Numa altura em que é má ideia ter o dinheiro a render em bancos, está disponível uma plataforma portuguesa que nos permite investir o dinheiro em projectos que podem ajudar instituições sociais ou ideias inovadoras. E que nos permite procurar apoio financeiro para ideias nossas, sem recorrer a créditos bancários. Há um limite legal para aplicar poupanças neste tipo de plataformas, não pode ser mais de 10 mil euros.
Depois de poder ser cooperante na Coopérnico (link para a página da cooperativa), investindo em centrais de produção de energia fotovoltaica e comprando a energia à cooperativa, existe esta possibilidade para quem não quer ser cooperante (membro de cooperativa), sendo cooperante com instituições sociais em investimentos de autoprodução de energia eléctrica. Basta aceder à plataforma Go Parity (link aqui), registar-se e através de processos simples passar a ser um investidor em projectos, cujas taxas de rentabilidade anual pode variar consoante os projectos disponíveis.
aqui se narram as aventuras de um portuguesito que desde tenra idade é vítima de erros vários, mas com abertura para outros textos de reflexão e de intervenção cívica
segunda-feira, abril 27, 2020
domingo, abril 26, 2020
SCONES E GELEIA
Há que tempos que andava para fazer scones. E para os comer ao lanche, quentinhos e com geleia de marmelo. Foi agora o tempo, inspirado por ter visto na TV alguém a fazer uns verdadeiros scones, mas com gengibre fresco e limão. Vai daí vim à net procurar uma receita equilibrada e descobri esta (link para o site inglês Waitrose). Aqui vai a minha adaptação, com as doses a dobrar e que deu para dois tabuleiros do forno, que cozinharam ao mesmo tempo:
480 g de farinha com fermento
4 col. de sopa de açúcar
55 g de manteiga gelada
50 ml de óleo de girassol
250 ml de leite gordo
2 limões (raspa e 2 col. de sopa do sumo)
4 col. sopa de gengibre fresco ralado
Preparar antes de tudo todos os ingredientes. Ligar o forno a 200ºC e proceder à mistura dos ingredientes numa tigela grande: misturar a farinha com o açúcar, depois juntar a manteiga e o óleo e trabalhar com as mãos até a farinha ficar quase um crumble, desfazendo bem a manteiga. Juntar também a raspa do limão e misturar, fazer um buraco no centro. Deitar o gengibre ralado e as 2 colheres de sopa de sumo de limão no leite e depois deitar o leite no buraco e ir incorporando a farinha com uma espátula ou colher de pau fina. Trabalhar muito ligeiramente a massa, deitar em cima de uma bancada e espalmar até ficar com o máximo de 2 cm de altura e depois ir cortando pedaços que se arredondam e ficam com 5-6 cm e colocam no tabuleiro forrado com papel vegetal. Por esta altura já o forno deve estar à temperatura determinada. No forno ficam apenas 18-20 minutos, ficando mais ou menos douradinhos, devendo ser rodados os tabuleiros durante o tempo de cozedura.
Comem-se quentinhos com geleia abundante e acompanhados de um cházinho.
Mas comidos frios também marcham.
480 g de farinha com fermento
4 col. de sopa de açúcar
55 g de manteiga gelada
50 ml de óleo de girassol
250 ml de leite gordo
2 limões (raspa e 2 col. de sopa do sumo)
4 col. sopa de gengibre fresco ralado
Preparar antes de tudo todos os ingredientes. Ligar o forno a 200ºC e proceder à mistura dos ingredientes numa tigela grande: misturar a farinha com o açúcar, depois juntar a manteiga e o óleo e trabalhar com as mãos até a farinha ficar quase um crumble, desfazendo bem a manteiga. Juntar também a raspa do limão e misturar, fazer um buraco no centro. Deitar o gengibre ralado e as 2 colheres de sopa de sumo de limão no leite e depois deitar o leite no buraco e ir incorporando a farinha com uma espátula ou colher de pau fina. Trabalhar muito ligeiramente a massa, deitar em cima de uma bancada e espalmar até ficar com o máximo de 2 cm de altura e depois ir cortando pedaços que se arredondam e ficam com 5-6 cm e colocam no tabuleiro forrado com papel vegetal. Por esta altura já o forno deve estar à temperatura determinada. No forno ficam apenas 18-20 minutos, ficando mais ou menos douradinhos, devendo ser rodados os tabuleiros durante o tempo de cozedura.
Comem-se quentinhos com geleia abundante e acompanhados de um cházinho.
Mas comidos frios também marcham.
sábado, abril 25, 2020
25 DE ABRIL
SEMPRE!!!!
Hoje deixo-vos um texto publicado há um par de dias com uma reflexão sobre a realidade portuguesa, quase a completarmos 50 anos de vida em verdadeira democracia. É do blogue Grazia Tanta (link para o texto no blogue).
Hoje deixo-vos um texto publicado há um par de dias com uma reflexão sobre a realidade portuguesa, quase a completarmos 50 anos de vida em verdadeira democracia. É do blogue Grazia Tanta (link para o texto no blogue).
quinta-feira, abril 23, 2020
DIA DA TERRA
Ontem foi mais um Dia da Terra. Mas pouco se falou da efeméride. O meu amigo João Santos partilhou a sua reflexão na net, tal como segue:
"Celebra-se hoje, o “Dia da Terra", mas estaremos nós despertos para a importância deste dia perante o contexto actual?
A epidemia do Corona vírus veio despertar consciências e aguçar a preocupação para as mudanças (radicais) que o homem deveria, há muito, ter encetado, privilegiando assim uma coexistência pacífica e justa com a natureza que o rodeia.
Desta epidemia podemos tirar uma lição valiosa, potenciada pela dor excruciante e pelo remorso de, até agora, nada termos feito; uma lição que lança novamente os dados do debate sobre a problemática dos erros comportamentais cometidos que advém da falta de políticas de desenvolvimento sustentado.
A desflorestação e consequente destruição de habitats estão a levar ao aparecimento de doenças que antes se viam confinadas à vida selvagem. Motivado pela alteração do clima, são várias as espécies de mosquitos transmissores de doenças infecciosas que antes se encontravam confinadas a África a aparecer no Sul de Espanha, como é o caso do Aedes albopictus, espécie transmissora do Dengue, e no Sul de Portugal o Aedes aegypti, espécie transmissora da Febre Amarela, doença víral aguda.
A mensagem de esperança e coragem “Vamos Todos Ficar Bem” que tem corrido mundo fora, traz-nos uma sensação de acalmia no meio deste mar bravo onde nos encontramos, ainda que funcione apenas como um colete de salvação falsificado.
Perante esta adversidade terrível, que no futuro nos permitamos a ganhar coragem para mudar comportamentos, olhar o que nos rodeia com outros olhos, pensar globalmente, para actuar localmente.
A sustentabilidade do planeta começa em cada um de nós"
João Santos
Ecologista e cidadão do mundo (link para as fotos publicadas no Facebook deste fantástico ser humano, que tem exposições e promove visitas guiadas onde explica os ecossistemas com imagens). E fotos do autor, para que não se confundam os Joões Santos do mundo.
"Celebra-se hoje, o “Dia da Terra", mas estaremos nós despertos para a importância deste dia perante o contexto actual?
A epidemia do Corona vírus veio despertar consciências e aguçar a preocupação para as mudanças (radicais) que o homem deveria, há muito, ter encetado, privilegiando assim uma coexistência pacífica e justa com a natureza que o rodeia.
Desta epidemia podemos tirar uma lição valiosa, potenciada pela dor excruciante e pelo remorso de, até agora, nada termos feito; uma lição que lança novamente os dados do debate sobre a problemática dos erros comportamentais cometidos que advém da falta de políticas de desenvolvimento sustentado.
A desflorestação e consequente destruição de habitats estão a levar ao aparecimento de doenças que antes se viam confinadas à vida selvagem. Motivado pela alteração do clima, são várias as espécies de mosquitos transmissores de doenças infecciosas que antes se encontravam confinadas a África a aparecer no Sul de Espanha, como é o caso do Aedes albopictus, espécie transmissora do Dengue, e no Sul de Portugal o Aedes aegypti, espécie transmissora da Febre Amarela, doença víral aguda.
A mensagem de esperança e coragem “Vamos Todos Ficar Bem” que tem corrido mundo fora, traz-nos uma sensação de acalmia no meio deste mar bravo onde nos encontramos, ainda que funcione apenas como um colete de salvação falsificado.
Perante esta adversidade terrível, que no futuro nos permitamos a ganhar coragem para mudar comportamentos, olhar o que nos rodeia com outros olhos, pensar globalmente, para actuar localmente.
A sustentabilidade do planeta começa em cada um de nós"
João Santos
Ecologista e cidadão do mundo (link para as fotos publicadas no Facebook deste fantástico ser humano, que tem exposições e promove visitas guiadas onde explica os ecossistemas com imagens). E fotos do autor, para que não se confundam os Joões Santos do mundo.
quarta-feira, abril 22, 2020
BOLO FÁCIL DE ANANÁS E CÔCO - RECEITA DO RUDOLPH
Hoje foi o dia de fazer, pela primeira vez, uma das receitas do Rudolph Van Veen que apanhei no 24 Kitchen a semana passada. Como ele nunca dá as quantidades certas, fiz uma pesquisa com o nome do bolo e apanhei esta receita do blogue Bom Garfo (link para a receita aqui).
Como eu não queria usar ananás natural, porque apenas tinha em calda na despensa, fiz as devidas alterações e resultou muito bem. Como é um bolo que não cresce e usei as quantidades originais, usei uma forma de mola de diâmetro mais pequeno. Se duplicarmos os ingredientes, o que não será demais para uma casa de família, convém usar a forma de mola maior que se tiver em casa, para não ficar muito alto e cozinhar devidamente.
Aqui fica então a minha receita, com a devida vénia ao Rudolph:
Côco ralado - 80g
Açúcar branco e amarelo - 160g
Farinha de trigo sem fermento - 55g
Leite gordo - 180ml
Manteiga - 130g
Ovos - 2
Ananás em calda - 4 rodelas (cortadas em cubinhos)
Calda da lata de ananás - 60ml
Não pincelei por cima, no final, com a compota. E não foi por falta de compota ou geleia em casa, foi por esquecimento, e depois, porque já tinha provado, achei que não fazia falta, ficou bonito assim e doce o suficiente.
É de facto fácil a sua preparação.
Colocar o leite em lume baixinho com a manteiga para derreter, e quando estiver derretida reservar (para arrefecer um pouco).
Numa malga grande misturar o côco ralado com o açúcar, depois adicionar a farinha e misturar também.
Numa malga mais pequena bater os dois ovos com um garfo e depois adicionar-lhes o leite com a manteiga derretida, mexendo bem com o garfo. Despejar este preparado para a mistura de secos da malga grande, mexendo bem. No final adicionar os 60ml (4 colheres de sopa) da calda da lata e as rodelas de ananás cortadas em pequenos cubinhos e misturar bem.
Vai ao forno a 180-190ºC na forma de mola devidamente untada e com o fundo com papel vegetal que será também untado depois. Será cerca de 25 minutos no forno. No final descolar os bordos laterais com uma faquinha e desenformar, deixando arrefecer muito bem antes de servir.
Como eu não queria usar ananás natural, porque apenas tinha em calda na despensa, fiz as devidas alterações e resultou muito bem. Como é um bolo que não cresce e usei as quantidades originais, usei uma forma de mola de diâmetro mais pequeno. Se duplicarmos os ingredientes, o que não será demais para uma casa de família, convém usar a forma de mola maior que se tiver em casa, para não ficar muito alto e cozinhar devidamente.
Aqui fica então a minha receita, com a devida vénia ao Rudolph:
Côco ralado - 80g
Açúcar branco e amarelo - 160g
Farinha de trigo sem fermento - 55g
Leite gordo - 180ml
Manteiga - 130g
Ovos - 2
Ananás em calda - 4 rodelas (cortadas em cubinhos)
Calda da lata de ananás - 60ml
Não pincelei por cima, no final, com a compota. E não foi por falta de compota ou geleia em casa, foi por esquecimento, e depois, porque já tinha provado, achei que não fazia falta, ficou bonito assim e doce o suficiente.
É de facto fácil a sua preparação.
Colocar o leite em lume baixinho com a manteiga para derreter, e quando estiver derretida reservar (para arrefecer um pouco).
