 limões (raspa e 2 col. de sopa do sumo)
4 col. sopa de gengibre fresco ralado
Preparar antes de tudo todos os ingredientes. Ligar o forno a 200ºC e proceder à mistura dos ingredientes numa tigela grande: misturar a farinha com o açúcar, depois juntar a manteiga e o óleo e trabalhar com as mãos até a farinha ficar quase um crumble, desfazendo bem a manteiga. Juntar também a raspa do limão e misturar, fazer um buraco no centro. Deitar o gengibre ralado e as 2 colheres de sopa de sumo de limão no leite e depois deitar o leite no buraco e ir incorporando a farinha com uma espátula ou colher de pau fina. Trabalhar muito ligeiramente a massa, deitar em cima de uma bancada e espalmar até ficar com o máximo de 2 cm de altura e depois ir cortando pedaços que se arredondam e ficam com 5-6 cm e colocam no tabuleiro forrado com papel vegetal. Por esta altura já o forno deve estar à temperatura determinada. No forno ficam apenas 18-20 minutos, ficando mais ou menos douradinhos, devendo ser rodados os tabuleiros durante o tempo de cozedura.
Comem-se quentinhos com geleia abundante e acompanhados de um cházinho.
Mas comidos frios também marcham.

sábado, abril 25, 2020

25 DE ABRIL

SEMPRE!!!!

Hoje deixo-vos um texto publicado há um par de dias com uma reflexão sobre a realidade portuguesa, quase a completarmos 50 anos de vida em verdadeira democracia. É do blogue Grazia Tanta (link para o texto no blogue).

quinta-feira, abril 23, 2020

DIA DA TERRA

Ontem foi mais um Dia da Terra. Mas pouco se falou da efeméride. O meu amigo João Santos partilhou a sua reflexão na net, tal como segue:
"Celebra-se hoje, o “Dia da Terra", mas estaremos nós despertos para a importância deste dia perante o contexto actual?
A epidemia do Corona vírus veio despertar consciências e aguçar a preocupação para as mudanças (radicais) que o homem deveria, há muito, ter encetado, privilegiando assim uma coexistência pacífica e justa com a natureza que o rodeia.
Desta epidemia podemos tirar uma lição valiosa, potenciada pela dor excruciante e pelo remorso de, até agora, nada termos feito; uma lição que lança novamente os dados do debate sobre a problemática dos erros comportamentais cometidos que advém da falta de políticas de desenvolvimento sustentado.
A desflorestação e consequente destruição de habitats estão a levar ao aparecimento de doenças que antes se viam confinadas à vida selvagem. Motivado pela alteração do clima, são várias as espécies de mosquitos transmissores de doenças infecciosas que antes se encontravam confinadas a África a aparecer no Sul de Espanha, como é o caso do Aedes albopictus, espécie transmissora do Dengue, e no Sul de Portugal o Aedes aegypti, espécie transmissora da Febre Amarela, doença víral aguda.
A mensagem de esperança e coragem “Vamos Todos Ficar Bem” que tem corrido mundo fora, traz-nos uma sensação de acalmia no meio deste mar bravo onde nos encontramos, ainda que funcione apenas como um colete de salvação falsificado.
Perante esta adversidade terrível, que no futuro nos permitamos a ganhar coragem para mudar comportamentos, olhar o que nos rodeia com outros olhos, pensar globalmente, para actuar localmente.
A sustentabilidade do planeta começa em cada um de nós"
João Santos
Ecologista e cidadão do mundo (link para as fotos publicadas no Facebook deste fantástico ser humano, que tem exposições e promove visitas guiadas onde explica os ecossistemas com imagens). E fotos do autor, para que não se confundam os Joões Santos do mundo.



quarta-feira, abril 22, 2020

BOLO FÁCIL DE ANANÁS E CÔCO - RECEITA DO RUDOLPH

Hoje foi o dia de fazer, pela primeira vez, uma das receitas do Rudolph Van Veen que apanhei no 24 Kitchen a semana passada. Como ele nunca dá as quantidades certas, fiz uma pesquisa com o nome do bolo e apanhei esta receita do blogue Bom Garfo (link para a receita aqui).

