aqui se narram as aventuras de um portuguesito que desde tenra idade é vítima de erros vários, mas com abertura para outros textos de reflexão e de intervenção cívica
terça-feira, fevereiro 02, 2021
A CAÇA - PROMOÇÕES E OS NOVOS CAÇADORES
CINEMA EM CASA
Não haja dúvidas que estamos bem preparados para estar em casa e ter acesso a bens culturais que antes nos obrigavam a sair de casa e a gastar verbas suplementares. Se já nascemos privilegiados em termos de conforto e cuidados de saúde, em termos de acesso à cultura as coisas têm vindo a fazer de nós uns principezinhos. E nestes dias vimos dois filmes que me agradaram de sobremaneira, cada um à sua maneira. Deixo-vos as apresentações dos filmes Non-fiction (francês, 2018, do renomado Olivier Assayas, com grandes, enormes actores entre os quais Guillaume Canet e Juliette Binoche)
e Aloha (EUA, 2015, do argumentista e realizador Cameron Crowe, com grandes desempenhos de Emma Stone e Bradley Cooper)
Só de ver estes resumos publicitários já se lavam as vistas. Em grande a RTP, que tão bons filmes nos permite ver.
domingo, janeiro 24, 2021
ESTA ÉPOCA NÃO CONSEGUI COMER BOLO-REI
E não foi por falta de me oferecerem bolos parecidos para provar. A verdade é que o bolo-rei está em vias de extinção. Curiosamente, aqui em Coimbra, deparei com um artigo de uma pasteleira, que veio dizer aquilo que eu pensava, num artigo colocado no jornal (link para o diário As Beiras). Deixo aqui uma parte desse texto da Olga Cavaleiro, com uma vénia: "Houve tempo em que ser pasteleiro era ter a alma nas mãos e olhar com ternura os ingredientes fazendo destes sabor sempre querido. Hoje, é saber ler o manual de instruções de uma receita feita em laboratório. Houve tempo em que ser pasteleiro era ganhar a perfeição pela repetição convicta de uma receita. Hoje, é usar os pós mágicos que fazem que os bolos saiam sempre iguais numa falsa perfeição.
Não faço este ato de crítica de forma gratuita, apenas porque sim. Faço-o com a consciência de que é possível resgatar a nossa pastelaria a este embaraço. Faço-o porque acredito que mais do que nos queixarmos de que “antigamente é que era bom” podemos começar por escolher. "
MUDAR DE VIDA - O YOUTUBE DO MEU PAI - JOSÉ MÁRIO BRANCO - ACORDAR O PENSAMENTO
Hesitei
Se havia de escrever esta canção
Porque a vida não se pode resumir numa canção
Mudar de vida…
Mudar de vida é uma questão
qu’inda não está resolvida
Aliás, para quê mudar de vida?
Estará assim tão mal a minha vida?
Mas o que é a minha vida
senão a própria vida
que está contida
em toda a força perdida
em toda a vida perdida
consumida
passada, repassada, ultrapassada
como se não fosse vida?
A minha vida – não há
Uma vida mesmo vida
só pode ser um espaço
que está dentro de um abraço
que se dá ou não se dá
Vida verdadeiramente
é sempre a vida da gente
que penosamente
insistentemente
inexplicavelmente
vai fazendo andar a roda
que fabrica a vida toda
Uma vida separada
se parada
se vida seca e mais nada
se for vida distraída
alienada
sozinha, irrelevante, e auto-ignorada
já não é vida vivida
Uma vida separada
não é vida nem é nada
São corpos minerais
nem plantas nem animais
Pois quem vive distraído
à conta do seu umbigo
quem não é capaz de dar a vida
pela vida de um amigo
está sozinho com os outros
e está sozinho consigo
… pelo menos, é assim que eu vejo as coisas…
Então,
mudar de vida p’ra quê?
Em tudo o que foi vivido
procuramos um sentido:
o que essa vida nos diz
uma matriz
um pendor
um sonho, um amor, um desamor, uma paixão uma razão
– ou uma grande razão!
Por baixo de cada vida
há essa roda que gira
com os ratinhos lá dentro
a fazer a roda andar
As coisas materiais
as coisas essenciais
o pão, a casa, os sinais
que são a vida directa
a existência concreta
As coisas que estão à mão
que nos parecem normais
- a paz, o pão, a saúuude, a habitação -
Então:
Mudar de vida?
— (CORO) Mudar de vida!
Mudar de vida
Mudar de vida, acordar
Vida verdadeiramente
é sempre a vida da gente
que penosamente
insistentemente
inexplicavelmente
vai fazendo andar a roda
que fabrica a vida toda
Muitos de nós nem dão conta…
Achamos isso normal…
Mas afinal:
E a hora de trabalho que há em cada coisinha? E o cansaço da mãe co’as panelas na cozinha? Como se chama a Judite que me fez esta camisa? Onde está o Eduardo que fez este projector? E onde pára o Vladimir que ergueu aquela parede?
Estão não sei onde
Do outro lado daquilo a que nós chamamos vida
A vida deles
para nós não é bem vida ...
é – digamos assim – mercadoria produzida São umas “coisas”…
Umas coisas que vivem… sei lá onde, sei lá como…
Essa gente
- tirando alguma excepção -
não está confortavelmente
aqui sentada à minha frente
a ouvir a minha canção
Vai vendo telenovelas
Olhos perdidos no espaço
A digerir o cansaço
A descansar do vazio
São corpos esgotados
destinados
a serem recarregados
que amanhã é outro dia
em que vão trocar por pão, ou tudo, ou nada
mais e mais mercadoria
fabricada, montada, embalada e transportada
que p’ra eles não vale nada.
Estes de que falo são 66% da gente do meu país. Há mais 24% que sobrevivem nas pregas do pesadelo.
Sobram 10...
Dos dez por cento, são oito
os que duma ou doutra forma
levam cheios de arrogância
as migalhas do biscoito
que são o seu resgate da esperança
- que estão nas tintas pra tudo, a começar por si próprios
Ficam os tais dois por cento
os que a gente nunca vê
mas que nos vêem a todos
Quem fabrica um parafuso
uns sapatos, uma estrada
qualquer coisa fabricada
recebe um xis pela hora
pelo gesto, pela vida emprestada
que não é vida nem nada
Amortizado o capital constante
pagas as despesas todas
incluindo o esperto que teve a ideia
fica então a mais-valia
que é a demasia
entre o valor da mercadoria
e os gastos do patrão
o esperto que teve a ideia
o empreendedor
que pôs os outros a viver p’ra ele
Porquê?