Numa malga grande misturar o côco ralado com o açúcar, depois adicionar a farinha e misturar também.
Numa malga mais pequena bater os dois ovos com um garfo e depois adicionar-lhes o leite com a manteiga derretida, mexendo bem com o garfo. Despejar este preparado para a mistura de secos da malga grande, mexendo bem. No final adicionar os 60ml (4 colheres de sopa) da calda da lata e as rodelas de ananás cortadas em pequenos cubinhos e misturar bem.
Vai ao forno a 180-190ºC na forma de mola devidamente untada e com o fundo com papel vegetal que será também untado depois. Será cerca de 25 minutos no forno. No final descolar os bordos laterais com uma faquinha e desenformar, deixando arrefecer muito bem antes de servir.
segunda-feira, abril 20, 2020
SALLY POTTER - RAIVA, NA CAIXA DO CORREIO
Aproveitando a promoção Leopardo Filmes, que referi aqui no Malfadado há uns dias atrás, chegou à caixa do correio o tão aguardado (e mais um revolucionário) filme da Sally Potter, que queria tanto ver. Tal como outros DVDs, fica disponível para emprestar aos amigos, devidamente desinfectado. Fica aqui o trailer original e sem legendas em português:
quinta-feira, abril 16, 2020
AJUDAR O HORECA
Para além do cataclismo que se abateu sobre o turismo, as medidas de contenção e a declaração do estado de emergência vieram lançar o caos na vida de quem tem um pequeno negócio ou trabalha na restauração/cafetarias. Em Vagos há restaurantes que fecharam, outros adaptaram-se a negócios de take away (servir para fora). Quem ainda pode ajudar tem uma boa maneira de contribuir para a sua terra, que é precisamente recorrer aos serviços de encomendar comida. Uns restaurantes locais até se organizaram para entregar na casa das pessoas. Nas cidades já funcionavam esquemas em que as pessoas podiam escolher de vários restaurantes e uma empresa faz o transporte até casa. O recurso a restaurantes pode ser uma má opção para a saúde individual (comida muito salgada, ingredientes com pouca qualidade), mas dentro das escolhas em cada localidade cada um poderá procurar a melhor opção. E mesmo que não seja muito saudável, não se comparam uns dias de comida de restaurantes com uns dias nos cuidados intensivos carregadinho do corona.
Recebi também a divulgação de um esquema de ajuda a trabalhadores do sector HORECA, em que 10% do preço de tabela de várias bebidas que se podem encomendar e receber grátis em casa vão directamente para pessoas que podem necessitar. É um esquema algo estranho, de facto, mas para lá dos chicos-espertos que se podem aproveitar certamente poderá chegar a uns poucos que precisem. E comprando álcool bebível, sempre é melhor do que andar a pôr álcool nas mãos. Fica aqui o link, nunca se sabe se alguém vai ajudar desta forma. Eu certamente não posso, nem preciso de bebidas.
Aqui se assinala o início da nossa semana de comer em casa.
Recebi também a divulgação de um esquema de ajuda a trabalhadores do sector HORECA, em que 10% do preço de tabela de várias bebidas que se podem encomendar e receber grátis em casa vão directamente para pessoas que podem necessitar. É um esquema algo estranho, de facto, mas para lá dos chicos-espertos que se podem aproveitar certamente poderá chegar a uns poucos que precisem. E comprando álcool bebível, sempre é melhor do que andar a pôr álcool nas mãos. Fica aqui o link, nunca se sabe se alguém vai ajudar desta forma. Eu certamente não posso, nem preciso de bebidas.
Aqui se assinala o início da nossa semana de comer em casa.
segunda-feira, abril 13, 2020
BONS FILMES EM CASA
Agora que muita gente tem que passar largas horas em casa, uma das formas de entretenimento e relaxe mais populares é ver bons filmes. Quem tem box tem uma grande oferta de filmes, nem precisa de Netflix. Do canal 2, aos canais AXN, passando por outros canais exclusivamente de cinema ou canais onde de vez em quando passam filmes. Mas há também os DVDs, e quem quiser ver bons filmes, com extras e etc, pode sempre pedir para eu levar uma remessa. Já emprestei a uns vizinhos, mas posso fazer chegar mais longe, uma vez que o estado de emergência está para durar. Agora que as bibliotecas municipais estão na lista negra de locais públicos, esta pode ser uma alternativa interessante. Não é a primeira vez que divulgo aqui que tenho uma filmoteca em casa, há uns anos até coloquei on line a lista dos filmes por ordem alfabética de realizadores (link aqui para esse texto do Malfadado). Agora há mais filmes disponíveis, mas não tenho a lista actualizada. Quem não quiser estar a fazer selecção dos filmes, faço eu uma selecção adaptada à ideia que eu tenho das pessoas que pedem emprestado.
Quem gosta de bons filmes é bom que fique a saber também que uma loja online tem filmes muito bons e baratos, e ainda está a fazer 20% de desconto até ao final do estado de emergência. Envia para casa através dos CTT, tendo que se pagar os portes, claro. Basta clicar aqui para o site Leopardo Filmes.
Melhor que um bom filme, só mesmo um bom livro, lido ao ar livre e à sombra de uma árvore.
Quem gosta de bons filmes é bom que fique a saber também que uma loja online tem filmes muito bons e baratos, e ainda está a fazer 20% de desconto até ao final do estado de emergência. Envia para casa através dos CTT, tendo que se pagar os portes, claro. Basta clicar aqui para o site Leopardo Filmes.
Melhor que um bom filme, só mesmo um bom livro, lido ao ar livre e à sombra de uma árvore.
sábado, abril 11, 2020
TESTEMUNHO DE AGRICULTURA BIOLÓGICA NA ÍNDIA
Com legendas em inglês, um vídeo Greenpeace, que pode ser inspirador para quem tem um quintal onde esticar as pernas e não quer espalhar venenos.
sexta-feira, abril 10, 2020
CONFINADOS
Nada como estarmos confinados para se limpar a casa. Não podemos sair do concelho de Vagos, o que vale é que o concelho é grande e tem beira mar e tudo. A malta tem andado a cumprir as restrições e as precauções higiénicas e os resultados estão à vista: a cadeia de transmissão do vírus está circunscrita.
Agora é esperar que levantem algumas restrições e que os infectados vão aparecendo diariamente a um ritmo que os hospitais aguentem. Por mim tenho o encontro marcado para meados de Maio, com o reinício das aulas presenciais do 11º e 12º anos. Espero estar mais em forma do que agora. Não estou mal, mas temos andado a comer bem demais, no sentido negativo de comezainas, patuscadas e amêndoas da Páscoa gourmet.
Fica aqui uma foto das nossas, confinada neste computador desde Dezembro de 2019:
Agora é esperar que levantem algumas restrições e que os infectados vão aparecendo diariamente a um ritmo que os hospitais aguentem. Por mim tenho o encontro marcado para meados de Maio, com o reinício das aulas presenciais do 11º e 12º anos. Espero estar mais em forma do que agora. Não estou mal, mas temos andado a comer bem demais, no sentido negativo de comezainas, patuscadas e amêndoas da Páscoa gourmet.
Fica aqui uma foto das nossas, confinada neste computador desde Dezembro de 2019:
Eu estou a segurar o Nico, que ficou aqui por Fermentelos, e que fui visitar na semana passada aproveitando uma deslocação em trabalho.
quarta-feira, abril 08, 2020
MALFADADO FOI PESCAR
Nada se pode comparar com a arte. Arte de rua, como esta do MaisMenos e do Bordalo II, contada em fotos e que pesquei aqui na internet. Nada como ir à pesca de coisas bonitas e/ou inspiradoras...
esta pescaria foi neste lago de motivação para o activismo (link).
Uma obra em Berlim, do Bordalo II, foi escolhida para a edição recente, em livro, de uma colecção de fotografias com obras de arte de rua icónicas. A adquirir na Amazon, claro, para quem gosta de oferecer coisas interessantes à biblioteca mais próxima.
esta pescaria foi neste lago de motivação para o activismo (link).
Uma obra em Berlim, do Bordalo II, foi escolhida para a edição recente, em livro, de uma colecção de fotografias com obras de arte de rua icónicas. A adquirir na Amazon, claro, para quem gosta de oferecer coisas interessantes à biblioteca mais próxima.
terça-feira, abril 07, 2020
HOMENAGEM A JANE E A GRETA
Em tempos de resistência à febre contra a febre, há que aproveitar para colocar aqui um texto que apontei aqui no meu caderno e que guardei (link para o original no Facebook do autor) para um dia reflectir aqui no Malfadado. Faço minhas as suas palavras, que passo a copiar, por baixo da foto da Jane Goodall e da Greta Thunberg:
"Homenagem a Goodall e Greta
Depois de me ter dedicado a ler muito do lixo que circula sobre uma rapariga notável do nosso tempo, deparo com esta fotografia emocionante. É uma fotografia de transmissão no feminino, de transmissão de um entendimento essencial, um entendimento que vem de longe, que é profundo, que é simultaneamente intuído e reflectido, que reúne o passado mais profundo com o nosso presente abissal. Um entendimento que é belo.
Jane Goodall é geralmente apresentada como a mais notável primatologista viva. Nela, a primatologia é irmã da antropologia (sendo ela também antropóloga) e aquilo que as separa é um quase nada. Poucos saberão que Goodall nunca fez estudos formais, tendo realizado o seu doutoramento depois de muitos anos de trabalho em África, por especial autorização da Universidade de Cambridge. Sublinho este aspecto, já que ele aponta uma paixão pelo saber e pelo envolvimento com os seres estudados que está nos antípodas do carreirismo que tomou conta da Academia, da idolatria dos graus académicos e da burocratização das instituições. Setenta anos mais nova, Greta Thunberg faz greve à escola porque soube observar o mundo à sua volta, aquilo que, afinal, deveria ser o objectivo de toda a escolaridade digna desse nome. Hoje, a escola está prisioneira do sistema económico e tecnológico que nos domina e encerra na inumanidade. Também aí a greve da Greta é libertadora.
Esta fotografia dá-nos a ver duas mulheres livres. Não precisam de competir com os homens. Aliás não estão em competição com ninguém: são habitantes do planeta. Nómadas da vida. Terrestres."
Depois de me ter dedicado a ler muito do lixo que circula sobre uma rapariga notável do nosso tempo, deparo com esta fotografia emocionante. É uma fotografia de transmissão no feminino, de transmissão de um entendimento essencial, um entendimento que vem de longe, que é profundo, que é simultaneamente intuído e reflectido, que reúne o passado mais profundo com o nosso presente abissal. Um entendimento que é belo.
Jane Goodall é geralmente apresentada como a mais notável primatologista viva. Nela, a primatologia é irmã da antropologia (sendo ela também antropóloga) e aquilo que as separa é um quase nada. Poucos saberão que Goodall nunca fez estudos formais, tendo realizado o seu doutoramento depois de muitos anos de trabalho em África, por especial autorização da Universidade de Cambridge. Sublinho este aspecto, já que ele aponta uma paixão pelo saber e pelo envolvimento com os seres estudados que está nos antípodas do carreirismo que tomou conta da Academia, da idolatria dos graus académicos e da burocratização das instituições. Setenta anos mais nova, Greta Thunberg faz greve à escola porque soube observar o mundo à sua volta, aquilo que, afinal, deveria ser o objectivo de toda a escolaridade digna desse nome. Hoje, a escola está prisioneira do sistema económico e tecnológico que nos domina e encerra na inumanidade. Também aí a greve da Greta é libertadora.
Esta fotografia dá-nos a ver duas mulheres livres. Não precisam de competir com os homens. Aliás não estão em competição com ninguém: são habitantes do planeta. Nómadas da vida. Terrestres."