Como eu não queria usar ananás natural, porque apenas tinha em calda na despensa, fiz as devidas alterações e resultou muito bem. Como é um bolo que não cresce e usei as quantidades originais, usei uma forma de mola de diâmetro mais pequeno. Se duplicarmos os ingredientes, o que não será demais para uma casa de família, convém usar a forma de mola maior que se tiver em casa, para não ficar muito alto e cozinhar devidamente.

Aqui fica então a minha receita, com a devida vénia ao Rudolph:

Côco ralado - 80g
Açúcar branco e amarelo - 160g
Farinha de trigo sem fermento - 55g
Leite gordo - 180ml
Manteiga - 130g
Ovos - 2
Ananás em calda - 4 rodelas (cortadas em cubinhos)
Calda da lata de ananás - 60ml

Não pincelei por cima, no final, com a compota. E não foi por falta de compota ou geleia em casa, foi por esquecimento, e depois, porque já tinha provado, achei que não fazia falta, ficou bonito assim e doce o suficiente.

É de facto fácil a sua preparação.

Colocar o leite em lume baixinho com a manteiga para derreter, e quando estiver derretida reservar (para arrefecer um pouco).

Numa malga grande misturar o côco ralado com o açúcar, depois adicionar a farinha e misturar também.

Numa malga mais pequena bater os dois ovos com um garfo e depois adicionar-lhes o leite com a manteiga derretida, mexendo bem com o garfo. Despejar este preparado para a mistura de secos da malga grande, mexendo bem. No final adicionar os 60ml (4 colheres de sopa) da calda da lata e as rodelas de ananás cortadas em pequenos cubinhos e misturar bem.

Vai ao forno a 180-190ºC na forma de mola devidamente untada e com o fundo com papel vegetal que será também untado depois. Será cerca de 25 minutos no forno. No final descolar os bordos laterais com uma faquinha e desenformar, deixando arrefecer muito bem antes de servir.

segunda-feira, abril 20, 2020

SALLY POTTER - RAIVA, NA CAIXA DO CORREIO

Aproveitando a promoção Leopardo Filmes, que referi aqui no Malfadado há uns dias atrás, chegou à caixa do correio o tão aguardado (e mais um  revolucionário) filme da Sally Potter, que queria tanto ver. Tal como outros DVDs, fica disponível para emprestar aos amigos, devidamente desinfectado. Fica aqui o trailer original e sem legendas em português:


quinta-feira, abril 16, 2020

AJUDAR O HORECA

Para além do cataclismo que se abateu sobre o turismo, as medidas de contenção e a declaração do estado de emergência vieram lançar o caos na vida de quem tem um pequeno negócio ou trabalha na restauração/cafetarias. Em Vagos há restaurantes que fecharam, outros adaptaram-se a negócios de take away (servir para fora). Quem ainda pode ajudar tem uma boa maneira de contribuir para a sua terra, que é precisamente recorrer aos serviços de encomendar comida. Uns restaurantes locais até se organizaram para entregar na casa das pessoas. Nas cidades já funcionavam esquemas em que as pessoas podiam escolher de vários restaurantes e uma empresa faz o transporte até casa. O recurso a restaurantes pode ser uma má opção para a saúde individual (comida muito salgada, ingredientes com pouca qualidade), mas dentro das escolhas em cada localidade cada um poderá procurar a melhor opção. E mesmo que não seja muito saudável, não se comparam uns dias de comida de restaurantes com uns dias nos cuidados intensivos carregadinho do corona.
Recebi também a divulgação de um esquema de ajuda a trabalhadores do sector HORECA, em que 10% do preço de tabela de várias bebidas que se podem encomendar e receber grátis em casa vão directamente para pessoas que podem necessitar. É um esquema algo estranho, de facto, mas para lá dos chicos-espertos que se podem aproveitar certamente poderá chegar a uns poucos que precisem. E comprando álcool bebível, sempre é melhor do que andar a pôr álcool nas mãos. Fica aqui o link, nunca se sabe se alguém vai ajudar desta forma. Eu certamente não posso, nem preciso de bebidas.
Aqui se assinala o início da nossa semana de comer em casa.