Porque os valores são outros
- Quais são os teus valores, Zé Luís?
- Os meus valores?
- Sim, quais são os teus valores?
- Bem… o Amor? a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade? a Amizade? …
– ah, e também a Honestidade
- E tu, aí, quais são os teus valores?
- Os meus valores?
- Sim, quais são os teus valores?
- Os meus valores estão na Bolsa de Valores
Ao qu’isto chegou!
(A minha vida p’ra isto?
é o que tendes p’ra me dar?
é o que tendes para me obrigar? para me impor?
Mudar de vida !)
(Antero! meu Mestre!
Convoco-te ao fazer desta
com esse teu sinal vermelho
mesmo no meio da testa
A Unidade que procuraste
a Utopia dos loucos…
Disseste um dia
a chorar de alegria
de esperança precoce e intranquila:
“Vós, poetas, que sois os loucos porque andais na frente!”
Utopias
temo-las todos os dias
realizamos umas tantas
a cada dia que passa )
Nos anos 20 do século do mesmo nome, para tentar deter o flagelo social da sífilis, que dizimava pobres e exércitos, o biólogo alemão Ehrlich fechou-se no laboratório.
Tentou uma experiência e falhou.
Tentou duas, falhou.
Três, quatro, cinco, seis – falhou sempre.
Até que conseguiu um tratamento – chamou-se “tratamento Ehrlich 606”.
Mas ainda não conseguia curar a doença sem matar o doente. Então Ehrlich continuou, mais uma, e outra, e outra. A cura, finalmente conseguida, chamou-se “Ehrlich 914”.
Quantas vezes já tentámos nós?
— novecentas e catorze? ainda não!
— seiscentas e seis? ainda não!
mas talvez… quem sabe
dez? vinte?
qual é o preço da esperança?
“Acordai!
Acordai! homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
Vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz!”
“Estamos de punhos fechados
mas temos as mãos nos bolsos”
Então:
Mudar de vida?
(Antero! meu Mestre!
Convoco-te ao fazer desta
com esse teu sinal vermelho
mesmo no meio da testa.
Disseste um dia: )
“Não disputeis, curvado o corpo todo, as migalhas da mesa do banquete:
Erguei-vos! e tomai lugar à mesa…”
Mudar de vida?
MUDAR DE VIDA!!!
Levar o sonho de Antero
às mulheres do Vale do Ave
às da Zara, às da Maconde, às da Rohde
aos homens da Pereira da Costa
aos jovens da Cova da Moura, da Arrentela,
da Apelação e da Alta de Lisboa, meus irmãos.
aos homens da Autoeuropa e da Azambuja
ao milhão de desprezados,
ao lixo do capital
aos seres humanos dispensáveis,
descartáveis, recicláveis
a esses olhares perdidos
dos nossos telejornais.
Levar o sonho de Antero
aos humilhados e ofendidos.
“Erguei-vos! e tomai lugar à mesa…”
Libertar a mais-valia que está na mercadoria —
Mostrar a vida escondida por baixo do sofrimento
Acordar a força
Acordar a força motriz
A energia matriz de onde nasce o movimento
A raiz
Mudar de vida!
Mudar de vida?
Mudar de vida
Mudar de vida, dar
Dar o pontapé na morte
Mudar de vida, romper
Romper o cordão da sorte
Mudar de vida
Mudar de vida, dar
Dar as mãos para o caminho
Mudar de vida, mudar
Mudar de vida
Mudar de vida, pôr
Pôr em marcha o movimento
Mudar de vida
Mudar de vida, acordar
Acordar o pensamento
CARTA BRANCA A MÁRIO LAGINHA
MÚSICA EM CRIOULO - MÁRIO LAGINHA E TCHEKA
IVAR E A MORTE
sábado, janeiro 23, 2021
O NOSSO SABU
DIA DE REFLEXÕES
quarta-feira, janeiro 20, 2021
DIAS POUCO DIÁRIOS
domingo, janeiro 03, 2021
EM PASSEIO COM OS AMIGOS
Nada como um domingo de manhã para sair de casa em passeio. E esta manhã saí em vários passeios ao mesmo tempo, mas mantendo os pés quentinhos debaixo dos lençóis. Andei a ver as novidades dos amigos, muitas mensagens de Ano Novo e fotos a ilustrar. O típico do Facebook. Mas gosto principalmente de textos da malta que esteve na rua, entre passeios e trabalhos de campo na agricultura. Alguns dos quais partilho aqui, sem referir os autores:
"- Olá, bom dia. É para visitar o Castelo?
Apercebi-me que o interlocutor, que surgiu do nada logo após ter estacionado o meu carro na praça central da aldeia, junto à velha mas imponente fortaleza, era nem mais nem menos do que o funcionário do posto de turismo e também responsável pela abertura, fecho e manutenção do interior do Castelo.
- Quando quiser é só dizer. Eu abro-lhe a porta.
Informando-o de qual era o meu objetivo, entregou-me diligentemente cartografia do local e orientou no sentido do início do percurso pedestre de Amieira do Tejo.
Como qualquer bom percurso numa manhã fria de nevoeiro, o início tem de resvalar para um local onde sirvam café, neste caso a associação recreativa local. Após saborear a desejada bica, de forma mais apressada e decidida do que o vizinho de balcão cujo copo de três era sorvido lentamente, iniciei o PR 1 - trilho de jans, circular, com cerca de 11 km, em direção ao rio Tejo. Primeiro ao longo de uma paisagem ondulada, remendada com pastagens luxuriantes, carvalhais e olivais, em direção ao banco de nevoeiro que se vislumbrava lá em baixo, no vale.