Out 2019 - Jorge Leandro Rosa
domingo, abril 05, 2020
XAROPE DE FLOR DE SABUGUEIRO - CORDIAL
Já aqui tinha no Malfadado uma referência ao refresco de flor de sabugueiro (link para texto com receita), e todos os anos vou preparando sempre que tenho tempo para colher umas poucas flores. No ano passado secámos uma flores de sabugueiro, aproveitando a lição da nossa amiga Céline, para podermos aromatizar e enriquecer uns cházinhos no Inverno. Mas acabámos por usar pouco, por falta de hábitos, o de beber chá e o de utilizar a flor na mistura de ervas e cascas de citrinos. Este ano fiz, pela primeira vez, uma maneira mais doce de conservar este aroma e substâncias promotoras da saúde, um xarope que se usa na preparação de refrescos ou cocktails, que se pode designar também por cordial de flor de sabugueiro. Não usei esta receita (link para o blogue Outras Comidas) porque é um processo moroso e utiliza ácido cítrico além do limão, nem usei esta outra (link para o blogue Tentações sobre a Mesa) que é inspirada na receita do Chef Jamie Oliver, porque não é fervida depois no final e portanto não se conserva até ao Verão, nem usei esta terceira receita (link para o blogue Da Horta para a Cozinha), que usa açúcar amarelo e também não é fervida no final. O que fiz foi ir buscar inspiração e saber próprio e preparei uma calda forte de açúcar, com sumo de 1 limão e alguma água, no final teria cerca de meio litro com ponto de fio forte, que quando estava já a passar desse ponto fui adicionando meio litro de infusão com 24 horas de refresco forte (20 flores de sabugueiro em menos de um litro de água, duas rodelas de limão e 8 pequenas clementinas cortadas ao meio), e mexendo sempre e adicionando sempre que levantava fervura juntava mais um pouco, no final quando ferveu mais uma vez, deixei ferver apenas 30 segundos, para não recozer as substâncias nem evaporar os aromas, e despejei em 2 garrafas reutilizadas (eram daquelas de calda de tomate de meio litro), enchendo até acima e depois tapando logo e deixando o líquido a esterilizar também as tampas. Ainda sobrou um pouquinho no fundo do tacho, para a prova e está mesmo aprovado. As flores foram apanhadas na Ereira, anteontem, dia de aniversário da minha sobrinha, quando ela tiver 36 anos e dois meses e entrarmos no Verão, será altura de abrir a primeira garrafa e provar. Tenho para mim que o estagiar dois meses em garrafa resultará, tal como nas compotas, com um reforço apreciável do frutado do produto final. Para já o ideal é guardar tudo no frigorífico, porque tenho medo que comece a fermentar e não quero arriscar logo meio litro. Ainda que tenha ficado algo espesso, e esterilizado, não terá a concentração de açúcar necessária para se conservar por si.
sábado, abril 04, 2020
RECEITA DO BOLO DA AVÓ PEDROSA
Nestes dias de distanciamento social já experimentámos reuniões on line que antes não imaginaríamos. Antes faziam-se km. Agora já não. No aniversário mais recente a aniversariante fez um bolo, e nas casas dos familiares faz-se a mesma receita. Não se pode é dizer qual ficou mais perto da receita original. Fica aqui a partilha da receita, é um bolo simples e a receita é também resumida:
1 - Bater manteiga + açúcar
2 - Juntar ovos e incorporar
3 - Adicionar Farinha + fermento
4 - Juntar finalmente raspa e sumo de 1 laranja
5 - Verter para forma untada e polvilhada
6 - Vai ao forno a 180 C até palito sair seco
7. No final desenformar e ainda quente pincelar/regar o bolo
150g manteiga
150g açúcar
3 ovos
150g farinha
1 colher chá fermento
Raspa e sumo de 1 laranja
1 - Bater manteiga + açúcar
2 - Juntar ovos e incorporar
3 - Adicionar Farinha + fermento
4 - Juntar finalmente raspa e sumo de 1 laranja
5 - Verter para forma untada e polvilhada
7. No final desenformar e ainda quente pincelar/regar o bolo
de sopa de açúcar.
8. Deixar arrefecer bem e comer com moderação
(esta parte da moderação… enfim…)
A verdade é que já tinha saudades de comer este bolinho simples.
sexta-feira, abril 03, 2020
NINGUÉM OUVE JORGE PAIVA
Temos em Portugal um excelente cientista e um dos nosso grandes ecologistas, que foi professor no Instituto Botânico da Universidade de Coimbra. Certamente inspirou alguns dos actuais portugueses que hoje têm hábitos de consumo conscientes e que são um grãozinho de areia naquilo que deveriam ser hábitos ecológicos de toda a gente.
Saiu ontem no Público o texto que copiei e que colo aqui, pela sua relevância. Isto é ciência, não é opinião, por isso prestem atenção:
Quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações das favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra.
2 de Abril de 2020, 12:14
Não vamos referir a relevância de todos os predadores, mas apenas de dois. Um, macroscópico e muito conhecido, o lobo, e outro, mais ou menos microscópico e absolutamente desconhecido da generalidade do público, os mixomicetes.
Como qualquer predador, o lobo sempre foi vilipendiado e inimizado pelos humanos, que o abatem indiscriminadamente, colocando-o na situação de risco de extinção. Como qualquer outro predador, os lobos são extremamente úteis para o equilíbrio da biodiversidade e dos ecossistemas naturais, que existem no Globo Terrestre, a Gaiola onde vivemos, antes do aparecimento da espécie humana, o animal mais perigoso desta Ilha do Universo.
No início do século passado, foi decidido eliminar os lobos do Parque de Yellowstone, o primeiro Parque Nacional dos Estados Unidos. Isto porque os lobos não só competiam com os caçadores desportivos que se “divertiam” a caçar veados e outros mamíferos que existiam nas áreas limítrofes do parque, como também porque, por vezes, os lobos se aproveitavam dos descuidos dos criadores do gado que pastava nas cercanias do Parque Nacional. Assim, a partir de 1930, deixaram de existir lobos no Parque de Yellowstone.
Então, a população de herbívoros, particularmente de alces, aumentou exponencialmente, de tal modo que os ecossistemas do parque sofreram uma drástica modificação, particularmente os prados das margens dos rios, que foram praticamente dizimados. Essa erosão não só diminuiu a biodiversidade desses ecossistemas marginais, como também a população de castores, sem o predador (lobo) aumentou de tal modo, que derrubou as árvores e arbustos da floresta ripícola que marginava o rio.
Com as margens dos rios desertificadas, a erosão progrediu rapidamente, com arrastamento de solos nas cheias sazonais, levando ao assoreamento dos rios, que passaram a serpentear por áreas do parque onde nunca tinham corrido, provocando, além da erosão, alterações profundas nos ecossistemas do parque.
Depois disto, os lobos foram reintroduzidos, os herbívoros deixaram de pastar nas margens dos rios por estarem a descoberto e mais facilmente visualizados pelos lobos, voltando a alimentarem-se abrigados na floresta, que estava transformada num ecossistema desequilibrado, onde até os ursos tinham já poucos frutos, porque as plantas tinham crescido demasiadamente ramificadas e, portanto, com poucos frutos. Os ecossistemas das margens e da floresta voltaram ao equilíbrio normal, os rios passaram ao leito primitivo, sem inundações nem assoreamento drástico. Enfim, o Parque Yellowstone recuperou do desastre para que caminhava.
Como a perda de biodiversidade tem impacto nos surtos de doenças infecciosas
Em Portugal, os lobos foram quase aniquilados. Eu ainda conheci lobos na serra da Estrela. Assim, os javalis proliferaram de tal modo que, em 1996, foi atropelado um próximo da entrada principal do Hospital da Universidade de Coimbra; no dia 9 de Janeiro de 2018, de madrugada, vi uma fêmea de javali descendo a rua onde moro (R. Carolina Michaëllis), em Coimbra, e no dia 18 de Agosto de 2017, alguns javalis banharam-se na praia de Galapinhos (Setúbal); além dos prejuízos que causam nos campos agrícolas. Nós, em vez de procedermos de modo idêntico ao acontecido no Yellowstone, resolvemos a questão aos tiros, permitindo a caça temporária aos javalis.
Vamos, agora aos mixomicetes, que não são animais e, como não são produtores de biomassa (não são verdes), também não são plantas. São eucariotas, portanto, não são bactérias nem vírus. Reproduzem-se por esporos, mas não são plantas, pois não são produtores de biomassa. Constituem um subfilo, os Mycetozoa, com cerca de 1000 espécies. São seres microscópicos, plasmodiais, que se deslocam como as amebas, alimentam-se de microrganismos, como bactérias (provavelmente também de vírus), leveduras e fungos. As florestas são dos ecossistemas onde são mais abundantes, quer na manta morta, quer na superfície das plantas.
Costumo mostrá-los aos jovens quando vou às escolas na minha actividade cívica ambiental. Mostro-os na casca das árvores das florestas tropicais. Nestas florestas, as árvores atingem 120 metros de altura. Chamo à atenção dos alunos que uma árvore dessas tem, na casca, milhares de mixomicetes. Quando se deita abaixo uma árvore dessas, estamos a matar também milhares de predadores de microrganismos. E quando, além disso, destruímos também o ecossistema florestal, estamos a libertar milhões de bactérias e vírus que podem provocar novas doenças, como, por exemplo aconteceu com a designada sida, que não existia quando eu era jovem e que surgiu na região florestal do Congo. Nessa altura culparam-se os símios, espalhando que o vírus (HIV) tinha passado para a nossa espécie através do contacto com símios dessa região. Poderá ter sido assim, mas o vírus estava no corpo dos símios, depois de se ter disseminado por falta dos predadores (mixomicetes), que despareceram com o derrube da floresta tropical da região. Também já houve quem culpasse animais selvagens desta epidemia que nos assola agora. Na China há um grande mercado de animais selvagens para a alimentação e misticismo. A explicação é, pois, a mesma e o único culpado é o Homo sapeins L., que parece não ter nada de sapiens.
Neste momento, há apenas 20% das florestas que existiam quando a nossa espécie surgiu neste Globo, uma Gaiola que temos vindo a sujar e na qual temos vindo a dizimar predadores de microrganismos, que podem vir a ser agentes de novas enfermidades letais e que não vamos poder controlar com tirinhos como fizemos com os javalis, pois os microrganismos não se vêem para os podermos dizimar a tiro.
De realçar que esta pandemia alastrou mais rapidamente e tem sido mais letal nas regiões do Globo mais poluídas e de maior concentração populacional (China e Norte da Itália).
Estou imensamente apreensivo, pois quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações de todas as favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra. É por isso que me incomodo com empresários e políticos mais preocupados com os problemas económico-financeiros do que com o gravíssimo e rapidíssimo alastramento do coronavírus, julgando que eles não serão atingidos. Apesar desta lição, que ainda não acabou, continuo a ouvir justificar que o aeroporto terá que ser no Montijo, por ser o local economicamente mais favorável, sem olhar, minimamente, para as consequências ambientais e para o próximo desastre que aí vem, bem pior do que este, como alertou o filósofo José Gil: “Esta terrível experiência que estamos a viver constitui apenas uma antecipação, e um aviso, do que nos espera com as alterações climáticas.”
Texto retirado da edição do jornal Público, escrito pelo extraordinário botânico e ecologista Jorge Paiva
Já agora, em tempos de estado de emergência, quem quiser transmitir esta lição do Jorge Paiva às crianças, pode comprar on line este livrinho ilustrado "Eu não fui!" (link para a loja wook). O livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e tudo. E para quem não puder comprar pode sempre ver uma versão pobrezinha em termos de imagem, partilhada no Facebook pela Biblioteca Municipal de Vagos (link clicando aqui).
Saiu ontem no Público o texto que copiei e que colo aqui, pela sua relevância. Isto é ciência, não é opinião, por isso prestem atenção:
Pandemias e predadores – lição
de Jorge Paiva
Quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações das favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra.
2 de Abril de 2020, 12:14
Não vamos referir a relevância de todos os predadores, mas apenas de dois. Um, macroscópico e muito conhecido, o lobo, e outro, mais ou menos microscópico e absolutamente desconhecido da generalidade do público, os mixomicetes.
Como qualquer predador, o lobo sempre foi vilipendiado e inimizado pelos humanos, que o abatem indiscriminadamente, colocando-o na situação de risco de extinção. Como qualquer outro predador, os lobos são extremamente úteis para o equilíbrio da biodiversidade e dos ecossistemas naturais, que existem no Globo Terrestre, a Gaiola onde vivemos, antes do aparecimento da espécie humana, o animal mais perigoso desta Ilha do Universo.
No início do século passado, foi decidido eliminar os lobos do Parque de Yellowstone, o primeiro Parque Nacional dos Estados Unidos. Isto porque os lobos não só competiam com os caçadores desportivos que se “divertiam” a caçar veados e outros mamíferos que existiam nas áreas limítrofes do parque, como também porque, por vezes, os lobos se aproveitavam dos descuidos dos criadores do gado que pastava nas cercanias do Parque Nacional. Assim, a partir de 1930, deixaram de existir lobos no Parque de Yellowstone.