segunda-feira, abril 13, 2020

BONS FILMES EM CASA

Agora que muita gente tem que passar largas horas em casa, uma das formas de entretenimento e relaxe mais populares é ver bons filmes. Quem tem box tem uma grande oferta de filmes, nem precisa de Netflix. Do canal 2, aos canais AXN, passando por outros canais exclusivamente de cinema ou canais onde de vez em quando passam filmes. Mas há também os DVDs, e quem quiser ver bons filmes, com extras e etc, pode sempre pedir para eu levar uma remessa. Já emprestei a uns vizinhos, mas posso fazer chegar mais longe, uma vez que o estado de emergência está para durar. Agora que as bibliotecas municipais estão na lista negra de locais públicos, esta pode ser uma alternativa interessante. Não é a primeira vez que divulgo aqui que tenho uma filmoteca em casa, há uns anos até coloquei on line a lista dos filmes por ordem alfabética de realizadores (link aqui para esse texto do Malfadado). Agora há mais filmes disponíveis, mas não tenho a lista actualizada. Quem não quiser estar a fazer selecção dos filmes, faço eu uma selecção adaptada à ideia que eu tenho das pessoas que pedem emprestado.
Quem gosta de bons filmes é bom que fique a saber também que uma loja online tem filmes muito bons e baratos, e ainda está a fazer 20% de desconto até ao final do estado de emergência. Envia para casa através dos CTT, tendo que se pagar os portes, claro. Basta clicar aqui para o site Leopardo Filmes.
Melhor que um bom filme, só mesmo um bom livro, lido ao ar livre e à sombra de uma árvore.

sábado, abril 11, 2020

TESTEMUNHO DE AGRICULTURA BIOLÓGICA NA ÍNDIA

Com legendas em inglês, um vídeo Greenpeace, que pode ser inspirador para quem tem um quintal onde esticar as pernas e não quer espalhar venenos.

sexta-feira, abril 10, 2020

CONFINADOS

Nada como estarmos confinados para se limpar a casa. Não podemos sair do concelho de Vagos, o que vale é que o concelho é grande e tem beira mar e tudo. A malta tem andado a cumprir as restrições e as precauções higiénicas e os resultados estão à vista: a cadeia de transmissão do vírus está circunscrita.
Agora é esperar que levantem algumas restrições e que os infectados vão aparecendo diariamente a um ritmo que os hospitais aguentem. Por mim tenho o encontro marcado para meados de Maio, com o reinício das aulas presenciais do 11º e 12º anos. Espero estar mais em forma do que agora. Não estou mal, mas temos andado a comer bem demais, no sentido negativo de comezainas, patuscadas e amêndoas da Páscoa gourmet.
Fica aqui uma foto das nossas, confinada neste computador desde Dezembro de 2019:

Eu estou a segurar o Nico, que ficou aqui por Fermentelos, e que fui visitar na semana passada aproveitando uma deslocação em trabalho.

quarta-feira, abril 08, 2020

MALFADADO FOI PESCAR

Nada se pode comparar com a arte. Arte de rua, como esta do MaisMenos e do Bordalo II, contada em fotos e que pesquei aqui na internet. Nada como ir à pesca de coisas bonitas e/ou inspiradoras...
esta pescaria foi neste lago de motivação para o activismo (link).

Uma obra em Berlim, do Bordalo II, foi escolhida para a edição recente, em livro, de uma colecção de fotografias com obras de arte de rua icónicas. A adquirir na Amazon, claro, para quem gosta de oferecer coisas interessantes à biblioteca mais próxima.

terça-feira, abril 07, 2020

HOMENAGEM A JANE E A GRETA

Em tempos de resistência à febre contra a febre, há que aproveitar para colocar aqui um texto que apontei aqui no meu caderno e que guardei (link para o original no Facebook do autor) para um dia reflectir aqui no Malfadado. Faço minhas as suas palavras, que passo a copiar, por baixo da foto da Jane Goodall e da Greta Thunberg:



"Homenagem a Goodall e Greta

Depois de me ter dedicado a ler muito do lixo que circula sobre uma rapariga notável do nosso tempo, deparo com esta fotografia emocionante. É uma fotografia de transmissão no feminino, de transmissão de um entendimento essencial, um entendimento que vem de longe, que é profundo, que é simultaneamente intuído e reflectido, que reúne o passado mais profundo com o nosso presente abissal. Um entendimento que é belo.

