Hoje celebra-se mais um Blog Action Day. O tema para este ano é "Raise your voyce", que traduzo como "Levanta a tua voz".
Nós temos o poder de criar o mundo que idealizamos quando levantamos a nossa voz para promover uma mudança positiva e expomos acções injustas. No entanto, aqueles que levantam a sua voz estão muitas vezes debaixo de fogo, pois tornam-se inimigos a abater. Neste DIA DE ACÇÃO DE BLOGUES, celebramos aqueles heróis que levantaram a sua voz quando foram confrontados com a censura, ameaças e até violência. Hoje levantamos a nossa voz colectiva para defender o seu direito a levantar as vozes deles.
Hoje poderia publicar aqui o meu vídeo de Janeiro em que levanto a voz contra as ilegalidades cometidas pelos senhores ligados aos grandes interesses financeiros e que neste momento estão a prosseguir com ilegalidades aqui mesmo ao lado, na Coutada. A questão do PCI. Por causa desse vídeo, em que falo bem claro e exponho a incompetência da administração pública e do sistema judicial, o mesmo sistema impõe-me uma medida de coacção, que é neste momento a mesma do Sócrates: termo de identidade e residência. Mas não vou re-publicar isso aqui no meu blogue.
Hoje poderia publicar aqui a denúncia pública de um ex-funcionário do Ministério da Agricultura, que foi dispensado por não querer compactuar com ilegalidades que agora ele quer ver julgadas em tribunal. Desejo-lhe mais sorte do que eu, pois claro, que fui queixar-me de incompetências várias e ilegalidades num sistema onde são os mais incompetentes quem analisam e tomam decisões, um sistema onde reina a impunidade, pois não há avaliação independente, e muito menos um organismo superior independente, são todos da mesma classe, colegas de carteira muitas vezes.
Hoje poderia publicar aqui a luta do Luaty Beirão, que está em greve de fome precisamente porque um sistema judicial permeável à corrupção e às influências de um poder político (muito ligado ao financeiro, como não, nos dias de hoje?), o mantém na prisão. O Luaty Beirão já me fez assinar a petição que corre na net para a sua libertação, pois claro.
Hoje poderia dar eco aqui de mais mortes de refugiados de guerra, pessoas como nós que fogem de uma vida aterrorizada, de guerras e ódios que Portugal ajudou a semear. Mas já aqui falei sobre isso no meu malfadado blogue.
Por ser uma actividade internacional, quero celebrar aqui a luta do povo palestiniano. A luta de todo um povo que por passarem os anos e não se resolver de forma pacífica a sua situação, decide muitas vezes passar a acções radicais. Já aqui falei pelo menos uma vez desta causa. É que continuo sem perceber porque é que Israel continua a ser considerado um país da Europa nas competições desportivas. Um país que constrói muros de apartheid, um país que promove bombardeamentos, um país onde quem levanta a sua voz é facilmente silenciado com um tiro na cabeça e se calhar a sua família vê a sua casa demolida ou bombardeada. Há coisas que não consigo compreender. Se não fosse a minha envolvência noutras lutas, inscrevia-me na Amnistia internacional e seria eu próprio o responsável por uma campanha nacional, europeia e mundial: ISRAEL FORA DAS COMPETIÇÕES DESPORTIVAS EUROPEIAS, JÁ!!!!!
E começava já nas competições da UEFA, indo aos jogos das equipas israelitas (neste momento está marcado um jogo no Dragão, contra o FC Porto), e levando sempre um grande lençol que desdobraríamos com a ajuda das claques: CRIMINALS OUT OF COMPETITIONS, em inglês, para não haver dúvidas sobre a mensagem. E sempre que os judeus pegassem na bola, as claques cantavam em coro: CRIMINALS, CRIMINALS!
Quando um país criminoso é aceite numa comunidade de outros países, é tornar os outros países todos cúmplices do crime. Fica aqui escrito e gritado, com a voz bem levantada: NÃO NO MEU NOME!
aqui se narram as aventuras de um portuguesito que desde tenra idade é vítima de erros vários, mas com abertura para outros textos de reflexão e de intervenção cívica
sexta-feira, outubro 16, 2015
quinta-feira, outubro 15, 2015
A COLIGAÇÃO DOS PERDEDORES
Não vivemos nenhuma revolta em Portugal, é apenas o sistema a funcionar. Mas depois das eleições não me terem surpreendido, com a vitória da coligação (conforme escrevi numa reflexão antes das eleições do início do mês), tenho que confessar que a abertura de negociações do PS com a CDU (uma coligação) e com o BE (uma plataforma) me deixou realmente espantado. Aos meus olhos o PS casaria facilmente com o PSD para a formação do chamado centrão, tais são as parecenças das políticas que defendem na sua prática. Sim, porque na teoria há sempre diferenças. Mas quando chega a hora de aplicar políticas de saúde, de ensino ou de ambiente, ou em qualquer área, venha o Diabo e escolha.
Ainda não sabemos em que é que isto vai dar, porque as possibilidades são muitas. Mas estou a gostar de ver os defensores dos interesses da grande finança, os envolvidos em negociatas, os que preferem que sejam ignorados casos graves de corrupção, os que acreditam que todos os portugueses devem pagar a corrupção e os desvios de dinheiro para os amigos, promovidos pelos grandes banqueiros privados, muito assustados e a meter medo ao povo com a ideia de que vêm aí os comunistas.
E uma das armas para amedrontar é fazer crer aos menos de 20% dos cidadãos (sim, são quase 10 milhões os inscritos nos recenseamentos e a coligação PaF não chegou aos 2 milhões de votos) que votaram nos vencedores, que quem perdeu as eleições quer agora tomar o poder pela força, uma espécie de golpe de estado. Não há que ter medo, as eleições servem para eleger deputados, como aqui tentei explicar tão bem antes das eleições, e também para definir com quanto é que o estado financia cada partido. E são os deputados que depois decidem se determinado governo pode, ou não, governar. A maioria absoluta, a maioria clara, é quando um partido ou coligação consegue ter no parlamento um amontoado de deputados que obedecem cegamente às decisões das cúpulas dos partidos.