Então, a população de herbívoros, particularmente de alces, aumentou exponencialmente, de tal modo que os ecossistemas do parque sofreram uma drástica modificação, particularmente os prados das margens dos rios, que foram praticamente dizimados. Essa erosão não só diminuiu a biodiversidade desses ecossistemas marginais, como também a população de castores, sem o predador (lobo) aumentou de tal modo, que derrubou as árvores e arbustos da floresta ripícola que marginava o rio.
Com as margens dos rios desertificadas, a erosão progrediu rapidamente, com arrastamento de solos nas cheias sazonais, levando ao assoreamento dos rios, que passaram a serpentear por áreas do parque onde nunca tinham corrido, provocando, além da erosão, alterações profundas nos ecossistemas do parque.
Depois disto, os lobos foram reintroduzidos, os herbívoros deixaram de pastar nas margens dos rios por estarem a descoberto e mais facilmente visualizados pelos lobos, voltando a alimentarem-se abrigados na floresta, que estava transformada num ecossistema desequilibrado, onde até os ursos tinham já poucos frutos, porque as plantas tinham crescido demasiadamente ramificadas e, portanto, com poucos frutos. Os ecossistemas das margens e da floresta voltaram ao equilíbrio normal, os rios passaram ao leito primitivo, sem inundações nem assoreamento drástico. Enfim, o Parque Yellowstone recuperou do desastre para que caminhava.
Como a perda de biodiversidade tem impacto nos surtos de doenças infecciosas
Em Portugal, os lobos foram quase aniquilados. Eu ainda conheci lobos na serra da Estrela. Assim, os javalis proliferaram de tal modo que, em 1996, foi atropelado um próximo da entrada principal do Hospital da Universidade de Coimbra; no dia 9 de Janeiro de 2018, de madrugada, vi uma fêmea de javali descendo a rua onde moro (R. Carolina Michaëllis), em Coimbra, e no dia 18 de Agosto de 2017, alguns javalis banharam-se na praia de Galapinhos (Setúbal); além dos prejuízos que causam nos campos agrícolas. Nós, em vez de procedermos de modo idêntico ao acontecido no Yellowstone, resolvemos a questão aos tiros, permitindo a caça temporária aos javalis.
Vamos, agora aos mixomicetes, que não são animais e, como não são produtores de biomassa (não são verdes), também não são plantas. São eucariotas, portanto, não são bactérias nem vírus. Reproduzem-se por esporos, mas não são plantas, pois não são produtores de biomassa. Constituem um subfilo, os Mycetozoa, com cerca de 1000 espécies. São seres microscópicos, plasmodiais, que se deslocam como as amebas, alimentam-se de microrganismos, como bactérias (provavelmente também de vírus), leveduras e fungos. As florestas são dos ecossistemas onde são mais abundantes, quer na manta morta, quer na superfície das plantas.
Costumo mostrá-los aos jovens quando vou às escolas na minha actividade cívica ambiental. Mostro-os na casca das árvores das florestas tropicais. Nestas florestas, as árvores atingem 120 metros de altura. Chamo à atenção dos alunos que uma árvore dessas tem, na casca, milhares de mixomicetes. Quando se deita abaixo uma árvore dessas, estamos a matar também milhares de predadores de microrganismos. E quando, além disso, destruímos também o ecossistema florestal, estamos a libertar milhões de bactérias e vírus que podem provocar novas doenças, como, por exemplo aconteceu com a designada sida, que não existia quando eu era jovem e que surgiu na região florestal do Congo. Nessa altura culparam-se os símios, espalhando que o vírus (HIV) tinha passado para a nossa espécie através do contacto com símios dessa região. Poderá ter sido assim, mas o vírus estava no corpo dos símios, depois de se ter disseminado por falta dos predadores (mixomicetes), que despareceram com o derrube da floresta tropical da região. Também já houve quem culpasse animais selvagens desta epidemia que nos assola agora. Na China há um grande mercado de animais selvagens para a alimentação e misticismo. A explicação é, pois, a mesma e o único culpado é o Homo sapeins L., que parece não ter nada de sapiens.
Neste momento, há apenas 20% das florestas que existiam quando a nossa espécie surgiu neste Globo, uma Gaiola que temos vindo a sujar e na qual temos vindo a dizimar predadores de microrganismos, que podem vir a ser agentes de novas enfermidades letais e que não vamos poder controlar com tirinhos como fizemos com os javalis, pois os microrganismos não se vêem para os podermos dizimar a tiro.
De realçar que esta pandemia alastrou mais rapidamente e tem sido mais letal nas regiões do Globo mais poluídas e de maior concentração populacional (China e Norte da Itália).
Estou imensamente apreensivo, pois quando esta pandemia atingir (porque vai mesmo atingir) as populações de todas as favelas americanas, africanas e asiáticas, não vão conseguir controlá-la. Será o caos da humanidade, tanto para pobres como para ricos, pois a morte não se compra. É por isso que me incomodo com empresários e políticos mais preocupados com os problemas económico-financeiros do que com o gravíssimo e rapidíssimo alastramento do coronavírus, julgando que eles não serão atingidos. Apesar desta lição, que ainda não acabou, continuo a ouvir justificar que o aeroporto terá que ser no Montijo, por ser o local economicamente mais favorável, sem olhar, minimamente, para as consequências ambientais e para o próximo desastre que aí vem, bem pior do que este, como alertou o filósofo José Gil: “Esta terrível experiência que estamos a viver constitui apenas uma antecipação, e um aviso, do que nos espera com as alterações climáticas.”
Texto retirado da edição do jornal Público, escrito pelo extraordinário botânico e ecologista Jorge Paiva
Já agora, em tempos de estado de emergência, quem quiser transmitir esta lição do Jorge Paiva às crianças, pode comprar on line este livrinho ilustrado "Eu não fui!" (link para a loja wook). O livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e tudo. E para quem não puder comprar pode sempre ver uma versão pobrezinha em termos de imagem, partilhada no Facebook pela Biblioteca Municipal de Vagos (link clicando aqui).
quinta-feira, abril 02, 2020
PANQUECAS DE CANELA
No meu imaginário as panquecas são aquilo que se designa por crepes: fininhas e viram-se dando-lhes a volta no ar. Mas com os novos alimentos que agora andam por aí e com as dietas vegan e paleo, aparecem muitas receitas de panquecas mais altinhas. E já experimentei algumas e até se comem bem, ou muito bem. Por estes dias não tínhamos mesmo qualquer pão para comer e pensei que se não me cruzasse com a padeirinha na rua (daquelas que andam por aí a colocar pão nas portas a gastar gasóleo…) enquanto andava a passear a Maisie, ia tentar fazer umas panquecas mais altas. E como tinha à mão umas natas cuja validade estava no limite (do aceitável, entenda-se), em vez de usar leite usei o pacote de natas e depois água da torneira. E fiz esta receita de panquecas de canela, mas depois não dei o acabamento de manteiga, açúcar e canela. Optei por usar a compota de framboesas e também ficou bastante bem. Fica aqui a receita para memória futura (link para blog Manga com Pimenta). Entre dois só sobrou uma panqueca, que se comeu depois fria e sem mais nada, na verdade também se comeu muito bem. O que é doce e com canela nunca amargou!
quarta-feira, abril 01, 2020
DIA DAS MENTIRAS
Adoro este dia. BRIGADA DE FISCALIZAÇÃO DO ESTADO DE EMERGÊNCIA!!!
Foi assim que me apresentei depois de tocar à campainha da casa de uns amigos que têm duas filhas pequenas, perto das 17 horas. Pelo intercomunicador adiantei: - Recebemos uma denúncia de que os senhores deixam as vossas filhas andar aqui na rua de bicicleta.
- Não, não, elas não andam na rua.
- Pois, mas nós recebemos essa denúncia e estamos aqui a verificar.
- Nós só saímos com elas no Domingo para dar uma volta mas depois voltámos a casa.
- Está mal, elas não podem sair de vossa casa!
- Peço desculpa, não sabia, pensava que podíamos dar um passeio.
- Sou o João Paulo, pá, hoje é o Dia das Mentiras!!! Abre lá a porta, que eu ando aqui a passear a Maisie e a Pipoca.
Se eu ainda andasse no Facebook tinha criado um evento para a zona de Coimbra e ia divulgar a toda a gente daquela zona, ia ser o máximo, toda a gente acreditaria: FESTIVAL GASTRONÓMICO DE TAKES AWAY.
Com os seus restaurantes fechados por causa do estado de emergência, um grupo de 30 empresários reuniu-se e decidiu levar a efeito o 1º FESTIVAL SOLIDÁRIO DE TAKE AWAY. Os inscritos, no máximo 300 pessoas, pagariam o preço de 9 refeições (almoços e jantares) do seu agregado familiar e teriam direito a receber em suas casas 30 almoços e jantares durante 15 dias. Era uma maneira dos proprietários terem os seus restaurantes abertos e prescindirem dos lucros a favor das pessoas se manterem em suas casas. Bebidas pagas à parte, obviamente. Pelo preço de 90 euros per capita do agregado familiar, durante 15 dias, os participantes receberiam em suas casas, de forma higiénica e com garantias de não contaminação de COVID19, as suas refeições variadas, a escolher entre os 30 restaurantes aderentes, entre os quais se contam algumas casas de referência da zona de Coimbra. Do famoso leitão da Bairrada às refeições vegetarianas, o festival proporcionaria uma escolha de mais de 50 propostas aos seus participantes. Cada participante teria que escolher, para cada refeição encomendada, o que queria receber para além do prato principal, uma sopa ou uma sobremesa. Cada menu daria então direito então a um prato com uma dose normal e um complemento à sua escolha, sopa ou sobremesa (fruta ou doce a escolher), pelo preço de 9 euros. Poderia também encomendar a bebida para acompanhar, mas isso seria pago à parte. Os restaurantes estavam já a selecionar os estafetas para fazerem as suas entregas e o Festival teria o patrocínio de uma nova marca de motociclos eléctricos, que assim lançaria os seus modelos urbanos, e tinha também já o patrocínio de um banco multinacional espanhol, de uma seguradora que cobriria os riscos da frota de distribuição e estava à espera de receber resposta do governo a um pedido de apoio, depois da Câmara Municipal se ter recusado a ajudar. O Festival começaria a ser divulgado no dia 4 de Abril e decorreria entre 9 e 24 de Abril, abarcando portanto o período da Páscoa.
Foi assim que me apresentei depois de tocar à campainha da casa de uns amigos que têm duas filhas pequenas, perto das 17 horas. Pelo intercomunicador adiantei: - Recebemos uma denúncia de que os senhores deixam as vossas filhas andar aqui na rua de bicicleta.
- Não, não, elas não andam na rua.
- Pois, mas nós recebemos essa denúncia e estamos aqui a verificar.
- Nós só saímos com elas no Domingo para dar uma volta mas depois voltámos a casa.
- Está mal, elas não podem sair de vossa casa!
- Peço desculpa, não sabia, pensava que podíamos dar um passeio.
- Sou o João Paulo, pá, hoje é o Dia das Mentiras!!! Abre lá a porta, que eu ando aqui a passear a Maisie e a Pipoca.
Se eu ainda andasse no Facebook tinha criado um evento para a zona de Coimbra e ia divulgar a toda a gente daquela zona, ia ser o máximo, toda a gente acreditaria: FESTIVAL GASTRONÓMICO DE TAKES AWAY.