Jane Goodall é geralmente apresentada como a mais notável primatologista viva. Nela, a primatologia é irmã da antropologia (sendo ela também antropóloga) e aquilo que as separa é um quase nada. Poucos saberão que Goodall nunca fez estudos formais, tendo realizado o seu doutoramento depois de muitos anos de trabalho em África, por especial autorização da Universidade de Cambridge. Sublinho este aspecto, já que ele aponta uma paixão pelo saber e pelo envolvimento com os seres estudados que está nos antípodas do carreirismo que tomou conta da Academia, da idolatria dos graus académicos e da burocratização das instituições. Setenta anos mais nova, Greta Thunberg faz greve à escola porque soube observar o mundo à sua volta, aquilo que, afinal, deveria ser o objectivo de toda a escolaridade digna desse nome. Hoje, a escola está prisioneira do sistema económico e tecnológico que nos domina e encerra na inumanidade. Também aí a greve da Greta é libertadora.

Esta fotografia dá-nos a ver duas mulheres livres. Não precisam de competir com os homens. Aliás não estão em competição com ninguém: são habitantes do planeta. Nómadas da vida. Terrestres."

Out 2019 - Jorge Leandro Rosa

domingo, abril 05, 2020

XAROPE DE FLOR DE SABUGUEIRO - CORDIAL

Já aqui tinha no Malfadado uma referência ao refresco de flor de sabugueiro (link para texto com receita), e todos os anos vou preparando sempre que tenho tempo para colher umas poucas flores. No ano passado secámos uma flores de sabugueiro, aproveitando a lição da nossa amiga Céline, para podermos aromatizar e enriquecer uns cházinhos no Inverno. Mas acabámos por usar pouco, por falta de hábitos, o de beber chá e o de utilizar a flor na mistura de ervas e cascas de citrinos. Este ano fiz, pela primeira vez, uma maneira mais doce de conservar este aroma e substâncias promotoras da saúde, um xarope que se usa na preparação de refrescos ou cocktails, que se pode designar também por cordial de flor de sabugueiro. Não usei esta receita (link para o blogue Outras Comidas) porque é um processo moroso e utiliza ácido cítrico além do limão, nem usei esta outra (link para o blogue Tentações sobre a Mesa) que é inspirada na receita do Chef Jamie Oliver, porque não é fervida depois no final e portanto não se conserva até ao Verão, nem usei esta terceira receita (link para o blogue Da Horta para a Cozinha), que usa açúcar amarelo e também não é fervida no final. O que fiz foi ir buscar inspiração e saber próprio e preparei uma calda forte de açúcar, com sumo de 1 limão e alguma água, no final teria cerca de meio litro com ponto de fio forte, que quando estava já a passar desse ponto fui adicionando meio litro de infusão com 24 horas de refresco forte (20 flores de sabugueiro em menos de um litro de água, duas rodelas de limão e 8 pequenas clementinas cortadas ao meio), e mexendo sempre e adicionando sempre que levantava fervura juntava mais um pouco, no final quando ferveu mais uma vez, deixei ferver apenas 30 segundos, para não recozer as substâncias nem evaporar os aromas, e despejei em 2 garrafas reutilizadas (eram daquelas de calda de tomate de meio litro), enchendo até acima e depois tapando logo e deixando o líquido a esterilizar também as tampas. Ainda sobrou um pouquinho no fundo do tacho, para a prova e está mesmo aprovado. As flores foram apanhadas na Ereira, anteontem, dia de aniversário da minha sobrinha, quando ela tiver 36 anos e dois meses  e entrarmos no Verão, será altura de abrir a primeira garrafa e provar. Tenho para mim que o estagiar dois meses em garrafa resultará, tal como nas compotas, com um reforço apreciável do frutado do produto final. Para já o ideal é guardar tudo no frigorífico, porque tenho medo que comece a fermentar e não quero arriscar logo meio litro. Ainda que tenha ficado algo espesso, e esterilizado, não terá a concentração de açúcar necessária para se conservar por si.

sábado, abril 04, 2020

RECEITA DO BOLO DA AVÓ PEDROSA

Nestes dias de distanciamento social já experimentámos reuniões on line que antes não imaginaríamos. Antes faziam-se km. Agora já não. No aniversário mais recente a aniversariante fez um bolo, e nas casas dos familiares faz-se a mesma receita. Não se pode é dizer qual ficou mais perto da receita original. Fica aqui a partilha da receita, é um bolo simples e a receita é também resumida:

150g manteiga

150g açúcar
3 ovos
150g farinha
1 colher chá fermento
Raspa e sumo de 1 laranja

1 - Bater manteiga + açúcar

2 - Juntar ovos e incorporar

3 - Adicionar Farinha + fermento

4 - Juntar finalmente raspa e sumo de 1 laranja

5 - Verter para forma untada e polvilhada


6 - Vai ao forno a 180 C até palito sair seco

7. No final desenformar e ainda quente pincelar/regar o bolo
com sumo de meia laranja misturado com 3 colheres
de sopa de açúcar.