Quem ganhou as eleições? Uma coligação que se apresentou como tal, depois de nas anteriores eleições o PSD ter ganho sem maioria absoluta e se ter coligado com o PP, um dos perdedores. Desta vez, sabendo que iriam perder as eleições, se concorressem sem ser em coligação, fizeram aquilo que podiam fazer e que lhes permite ganhar mais deputados em cada círculo, por já sabermos como funciona o método de Hondt.
E vêm agora, que não conseguiram a maioria absoluta dos deputados, e muito menos uma maioria dos votos expressos pelos portugueses que decidem nas eleições, acusar o PS, CDU e BE, de estarem a fazer uma coligação de perdedores para assim, de um modo que fazem parecer uma artimanha, uma desonestidade, possibilitar um governo que afaste o Passos Coelho e o Paulo Portas da governação do País. Uma coligação de perdedores???? Uma artimanha para tentar chegar ao governo??? É que é isso mesmo que a PaF é na realidade, uma coligação de perdedores. Visto assim de fora, e com olhos de ver, isto parecem os miúdos numa daquelas discussões: - És um perdedor! - Tu é que és perdedor! - Tu é que és! - Não, tu é que és! - Perdedo-or, perdedo-or!! - Tu é que és, tu é que és!!
A democracia tem destas coisas e não há aqui ilegalidades: fez bem o Paulo Portas ao agarrar-se ao Passos Coelho antes das eleições, entenderam-se antes das eleições e isso fez com que fossem os vencedores. Tal como a CDU se coliga com os Verdes, uma excrecência do próprio aparelho comunista, para assim captar mais votos e uma vantagem eleitoral. Tal como o BE é um partido cuja génese resultou do entendimento de partidos e movimentos de esquerda, ganhando uma expressão eleitoral que permitiu a sua presença no parlamento. E faz bem o PS ao tentar negociar com os partidos da esquerda para tentar arranjar uma solução governativa alternativa. Se calhar não vai resultar... se resultar, pode depois ser um desastre governativo, igual ou pior do que tivemos nos últimos 4 anos. Tal como, se não resultar, teremos um PS a viabilizar um governo de direita, e isso pode até ser benéfico para muitos dos portugueses. Para mim não será, mas pronto, cá estarei denunciando aquilo que são as negociatas do costume!
Ainda não sabemos em que é que isto vai dar, porque as possibilidades são muitas. Mas estou a gostar de ver os defensores dos interesses da grande finança, os envolvidos em negociatas, os que preferem que sejam ignorados casos graves de corrupção, os que acreditam que todos os portugueses devem pagar a corrupção e os desvios de dinheiro para os amigos, promovidos pelos grandes banqueiros privados, muito assustados e a meter medo ao povo com a ideia de que vêm aí os comunistas.
E uma das armas para amedrontar é fazer crer aos menos de 20% dos cidadãos (sim, são quase 10 milhões os inscritos nos recenseamentos e a coligação PaF não chegou aos 2 milhões de votos) que votaram nos vencedores, que quem perdeu as eleições quer agora tomar o poder pela força, uma espécie de golpe de estado. Não há que ter medo, as eleições servem para eleger deputados, como aqui tentei explicar tão bem antes das eleições, e também para definir com quanto é que o estado financia cada partido. E são os deputados que depois decidem se determinado governo pode, ou não, governar. A maioria absoluta, a maioria clara, é quando um partido ou coligação consegue ter no parlamento um amontoado de deputados que obedecem cegamente às decisões das cúpulas dos partidos.
Quem ganhou as eleições? Uma coligação que se apresentou como tal, depois de nas anteriores eleições o PSD ter ganho sem maioria absoluta e se ter coligado com o PP, um dos perdedores. Desta vez, sabendo que iriam perder as eleições, se concorressem sem ser em coligação, fizeram aquilo que podiam fazer e que lhes permite ganhar mais deputados em cada círculo, por já sabermos como funciona o método de Hondt.
E vêm agora, que não conseguiram a maioria absoluta dos deputados, e muito menos uma maioria dos votos expressos pelos portugueses que decidem nas eleições, acusar o PS, CDU e BE, de estarem a fazer uma coligação de perdedores para assim, de um modo que fazem parecer uma artimanha, uma desonestidade, possibilitar um governo que afaste o Passos Coelho e o Paulo Portas da governação do País. Uma coligação de perdedores???? Uma artimanha para tentar chegar ao governo??? É que é isso mesmo que a PaF é na realidade, uma coligação de perdedores. Visto assim de fora, e com olhos de ver, isto parecem os miúdos numa daquelas discussões: - És um perdedor! - Tu é que és perdedor! - Tu é que és! - Não, tu é que és! - Perdedo-or, perdedo-or!! - Tu é que és, tu é que és!!
A democracia tem destas coisas e não há aqui ilegalidades: fez bem o Paulo Portas ao agarrar-se ao Passos Coelho antes das eleições, entenderam-se antes das eleições e isso fez com que fossem os vencedores. Tal como a CDU se coliga com os Verdes, uma excrecência do próprio aparelho comunista, para assim captar mais votos e uma vantagem eleitoral. Tal como o BE é um partido cuja génese resultou do entendimento de partidos e movimentos de esquerda, ganhando uma expressão eleitoral que permitiu a sua presença no parlamento. E faz bem o PS ao tentar negociar com os partidos da esquerda para tentar arranjar uma solução governativa alternativa. Se calhar não vai resultar... se resultar, pode depois ser um desastre governativo, igual ou pior do que tivemos nos últimos 4 anos. Tal como, se não resultar, teremos um PS a viabilizar um governo de direita, e isso pode até ser benéfico para muitos dos portugueses. Para mim não será, mas pronto, cá estarei denunciando aquilo que são as negociatas do costume!