Curiosamente, com o avançar do percurso e da manhã, a neblina foi-se dissipando, qual mar vermelho aberto por Moisés, e deixava observar paisagens magníficas e feéricas. Percurso atapetado de musgo e herbáceas brilhantes de orvalho e uma constante presença invisível dos dedicados javalis que insistiam em interromper o referido tapete verde. Prados com gado ronceiro e curioso, mantido por pastores modernos, cavalgando veículos 4x4 mas não deixando de, diligentemente, oferecer o seu pequeno-almoço a um estranho que, incompreensivelmente trocou o quente dos lençóis por um esforço matinal com temperaturas próximas do zero.
Até que, no início da abrupta descida para o rio, protegida por uma confortável e salvadora escadaria em madeira, surge, entre o nevoeiro esfarrapado, o maravilhoso e profundo vale do Tejo, com a barragem do Fratel unindo as suas margens, e a linha de comboio, rio abaixo e rio acima, de braço dado com o leito do rio mais extenso da península ibérica.
A chegada à margem do Tejo caudaloso, alimentado pela descarga de superfície da barragem, permitiu conhecer pela primeira vez o extenso muro de sirga que parecia concorrer com a linha da Beira Baixa, na outra margem. Não me recordo de alguma vez, nas longínquas infância e adolescência, ter ouvido falar destas estruturas de pedra, nalgumas zonas autênticas muralhas, que serviram em tempos idos para dar a força necessária aos barqueiros, através de cabos de sirga, para transporem as zonas mais caudalosas que o vento ou os remos não permitiam contrariar. E eram os animais ou a força humana, esticando esses cabos, que permitiam que as embarcações chegassem ao bom porto de Vila Velha de Ródão ou a terras de Castela.
E o percurso continuou, sempre acompanhado do rumorejar das águas revoltas, dos saltos dos riachos em pequenas cascatas que se fundiam com o Tejo, do piar da diversificada e irreconhecível passarada e do voar atabalhoada das garças.
A passagem de uma locomotiva de manutenção pela linha da Beira Baixa, cujo maquinista acenou de forma simpática, quebrou momentaneamente a paz daquela tranquila paisagem rural.
Chegada à margem oposta de Barca da Amieira, local de transposição do curso de água com recurso a uma barca moderna e motorizada, verificou-se estar esta inoperacional devido aos mais de 430 m3/s golfados pela barragem. Barca da Amieira foi em tempos o local de passagem do corpo da rainha santa Isabel, falecida em Estremoz e sepultada na famosa igreja de Coimbra.
Na reta final do percurso, no remontar ao povoado de Amieira do Tejo, o trilho passava inesperadamente por uma zona de acesso interdito, por ser privada. No entanto os caminhantes, como afirmava a placa informativa, eram bem-vindos e o seu acesso era feito por uma porta especialmente erguida para eles.
- Claro que sim. É sempre em frente, pelo caminho de terra batida - informou sorridente um trabalhador da quinta depois de lhe ter perguntado, timidamente, se podia passar.
Para trás ficava a deslumbrante paisagem pastoral do vale do Tejo.
Antes de entrar no troço alcatroado, surgiram dois pontos saltitantes que desciam encosta abaixo, por entre a vegetação esparsa e a transbordar de clorofila. Com a aproximação apercebi-me serem duas raposas, com suas causas farfalhudas, que, alegremente, à medida que avançavam, se desafiavam e mordiscavam.
Com o castelo ao fundo, entre as casas brancas e rasteiras da aldeia, ocupado em tempos pelo condestável D. Nuno, a estrada, murada, serpenteava pelo meio dos campos. Os condutores dos automóveis que, pontualmente, nela passavam, cumprimentavam. No percurso de regresso, os mesmos condutores insistiam na saudação cordial e calorosa.
Cerca de 4 horas depois, de chegada novamente ao largo do castelo, este já se encontrava fechado e o amável funcionário camarário, por ser a sua hora de almoço, já tinha interrompido o corte de vegetação no seu interior, sempre de olho no balcão do posto de turismo, também da sua responsabilidade.
Percurso terminado mas não concluído: em abril será retomado e repetido, recorrendo então ao comboio até à estação de Barca da Amieira- Envendos e posterior passagem do concelho de Mação para o de Nisa utilizando o denominado transbordador. E vai haver certamente uma paragem, pela hora do almoço, na associação recreativa onde, com mais calma, poderemos certamente saborear uma bifana e um copo de três, quiçá acompanhado pelo tal habitante de Amieira do Tejo.
Estão convidados."
E outro agora:
"Neste primeiro dia do ano o sol bem cedo começou a ensaiar a sua dança, a natureza agradece: a margarida do monte, malmequer de liberdade, levantou a corola agradecida; a aranha-tigre lobada aproveita para renovar a teia; a cobra de ferradura absorve cada raio de sol para aquecer o corpo; o gato Napoleão sempre bem instalado procura o melhor canto para captar os raios solares; o caracol caracolinho mete os corninhos ao sol;
no pé de salsa os pigmentos da clorofila vão captando a luz solar para a realização da fotossíntese - este pé de salsa é uma força da natureza, uma lição de vida, nasceu no meio do cimento e todos os dias mostra o seu encanto e a sua vontade de viver.
Votos de um ano iluminado para todos"
E este texto do Torga, partilhado por outro amigo no último dia do ano:
"Sísifo
Recomeça...
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...
Miguel Torga TORGA, M., Diário XIII."
E termino com esta foto de outro grande amigo, que partilhou e escreveu assim:
"De uma forma didáctica, pretendo continuar a utilizar a fotografia de natureza e as minhas imagens como meio de divulgação, valorização e preservação do nosso património natural.
“Porque só protege quem gosta e só gosta quem conhece”.
O reino dos fungos é um mundo maravilhoso e mágico constituído por milhares de organismos essenciais à vida no planeta, são os grandes recicladores da natureza, especialistas na decomposição de organismos animais e vegetais, contribuindo para que o solo esteja bem nutrido e hidratado."