Com os seus restaurantes fechados por causa do estado de emergência, um grupo de 30 empresários reuniu-se e decidiu levar a efeito o 1º FESTIVAL SOLIDÁRIO DE TAKE AWAY. Os inscritos, no máximo 300 pessoas, pagariam o preço de 9 refeições (almoços e jantares) do seu agregado familiar e teriam direito a receber em suas casas 30 almoços e jantares durante 15 dias. Era uma maneira dos proprietários terem os seus restaurantes abertos e prescindirem dos lucros a favor das pessoas se manterem em suas casas. Bebidas pagas à parte, obviamente. Pelo preço de 90 euros per capita do agregado familiar, durante 15 dias, os participantes receberiam em suas casas, de forma higiénica e com garantias de não contaminação de COVID19, as suas refeições variadas, a escolher entre os 30 restaurantes aderentes, entre os quais se contam algumas casas de referência da zona de Coimbra. Do famoso leitão da Bairrada às refeições vegetarianas, o festival proporcionaria uma escolha de mais de 50 propostas aos seus participantes. Cada participante teria que escolher, para cada refeição encomendada, o que queria receber para além do prato principal, uma sopa ou uma sobremesa. Cada menu daria então direito então a um prato com uma dose normal e um complemento à sua escolha, sopa ou sobremesa (fruta ou doce a escolher), pelo preço de 9 euros. Poderia também encomendar a bebida para acompanhar, mas isso seria pago à parte. Os restaurantes estavam já a selecionar os estafetas para fazerem as suas entregas e o Festival teria o patrocínio de uma nova marca de motociclos eléctricos, que assim lançaria os seus modelos urbanos, e tinha também já o patrocínio de um banco multinacional espanhol, de uma seguradora que cobriria os riscos da frota de distribuição e estava à espera de receber resposta do governo a um pedido de apoio, depois da Câmara Municipal se ter recusado a ajudar. O Festival começaria a ser divulgado no dia 4 de Abril e decorreria entre 9 e 24 de Abril, abarcando portanto o período da Páscoa.
sexta-feira, março 20, 2020
PRIMAVERA
Hoje. Retirar as coisas da corda da roupa, vem aí a chuva. Passear os cães logo pela manhãzinha e desafogar umas árvores pequenas das ervas que a circundam, para deixar a chuvinha entrar toda nos poros da terra. Encher garrafões com água da chuva acumulada nos bidons colocados no beiral, para poder regar no final de Primavera e todo o Verão. Retirar das nespereiras as nêsperas que estão completamente apanhadas pelo pedrado. Voltar a casa para um belo pequeno-almoço, depois de retirar a roupa húmida do corpo. A chuva já chegou entretanto. Um dia para tratar de coisas da cozinha, sai um chucrute e mais alguma coisa. Para arrumar papeladas na secretária também está bom. E ler um par de capítulos do Memorial do Convento, estou a chegar ao fim. Belimunda Sete Luas já faz parte da minha vida, como muitos outros personagens dos vários livros que já li. Demorou a chegar, mas veio na altura certa. Há que ir às compras e passear a Maisie, mesmo que esteja a chover. Amanhã já passa a chuva e estaremos de fim-de-semana, com outros trabalhos de campo. A época de ouro para fazer palhuças à volta das árvores de fruto. Ao fim do dia, RTP 2, para umas aulas de catalão e de alguma filosofia, com o professor Merlí. Chegou a Primavera.
quinta-feira, março 19, 2020
Y OLÉ! OBRIGADO RTP 2
Há coisas bonitas que a RTP 2 nos vai oferecendo. Este espectáculo foi um deles, passou no passado sábado à noite. Do francês José Montalvo, em homenagem à Andalucia, onde viveu em pequeno. Esteve disponível na RTP Play e deixo aqui um muito pequeno resumo em video do Youtube:
terça-feira, março 17, 2020
MATA BICHO
Ponto final. Fiz o último pão em casa utilizando o fermento natural. Matei os bichos que durante meses, anos, foram transformando o glúten da farinha de trigo do pão, quase alentejano, que ia fazendo em casa. A obrigação era fazer pão pelo menos uma vez por semana, para utilizar parte da massa fermentada, e juntar mais farinha de centeio e água à cerca de uma colher de sopa de massa fermentada que ficava no frasco. Mexer bem e deixar cerca de 24 horas à temperatura ambiente, para os bichos se reproduzirem, e depois usar novamente ou guardar no frigorífico, até ao dia de voltar a fazer pão. Muito pãozinho mais saudável se comeu, e quando estava acabado de fazer era irresistível. Gula essa que já era menos saudável, até porque o calorzinho do pão arrasta a manteiguinha… e outras coisas.
Foi a Sara que me confiou o bicho, sei lá há quanto tempo, mas terá sido um par de anos. A Sara que é uma daquelas raras pessoas que está muito lá à frente em termos de estilo de vida, da geração que já herdou um planeta muito destruído e que percebeu que é preciso mesmo fazer alguma coisa de diferente. A geração que reacende a esperança, a geração cujos filhos serão eles próprios escravos ou guerreiros do arco-íris. Fica aqui o agradecimento público e para memória. E em memória dos bichos. Em tempos de pandemia, é bom lembrar que os micro-organismos não são só coisas prejudiciais. Nós transportamos e alimentamos em nós, e temos à nossa disposição, uma muito grande colecção de micro-organismos que são nossos amigos. Não os vemos, é certo, mas o defeito é nosso. Porque muitas vezes não vemos nem queremos ver.
Foi a Sara que me confiou o bicho, sei lá há quanto tempo, mas terá sido um par de anos. A Sara que é uma daquelas raras pessoas que está muito lá à frente em termos de estilo de vida, da geração que já herdou um planeta muito destruído e que percebeu que é preciso mesmo fazer alguma coisa de diferente. A geração que reacende a esperança, a geração cujos filhos serão eles próprios escravos ou guerreiros do arco-íris. Fica aqui o agradecimento público e para memória. E em memória dos bichos. Em tempos de pandemia, é bom lembrar que os micro-organismos não são só coisas prejudiciais. Nós transportamos e alimentamos em nós, e temos à nossa disposição, uma muito grande colecção de micro-organismos que são nossos amigos. Não os vemos, é certo, mas o defeito é nosso. Porque muitas vezes não vemos nem queremos ver.
segunda-feira, março 16, 2020
A JUSTIÇA EM PORTUGAL
A verdade é que as coisas vão evoluindo. Os juízes, essa classe de advogados que por estudo e vocação ascendem a essa classe de intocáveis, também começaram a ser averiguados. Fico contente, pois da minha experiência com o sistema judicial ainda não apanhei nenhum juiz verdadeiramente competente. Mesmo quando ganhei algumas causas. O que ficou mais bem visto em termos de competência foi o que me condenou a trabalho social por ter desobedecido à GNR, quando me coloquei à frente das máquinas que estavam a destruir ilegalmente os solos agrícolas de Ílhavo (link para a malfadada memória).
Fica aqui o retrato da justiça portuguesa feito pelo genial José Saramago, autor do "Ensaio sobre a cegueira", obra que nestes dias virais é sempre bom ler ou relembrar. Este retrato está noutra obra, o "Memorial do Convento":
"Dizem que o reino anda mal governado, que nele está de menos a justiça, e não reparam que ele está como deve estar, com sua venda nos olhos, sua balança e sua espada, que mais queríamos nós, era o que faltava, sermos os tecelões da faixa, os aferidores dos pesos e os alfagemes do cutelo, constantemente remendando os buracos, restituindo as quebras, amolando os fios, e enfim perguntando ao justiçado se vai contente com a justiça que se lhe faz, ganhado ou perdido o pleito. Dos julgamentos do Santo Ofício não se fala aqui, que esse tem bem aberto os olhos, em vez da balança um ramo de oliveira, e uma espada afiada onde a outra é romba e com bocas. Há quem julgue que o raminho é da paz, quando está muito patente que se trata do primeiro graveto da futura pilha de lenha, ou te corto, ou te queimo, por isso é que, havendo que faltar à lei, mais vale apunhalar a mulher, por suspeita de infidelidade, que não honrar os fiéis defuntos, a questão é ter padrinhos que desculpem o homicídio e 1000 cruzados para pôr na balança, nem é para outra coisa que a justiça a leva na mão. Castiguem-se lá os negros e os vilões para que não se perca o valor do exemplo, mas honre-se a gente de bem e de bens, não lhe exigindo que pague as dívidas contraídas, que renuncie à vingança, que emende o ódio, e, correndo pleitos, por não se poderem evitar de todo, venham a rabulice, a trapaça, a apelação, a praxe, os ambages, para que vença tarde quem por justiça justa deveria vencer cedo, para que tarde perca quem deveria perder logo. É que, entretanto, vão-se mungindo as tetas do bom leite que é o dinheiro, requeijão precioso, supremo queijo, manjar de meirinho e solicitador, de advogado e inquiridor, de testemunha e julgador, se falta algum é porque o esqueceu o padre Antonio Vieira e agora não lembra.
Estas são as justiças visíveis. (...)"
PS - Não tive que fazer a cópia deste excerto porque o apanhei no site das frases e pensamentos (link). Só tive que fazer pequenos ajustes e correcções, para ficar rigorosamente igual ao original do Saramago.
Fica aqui o retrato da justiça portuguesa feito pelo genial José Saramago, autor do "Ensaio sobre a cegueira", obra que nestes dias virais é sempre bom ler ou relembrar. Este retrato está noutra obra, o "Memorial do Convento":
"Dizem que o reino anda mal governado, que nele está de menos a justiça, e não reparam que ele está como deve estar, com sua venda nos olhos, sua balança e sua espada, que mais queríamos nós, era o que faltava, sermos os tecelões da faixa, os aferidores dos pesos e os alfagemes do cutelo, constantemente remendando os buracos, restituindo as quebras, amolando os fios, e enfim perguntando ao justiçado se vai contente com a justiça que se lhe faz, ganhado ou perdido o pleito. Dos julgamentos do Santo Ofício não se fala aqui, que esse tem bem aberto os olhos, em vez da balança um ramo de oliveira, e uma espada afiada onde a outra é romba e com bocas. Há quem julgue que o raminho é da paz, quando está muito patente que se trata do primeiro graveto da futura pilha de lenha, ou te corto, ou te queimo, por isso é que, havendo que faltar à lei, mais vale apunhalar a mulher, por suspeita de infidelidade, que não honrar os fiéis defuntos, a questão é ter padrinhos que desculpem o homicídio e 1000 cruzados para pôr na balança, nem é para outra coisa que a justiça a leva na mão. Castiguem-se lá os negros e os vilões para que não se perca o valor do exemplo, mas honre-se a gente de bem e de bens, não lhe exigindo que pague as dívidas contraídas, que renuncie à vingança, que emende o ódio, e, correndo pleitos, por não se poderem evitar de todo, venham a rabulice, a trapaça, a apelação, a praxe, os ambages, para que vença tarde quem por justiça justa deveria vencer cedo, para que tarde perca quem deveria perder logo. É que, entretanto, vão-se mungindo as tetas do bom leite que é o dinheiro, requeijão precioso, supremo queijo, manjar de meirinho e solicitador, de advogado e inquiridor, de testemunha e julgador, se falta algum é porque o esqueceu o padre Antonio Vieira e agora não lembra.
Estas são as justiças visíveis. (...)"
PS - Não tive que fazer a cópia deste excerto porque o apanhei no site das frases e pensamentos (link). Só tive que fazer pequenos ajustes e correcções, para ficar rigorosamente igual ao original do Saramago.
segunda-feira, fevereiro 24, 2020
GESTÃO DANOSA NA QUERCUS - 6ª ÀS NOVE - RTP
As suspeitas já vêm de 2017, e o Ministério Público anda a investigar há meses demais. Eu fui eleito e reeleito como presidente do Conselho Fiscal da Quercus e detectei coisas gravíssimas, uso de cartão de crédito, despesas abusivas de tesoureiro e presidente, aluguer de apartamento em Castelo Branco sem integração em projecto e sem justificação, actas de reuniões da Direcção Nacional forjadas, contrato com empresa italiana muito lesivo e dispendioso, despesas com advogado amigo do presidente para pagar trabalhos sem decisão da Direcção Nacional, secretário de Direcção Nacional que aparece em actas como estando presente, mas não pôs lá os pés, o mesmo secretário da Direcção Nacional aparece noutras actas como tendo estado presente por procuração (ilegal, e passando o poder deliberativo ao presidente, pois claro) que não está anexa à acta.
No passado fim-de-semana recebi um e-mail de um dos grandes ecologistas que conheci na Quercus, nos idos anos oitenta, e colocando um link para a notícia. Sem lhe pedir autorização, até porque não o vou identificar, aqui fica o que ele escreveu:
"Ao menos que se tenha tocado o trombone pela televisão...