quarta-feira, outubro 14, 2015
PARTILHA DE SABERES - COMPOTAS CASEIRAS COM AÇÚCAR
Muito desfasado no tempo! Desfasado, antes de mais, porque desde que fiz 50 anos que praticamente deixei de comer coisas com açúcar. E a única excepção são mesmo as compotas de frutas ou outros vegetais. E desfasado também porque vou finalmente colocar aqui no Malfadado o que já aconteceu em Aveiro há mais de uma semana, mais uma oficina de partilha de saberes da organização cívica Aveiro em Transição. Depois de já ter ido partilhar os saberes sobre pequenas reparações de bicicletas, quando ainda não havia as Cicloficinas mensais na cidade (e que agora são uma das muitas actividades do grupo Ciclaveiro, o grupo que se dedica às questões de mobilidade no âmbito da Aveiro em Transição - link para o seu blogue), calhou-me agora ir partilhar sobre culinária. E na calha está a partilha sobre o bom relacionamento com cães. Fica aqui o cartaz desta partilha de saberes, com muito açúcar e com muito afecto.
terça-feira, outubro 13, 2015
A POESIA NA NOSSA VIDA
Há vidas que nada têm de poéticas. Mas a poesia pode entrar nos nossos sonhos. Quase dois meses depois de termos andado nas terras da Escócia, fica aqui a partilha (clicar neste link) de uns poemas traduzidos do grande Robert Burns (1758-1796), roubado do blogue Vício da Poesia.
segunda-feira, outubro 12, 2015
O FILME HUMAN VISTO NA TOTALIDADE
É simplesmente extraordinário e sentimo-nos deslumbrados com os testemunhos de cada uma das pessoas que intervém neste longo filme, abordando as várias questões e características dos humanos. Mas há também as pessoas que não falando se integram com as suas expressões nos discursos. Todos filmados do mesmo modo, todos são iguais perante a câmara, mas todos podem trazer uma vivência diferente, das mais assustadoras às mais enternecedoras. Tem também imagens de locais incríveis, com uma luz perfeita. É um filme onde a narrativa é a vida nos quatro cantos do mundo, mostra os Castellers de Vilafranca (del Penedès - link para o seu site) (conforme o trailer que já aqui partilhei no Malfadado), mostra coisas que conhecemos e muitas outras que nunca iremos ver ao vivo, e essa é uma das grandes virtudes da imagem gravada, mas neste Human com a vantagem de termos as paisagens muito bem captadas, com uma utilização perfeita da câmara lenta, e sempre com uma música que se cola à imagem de forma incrivelmente feliz.
Um grande filme, uma grande produção financiada por uma Fundação. Vale a pena ver TUDO. E nós vimos as três partes, imaginando como deve ser bom ver isto numa sala com um grande écran. Desta feita fica aqui uma das entrevistas que a produção do filme disponibiliza no Facebook, incluindo a parte que foi aproveitada para a versão completa do filme.
Um grande filme, uma grande produção financiada por uma Fundação. Vale a pena ver TUDO. E nós vimos as três partes, imaginando como deve ser bom ver isto numa sala com um grande écran. Desta feita fica aqui uma das entrevistas que a produção do filme disponibiliza no Facebook, incluindo a parte que foi aproveitada para a versão completa do filme.
domingo, outubro 11, 2015
COMO PEIXE NAS REDES (SOCIAIS)
É mesmo assim. Um amigo meu recente é dono de um blogue onde partilha muitas das coisas que fazem sentido na sua vida onde grandes valores humanistas estão presentes. E um dia destes fez uma reflexão sobre o Facebook. Há uma necessidade de controlarmos a informação que nos chega, pois o nosso cérebro não foi "pensado", numa evolução de milhares de anos, para lidar com tanta informação. E o nosso tempo de existência não é ilimitado. Aqui fica também expressa a minha vontade de não frequentar o Facebook e fazer as partilhas apenas via Malfadado. E aqui fica o link para o texto que vai de encontro àquilo que eu penso (clicar). Será que a função das redes sociais não é também um pouco parecida com as redes que usam os pescadores?
Ontem foi dia de participar no Censo de Cegonhas de Inverno aqui na região. Organizámo-nos sem Facebook e conseguimos fazer o que queríamos. Foi também dia da Ciclaveiro organizar uma actividade para crianças e seus pais, promovendo o uso urbano das bicicletas. Mas esta actividade foi mais divulgada e bem organizada via Facebook. E acabou por não se realizar, sendo adiada por causa da chuvinha. Se não fosse o Facebook acho que se tinha realizado na mesma... mas assim foi colocado na rede, um par de horas antes do evento, que o mesmo tinha sido adiado, e zás!
Ontem foi dia de participar no Censo de Cegonhas de Inverno aqui na região. Organizámo-nos sem Facebook e conseguimos fazer o que queríamos. Foi também dia da Ciclaveiro organizar uma actividade para crianças e seus pais, promovendo o uso urbano das bicicletas. Mas esta actividade foi mais divulgada e bem organizada via Facebook. E acabou por não se realizar, sendo adiada por causa da chuvinha. Se não fosse o Facebook acho que se tinha realizado na mesma... mas assim foi colocado na rede, um par de horas antes do evento, que o mesmo tinha sido adiado, e zás!