8. Deixar arrefecer bem e comer com moderação
(esta parte da moderação… enfim…)

A verdade é que já tinha saudades de comer este bolinho simples.

sexta-feira, abril 03, 2020

NINGUÉM OUVE JORGE PAIVA

Temos em Portugal um excelente cientista e um dos nosso grandes ecologistas, que foi professor no Instituto Botânico da Universidade de Coimbra. Certamente inspirou alguns dos actuais portugueses que hoje têm hábitos de consumo conscientes e que são um grãozinho de areia naquilo que deveriam ser hábitos ecológicos de toda a gente.
Saiu ontem no Público o texto que copiei e que colo aqui, pela sua relevância. Isto é ciência, não é opinião, por isso prestem atenção:


Pandemias e predadores   –   lição de Jorge Paiva


Quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações das favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra.

2 de Abril de 2020, 12:14


Não vamos referir a relevância de todos os predadores, mas apenas de dois. Um, macroscópico e muito conhecido, o lobo, e outro, mais ou menos microscópico e absolutamente desconhecido da generalidade do público, os mixomicetes.

Como qualquer predador, o lobo sempre foi vilipendiado e inimizado pelos humanos, que o abatem indiscriminadamente, colocando-o na situação de risco de extinção. Como qualquer outro predador, os lobos são extremamente úteis para o equilíbrio da biodiversidade e dos ecossistemas naturais, que existem no Globo Terrestre, a Gaiola onde vivemos, antes do aparecimento da espécie humana, o animal mais perigoso desta Ilha do Universo.

No início do século passado, foi decidido eliminar os lobos do Parque de Yellowstone, o primeiro Parque Nacional dos Estados Unidos. Isto porque os lobos não só competiam com os caçadores desportivos que se “divertiam” a caçar veados e outros mamíferos que existiam nas áreas limítrofes do parque, como também porque, por vezes, os lobos se aproveitavam dos descuidos dos criadores do gado que pastava nas cercanias do Parque Nacional. Assim, a partir de 1930, deixaram de existir lobos no Parque de Yellowstone.

Então, a população de herbívoros, particularmente de alces, aumentou exponencialmente, de tal modo que os ecossistemas do parque sofreram uma drástica modificação, particularmente os prados das margens dos rios, que foram praticamente dizimados. Essa erosão não só diminuiu a biodiversidade desses ecossistemas marginais, como também a população de castores, sem o predador (lobo) aumentou de tal modo, que derrubou as árvores e arbustos da floresta ripícola que marginava o rio.

Com as margens dos rios desertificadas, a erosão progrediu rapidamente, com arrastamento de solos nas cheias sazonais, levando ao assoreamento dos rios, que passaram a serpentear por áreas do parque onde nunca tinham corrido, provocando, além da erosão, alterações profundas nos ecossistemas do parque.

Depois disto, os lobos foram reintroduzidos, os herbívoros deixaram de pastar nas margens dos rios por estarem a descoberto e mais facilmente visualizados pelos lobos, voltando a alimentarem-se abrigados na floresta, que estava transformada num ecossistema desequilibrado, onde até os ursos tinham já poucos frutos, porque as plantas tinham crescido demasiadamente ramificadas e, portanto, com poucos frutos. Os ecossistemas das margens e da floresta voltaram ao equilíbrio normal, os rios passaram ao leito primitivo, sem inundações nem assoreamento drástico. Enfim, o Parque Yellowstone recuperou do desastre para que caminhava.