Depois de verem a reportagem, é bom eu esclarecer que tentei em várias frentes ajudar a resolver internamente as situações anómalas, sozinho e com o apoio dos outros membros do Conselho Fiscal. Mas o presidente João Branco, com o apoio do advogado, seu grande amigo e beneficiado financeiramente com os dinheiros da associação, em conluio com o anterior presidente da Mesa da Assembleia Geral, Leonel Folhento, conseguiram desvirtuar completamente o propósito de uma Assembleia Geral Extraordinária, que decorreu em Viseu há cerca de um ano atrás. E o resto já se sabe, quando houve eleições o João Branco rodeou-se de amigos de negociatas para conseguir continuar a mexer com toda a facilidade os cordelinhos, qual marionetista rasca. E para garantir a vitória nas eleições accionou os associados que foram feitos de forma a garantir a manutenção do poder (funcionários das empresas que aparecem nesta reportagem, familiares de funcionários da Quercus que beneficiam da gestão do João Branco e associados de última hora angariados pelos membros marionetados da Direcção Nacional). E nessas eleições nacionais afastando toda a gente que ainda acreditava ser possível ter uma associação competente e transparente. Mas dessa gente há gente que não desiste. E que propõe, e que denuncia, e que trabalha regionalmente em iniciativas junto das populações.
O programa da Sandra Felgueiras nunca veio investigar as ilegalidades funestas do Parque de Ciência e Inovação, aqui em Ílhavo, denunciadas pela Quercus há um bom par de anos atrás (e se as associações envolvidas insistiram, enviando provas e mais provas), e acabou por vir cá entrevistar-me por causa das negociatas nefastas de um colega de estudos do Ribau Esteves... negociatas que são verdadeiramente danosas para a já de si fraca conservação do ambiente em Portugal. Termino com um agradecimento público ao jornalista que andou no terreno a recolher os depoimentos e imagens, bem como à equipa do Sexta às Nove, pois ficou um trabalho final bom em termos de informação e cadência.
No passado fim-de-semana recebi um e-mail de um dos grandes ecologistas que conheci na Quercus, nos idos anos oitenta, e colocando um link para a notícia. Sem lhe pedir autorização, até porque não o vou identificar, aqui fica o que ele escreveu:
"Ao menos que se tenha tocado o trombone pela televisão...
É impressionante esta bosta. O dinheiro e a corrupção nos seus tentáculos...
"A Quercus precisava de receitas."..."
Ficam aqui 37 minutos de reportagem na televisão (link para RTP Play clicar aqui), onde eu apareço a referir algumas das coisas estranhas na gestão da Quercus.Depois de verem a reportagem, é bom eu esclarecer que tentei em várias frentes ajudar a resolver internamente as situações anómalas, sozinho e com o apoio dos outros membros do Conselho Fiscal. Mas o presidente João Branco, com o apoio do advogado, seu grande amigo e beneficiado financeiramente com os dinheiros da associação, em conluio com o anterior presidente da Mesa da Assembleia Geral, Leonel Folhento, conseguiram desvirtuar completamente o propósito de uma Assembleia Geral Extraordinária, que decorreu em Viseu há cerca de um ano atrás. E o resto já se sabe, quando houve eleições o João Branco rodeou-se de amigos de negociatas para conseguir continuar a mexer com toda a facilidade os cordelinhos, qual marionetista rasca. E para garantir a vitória nas eleições accionou os associados que foram feitos de forma a garantir a manutenção do poder (funcionários das empresas que aparecem nesta reportagem, familiares de funcionários da Quercus que beneficiam da gestão do João Branco e associados de última hora angariados pelos membros marionetados da Direcção Nacional). E nessas eleições nacionais afastando toda a gente que ainda acreditava ser possível ter uma associação competente e transparente. Mas dessa gente há gente que não desiste. E que propõe, e que denuncia, e que trabalha regionalmente em iniciativas junto das populações.
O programa da Sandra Felgueiras nunca veio investigar as ilegalidades funestas do Parque de Ciência e Inovação, aqui em Ílhavo, denunciadas pela Quercus há um bom par de anos atrás (e se as associações envolvidas insistiram, enviando provas e mais provas), e acabou por vir cá entrevistar-me por causa das negociatas nefastas de um colega de estudos do Ribau Esteves... negociatas que são verdadeiramente danosas para a já de si fraca conservação do ambiente em Portugal. Termino com um agradecimento público ao jornalista que andou no terreno a recolher os depoimentos e imagens, bem como à equipa do Sexta às Nove, pois ficou um trabalho final bom em termos de informação e cadência.
sexta-feira, janeiro 24, 2020
AS MIL MANEIRAS DE SALVAR O BACALHAU
Há certamente mil e uma maneiras de cozinhar o portuguesíssimo bacalhau seco e salgado. Uma das melhores é sem dúvida o " bacalhau à senense ", receita que tem a chancela da minha família Pinto Figueiredo (Vila Verde e Chaveiral, ali para os lados de Paranhos da Beira). Mas em plena crise climática (a crise é do sistema e dos homens de negócios do costume, que não admitem estar a dar cabo de tudo só para continuarem a facturar milhões) acho que está na hora de coleccionar as mil e uma maneiras de dar a volta ao sistema e salvarmos todas as espécies selvagens do planeta. Incluindo o bacalhau!
Aqui o Malfadado deve ser um dos blogues de âmbito geral e de opinião em que mais se tem defendido o ambiente. Por isso merece aqui referência esta campanha, que tem já 8 anos, cantar pelo ambiente. Está criado um hino com uma melodia que faz todo o sentido e que toda a gente conhece. A letra é simples e fácil de decorar. O Hino não se implantou como devia, mas ainda vai a tempo, pois as coisas pouco ou nada mudaram para melhor nos últimos anos, e por isso a luta ainda agora começou. E os efeitos das alterações climáticas continuam a assustar cada vez mais zonas do planeta. Aqui fica o video:
Pode haver quem ache que a cantar não se vai lá, mas a luta pacifista é mesmo assim. Enquanto houver estrada para andar...
Aqui o Malfadado deve ser um dos blogues de âmbito geral e de opinião em que mais se tem defendido o ambiente. Por isso merece aqui referência esta campanha, que tem já 8 anos, cantar pelo ambiente. Está criado um hino com uma melodia que faz todo o sentido e que toda a gente conhece. A letra é simples e fácil de decorar. O Hino não se implantou como devia, mas ainda vai a tempo, pois as coisas pouco ou nada mudaram para melhor nos últimos anos, e por isso a luta ainda agora começou. E os efeitos das alterações climáticas continuam a assustar cada vez mais zonas do planeta. Aqui fica o video:
Pode haver quem ache que a cantar não se vai lá, mas a luta pacifista é mesmo assim. Enquanto houver estrada para andar...
quinta-feira, janeiro 23, 2020
MANIFESTO ABERTO - CRISE DE VALORES NA QUERCUS
Como eu gostava de não ter que perder tempo com estas coisas… mas a nossa sociedade, graças à pouca participação cívica das pessoas honestas, vai perdendo na competição com pessoas desonestas. E depois dos muitos escândalos que fomos assistindo nos últimos anos, nas organizações políticas, sindicais, nos meios empresariais então não se fala, e claro do nosso primeiro ministro que era caricaturado como mentiroso e afinal a caricatura exagerava por ser pouco expressiva, porque além de mentiroso era corrupto, chegou a vez das associações. Depois da Raríssimas, que deve ter sido o expoente máximo até agora, já foram denunciadas outras associações e a próxima deverá ser a Quercus, pois as coisas estão mesmo mal, com negociatas e favores políticos, má utilização de verbas e processos pouco democráticos, com actas forjadas e tudo o que de mau se possa imaginar em termos de uma gestão democrática e participada de uma associação. E logo agora que as novas gerações estavam a pedir uma associação nacional de defesa do ambiente forte e com poder de intervenção na sociedade, o que é que lhes temos para dar como exemplo? Enfim, fica aqui o pedido para assinarem o Manifesto e pedirem à família, e depois aos amigos mais activistas, para também assinarem. E fica este LINK (clicando aqui abre-te uma nova página) para a plataforma das petições, onde entre ler e assinar não demora mais do que 5 minutos. E assinar é fácil, a plataforma só pede o endereço de e-mail, que não fica público, é só para efeitos de autenticação. Manifesta-te, se o fizeres fica já aqui o meu agradecimento!
quarta-feira, janeiro 22, 2020
OMIRI - MÚSICA ACONSELHADA
Pois é, já aqui partilhei este videozinho do youtube, mas aqui há uns tempos um amigo enviou-me um mail e lembrei-me que deveria repetir a publicação aqui no meu Malfadado. Em dias de muitos trabalhos, País Colmeia, com a participação da Capicua e da saudosa Adélia Garcia.
Refrão: Não canto por bem cantarNem por boa cantadeiraSó canto por aliviar penas
Àquela murmuradeiraÀquela murmuradeiraAquela da minha portaMeta-se na sua vidaQue a minha nada lhe importa
Refrão: Não canto por bem cantarNem por boa cantadeiraSó canto por aliviar penas
Àquela murmuradeiraÀquela murmuradeiraAquela da minha portaMeta-se na sua vidaQue a minha nada lhe importa
segunda-feira, janeiro 20, 2020
ROUBAR AOS POBRES PARA DAR AOS RICOS
Só um estado cheínho de corrupção permite estas coisas. Em dias de Luanda Leaks, com a benemérita e famosa Isabel dos Santos debaixo de fogo, tenho aqui que relembrar coisas que saíram nos jornais e que são bastante animadoras no começo de um novo ano:
Fica também esta crónica, publicada num outro jornal, e que ajuda a perceber quantos milhões já os pobres deram nos últimos anos para os ricos ficarem mais ricos. (link).
Com mil obrigados ao Valdemar Andrade, que nos seus dias se mantém activo e informado, e vai enviando e-mails com as coisas mais relevantes que vai caçando. Sejam assuntos tristes, como este, sejam coisas fora de série.
Está escrito no recorte, mas eu repito aqui: PERDÕES SERVEM PARA EVITAR PREJUÍZOS MAIORES.
Fica também esta crónica, publicada num outro jornal, e que ajuda a perceber quantos milhões já os pobres deram nos últimos anos para os ricos ficarem mais ricos. (link).
Com mil obrigados ao Valdemar Andrade, que nos seus dias se mantém activo e informado, e vai enviando e-mails com as coisas mais relevantes que vai caçando. Sejam assuntos tristes, como este, sejam coisas fora de série.
Está escrito no recorte, mas eu repito aqui: PERDÕES SERVEM PARA EVITAR PREJUÍZOS MAIORES.
domingo, janeiro 19, 2020
ASSOCIAÇÃO CABEÇO SANTO - RECUPERAÇÃO ECOLÓGICA E PAISAGÍSTICA
Decorreu ontem em Águeda, na sala de conferências da Fundação Dionísio Pinheiro (desconhecia a sua existência, mas já é antiga e tem uma exposição permanente de obras de arte, para além de um recanto florestal muito interessante, ali mesmo no centro de Águeda), a primeira Assembleia Geral da nova associação. Como já estou reformado das coisas associativas acabei por chegar atrasado. Mas marquei presença e ajudei a votar o regulamento interno, pois vou ser um dos sócios fundadores, junto com quem se inscrever até ao final do mês. Decerto aparecerá tudo explicado no melhor blogue ibérico de um projecto de conservação da natureza, mas fica já aqui a notícia e se alguém quiser ser fundador da ACS-REP mande-me um e-mail que eu ajudo a esclarecer. Ah, e assisti também à tomada de posse dos órgãos sociais, cujos cargos estão mesmo muito bem entregues. Link para o balanço de 2019 e planos para 2020 no Cabeço Santo é só clicar AQUI.
sexta-feira, janeiro 17, 2020
ESCRITORA DO MEU ANO - CHRISTINE LEUNENS
Vi referirem um filme e fui pesquisar, gostei do trailer e fui pesquisar sobre o realizador, o neozelandês Taika Waititi, e sobre a autora do livro que serviu de base ao argumento do filme, a escritora ainda com poucos livros editados, Christine Leunens (link para a wikipedia). Nasceu no mesmo ano que eu e mudou-se para a Nova Zelândia há uns anos, uma cidadã do mundo. Traduzido para português e lançado agora, o livro que serviu de inspiração ao filme que se poderá ver nos cinemas a partir do fim deste mês, e cujo trailer aqui fica:
Ao que diz a wikipedia, a autora está a escrever um livro sobre o triste episódio em que o governo francês assassinou um português. Quem se lembra deste episódio com o Rainbow Warrior?