E UMA MÚSICA DESTE FABULOSO DUO
OVERDRIVER DUO - um casal de brasileiros que faz, muito bem, reviver músicas muito boas de vários estilos da música popular.
sábado, janeiro 02, 2021
AMBIENTE NA ORDEM DO DIA
Querido diário, só para registar que nas redes sociais a defesa do ambiente continua na ordem do dia. Pelo menos é a conclusão que tiro da consulta rápida ao Facebook. Se há pessoas como o Jorge Paiva, que conheci há décadas a defender o ambiente, e continua a influenciar a sociedade, à sua maneira e em grande forma (link para crónica do Público), aparecem também outras pessoas que clamam por mais mudanças na forma de vida de todos e de cada um, de forma a respeitar todos os seres vivos do planeta. Gosto de ver estes activismos. Porque são os meus activismos também. Li também a entrevista à Patti Smith, publicada na revista do Expresso, onde ela realça a defesa do ambiente e refere a necessidade de cada um ser menos egoísta, nos relacionamentos sociais, mas também nas escolhas de consumo, para nos permitirmos ter um planeta habitável por uns aninhos mais. Para nós e para os que aí vêm. De repente, entre família e vizinhos vêm aí mais 3 bebés este ano.
CONTESTATÁRIO E PARTICIPATIVO
Aqui em Coimbra apareceu na caixa de correio um postal tamanho grande, iniciativa dos CTT. Vendo com atenção, o postal trazia uma folhinha destacável que informava ser este postal uma ideia dos CTT para as pessoas poderem enviar para quem quisessem, sem custos. De um lado a parte para as pessoas escreverem, do outro uma pintura sem graça nenhuma com motivos e cores natalícias. Tipo papel de embrulho. Mas em letras pequeninas estava também escrito que esta iniciativa era uma alternativa proposta pelos CTT à ANACOM para a compensação da falta de qualidade dos serviços prestados pelos CTT. E, pelos vistos, a ANACOM aceitou. Vai daí, agarrei no postal e enviei-o ao primeiro-ministro, António Costa, pedindo para ver se aumenta a qualidade na ANACOM, de modo a não termos a sensação que são muito permeáveis à corrupção. Um postal gratuito uma vez sem exemplo? Que raio de compensação é esta? Não poderiam os CTT dar algum do seu lucro ao sector das artes, nesta fase crítica que atravessamos? E como estava em onda participativa, aproveitei e enviei a minha candidatura para o concurso Vaqueiro, para ver se me calha uma das 5 Bimbys que eles vão oferecer. Enquanto não me sai uma Bimby, ou alguém me oferece uma, sempre vou tentando a sorte no totoloto, porque entre apostas sempre se ajuda a Santa Casa e outros apostadores, e pode ser que calhe um prémio grande que dê para comprar algo mais do que uma Bimby.
sexta-feira, janeiro 01, 2021
ENTRADA
A entrada em 2021 foi feita com o pé direito metido numa pantufa. Mas a verdade é que ainda os fogos de artifício troavam pelos ares e eu já estava na rua, pé direito nas minhas botas Chiruca, fui à garagem buscar uns colchões para o meu irmão acampar na sala da casa dos meus pais. Devido ao adiantado da hora eu já estava praticamente a dormir em pé, mas lá comi as excelentes 12 passas de uva bio que tinha comprado em excelente promoção do Intermarché. Esperando que 2021 seja um ano também excelente. E como resolvi fazer um registo tipo diário, vou fazer poucas referências a terceiros, que felizmente me acompanham nestes nossos dias de vida. Foi uma passagem de ano em família, cumprindo muito minimamente as restrições impostas, também pela muito frágil situação de saúde da minha mãe. E acompanhando também os problemas do meu pai, que nasceu em 33 e anda debilitado por coisas que eu cá sei. A pitada de felicidade foi a presença do meu irmão luso-helvético, que conseguiu vir até cá nestes dias festivos, e se preocupou em organizar uma jantarada com 5 convivas e com foto partilhada no Whatsapp da família chegada.
OLÁ 2021
Querido Diário
Neste 2021 que agora começa, vou fazer do Malfadado o meu diário. Para que fique registado, e sujeito a algum tipo de análise futura, como foi a vida em Portugal de uma pessoa anormal.
No ano em que o Malfadado vai cumprir 15 anos (é já este mês, não estando previstos festejos especiais), e com um total de mais de 1400 registos, esta é a forma de evoluir de um blogue pessoal. É uma nova experiência, para fazer uma coisa que nunca fiz, nem nos tempos de criança ou adolescente, ainda que tenha tido umas agendas de bolso onde cheguei a começar uns rascunhos. Sempre gostei de observar a passagem do tempo, a verdade é essa.
Não terei registos diários obrigatórios, mas poderei ter mais do que uma partilha por dia. Como se pode ver já a seguir.
quinta-feira, dezembro 31, 2020
ADEUS 2020
É o fechar de um ano. O Malfadado recebeu textos, fotos e videos de coisas que me marcaram, numa quantidade que reflete a minha disponibilidade, que reflete por sua vez o tempo que usei para fazer outras coisas. Não perdendo tempo no Facebook houve mais tempo para partilhar alguns episódios e reflexões pessoais. Daí que o Malfadado tenha crescido com pouco mais de 100 coisas que passaram, e que algumas delas merecerão ser recordadas.
segunda-feira, dezembro 28, 2020
EVOLUÇÃO
No ano marcado pela pandemia aconteceram-me muitas coisas. Mas as mais significativas estão ligadas, curiosamente, à saúde. Ou à falta dela. Este foi o ano em que morreu a minha tia, tal como anotei aqui para a posteridade e para referência futura (link Malfadado). Foi vítima de um sistema de saúde e apoio aos idosos que não ouve as pessoas e que se rege por preconceitos escandalosamente ligados à indústria farmacêutica. Tudo começou porque uma médica lhe receitou um complexo vitamínico, um dia vou contar a história. Não tenham medo, médicos ou instituições que lhe deram cabo da saúde, porque não os vou referir especificamente. Ainda sobre esta minha tia, e muito curiosamente, tenho que dizer que a sua intervenção foi determinante na minha saúde, aliás tal como referi aqui no Malfadado na época (link para texto antigo). Foi também o ano em que a minha saúde passou por maus bocados, mas vamos devagar, e, se a memória não me falhar hei-de contar aqui cronologicamente. Mas nada de grave, e apenas derivado de maus hábitos. E é quase anedótico, claro! Com a ajuda do Konrad lá deu para me endireitar e perceber que tenho que desacelerar.