sábado, outubro 10, 2015
OUTRO PORTUGAL EXISTE - PAULO BORGES A NÃO PRESIDENTE
Existe mesmo um outro país? Existe mesmo um monte de gente resistente, escondido debaixo deste país de gente que chega sempre atrasada e que faz e degusta boa comida que é pouco saudável? Debaixo de um país de gente que deita montes de lixo para o chão e não faz a separação para reciclagem em casa, que vota sempre em função do clubismo e que acredita na velha história de que não há alternativas fora do arco da governação? Haverá gente que não é aquela gente que arranja sempre maneira de desenrascar uma situação que se deixou chegar a crítica, que vive pouco na rua e usa pouco as bicicletas porque ou está muito calor ou muito frio, ou porque o Sol está forte ou está de chuva (mesmo que não esteja a chover) e resistindo ainda esse outro país debaixo deste país de gente que deixou destruir o mundo rural com eucaliptos e com projectos de investimento que levaram à desertificação humana das aldeias e pequenas vilas do interior? Em suma, existe mesmo um outro país que achou estranho eleger o Cavaco Silva para Presidente, e reeleger ainda com mais percentagem passados 5 anos? Há quem diga que sim, e que esse monte de gente, que cresce todos os dias, deve mostrar-se aos portugueses aproveitando as eleições presidenciais. Qualquer pessoa pode, e deve, mesmo que vá votar no futuro presidente Rebelo de Sousa, ajudar nesta candidatura. É muito fácil e posso explicar e ajudar. Mas aqui neste link dá para ver bem como fazer (clicar). Estou a pensar ajudar e juntar umas quantas assinaturas para depois levar aqui à Junta de Freguesia de Vagos.
sexta-feira, outubro 09, 2015
UM PROJECTO NOVO A CAMINHO - NOTÍCIAS DE CAUSAS
Vai ser aqui que vai passar a boa informação. Esqueçam o Facebook e as empresas ligadas aos grandes grupos económicos. Aqui fica o link (clicar aqui para o blogue no wordpress), para quem se quer registar e animar os redactores.
quinta-feira, outubro 08, 2015
A DENÚNCIA DO POPULISMO
Aqui fica este video, sem legendas em português, desta representante do Movimiento Cívico Nacional da Guatemala, onde a história explica o presente. Uma dúzia de minutos que podem ser interessantes para quem segue a cena política internacional. Eu nunca fui à Venezuela, mas quem sabe, um dia, agora que temos como vizinhos do lado uma família que lá vive e que tem uma conhecida casa de boa comida...
quarta-feira, outubro 07, 2015
BLOG ACTION DAY 2015 - LEVANTA A TUA VOZ
Já inscrevi o meu Malfadado. O "action day" é já para a semana que vem. E tu, se tens blogue, seja de que género for, devias fazer o mesmo. Clica na imagem:
terça-feira, outubro 06, 2015
PORQUÊ QUINTAS INDUSTRIAIS???
A justificação é a mesma de sempre: grandes lucros. A verdade é que a par da crueldade com os animais sobe o perigo para a nossa saúde (consumidores, mas também através da poluição do ambiente, mesmo que não sejamos consumidores de carnes destas). Aqui fica um abaixo-assinado Avaaz (neste link), que acabei de assinar.
segunda-feira, outubro 05, 2015
CONTRA A DESTRUIÇÃO DO ALGARVE
Uma petição que já assinei há muito tempo, mas que continua aberta (clicar aqui). Não custa nada e apesar de não ser com a chancela Greenpeace também merece a atenção de todos os que acham que o petróleo do Algarve é outro e já foi descoberto há muito tempo, e é incompatível com esta ideia suja. Tá tudo explicado aqui (link para a página da PALP), mas se preferirem uma versão falada em algarvio, vejam este pequeno video de um youtuber conhecido, o Môce dum Cabreste (link para o video publicado no Facebook).
domingo, outubro 04, 2015
DE ELEIÇÃO
Hoje fui seleccionado para estar numa mesa de voto. Foi a segunda vez que exerci este trabalho de alguma responsabilidade, escrutinador. Mas desta vez foi numa Mesa de Voto que abriu pela primeira vez, posso dizer que até é na minha rua, mas já pertence à pequena povoação aqui ao lado, o Lombomeão.
Para a história fica o momento em que uma senhora entra para votar, diz o nº de eleitora, nós vamos confirmar nos cadernos eleitorais e já ela ía com o boletim de voto na mão quando nós, os que estamos a verificar, reparamos que ela já votou. Pára tudo. Eu pensei que era um caso de Alzheimer e que a senhora ia votar duas vezes... ela disse que lhe tinham confirmado o número lá fora e eu até lhe perguntei se tinha a certeza que não tinha votado. Voltou lá fora, para se averiguar a situação e eis que está esclarecido o mistério: num universo de cerca de 800 pessoas há duas pessoas exactamente com o mesmo nome (um nome fora do comum e apenas com um apelido comum, imaginemos Messília Fonseca - sim, só um nome e um apelido ainda apareceram algumas pessoas), só que não apareciam juntas na listagem que tinhamos à disposição, e que englobava as pessoas de todo o concelho. Ela apresentou o cartão de eleitor, onde aparecia Messilia Fonseca, e de facto a outra Messilia Fonseca já tinha votado. Mas então porque não aparecia esta Messília na listagem??? É que ela sempre escreveu o seu nome com dois "esses", como lhe ensinaram na escola, mas no seu Bilhete de Identidade aparece Mecília, e isso, na listagem alfabética, aparecia mais acima um bom bocado.
Nenhuma confusão deste género poderia ocorrer noutra eleição que aqui registo. Houve um congresso internacional em Aveiro "Meanings of the rural" (Significados da Ruralidade, tradução minha) que promoveu um concurso e o júri escolheu um trabalho de um fotógrafo de eleição. Fica aqui o link para verem a fotografia vencedora e também o segundo classificado. E para quem gosta de fotos e não conhece a obra fotográfica do Jorge Bacelar, muito rural e observadora da interioridade das pessoas, fica o convite (clicar aqui no link) para as suas fotos na plataforma nacional "Olhares". São às dezenas as fotos que emocionam, e para quem tem pouco tempo pode optar, do lado esquerdo, por ver apenas as "fotos em nossa escolha".