Ao que diz a wikipedia, a autora está a escrever um livro sobre o triste episódio em que o governo francês assassinou um português. Quem se lembra deste episódio com o Rainbow Warrior?
quinta-feira, janeiro 16, 2020
A CADELITA SHY
Não gosto nada de dar nomes estrangeiros aos cães, mas esta cadelita foi a votos para receber um nome e ficou assim. Na sua ninhada foi sempre uma cadelita muito especial e sai ao pai, o Hulk (lá está, para mim é o Ulique...), um cãozito muito sortudo, pois saiu de um canil, após ser abandonado ainda com a sua ninhada, e agora vive na companhia de um irmão de ninhada e numa casa com uns donos 5 estrelas, que lhes dão a liberdade controlada necessária para conhecerem toda a terra onde vivem. De Amélia, que era o seu nome na abençoada casa onde nasceu, para mim ficava Caramelishyki de nome completo e depois poderiam chamar-lhe os nomes que quisessem. Eu quando a visse dizia logo: Melqui. E lá vinha ela toda contente. É uma cadela sortuda pois está nas mãos do Ângelo e da Sofia, dois dos meus ídolos da actualidade. Eu só participei na habituação a sair do seu canto e andar na rua e longe da sua mãe, a Luna. O resto nem precisou de treino, acho que se enervava muito nas viagens de carro (muita baba mesmo), mas espero ter dado as dicas certas para resolver esse problema. Podem ver como ela trabalha bem nas fotos a seguir e a sua participação numa entrevista num canal regional de TV recentemente inaugurado (a partir do minuto 11.30 neste link). Aqui ficam então as fotos:
terça-feira, janeiro 14, 2020
ÍDOLOS - OPERAÇÃO TRIUNFO - THE VOICE
Enfim, o formato varia mas depois vai dar ao mesmo, lá temos gente com muito talento a cantar músicas muito boas de outros compositores. Para quem viu na final do concurso e gostou deste momento, aqui fica para a memória deste blogue esta música dos Queen, numa versão que mantém o poder da comoção e de uma história de amor profundo. Love of my life. (link para a página da RTP, clicar aqui). E, claro está, no Youtube:
Este rapazinho, Gabriel de Rose, perdeu na final finalíssima, por votos dos telespectadores, para a Inês Sanches, que deve ter arrebatado toda a gente com a sua boca lindíssima e com esta versão criminosamente reduzida (link para a página da RTP) da música No Teu Poema, com esta letra fortíssima do Ary dos Santos:
Este rapazinho, Gabriel de Rose, perdeu na final finalíssima, por votos dos telespectadores, para a Inês Sanches, que deve ter arrebatado toda a gente com a sua boca lindíssima e com esta versão criminosamente reduzida (link para a página da RTP) da música No Teu Poema, com esta letra fortíssima do Ary dos Santos:
No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe a noite
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
O cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco, ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera... do futuro.
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida.
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da senhora da agonia
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano.
Existe a noite
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
O cais da nova nau das descobertas.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco, ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera... do futuro.
segunda-feira, janeiro 13, 2020
FILME DOCUMENTÁRIO DE GRANDE QUALIDADE - HONEYLAND
Apanhei a divulgação no blogue do grande Jorge Morais, e faço aqui eco no Malfadado do trailer deste filme que está nomeado para os Óscares, como melhor filme na sua categoria. Só este resumo e apresentação são logo comoventes e com imagens extraordinárias. Ora vejam:
domingo, janeiro 12, 2020
SEMANA NEGRA
Foi uma semana terrível. Fica aqui o registo resumido desde o começo, no passado domingo, dia 5 de Janeiro: o pai da Zé, José Bento, continua internado nos HUC, não consegue oxigenar suficientemente o sangue após 3 semanas internado, após 2 tratamentos com dois antibióticos diferentes, e está a ficar mais e mais fraco, e cansado. O seu cachorrinho Tico aguarda a chegada do dono e sua única companhia numa casa enorme, e como tarda o regresso, e para não ficar sozinho, decidimos que o trazemos aqui para o apartamento, como já aconteceu de outras vezes. Passo lá na terrinha vindo de Coimbra, a Ereira (de Montemor-o-Velho), e trago o cachorrinho, junto com a Maisie, que também estou a tomar conta. Ao chegar ao prédio paro no 3º andar para me despedir de um vizinho que se vai ausentar, deixo os cães à vontade enquanto falo ali à porta um par de minutos, quando vou para subir até casa chamo o Tico, mas nada dele aparecer. Os vizinhos dizem-me que o viram a sair de casa deles. De facto não reparei, tão pequenino que ele é. Chamo, chamo e nada. O filhote dos vizinhos, miúdo muito esperto, espreita pelo vão das escadas e diz que o viu lá em baixo, eu espreito mas não vejo nada. E lá vai o miúdo escadas abaixo. Quando lá chega abaixo começa a subir a correr, e diz qualquer coisa e repete, mas não percebo nada do que ele diz, quando chega cá acima peço-lhe para repetir e ele diz que o Tico está lá em baixo e tem sangue na boca. Optimista como sou pensei que ele teria escorregado e estaria a sangrar da queixada, e lá me meto no elevador para o ir buscar. Dou com ele caído lá no fundo, desmaiado e com uma poça de sangue saída da boca. Ainda respira, limpo-lhe o sangue das vias respiratórias e falo com ele, mas nada de reagir. Trago-o para casa para ver se ele recupera, e ali continua desmaiado, mas a respirar. Passado mais de uma hora chega a Zé a casa vinda de estar com o pai, o bicho já acordou do desmaio, mexe todos os membros, mas não está nada bem começa a ganir e a fazer movimentos de rodar o corpo deitado, movimentos violentos. Vamos de urgência para o Hospital Veterinário de Aveiro, onde o pobre bichinho, que já conta com 11 anos de vida, é muito bem tratado e estabilizado, e nos é explicada a situação e possibilidade de recuperação. E fica lá internado. Na segunda-feira à tarde uma amiga e vizinha conta-me que a filha única do Jorge Bacelar (o veterinário fotógrafo multi premiado) e da Dora, não resistiu aos longos tratamentos a um cancro terrível e sucumbiu nessa mesma manhã. Que notícia inesperada, da última vez que tínhamos estado com eles estavam animados com o desenrolar dos tratamentos. Na terça-feira somos informados que um dos membros da direcção do Núcleo Regional de Aveiro da Quercus, e grande entusiasta e investigador/autor da herança cultural dos moínhos, está também internado em Coimbra com um problema grave, e acabo por conseguir ir visitá-lo numa das noites em que vamos visitar o pai da Zé, que piorou. Felizmente encontro o Armando bem disposto e com bom ânimo, mas estávamos longe de imaginar que a sua saúde estava tão débil. Na quinta-feira o pai da Zé não mostra sinais de recuperação e os médicos não conseguem ajudar. Voltamos a Aveiro e o Tiquito também não mostra sinais de ir recuperar das lesões internas, apesar de mostrar alguns sinais positivos, mas ainda assim fracos. Na sexta-feira de manhã vou ao Hospital Veterinário de Aveiro e faço as despedidas do Tico. E vamos para Coimbra ao fim do dia. Menos de 24 horas depois, sábado de manhã, andando a podar recebo o telefonema que não queria ouvir: "- O meu pai faleceu...". Hoje foi o funeral, na Ereira, fechando assim uma semana negra, negra. Como não gosto de funerais e de todas aquelas cerimónias religiosas, sempre fui mais de ajudar e de fazer companhia aos vivos, apenas estive presente nos momentos em que a Zé não me dispensou, precisamente pela necessidade de ajuda e companhia num momento doloroso. O resto do dia estive a fazer aquilo que tinha dito ao Sr. José Bento que ia fazer: podar-lhe as generosas árvores de fruto do seu quintal.
sexta-feira, janeiro 03, 2020
HÁ DEZ MIL MODOS DE PERTENCER À VIDA E LUTAR PELA SUA ÉPOCA
É com esta citação de memória, relembrando Artaud, que a nada famosa Nise da Silveira (1905-1999) fecha com chave de ouro um filme de época brasileiro. Fica aqui o trailer publicado no youtube:
quinta-feira, janeiro 02, 2020
ISLE OF DOGS
Há uns dias vi o filme Moonrise Kingdom, e vi logo duas vezes, e na net descobri que o mesmo realizador tinha feito outro filme, intitulado Isle of Dogs. E escrevi aqui, partilhando os trailers dos dois filmes, mesmo sabendo que teria poucas hipóteses de ser lido, se poderia conseguir o empréstimo do DVD. Mas quis o destino que fosse passar o ano a casa dos meus pais, e em conversa a minha mãe comentasse que tinham uma oferta da operadora com os canais de cinema pagos. Vai daí fui espreitar quais os filmes que estavam a passar, e logo no primeiro que vi (acabei por nem sequer ver os outros) descobri que tinham acabado de passar o Isle of Dogs. E é claro que é um excelente filme, confirmando as expectativas. Assim renasceu na minha alma a lenda da existência do Pai Natal. Ho ho ho!!!
quarta-feira, janeiro 01, 2020
ESTA VAI SER A DÉCADA DO PROTESTO GLOBAL E AMBIENTAL
Vou já mandar vir equipamento de protecção individual, porque do outro lado da barricada já está um paiol carregado de mentiras para nos atingir diariamente.
Deixo-vos 3 minutinhos de video do Greenpeace:
Deixo-vos 3 minutinhos de video do Greenpeace:
terça-feira, dezembro 31, 2019
FECHO DO ANO, FECHO DA DÉCADA
Era bom se a vida na Terra fechasse para balanço, e abrisse quando o balanço estivesse feito, e os responsáveis por tanta desgraça que voltou a acontecer neste ano (Mediterrâneo, Palestina, Iraque, Turquia, Austrália, Portugal, Brasil, Amazónia, Venezuela, China, Moçambique, Catalunya, França, EUA, México, Colômbia, Índia, Iémen, Líbia) fossem levados do planeta por algum poder maior.
Mas neste dia quero aqui deixar os links para duas coisas boas aqui da região, e que vão continuar a dar que falar pelas coisas positivas que vão fazer.
O Projecto Cabeço Santo, cuja semente germinou na Quercus e agora deu origem a uma nova associação, a Associação Cabeço Santo - REP (Recuperação Ecológica e Paisagística), link aqui.
Os Aidos da Vila, cuja semente germinou na boa vontade de um visionário e amante da botânica, que já floresceu com 10 pétalas, e que dará origem a qualquer coisa de muito original e importante no panorama nacional, de preferência com o apoio da Fundação Gulbenkian, link aqui.
Voluntários para ir lá comigo de vez em quando? Bora!
Mas neste dia quero aqui deixar os links para duas coisas boas aqui da região, e que vão continuar a dar que falar pelas coisas positivas que vão fazer.
O Projecto Cabeço Santo, cuja semente germinou na Quercus e agora deu origem a uma nova associação, a Associação Cabeço Santo - REP (Recuperação Ecológica e Paisagística), link aqui.
Os Aidos da Vila, cuja semente germinou na boa vontade de um visionário e amante da botânica, que já floresceu com 10 pétalas, e que dará origem a qualquer coisa de muito original e importante no panorama nacional, de preferência com o apoio da Fundação Gulbenkian, link aqui.