Como a perda de biodiversidade tem impacto nos surtos de doenças infecciosas



Em Portugal, os lobos foram quase aniquilados. Eu ainda conheci lobos na serra da Estrela. Assim, os javalis proliferaram de tal modo que, em 1996, foi atropelado um próximo da entrada principal do Hospital da Universidade de Coimbra; no dia 9 de Janeiro de 2018, de madrugada, vi uma fêmea de javali descendo a rua onde moro (R. Carolina Michaëllis), em Coimbra, e no dia 18 de Agosto de 2017, alguns javalis banharam-se na praia de Galapinhos (Setúbal); além dos prejuízos que causam nos campos agrícolas. Nós, em vez de procedermos de modo idêntico ao acontecido no Yellowstone, resolvemos a questão aos tiros, permitindo a caça temporária aos javalis.

Vamos, agora aos mixomicetes, que não são animais e, como não são produtores de biomassa (não são verdes), também não são plantas. São eucariotas, portanto, não são bactérias nem vírus. Reproduzem-se por esporos, mas não são plantas, pois não são produtores de biomassa. Constituem um subfilo, os Mycetozoa, com cerca de 1000 espécies. São seres microscópicos, plasmodiais, que se deslocam como as amebas, alimentam-se de microrganismos, como bactérias (provavelmente também de vírus), leveduras e fungos. As florestas são dos ecossistemas onde são mais abundantes, quer na manta morta, quer na superfície das plantas.



Costumo mostrá-los aos jovens quando vou às escolas na minha actividade cívica ambiental. Mostro-os na casca das árvores das florestas tropicais. Nestas florestas, as árvores atingem 120 metros de altura. Chamo à atenção dos alunos que uma árvore dessas tem, na casca, milhares de mixomicetes. Quando se deita abaixo uma árvore dessas, estamos a matar também milhares de predadores de microrganismos. E quando, além disso, destruímos também o ecossistema florestal, estamos a libertar milhões de bactérias e vírus que podem provocar novas doenças, como, por exemplo aconteceu com a designada sida, que não existia quando eu era jovem e que surgiu na região florestal do Congo. Nessa altura culparam-se os símios, espalhando que o vírus (HIV) tinha passado para a nossa espécie através do contacto com símios dessa região. Poderá ter sido assim, mas o vírus estava no corpo dos símios, depois de se ter disseminado por falta dos predadores (mixomicetes), que despareceram com o derrube da floresta tropical da região. Também já houve quem culpasse animais selvagens desta epidemia que nos assola agora. Na China há um grande mercado de animais selvagens para a alimentação e misticismo. A explicação é, pois, a mesma e o único culpado é o Homo sapeins L., que parece não ter nada de sapiens.

Neste momento, há apenas 20% das florestas que existiam quando a nossa espécie surgiu neste Globo, uma Gaiola que temos vindo a sujar e na qual temos vindo a dizimar predadores de microrganismos, que podem vir a ser agentes de novas enfermidades letais e que não vamos poder controlar com tirinhos como fizemos com os javalis, pois os microrganismos não se vêem para os podermos dizimar a tiro.

De realçar que esta pandemia alastrou mais rapidamente e tem sido mais letal nas regiões do Globo mais poluídas e de maior concentração populacional (China e Norte da Itália).

Estou imensamente apreensivo, pois quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações de todas as favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra. É por isso que me incomodo com empresários e políticos mais preocupados com os problemas económico-financeiros do que com o gravíssimo e rapidíssimo alastramento do coronavírus, julgando que eles não serão atingidos. Apesar desta lição, que ainda não acabou, continuo a ouvir justificar que o aeroporto terá que ser no Montijo, por ser o local economicamente mais favorável, sem olhar, minimamente, para as consequências ambientais e para o próximo desastre que aí vem, bem pior do que este, como alertou o filósofo José Gil: “Esta terrível experiência que estamos a viver constitui apenas uma antecipação, e um aviso, do que nos espera com as alterações climáticas.”


Texto retirado da edição do jornal Público, escrito pelo extraordinário botânico e ecologista Jorge Paiva

Já agora, em tempos de estado de emergência, quem quiser transmitir esta lição do Jorge Paiva às crianças, pode comprar on line este livrinho ilustrado "Eu não fui!" (link para a loja wook). O livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e tudo. E para quem não puder comprar pode sempre ver uma versão pobrezinha em termos de imagem, partilhada no Facebook pela Biblioteca Municipal de Vagos (link clicando aqui).