Para a história fica o momento em que uma senhora entra para votar, diz o nº de eleitora, nós vamos confirmar nos cadernos eleitorais e já ela ía com o boletim de voto na mão quando nós, os que estamos a verificar, reparamos que ela já votou. Pára tudo. Eu pensei que era um caso de Alzheimer e que a senhora ia votar duas vezes... ela disse que lhe tinham confirmado o número lá fora e eu até lhe perguntei se tinha a certeza que não tinha votado. Voltou lá fora, para se averiguar a situação e eis que está esclarecido o mistério: num universo de cerca de 800 pessoas há duas pessoas exactamente com o mesmo nome (um nome fora do comum e apenas com um apelido comum, imaginemos Messília Fonseca - sim, só um nome e um apelido ainda apareceram algumas pessoas), só que não apareciam juntas na listagem que tinhamos à disposição, e que englobava as pessoas de todo o concelho. Ela apresentou o cartão de eleitor, onde aparecia Messilia Fonseca, e de facto a outra Messilia Fonseca já tinha votado. Mas então porque não aparecia esta Messília na listagem??? É que ela sempre escreveu o seu nome com dois "esses", como lhe ensinaram na escola, mas no seu Bilhete de Identidade aparece Mecília, e isso, na listagem alfabética, aparecia mais acima um bom bocado.
Nenhuma confusão deste género poderia ocorrer noutra eleição que aqui registo. Houve um congresso internacional em Aveiro "Meanings of the rural" (Significados da Ruralidade, tradução minha) que promoveu um concurso e o júri escolheu um trabalho de um fotógrafo de eleição. Fica aqui o link para verem a fotografia vencedora e também o segundo classificado. E para quem gosta de fotos e não conhece a obra fotográfica do Jorge Bacelar, muito rural e observadora da interioridade das pessoas, fica o convite (clicar aqui no link) para as suas fotos na plataforma nacional "Olhares". São às dezenas as fotos que emocionam, e para quem tem pouco tempo pode optar, do lado esquerdo, por ver apenas as "fotos em nossa escolha".
sábado, outubro 03, 2015
A ROLA MORTA À PORTA DO LUGAR
Hoje é dia de reflexão, aquele dia em que os nossos ouvidos
deixam de ser incomodados pelas arruadas e se preparam para as estúpidas
caravanas de celebração das vitórias eleitorais. Uma amiga ontem perguntou-me
se eu não tinha andado na campanha eleitoral. Não andei. Motivo? Desmotivação!
Vai ser um acto eleitoral para que tudo continue na mesma, vêm aí os mesmos do
costume. Como já expliquei no meu texto "Quanto vale a pena votar"(link para quem ainda não leu) é fácil
de perceber que a malta gosta desta austeridade, em que a dívida pública
aumentou mas dizem-nos que há dinheiro nos cofres, em que pagamos as contas dos
bancos como se todos fossemos culpados das vigarices dos Loureiros, Silvas,
Amarais e outros que tais. Como se todos tivéssemos beneficiado de que alguns
andaram a desviar dinheiros acima das suas possibilidades para os amigalhaços,
e como existe uma dívida pública portuguesa, a malta não gosta de ficar a dever
nada a ninguém. E de quem é a culpa da dívida pública? Dos banqueiros? Nada
disso, é dos políticos que se envolveram em negociatas e que estão à mercê de
chantagens. E amanhã, depois de reflectir, alguns portugueses, mesmo que sendo
poucos, vão escolher quem são os políticos que vão decidir o futuro de todos,
mesmo daqueles que confiam o seu destino na reflexão de outros. É uma
responsabilidade cada vez mais acrescida, o ir votar.
Felizes os que destilam a sua revolta dizendo mal do sistema
e hoje não têm de reflectir. Amanhã faltam civicamente à escolha e hoje podem
ir passear descansados para qualquer lugar e criticar a autarquia pelo lixo que
está nas ruas. Afinal o dinheiro público gasta-se em tantas coisas e há tanto
desemprego, bem podiam contratar mais varredores municipais, dizem em tom
superior.
Por falar em lixo, há também o lixo eleitoral, e ontem vi
uma coisa que pensava que já não existia em campanhas nacionais. Um carro de
som a fazer barulho e a atirar um monte de lixo pela janela do carro. Sim,
atirar papéis pelas janelas do carro, papéis que depois ficam na via pública e
ninguém os apanha, o que é que se pode considerar? Vota Marinho Pinto, e com a
sua cara bem conhecida dos media, para as pessoas associarem a pessoa ao novo
partido que ninguém conhece, nem ficou a conhecer. Agora já percebi porque é
que o Marinho Pinto bateu com a porta do MPT, de certeza que nesse partido
estranho existe ainda um ou outro verdadeiro ecologista que nunca concordou com
este tipo de propaganda eleitoral, que suja as ruas com lixo. Nos dias de hoje,
este tipo de publicidade equivale a dizer: “Vota no lixo, vota Marinho Pinto!”
Sou um seguidor da situação política noutras paragens, e já
percebi que ainda não chegou o momento de haver uma verdadeira transição para
um poder que esteja desligado dos grandes interesses económicos. Na América do
Sul, na Europa, no Oriente, todos os políticos se vão submetendo ao poder das
negociatas, que são vendidas aos governos como sendo a solução para a criação
de riqueza. Tantas e tantas vezes em esquemas de corrupção, que varrem
políticos e políticos. A transição vai-se fazendo em pequenas iniciativas de
cidadania, mais do que em grandes movimentações. Nestas grandes manifestações,
onde a escolha é do povo, existirá sempre uma maioria de gente mal (in)formada
e que se deixa influenciar pelos discursos de ocasião, pelas posturas. Em
Portugal ganha quem não ataca, cai bem nas pessoas a postura de estadista, que
fala bem, que se preocupa com as pessoas, que anda nas ruas a cumprimentar
rodeado dos políticos influentes lá do burgo. Ganha quem diz que é preciso
estabilidade para se poderem fazer reformas e as coisas melhorarem. Mas depois
com a estabilidade o que é que se consegue? Pois, não vou falar do Sócrates…
isso já aqui referi no Malfadado em tempo útil. É por isso que PSD e CDS vão
ter uma votação bem mais expressiva do que aquilo que as sondagens mostram, se
ainda há pessoas indecisas nesta altura do campeonato, o mais certo é seguirem
esta falsa ideia de que a estabilidade é a solução para todos os problemas. A
estabilidade é certamente a chave para mais negociatas e menos transparência.