Estamos na época em que as pessoas são atafulhadas de medicamentos e a evolução certamente trará novas visões para a saúde. um dia vamos olhar para esta forma lucrativa de olhar para a medicina como hoje olhamos para as práticas de tortura de há alguns anos atrás (e nalguns locais ainda hoje...) aplicadas a pessoas com problemas mentais ou "comportamentos desviantes". Eu já vou lá à frente, e vejo já muitas pessoas que pensam e agem como eu. A tendência é sempre aumentar, à medida que a medicina mercenária dos medicamentos vai falhando nos seus propósitos. Mas por estes dias cabe-me acompanhar o meu pai, drogado e sem qualidade de vida, e a minha mãe, sem qualidade de vida e a aguardar decisões médicas para um problema grave que passou ao lado de todas as análises rotineiras. Deixou de ir ao iridólogo dela... o mesmo que há muitos anos atrás teve um papel importante na saúde da família, até para mim.
domingo, dezembro 27, 2020
CONTAGEM DECRESCENTE PARA A DESTRUIÇÃO
O Greenpeace, tudo aquilo que faz há tantos anos, continua a motivar muita gente para não baixar os braços. Este ano que agora está a terminar teve tanta intervenção cívica a propósito da crise ambiental, que é de facto uma coisa imprescindível para ser referido num balanço do ano. E como tal aqui vos deixo 3 videozinhos, aliás 3 episódios de um pequeno documentário, em que a conhecida actriz brasileira de cinema, Alice Braga (pois, a tal sobrinha da Sónia Braga) apresenta muitos elementos que certamente dão que pensar. E vontade de fazer qualquer coisa... para além de escolher as melhores legendas.
sábado, dezembro 26, 2020
BALANÇO DO ANO 2020
O balanço foi negativo. As poucas coisas positivas não chegaram para se sobreporem às coisas negativas. Ainda assim levo para o ano seguinte muitas coisas positivas, principalmente com a presença de alguns amigos nas coisas que me fizeram levantar todos os dias. Talvez um dia me renda às novas tecnologias e às videochamadas para visitar mais amiúde alguns amigos que recordo muitas vezes e dos quais vou tendo saudades.
Se escrever mais alguma coisa neste malfadado blogue até dia 31, certamente será também em jeito de balanço de 2020, analisando na especialidade.
sexta-feira, dezembro 25, 2020
NATAL É TODOS OS DIAS
quinta-feira, dezembro 24, 2020
VIAGENS E REPORTAGENS - ANTÓNIO LUIS CAMPOS
quarta-feira, dezembro 23, 2020
CAJADO SOLIDÁRIO
O malfadado não pode deixar de referir aqui a solidariedade para com o alegado agressor do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, agressor que foi depois detido. Jorge Ferreira Dias não tem o meu apoio pela agressão, mas pelo facto de ser vítima de um estado de direito em que os cidadãos são desrespeitados pelo sistema judicial, processos que se arrastam anos, juízes com preconceitos ou muito parciais na defesa de interesses de amigos ou dos poderosos. Jorge Ferreira Dias e a sua mulher já passaram as passas do Algarve, e ele deve ter chegado a um momento de desespero para ter deixado as suas ovelhas, na sua pacata mas sofrida vida, e ter ido de cajado enfrentar os burocratas da Câmara, que neste vai vem processual já lhe ficou com terrenos que foram seus e que perdeu para os bancos, por decisão judicial. A questão entre autarquia e proprietário já se arrasta desde o início deste século. A grande originalidade do Jorge Ferreira Dias foi extravasar a sua raiva através de um meio ameaçador, é certo, mas que não se destinaria a matar ninguém: o cajado de pastor. Ainda que se saiba que já muita gente morreu à paulada ao longo dos tempos. E coelhos então, chegavam a morrer dois coelhos de uma cajadada. Agora é mais de espingarda, e é mais fino matar dezenas de veados e javalis com uma caçada.
terça-feira, dezembro 22, 2020
O BLOGUE DA MÃE
Hoje comemora-se o aniversário da minha mãe. 84 anos depois de nascer em Lisboa, com raízes profundas em Vila Verde (freg. Tourais - conc. Seia). A vida da minha mãe dava um blogue, como todas as vidas de mulheres que são filhas, esposas, mães, avós e bisavós. As memórias que a minha mãe tem do passado, e que gosta de contar, já têm muitos suportes fotográficos. Talvez um dia eu possa fazer um blogue foto-cronológico, e tenho pena que a minha memória não guarde todas as histórias de família que ela sabe contar, para enquadrar todas as fotos da melhor forma. Nestes dias difíceis em que a saúde da minha mãe está gravemente ameaçada, fica a partilha desta rosa em foto, roubada desse jardim imenso que é a internet, e que lhe ofereço em imagem, pois outras pessoas já lhe encheram a casa de plantas, em vaso ou cortadas, fazendo deste seu dia um dia mais alegre. Se alguém, algum dia pesquisar na net pelo seu nome, pode ser que apareça a referência a este texto. Maria Amélia Pinto Figueiredo, que acrescentou logo dois apelidos quando se casou, Gomes Pedrosa, ficando com um nome mais pomposo.
segunda-feira, dezembro 21, 2020
BORDALO II EM ÁGUEDA
domingo, dezembro 20, 2020
PEQUENA ANIMAÇÃO COM REFERÊNCIAS ARTÍSTICAS
E com referências sexuais explícitas, logo no nome em inglês The D in David. Fica aqui o filmezinho no youtube, na sua versão original. Ficam sempre bem os desenhos animados no Natal.