quinta-feira, abril 02, 2020

PANQUECAS DE CANELA

No meu imaginário as panquecas são aquilo que se designa por crepes: fininhas e viram-se dando-lhes a volta no ar. Mas com os novos alimentos que agora andam por aí e com as dietas vegan e paleo, aparecem muitas receitas de panquecas mais altinhas. E já experimentei algumas e até se comem bem, ou muito bem. Por estes dias não tínhamos mesmo qualquer pão para comer e pensei que se não me cruzasse com a padeirinha na rua (daquelas que andam por aí a colocar pão nas portas a gastar gasóleo…) enquanto andava a passear a Maisie, ia tentar fazer umas panquecas mais altas. E como tinha à mão umas natas cuja validade estava no limite (do aceitável, entenda-se), em vez de usar leite usei o pacote de natas e depois água da torneira. E fiz esta receita de panquecas de canela, mas depois não dei o acabamento de manteiga, açúcar e canela. Optei por usar a compota de framboesas e também ficou bastante bem. Fica aqui a receita para memória futura (link para blog Manga com Pimenta). Entre dois só sobrou uma panqueca, que se comeu depois fria e sem mais nada, na verdade também se comeu muito bem. O que é doce e com canela nunca amargou!

quarta-feira, abril 01, 2020

DIA DAS MENTIRAS

Adoro este dia. BRIGADA DE FISCALIZAÇÃO DO ESTADO DE EMERGÊNCIA!!!
Foi assim que me apresentei depois  de tocar à campainha da casa de uns amigos que têm duas filhas pequenas, perto das 17 horas. Pelo intercomunicador adiantei: - Recebemos uma denúncia de que os senhores deixam as vossas filhas andar aqui na rua de bicicleta.
- Não, não, elas não andam na rua.
- Pois, mas nós recebemos essa denúncia e estamos aqui a verificar.
- Nós só saímos com elas no Domingo para dar uma volta mas depois voltámos a casa.
- Está mal, elas não podem sair de vossa casa!
- Peço desculpa, não sabia, pensava que podíamos dar um passeio.
- Sou o João Paulo, pá, hoje é o Dia das Mentiras!!! Abre lá a porta, que eu ando aqui a passear a Maisie e a Pipoca.

Se eu ainda andasse no Facebook tinha criado um evento para a zona de Coimbra e ia divulgar a toda a gente daquela zona, ia ser o máximo, toda a gente acreditaria: FESTIVAL GASTRONÓMICO DE TAKES AWAY.
Com os seus restaurantes fechados por causa do estado de emergência, um grupo de 30 empresários reuniu-se e decidiu levar a efeito o 1º FESTIVAL SOLIDÁRIO DE TAKE AWAY. Os inscritos, no máximo 300 pessoas, pagariam o preço de 9 refeições (almoços e jantares) do seu agregado familiar e teriam direito a receber em suas casas 30 almoços e jantares durante 15 dias. Era uma maneira dos proprietários terem os seus restaurantes abertos e prescindirem dos lucros a favor das pessoas se manterem em suas casas. Bebidas pagas à parte, obviamente. Pelo preço de 90 euros per capita do agregado familiar, durante 15 dias, os participantes receberiam em suas casas, de forma higiénica e com garantias de não contaminação de COVID19, as suas refeições variadas, a escolher entre os 30 restaurantes aderentes, entre os quais se contam algumas casas de referência da zona de Coimbra. Do famoso leitão da Bairrada às refeições vegetarianas, o festival proporcionaria uma escolha de mais de 50 propostas aos seus participantes. Cada participante teria que escolher, para cada refeição encomendada, o que queria receber para além do prato principal, uma sopa ou uma sobremesa. Cada menu daria então direito então a um prato com uma dose normal e um complemento à sua escolha, sopa ou sobremesa (fruta ou doce a escolher), pelo preço de 9 euros. Poderia também encomendar a bebida para acompanhar, mas isso seria pago à parte. Os restaurantes estavam já a selecionar os estafetas para fazerem as suas entregas e o Festival teria o patrocínio de uma nova marca de motociclos eléctricos, que assim lançaria os seus modelos urbanos, e tinha também já o patrocínio de um banco multinacional espanhol, de uma seguradora que cobriria os riscos da frota de distribuição e estava à espera de receber resposta do governo a um pedido de apoio, depois da Câmara Municipal se ter recusado a ajudar. O Festival começaria a ser divulgado no dia 4 de Abril e decorreria entre 9 e 24 de Abril, abarcando portanto o período da Páscoa.