Hoje de manhã, mesmo em frente à Loja da Paula, aqui na terrinha
onde estou, estava uma rola morta, caída no asfalto, asas meio abertas viradas
para o céu. Alguns dirão que é presságio de que amanhã vem muita chuva. Outros
dirão que é o presságio de que amanhã vem aí mais do mesmo, e que nos próximos
anos vamos ter um grande centrão virado para a direita a continuar as
negociatas do presente e a ocultar as negociatas do passado. Sócrates não
voltará, mas já estará perdoado! Cavaco Silva, esse sim, mostrou ser mais
inteligente e estar rodeado de melhores amigos. Voltou pela mão do povinho, e
para ficar! E já sabe o que vai fazer na 2ª feira: não vai às comemorações do 5
de Outubro. E lá vão os jornais todos atrás dele, “esquecendo-se” de ir atrás das
negociatas ruinosas.
quinta-feira, outubro 01, 2015
SHELL DESISTE DE DESTRUIR O ÁRTICO
VITÓRIA!!!! VITÓRIA!!! Assim começou um dia desta semana nas minhas redes sociais. Depois de uma luta renhida, com tanta gente envolvida em acções de verdadeira luta e de petições on line, a Shell anuncia, depois de milhões gastos, que vai desistir. A grande actriz Emma Thompson, que esteve envolvida em algumas das acções de luta, foi comemorar em frente à sede da Shell (onde o Greenpeace mantinha um protesto há dois meses) e fez este discurso (sem legendas em português), mais do que emotivo.
Há por aí alguém que ainda não juntou o Greenpeace às suas redes sociais on line? E alguém que não tivesse subscrito as petições em defesa do Ártico e em defesa do Desmatamento Zero? Eu mando os links e toda a info.
Há por aí alguém que ainda não juntou o Greenpeace às suas redes sociais on line? E alguém que não tivesse subscrito as petições em defesa do Ártico e em defesa do Desmatamento Zero? Eu mando os links e toda a info.
quarta-feira, setembro 30, 2015
MULHERES, AMBIENTE E ABORTO
O meu blogue é pessoal, não tem colaboradores. Mas muito de vez em quando publico aqui umas reflexões alheias. Desta feita ficam aqui as palavras da Adelaide, publicadas no seu Facebook, e que autorizou a transcrição desde que citada a autoria e pedida autorização. Aqui fica então, perfeitamente roubado, este longo texto, depois desta pequena introdução:
ADELAIDE CHICHORRO FERREIRA
QUARTA-FEIRA, 30 DE SETEMBRO DE 2015
Este texto é escrito com mágoa. No assunto da homossexualidade a Igreja e certos comentaristas conservadores, como Laurinda Alves, no jornal Observador de 29.9.2015 (http://observador.pt/opiniao/aceita... ), têm culpas muito sérias no cartório, no que toca à promoção do ódio e da intolerância, independentemente de, no caso da homossexualidade, se tratar de escolha ou não. Pergunto: vamos andar a dissecar caso a caso, numa posição de ilegítima superioridade moral, se foi escolha ou não para podermos «tolerar»? E isso não é intrusão na vida privada de cada um? Entramos na sociedade da cusquice? Com os dinheiros dos impostos de quem? E em detrimento de que outros estudos?
Como se isso de se tratar de escolha ou não fosse sequer relevante para o caso! Só escolher colocar as coisas nesses termos (o que escrevemos, assim como o que dizemos ou não dizemos também é fruto de escolhas) comprova que existe, de facto, uma discriminação muito hipócrita na sociedade portuguesa, não só da homossexualidade como também de pessoas que fazem, ou são impelidas a fazer, «outras» escolhas na vida. A jornalista Laurinda Alves, para quem se lembra, foi uma acérrima lutadora anti-aborto na altura do 2º referendo sobre o mesmo. Membro destacado do então Movimento «Esperança» Portugal, deixou seguramente muitas mulheres neste país crivadas de desesperança.
Convém por exemplo ter em conta que a punição social excessiva das mulheres em matéria de aborto (e desigual no que se refere aos homens, que muitas vezes o incentivam) pode levar ao bullying, social e profissional, assim se destruindo os laços familiares heterossexuais, com todo o cortejo de consequências perniciosas para as famílias como a violência doméstica ou o suicídio. Já agora pergunto: concordam com ele os fundamentalistas «pró-vida»? Até parece que sim, a julgar pelas bulas dos medicamentos antidepressivos, que por aí se tomam ao desbarato, fomentando ironicamente a vida descartável. Além disso, não me admirava nada que uma tal punição social (não sustentada pela lei!) conduzisse, como escape para essas situações de discriminação, humilhação ou ostracização, ao acentuar de tendências homossexuais (sim, as tais «escolhas»…), talvez porque se trata neste caso, é bom dizê-lo, de relações muitíssimo mais seguras em matéria de risco de gravidez indesejada, e porque não admira, como é óbvio, que gato escaldado de água fria tenha medo. Afinal de contas, os preservativos não se rompem de vez em quando? A uma pessoa stressada não pode acontecer esquecer-se um dia de tomar a pílula? Mulheres desempregadas, com necessidade de alimentar a família, terão sempre dinheiro para a comprar?
No que toca propriamente ao aborto, tudo isto ocorre a par de gravíssimos fatores ambientais (a (co)incineração de resíduos é um deles, ou a libertação no ambiente de resíduos de medicamentos como é o caso da própria pílula…), que, em matéria de disrupção hormonal (causando também ela homossexualidade, mudança de sexo, infertilidade ou abortos), intervêm silenciosa mas de forma porventura não menos relevante, e impune, nos ecossistemas naturais e humanos, fruto de escolhas de gestores, cientistas e políticos porventura um bocadinho ignorantes, ainda por cima com inúmeros médicos coniventemente a assobiar para o lado. Até porque alguns, diga-se, vivem da cura dessa mesma infertilidade, tal como muitos outros vivem da suposta cura das doenças mentais provocadas pela intolerância. É esta a sociedade de mercado em que cada vez mais vivemos, e nós todos estamos a ser cobaias.