sábado, dezembro 19, 2020
LEGO E MAIS LEGO
sexta-feira, dezembro 18, 2020
ACTIVISMO NO NORTE - CONTRA AS NEGOCIATAS DO COSTUME
Desta vez é na cidade do Porto, e a malta do norte já não é o que era. Então fazem uma petição para defender uma zona verde da cidade, e impedir o abate de mais de 500 árvores que são da espécie que é a árvore de Portugal, e numa semana não juntaram mais de 1800 assinaturas? Há que lhes dar uma ajudinha, assinar e divulgar aos amigos. É o que estou a fazer através do Malfadado. Para assinar há que clicar neste link (site da petição pública), e para ajudar a perceber a questão e para divulgar nas plataformas aqui fica este vídeo:
quinta-feira, dezembro 17, 2020
ÚLTIMA SUGESTÃO NATALÍCIA POR DIA - 5 DE 5
E pronto, eis-nos chegados à última sugestão. Os vales (vouchers) das Pousadas de Portugal. No ano passado por esta altura foram muito interessantes devido à promoção de compra com desconto em Cartão Continente. Mas imagino que este ano, com todas as crises e todas as incertezas, não seja boa política de vendas. Entretanto eles têm uma outra promoção, e pode interessar a quem possa ter mais algum tempo livre. Quem usar os vales pode prolongar a estada por mais dias com um desconto de 40%. E por estes dias os vales estão com 15% de desconto. Podem consultar aqui neste link (clicar). E fica a dica, os vales que mais compensam são os de duas noites em certas pousadas, mas que também podem ser usados para apenas uma noite em pousadas mais caras, mas já não compensa tanto. Há que fazer as contas!!!
quarta-feira, dezembro 16, 2020
SUGESTÃO NATALÍCIA POR DIA - 4 DE 5
terça-feira, dezembro 15, 2020
SUGESTÃO NATALÍCIA POR DIA - 3 DE 5
segunda-feira, dezembro 14, 2020
SUGESTÃO NATALÍCIA POR DIA - 2 DE 5
domingo, dezembro 13, 2020
CHRISTMAS CARD 2020
sábado, dezembro 12, 2020
SUGESTÃO NATALÍCIA POR DIA - 1 DE 5
sexta-feira, dezembro 11, 2020
NEM PARA RECICLAGEM É BOM
quinta-feira, dezembro 10, 2020
SEF PERDE DIRECTORA
Neste meu blogue gosto de realçar os êxitos dos meus amigos, e divulgar coisas positivas. Mas de vez em quando acontecem situações menos boas que também têm eco aqui no Malfadado. Vou então contar a história desde o início. Por isso prepare-se o leitor para um texto muito comprido, do tamanho do resumo das minhas memórias.
Há pessoas que cruzam a nossa vida e a marcam aqui e ali. Conheci a Cristina Gatões andava eu no liceu D. Duarte (Escola Secundária). Ela era da turma de uma outra amiga da altura, uma tal Isabel, que tinha uma grande amiga, acho que se chamava Paula. E eu tinha um grande amigo de escola, o Zé Manel Duarte. Personagens paralelas, porque só aparecem aqui para explicar como conheci a Cristina e porque é que nunca convivi de perto com ela. É que o Zé Duarte e eu achámos que as duas amigas, que andavam sempre juntas, eram as ideais para nós, e vai daí andávamos sempre atrás delas, nas chamadas perseguições, até que um dia chegávamos à conversa com elas. E nestas andanças acabávamos por conhecer outras pessoas, até para perguntar pelas duas amigas. E a Cristina serviu precisamente para isso, por ser da turma da Isabel, alunas do 8º ano, era uma mera informadora.
A verdade é que nem a Isabel nem a Paula nos deram a resposta que queríamos ouvir, e aquela mania passou. Mas era tempo de hormonas e as beldades eram mais do que muitas, nem todas acessíveis. E eis que de repente, não sei dizer quando, e muito menos porquê, quando me cruzava na rua com a Cristina ficava todo corado e o coração acelerava. Pouco ou nada falávamos e eram encontros muito raros e casuais. E como ela apanhava o autocarro para Taveiro, passou a ter o nome de código "Cristina de Taveiro". Ela não imagina nada desta história, porque nunca lhe contei, e nem se deve lembrar de quando e como nos conhecemos.
Entretanto eu começo a namorar com a São Veiga, com 17 anos, quase 18 e fecharam-se as portas para outras paixões. Mas vivendo na mesma região eram inevitáveis os encontros na rua com várias pessoas, e a Cristina de Taveiro era o meu amor platónico e todos os meus amigos a conheciam de vista, e conheciam os seus efeitos em mim. Até a São conhecia bem, a São que não gostava nada dela, apesar de nunca se terem falado. Contou-me a São vinda de um jantar de estudantes, já quase no fim do curso dela, de português-francês, que teve o azar de irem para um restaurante de mesas corridas, em que de um lado da mesa se sentaram os alunos de letras, e do outro lado da mesa os alunos de direito. E por coincidência, mesmo em frente da São, quem haveria de calhar? A própria Cristina de Taveiro, pois claro. Lembro-me como se fosse hoje de ela dizer que a parvinha da Cristina (na expressão enfática da São certamente não foram estes os mimos descritivos) lhe tinha estragado o jantar.
Foram muitos os encontros fugazes com a Cristina ao longo dos anos. Nunca soube o seu apelido, era sempre a Cristina de Taveiro, mesmo descobrindo depois que ela não morava em Taveiro, era um pouco antes. Assim de memória, anos oitenta, lembro-me do dia em que saímos de Coimbra, grupo grande de voluntários na Marcha Contra o Desemprego, ela estava a acenar-me de uma janela da baixa, lembro-me de a encontrar no metro em Lisboa, inícios dos anos noventa, e me comunicar que após ter terminado o curso de direito não iria exercer advocacia de tribunais, porque não lidava bem com o sistema. Antes disso foi o dia da Queima das Fitas em Coimbra, finais dos anos oitenta, numa iniciativa que eu abominava mas que calhou a São ir no carro alegórico a celebrar o seu final de curso, e me ter "obrigado" a ir lá vê-la, e eu fui mas avisei logo que iria antes das bebedeiras, ou seja, logo antes do início do cortejo. E lá andei eu à procura do carro alegórico azul clarinho, estive com ela uns minutos, deu-me o livrinho das caricaturas e vim-me embora. No regresso passo ao lado de um carro vermelho e sou apanhado pela Cristina, que também vai buscar um livrinho das caricaturas e me oferece. E o episódio que é igualmente inesquecível foi num dia do meu aniversário, estava eu de voluntário do GIDC numa Feira do Livro, e o meu amigo Jorge Figueiredo encontra a Cristina de Taveiro na baixa (ele só a conhecia de vista, algum dia estaria comigo num desses encontros fortuitos), e diz-lhe que é o meu aniversário e que poderá encontrar-me no stand X da Feira do Livro. E não é que ela vai lá mesmo para me dar os parabéns? Nessa tarde a São estava também de voluntária do GIDC e quando a Cristina se foi embora depois de um breve minuto ali à minha frente, mas do outro lado da banca dos livros e autocolantes, a minha namorada colocou a mão no meu peito e sentiu como o coração batia selvagem e potente, para além de gozar com a minha pele vermelha na cara. Depois, ao longo de alguns meses, contava a toda a gente e dizia que tinha sido a minha melhor prenda de aniversário desse ano, e agradeci ao Jorge Figueiredo a originalidade. Depois houve o período em que fui para Idanha-a-Nova e os encontros tornaram-se mais raros, mas de alguma forma mantivémos o contacto, não posso dar a certeza mas a sua morada estaria entre as dezenas que recebiam regularmente as Novas de Idanha (um imperiódico em fotocópia que eu e a São produzíamos, uma espécie de blogue da altura), e também as Ovinovas (o imperiódico que contava as aventuras no Monte Barata). Conheci a família dela, marido, filhas. E conheci até o cãozinho, mais recentemente, mas sempre em encontros fugazes.