Voluntários para ir lá comigo de vez em quando? Bora!
segunda-feira, dezembro 30, 2019
O MAIS ESPECTACULAR DA NET - POR ZAPATOU
Obra de um canadiano, que já vai em 12 videos com a colecção que faz de imagens que correram durante o ano na net. Este é o de 2019, tem imagens demais, tem um ritmo alucinante, mas tem lá no meio as palavras todas que marcam a acusação que dinamizou tanta gente em 2019.
domingo, dezembro 29, 2019
DOIS FILMES COM BOAS ESTRELAS E BONS CONSELHOS
Aproveitando aquele mês gratuito no NETFLIX vimos dois filmes que aconselho, por serem didácticos. O tema base é o "sistema", onde todos ficam a ganhar menos as pessoas que andam mal informadas e se deixam ir. Ficam as apresentações e a recomendação (para já só no Netflix):
A Lavandaria (do Panamá) , realizado pelo Steven Soderbergh (trailer sem legendas, só apanhei com legendas em brasileiro)
Sim acabaram de ver um trailer com a Meryl Streep em mais uma grande interpretação, mas o filme tem mais actores que fazem excelentes interpretações e o argumento está de excelência. Segue-se então o outro filmezinho, mais sobre um relacionamento específico, mas onde se deve ver bem o mundo dos negócios à volta das pessoas e dos seus pequenos problemas, que acabam por alimentar gente sem escrúpulos. Também com actores de grande relevo, aqui fica a apresentação do filme do Noah Baumbach, História de um Casamento:
A Lavandaria (do Panamá) , realizado pelo Steven Soderbergh (trailer sem legendas, só apanhei com legendas em brasileiro)
Sim acabaram de ver um trailer com a Meryl Streep em mais uma grande interpretação, mas o filme tem mais actores que fazem excelentes interpretações e o argumento está de excelência. Segue-se então o outro filmezinho, mais sobre um relacionamento específico, mas onde se deve ver bem o mundo dos negócios à volta das pessoas e dos seus pequenos problemas, que acabam por alimentar gente sem escrúpulos. Também com actores de grande relevo, aqui fica a apresentação do filme do Noah Baumbach, História de um Casamento:
sábado, dezembro 28, 2019
PROMOÇÕES NAS POUSADAS
Há por aí muitas promoções e preços baixos para ficar a conhecer Portugal de ponta a ponta. E há as casas dos amigos, que tantas vezes gostava de visitar, mas para descansar sem compromissos, nada como um alojamento onde quer que gostemos de ir. Uma das melhores opções para ficar em Pousadas de Portugal, para além das promoções que eles têm no grupo de hotéis e pousadas Pestana, e para quem consegue arranjar duas noites livres num fim-de-semana, são os Vouchers Premium Check In (link aqui). Desse modo já se consegue ter uma experiência de Pousada com um desconto razoável, pois fica a noite a 70 euros. Mas de vez em quando eles abrem a porta a descontos mais consideráveis, pois comprando com o cartão continente, ou Universo, conseguem-se noites a pouco menos de 60 euros, num conjunto de algumas Pousadas de Portugal:
- AÇORES: Forte da Horta | Forte de Angra
- ALENTEJO: Castelo de Alcácer do Sal | Convento de Arraiolos | Convento de Beja | Marvão | Convento de Vila Viçosa | Castelo de Alvito
- ALGARVE: Sagres
- CENTRO: Ourém | Viseu | Ria | Serra da Estrela
- LISBOA: Castelo de Palmela | Palácio de Queluz
- NORTE: Bragança | Palacete de Alijó | Valença do Minho
sexta-feira, dezembro 27, 2019
GREENPEACE AGRADECE 2019
Fica aqui o video de agradecimento a todos os activistas que este ano fizeram a diferença. O melhor de 2019 para esta organização foi ver o crescimento dos movimentos populares, quer nas manifestações, quer a fazerem escolhas conscientes. De facto foi um ano marcante.
quinta-feira, dezembro 26, 2019
BALANÇO DO ANO, BALANÇO DA DÉCADA
Se já era difícil aguentar nos meios de comunicação social os balanços do ano, este ano é ano de fazer os balanços da década, às portas que estamos dos anos 20, estes sim, os verdadeiros, porque o calendário vai marcar 20 20. Longe vão já os "roaring twenties", os "années folles", cujo resumo da década pode ser relembrado na wikipedia (link), a grande evolução em algumas coisas da humanidade foi marcante, noutras a coisa vai demorar mais, mas é capaz de chegar um dia destes. O período de dez anos, entre 2010 e 2019, vai ser analisado e arquivado por especialistas e por analistas, por jornalistas e por influenciadores. Eu poderia deixar aqui o meu contributo, mas a minha memória é fraquinha.
A nível pessoal esta década, como pode ser verificado através das reflexões e divulgações que fui coleccionando aqui no Malfadado, fica na minha memória como a da revelação (cães e mais cães), a da grande burla (Sócrates, Bancos), a da corrupção e clientelismo no desvio de verbas comunitárias (PCI e etc), da minha reforma de trabalho directivo em associações (APELA, QUERCUS). Mas foi também a década da Geringonça, das manifestações pelo ambiente, e de tantas outras coisas neste mundo ainda cheio de preconceitos sociais e gente sem escrúpulos, cada vez mais gente, cada vez mais assassinatos, cada vez mais gente a morrer em fronteiras políticas, ou a caminho dessas fronteiras, muitas vezes passando apenas a fronteira entre a vida e a morte. Gente como nós, com defeitos de fabricação, mas muitas vezes gente prejudicada pelos defeitos do local onde nasceram. É a década de informação a rodos, do sensacionalismo, da desinformação, mentiras, boatos, manipulação, controlo de dados pessoais por empresas. Muitos modos de comunicar, muita tecnologia para poupar tempo, mas cada vez menos tempo para parar, para reflectir, para meditar, para interiorizar, para passear, para amar, para estar, para desfrutar, para educar, para brincar, para ler. Para ler...
2019 fica para mim como um ano normal, em termos pessoais não houve nada de muito radical. Mas fica como o ano da reforma aos 55 anos de idade, também o ano em que a minha única tia me pediu ajuda por causa dos seus problemas com o sistema de saúde.
E porque é importante ler, e como não sei se vou apanhar alguma coisa deste género feito por portugueses ou brasileiros (e se encontrar certamente terá outras dicas interessantes), aqui fica o resultado da eleição de doze livros da década, por um júri catalão conceituado, 3 por cada género (ficção, ensaio, poesia e romance), desses três apenas o melhor em cada classe de autoria: espanhol, mundial e catalão. Fica o link para o artigo do La Vanguardia (clicar aqui).
A nível pessoal esta década, como pode ser verificado através das reflexões e divulgações que fui coleccionando aqui no Malfadado, fica na minha memória como a da revelação (cães e mais cães), a da grande burla (Sócrates, Bancos), a da corrupção e clientelismo no desvio de verbas comunitárias (PCI e etc), da minha reforma de trabalho directivo em associações (APELA, QUERCUS). Mas foi também a década da Geringonça, das manifestações pelo ambiente, e de tantas outras coisas neste mundo ainda cheio de preconceitos sociais e gente sem escrúpulos, cada vez mais gente, cada vez mais assassinatos, cada vez mais gente a morrer em fronteiras políticas, ou a caminho dessas fronteiras, muitas vezes passando apenas a fronteira entre a vida e a morte. Gente como nós, com defeitos de fabricação, mas muitas vezes gente prejudicada pelos defeitos do local onde nasceram. É a década de informação a rodos, do sensacionalismo, da desinformação, mentiras, boatos, manipulação, controlo de dados pessoais por empresas. Muitos modos de comunicar, muita tecnologia para poupar tempo, mas cada vez menos tempo para parar, para reflectir, para meditar, para interiorizar, para passear, para amar, para estar, para desfrutar, para educar, para brincar, para ler. Para ler...
2019 fica para mim como um ano normal, em termos pessoais não houve nada de muito radical. Mas fica como o ano da reforma aos 55 anos de idade, também o ano em que a minha única tia me pediu ajuda por causa dos seus problemas com o sistema de saúde.
E porque é importante ler, e como não sei se vou apanhar alguma coisa deste género feito por portugueses ou brasileiros (e se encontrar certamente terá outras dicas interessantes), aqui fica o resultado da eleição de doze livros da década, por um júri catalão conceituado, 3 por cada género (ficção, ensaio, poesia e romance), desses três apenas o melhor em cada classe de autoria: espanhol, mundial e catalão. Fica o link para o artigo do La Vanguardia (clicar aqui).
quarta-feira, dezembro 25, 2019
FECHEI O MEU FACEBOOK
E pronto. Depois de muito ameaçar, é definitivo. A minha página (link, clicar aqui) vai permanecer activa enquanto for gratuito. O encerramento definitivo foi anunciado desta forma, com um texto que pode ser lido aqui (link), palavras que acompanham uma foto pouco recente a cozinhar uma receita de família, o famoso e delicioso Bacalhau à Senense. Uma receita tão original e com tanta história familiar que o melhor mesmo é combinarem uma visita e virem provar, ou desafiar-me para ir fazer onde for preciso. Há coisas que o Facebook não permite, que é o convívio saudável à volta da mesa.
Tinha mais de 700 amigos que na sua maioria me foram pedindo amizade, contam-se pelos dedos os que fui eu a convidar, porque de facto nunca gostei muito do Facebook. Mas andei horas e horas nesta plataforma, com activismos ligados ao ambiente, mais mesmo foram horas, dias, na página do CIDIHC, que também continua aberta, pelo registo histórico da corrupção e amiguismo em Portugal. Aderi a muitos grupos, muitos deles porque são as melhores plataformas para divulgar coisas. Ficaram as páginas do Punti, da Amélia e da Mindi (agora Windy), três cãezinhos que andam felizes nas suas quintas. Nenhum deles foi para as suas famílias graças ao Facebook, foi sempre pelo contacto directo que conquistaram as pessoas. Mas, pelo contrário e agora mesmo em Dezembro, foi possível encontrar nos meus amigos donos para 2 cachorrinhos, de uma ninhada de 7, através da partilha no Facebook. Fica também pelo caminho a minha participação em páginas onde era co-administrador, e onde de vez em quando ajudava na divulgação de iniciativas.
Muito mais fácil o Facebook que um blogue, de facto, tantas coisas que partilhei ali e que gostaria depois de escrever aqui um texto, mas depois o tempo não chegava para tudo. Aqui o Malfadado é a minha memória oficial, e ficou a perder com o Facebook. Mas agora, com uma nova década pela frente, já era tempo de mudar, de desacelerar, de organizar o tempo de forma mais racional.
Tinha mais de 700 amigos que na sua maioria me foram pedindo amizade, contam-se pelos dedos os que fui eu a convidar, porque de facto nunca gostei muito do Facebook. Mas andei horas e horas nesta plataforma, com activismos ligados ao ambiente, mais mesmo foram horas, dias, na página do CIDIHC, que também continua aberta, pelo registo histórico da corrupção e amiguismo em Portugal. Aderi a muitos grupos, muitos deles porque são as melhores plataformas para divulgar coisas. Ficaram as páginas do Punti, da Amélia e da Mindi (agora Windy), três cãezinhos que andam felizes nas suas quintas. Nenhum deles foi para as suas famílias graças ao Facebook, foi sempre pelo contacto directo que conquistaram as pessoas. Mas, pelo contrário e agora mesmo em Dezembro, foi possível encontrar nos meus amigos donos para 2 cachorrinhos, de uma ninhada de 7, através da partilha no Facebook. Fica também pelo caminho a minha participação em páginas onde era co-administrador, e onde de vez em quando ajudava na divulgação de iniciativas.
Muito mais fácil o Facebook que um blogue, de facto, tantas coisas que partilhei ali e que gostaria depois de escrever aqui um texto, mas depois o tempo não chegava para tudo. Aqui o Malfadado é a minha memória oficial, e ficou a perder com o Facebook. Mas agora, com uma nova década pela frente, já era tempo de mudar, de desacelerar, de organizar o tempo de forma mais racional.
segunda-feira, dezembro 23, 2019
CARTÃOZINHO DE BOAS FESTAS
Este ano o nosso cartãozinho vai ser assim, e fica aqui para todos os que passem aqui no Malfadado para ver as novidades. Acaba-se 2019, um mau ano para este blogue, mas pode ser que para 2020 as coisas melhorem. É quase certo que sim...
sábado, novembro 30, 2019
ALDINA DUARTE - NOVO CD COM TEMAS ROUBADOS
É assim mesmo, já tenho aqui em casa o novíssimo trabalho da Aldina Duarte, fadista profissional. O trabalho chama-se Roubados e chegou aqui a casa por cortesia da Antena 1, que fez um concurso e eu fui um dos que conseguiu ser vencedor.
Fica aqui um videozinho do youtube com uma das músicas:
Fica aqui um videozinho do youtube com uma das músicas:
quinta-feira, novembro 28, 2019
MUITO BOM CINEMA - MOONRISE KINGDOM
Fica aqui o registo de um muito bom filme que vi no canal Hollywood. Argumento muito original, boas caricaturas de instituições e de pessoas, realização muito personalizada de Wes Anderson, que depois deste filme extraordinário foi reconhecido por outro filme também extraordinário, o Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel), ganhador e nomeado em várias frentes. Fica aqui o trailer seguido de um pedido, com outro trailer...
O pedido é simples: alguém tem ou sabe quem tenha e possa emprestar o DVD deste filme de animação do mesmo realizador?
O pedido é simples: alguém tem ou sabe quem tenha e possa emprestar o DVD deste filme de animação do mesmo realizador?
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