Creio que poderá também ser uma questão de objeção de consciência manter alguma distância crítica relativamente à própria Igreja Católica, instituição ainda muito machista e patriarcal, que, em vez de realmente ajudar muitas das mulheres afetadas pelo aborto, cada vez mais abdica dos seus próprios princípios, facilitando o divórcio e promovendo inclusivamente a pornografia junto dos homens (era pelo menos o que se mostrava num documentário sobre o Vaticano que passou há tempos na TV), como se a poligamia fizesse realmente parte da natureza «animal» da maioria dos homens.
Somos todos animais humanos, convém recordar, além de que as «escolhas» da biologia pouco ou nada têm a ver com as escolhas humanas. Por vezes, são os ateus que mostram mais juízo do que os fundamentalistas católicos, ao chamarem a atenção, como há dias me foi dado ver nas redes sociais, para casos de mulheres que fogem, em horrível sofrimento, da ditadura poligâmica dos mórmons nos EUA (vá lá, nos EUA ainda podem fugir às ditaduras patriarcais… Uma ou outra consegue-o, entre muitas).
Pergunto agora: lá porque a Bíblia diz «crescei e multiplicai-vos», agora vale tudo, em matéria de procriação? É legítimo, por exemplo, que as jovens médicas andem ingenuamente convencidas de que dar óvulos para a procriação assistida é exatamente a mesma coisa que dar sangue? Quais as responsabilidades futuras que podem advir duma coisa e da outra? Não se tem em conta isso, ou o dinheiro é no fundo o que faz mover os médicos? Onde está a bioética? Instrumentalizar barrigas alheias, transformando o DNA numa mercadoria, trivializou-se, com a bênção da Igreja? Permitir que, por falta de empregos e excesso de entretenimento, os jovens adiem indefinidamente a natalidade, é algo que temos que aceitar como uma inevitabilidade? Que escolha se deve fazer: a da carreira ou a da vida? Para quando ambas? E já agora: que escolha fazer no dia das eleições?
Por mais que esperneiem, a conclusão que retiro disto tudo, ao fim de dois referendos sobre o aborto (o primeiro já em 1998), e de muitos outros anos de «fratura ideológica», passados no entanto a observar atentamente a realidade, é a de que os tais moralistas conservadores deram um tiro no pé. Com os gestos de disfarçada intolerância que se observam no artigo acima indicado de Laurinda Alves, e noutros redigidos por fervorosos anti-abortistas, influenciaram exasperantemente inúmeros microeventos de discriminação quotidiana, serrando inexoravelmente o galho da defesa da vida em que tão orgulhosamente se diziam apoiar. Ora, assim não me é possível confiar neles. Confiar cristãmente acaso é, ou pode ser, ignorar ou isolar quem sofre?
Em face de tudo isto, e porque no conceito de Vida deve estar incluído o percurso biográfico, uma mulher conseguir assumir uma gravidez depois dum aborto devia ser reconhecido como ato supremo de heroísmo, em função das ENORMES dificuldades que precisa de superar. Porque de facto já não há pachorra para fundamentalismos religiosos de qualquer espécie, tiro o meu chapéu a essas (muitas) mulheres e mães, sem no entanto precisar de lhes dar nenhuma medalha, pois acredito que por uma questão de dignidade a recusassem liminarmente, ou que até mandassem os seus carrascos psicológicos enfiá-la num determinado sítio.
Mulheres, ambiente e aborto: o lugar «certo» para a medalha de mérito procriativo
ADELAIDE CHICHORRO FERREIRA
QUARTA-FEIRA, 30 DE SETEMBRO DE 2015
Este texto é escrito com mágoa. No assunto da homossexualidade a Igreja e certos comentaristas conservadores, como Laurinda Alves, no jornal Observador de 29.9.2015 (http://observador.pt/opiniao/aceita... ), têm culpas muito sérias no cartório, no que toca à promoção do ódio e da intolerância, independentemente de, no caso da homossexualidade, se tratar de escolha ou não. Pergunto: vamos andar a dissecar caso a caso, numa posição de ilegítima superioridade moral, se foi escolha ou não para podermos «tolerar»? E isso não é intrusão na vida privada de cada um? Entramos na sociedade da cusquice? Com os dinheiros dos impostos de quem? E em detrimento de que outros estudos?
Como se isso de se tratar de escolha ou não fosse sequer relevante para o caso! Só escolher colocar as coisas nesses termos (o que escrevemos, assim como o que dizemos ou não dizemos também é fruto de escolhas) comprova que existe, de facto, uma discriminação muito hipócrita na sociedade portuguesa, não só da homossexualidade como também de pessoas que fazem, ou são impelidas a fazer, «outras» escolhas na vida. A jornalista Laurinda Alves, para quem se lembra, foi uma acérrima lutadora anti-aborto na altura do 2º referendo sobre o mesmo. Membro destacado do então Movimento «Esperança» Portugal, deixou seguramente muitas mulheres neste país crivadas de desesperança.
Convém por exemplo ter em conta que a punição social excessiva das mulheres em matéria de aborto (e desigual no que se refere aos homens, que muitas vezes o incentivam) pode levar ao bullying, social e profissional, assim se destruindo os laços familiares heterossexuais, com todo o cortejo de consequências perniciosas para as famílias como a violência doméstica ou o suicídio. Já agora pergunto: concordam com ele os fundamentalistas «pró-vida»? Até parece que sim, a julgar pelas bulas dos medicamentos antidepressivos, que por aí se tomam ao desbarato, fomentando ironicamente a vida descartável. Além disso, não me admirava nada que uma tal punição social (não sustentada pela lei!) conduzisse, como escape para essas situações de discriminação, humilhação ou ostracização, ao acentuar de tendências homossexuais (sim, as tais «escolhas»…), talvez porque se trata neste caso, é bom dizê-lo, de relações muitíssimo mais seguras em matéria de risco de gravidez indesejada, e porque não admira, como é óbvio, que gato escaldado de água fria tenha medo. Afinal de contas, os preservativos não se rompem de vez em quando? A uma pessoa stressada não pode acontecer esquecer-se um dia de tomar a pílula? Mulheres desempregadas, com necessidade de alimentar a família, terão sempre dinheiro para a comprar?