A verdade é que o meu coração deixou de ter aquela reacção e agora os momentos de encontro já não provocam perigo de rebentar com as costelas do peito. Família e amigos de agora nem imaginam que existiu uma Cristina de Taveiro, que agora também para mim é a Cristina Gatões, perdeu-se no tempo o nome de código.
A Cristina Gatões, nos primeiros anos deste século, foi determinante na ajuda aos processos judiciais que eu tive com o Ministério da Agricultura/IFADAP. Andava eu à procura de um advogado que pudesse ajudar-me, no âmbito do apoio judiciário, mas tinha que escolher alguém, depois de muito más experiências com advogados sorteados e depois de muitos recusarem os meus processos, pela exigência dos mesmos. E não é que ela tem no SEF de Coimbra um inspector casado com uma advogada, me dá o contacto dessa advogada e que ela se ofereceu para analisar a situação? Foi assim que conheci a Drª Alexandra Ventura, que durante muitos anos aguentou os embates violentos do sistema contra mim, sempre disponível e sempre muito competente. E, coincidência das coincidências, quando disse à São qual era o nome da advogada, ela disse que tinha sido a sua advogada do Sindicato dos Professores da Região Centro, há um par de anos atrás, quando a São tinha tido umas questões laborais que já não recordo.
A Cristina Gatões foi nomeada para directora nacional do SEF apenas no início de 2019, e depois disso nunca a encontrei pessoalmente, apenas trocámos um e-mail por essa altura. A verdade é que neste curto espaço de tempo deve ter tentado alterar, trabalhando por dentro e conhecedora dos meandros da instituição, muitas das situações de mau funcionamento. Mas herdou uma estrutura pesada e imagino que com muitas barreiras a uma mulher a comandar uma estrutura pensada por muitos homens. Não defendo que existe uma guerra de sexos declarada, mas a realidade mostra bem que a sociedade ainda não vê com bons olhos as mulheres com sucesso e ao mesmo tempo com poder. São alvos a abater.
Ela deu muito poucas entrevistas, pessoais nem uma. E foi pena. Mas fica aqui o link (clicar) de uma entrevista à Rádio Observador, que foi depois transcrita e ilustrada com fotos (de onde eu tirei a foto que aqui publico) e que apanhei on line no portal NovAfrica.
A morte do ucraniano Ihor Homenyuk às mãos de quem o assassinou, agentes do SEF a trabalharem no aeroporto de Lisboa foi, só por si, um acontecimento muito grave. Mas a minha amiga optou por não se demitir, imagino que quando soube que ela também estava entre as vítimas do enredo mentiroso da morte natural, optou por continuar a tentar melhorar as prestações do SEF nas suas várias frentes. Nessa altura tinha pouco mais de um ano como directora, e mais um par de anos em Lisboa, na direcção do SEF, e imagino com muitos projectos para implementar. Provavelmente não se sentiu responsável por actos de agentes que não contratou, por atitudes que não defendeu nem ordenou e muito menos por uma estrutura que existe desde sempre e que já tinha tido outro tipo de problemas que estavam a ser resolvidos e debatidos internamente e junto da tutela. Se havia alguém que deveria pedir a demissão na sequência do assassinato era o responsável máximo, ou seja, o ministro. Mas aqui entra a política, e a Cristina Gatões foi a escolhida para ser sacrificada, para tentar aplacar as críticas da comunicação social e das redes sociais, salvando assim o ministro, apontado como amigo do primeiro-ministro e seu braço direito.
quarta-feira, dezembro 09, 2020
MARIA JOÃO PIRES EM ENTREVISTA AO JORNAL EXPRESSO
Aqui se reproduz uma pequena parte de uma conversa jornalística da nossa enorme pianista Maria João Pires. Fala do seu percurso, fala da actualidade (de onde retirei o excerto que se segue) e fala sobre música. Foi já há muitos anos que me cruzei mais de perto com a Maria João Pires, na sua Quinta de Belgais, dando uma ajudinha na cozinha, como cozinheiro. Uma altura em que Belgais fervilhava de acontecimentos e de muita gente a orbitar ali em volta.
Maria João Pires (MJP) - É um círculo vicioso. Para ser sustentável tem que se desenvolver um lado comercial, e se o peso do lado comercial for demasiado, arrasa-se com o objetivo principal, que seria a possibilidade de as pessoas terem uma vivência artística. A grande questão é se esta pandemia vai ajudar ou se vai agravar a situação. Ajudar seria dar oportunidades aos verdadeiros músicos, e para isso teríamos de separar as coisas. Houve um tempo em que havia boa e má música (e não me refiro só à clássica); era mais fácil distinguir uma manifestação artística e criativa de outra meramente comercial. Agora, as duas passaram a estar perigosamente misturadas. Digo ‘perigosamente’ porque um público sem conhecimentos vai ser influenciado pela falta de distinção. Vai consumir entretenimento — que se reduz a criar situações em que as pessoas estão entretidas, divertidas — pensando estar a consumir arte, e comprará mais bilhetes. Ora, isto é muito diferente da transmissão de uma arte. A arte é algo de muito profundo, que exprime aquilo que nós somos — não é por acaso que mandam para o espaço uma nave espacial com música de Mozart ou dos Beatles.
Luciana - E podem juntar-se, arte e entretenimento?
MJP - Não digo que alguém que entretenha um público não tenha dignidade. Mas separar isso da arte é muito importante. Não podemos sempre misturar tudo. Misturar tudo tira-nos a credibilidade como humanos. Estamos a entrar numa era em que deixamos de ser credíveis. Fazemos o contrário do que gostaríamos de ter. Vivemos numa dualidade ridícula, tão ridícula que até os chefes de Estado deste mundo dizem coisas sem o mínimo de inteligência ou de capacidade de discernimento.
Luciana - Que tipo de reflexão o mundo deveria fazer neste momento, em que estamos a lutar contra uma pandemia?
MJP - Não sei se estamos a lutar contra uma pandemia. Estamos numa pandemia na qual gostaríamos de deixar de estar. Mas nunca pensamos — e falo em geral — que a primeira questão não é vacinar-nos para não termos mais vírus. Não. A primeira coisa a refletir é porque é que aconteceu a pandemia, porque é que a criámos. Não veio do céu, não foi Nosso Senhor que a mandou para nos castigar. E se fosse assim, haveria na mesma que perguntar: castigar porquê? Pelas asneiras que fizemos? É preciso pensar a razão porque estamos com os mais dramáticos problemas ambientais, com as piores perspetivas de futuro, e o que vamos fazer acerca disso.
Luciana - Não estamos a pensar no futuro?
MJP - Não só falta reflexão como nem sequer há informação. As pessoas não sabem os erros que cometem contra a sua saúde, contra a saúde futura dos seus filhos — e continuam a fazer filhos como se fosse muito engraçado, como se fosse divertido continuar a ter crianças que se deitam neste mundo sem saberem de todo o que se está a passar, como é que amanhã vão comer ou beber. Enquanto não houver uma reflexão coletiva sobre multinacionais como a Monsanto ou sobre a indústria animal, que é a primeira das causas da destruição planetária, não vamos chegar a lado nenhum. Ninguém toca na indústria animal, reparou? Claro, a economia é importante, ninguém quer ver o mundo a morrer de fome porque as coisas tiveram de ser mudadas. Mas, se não mudarmos, vamos ver na mesma milhões de pessoas a morrer de fome.
Luciana - Este negacionismo é útil aos populismos que proliferam no mundo de hoje?
MJP - Não tenho pretensão de ser analista política e sou bastante ignorante a esse nível, mas a ascensão da extrema-direita não é de hoje. Foi também um ato de negacionismo pensarmos que não chegaria onde chegou. Existe um bom senso mínimo para ver que se pegarmos em cem pessoas que votam na extrema-direita e lhes passarmos um filme a explicar o que se está a passar no mundo a nível do ambiente, económico, político, académico e humano, essas pessoas vão perceber e mudar de ideias na hora. Porque não é que as pessoas sejam más, as pessoas são educadas para serem más, são ignorantes. Trata-se de uma ignorância básica instalada a nível mundial, para tornar os povos manipuláveis.
Luciana - A ignorância é uma arma?
MJP - Uma arma terrível. Estamos nas mãos de um poder que não merece ter poder. E que não tem nada a ver com a política, não tenhamos ilusões: é um poder económico e financeiro — a política muda como eu mudo de camisa.
terça-feira, dezembro 08, 2020
BMD ou WDL - UMA BIBLIOTECA MUNDIAL ON LINE
FOI EM 2020 O LANÇAMENTO NA INTERNET DA WDL, A BIBLIOTECA MUNDIAL DIGITAL. UM PRESENTE DA UNESCO PARA A HUMANIDADE INTEIRA !!!
Já está disponível na Internet, quem quiser espreitar já basta clicar aqui (link).
Reúne mapas, textos, fotos, gravações e filmes de todos os tempos e explica em sete idiomas as jóias e relíquias culturais de todas as bibliotecas do planeta.
"Tem, sobretudo, caráter patrimonial" , antecipou em LA NACION Abdelaziz Abid, coordenador do projecto impulsionado pela UNESCO e outras 32 instituições. A BMD não oferecerá documentos correntes, a não ser "com valor de patrimônio, que permitirão apreciar e conhecer melhor as culturas do mundo em idiomas diferentes: árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português. Mas há documentos em linha em mais de 50 idiomas".
Os tesouros incluem o Hyakumanto darani , um documento em japonês publicado no ano 764 e considerado o primeiro texto impresso da história; um relato dos aztecas que constitui a *primeira menção do Menino Jesus no Novo Mundo*; trabalhos de cientistas árabes desvelando o mistério da álgebra; ossos utilizados como oráculos e esteiras chinesas; a Bíblia de Gutenberg; antigas fotos latino-americanas da Biblioteca Nacional do Brasil e a célebre Bíblia do Diabo, do século XIII, da Biblioteca Nacional da Suécia.
O acesso é gratuito e os usuários podem ingressar directamente pela Web , sem necessidade de se registarem..
Permite ao internauta orientar a sua busca por épocas, zonas geográficas, tipo de documento e instituição. O sistema propõe as explicações em sete idiomas (árabe, chinês, inglês, francês, russo, espanhol e português), embora os originais existam na sua língua original.
Desse modo, é possível, por exemplo, estudar em detalhe o Evangelho de São Mateus traduzido em aleutiano pelo missionário russo Ioann Veniamiov, em 1840. Com um simples clique, podem-se passar as páginas de um livro, aproximar ou afastar os textos e movê-los em todos os sentidos. A excelente definição das imagens permite uma leitura cómoda e minuciosa.
Entre as jóias que contem neste momento a BMD está a Declaração de Independência dos Estados Unidos, assim como as Constituições de numerosos países; um texto japonês do século XVI considerado a primeira impressão da história; o diário de um estudioso veneziano que acompanhou Fernão de Magalhães na sua viagem ao redor do mundo; o original das "Fábulas" de La Fontaine , o primeiro livro publicado nas Filipinas em espanhol e tagalog, a *Bíblia de Gutemberg*, e umas pinturas rupestres africanas que datam de 8.000 A .C.
Os seus responsáveis afirmam que a BMD está sobretudo destinada a investigadores, professores e alunos.