No que toca propriamente ao aborto, tudo isto ocorre a par de gravíssimos fatores ambientais (a (co)incineração de resíduos é um deles, ou a libertação no ambiente de resíduos de medicamentos como é o caso da própria pílula…), que, em matéria de disrupção hormonal (causando também ela homossexualidade, mudança de sexo, infertilidade ou abortos), intervêm silenciosa mas de forma porventura não menos relevante, e impune, nos ecossistemas naturais e humanos, fruto de escolhas de gestores, cientistas e políticos porventura um bocadinho ignorantes, ainda por cima com inúmeros médicos coniventemente a assobiar para o lado. Até porque alguns, diga-se, vivem da cura dessa mesma infertilidade, tal como muitos outros vivem da suposta cura das doenças mentais provocadas pela intolerância. É esta a sociedade de mercado em que cada vez mais vivemos, e nós todos estamos a ser cobaias.
Creio que poderá também ser uma questão de objeção de consciência manter alguma distância crítica relativamente à própria Igreja Católica, instituição ainda muito machista e patriarcal, que, em vez de realmente ajudar muitas das mulheres afetadas pelo aborto, cada vez mais abdica dos seus próprios princípios, facilitando o divórcio e promovendo inclusivamente a pornografia junto dos homens (era pelo menos o que se mostrava num documentário sobre o Vaticano que passou há tempos na TV), como se a poligamia fizesse realmente parte da natureza «animal» da maioria dos homens.
Somos todos animais humanos, convém recordar, além de que as «escolhas» da biologia pouco ou nada têm a ver com as escolhas humanas. Por vezes, são os ateus que mostram mais juízo do que os fundamentalistas católicos, ao chamarem a atenção, como há dias me foi dado ver nas redes sociais, para casos de mulheres que fogem, em horrível sofrimento, da ditadura poligâmica dos mórmons nos EUA (vá lá, nos EUA ainda podem fugir às ditaduras patriarcais… Uma ou outra consegue-o, entre muitas).
Pergunto agora: lá porque a Bíblia diz «crescei e multiplicai-vos», agora vale tudo, em matéria de procriação? É legítimo, por exemplo, que as jovens médicas andem ingenuamente convencidas de que dar óvulos para a procriação assistida é exatamente a mesma coisa que dar sangue? Quais as responsabilidades futuras que podem advir duma coisa e da outra? Não se tem em conta isso, ou o dinheiro é no fundo o que faz mover os médicos? Onde está a bioética? Instrumentalizar barrigas alheias, transformando o DNA numa mercadoria, trivializou-se, com a bênção da Igreja? Permitir que, por falta de empregos e excesso de entretenimento, os jovens adiem indefinidamente a natalidade, é algo que temos que aceitar como uma inevitabilidade? Que escolha se deve fazer: a da carreira ou a da vida? Para quando ambas? E já agora: que escolha fazer no dia das eleições?
Por mais que esperneiem, a conclusão que retiro disto tudo, ao fim de dois referendos sobre o aborto (o primeiro já em 1998), e de muitos outros anos de «fratura ideológica», passados no entanto a observar atentamente a realidade, é a de que os tais moralistas conservadores deram um tiro no pé. Com os gestos de disfarçada intolerância que se observam no artigo acima indicado de Laurinda Alves, e noutros redigidos por fervorosos anti-abortistas, influenciaram exasperantemente inúmeros microeventos de discriminação quotidiana, serrando inexoravelmente o galho da defesa da vida em que tão orgulhosamente se diziam apoiar. Ora, assim não me é possível confiar neles. Confiar cristãmente acaso é, ou pode ser, ignorar ou isolar quem sofre?
Em face de tudo isto, e porque no conceito de Vida deve estar incluído o percurso biográfico, uma mulher conseguir assumir uma gravidez depois dum aborto devia ser reconhecido como ato supremo de heroísmo, em função das ENORMES dificuldades que precisa de superar. Porque de facto já não há pachorra para fundamentalismos religiosos de qualquer espécie, tiro o meu chapéu a essas (muitas) mulheres e mães, sem no entanto precisar de lhes dar nenhuma medalha, pois acredito que por uma questão de dignidade a recusassem liminarmente, ou que até mandassem os seus carrascos psicológicos enfiá-la num determinado sítio.
sábado, setembro 26, 2015
LIXO E LIXO
Esta semana estive em representação da Quercus Aveiro numa visita ao Centro Integrado de Tratamento de Residuos Sólidos Urbanos da zona de Aveiro. Um projecto da ERSUC, uma empresa que deixou de ser pública recentemente, e que gere dois centros idênticos, em Vil de Matos - Coimbra, e este aqui, o de Eirol. Já há muitos anos que não visitava um centro similar, lembro-me de ver um local destes na Alemanha, integrado num intercâmbio de jovens da Quercus com a Naturschutzjugend. Mas este que visitei é diferente, Aqui valoriza-se a parte orgânica, produzindo composto de qualidade. Fui muito bem acompanhado, por uma das caras conhecidas da Quercus, o Rui Berkemeier, que conheço há muitos anos. Mas mesmo assim fiquei surpreendido com a sua enorme capacidade de trabalho e de relacionamento, uma postura aguerrida. Uma das coisas que mais me impressionou nesta visita foi o facto de registarem que aparece no lixo uma enorme quantidade de garrafas de vidro, vidro esse que danifica muitas vezes os equipamentos que utilizam para a separação dos resíduos. Quem anda na rua e presta atenção já tinha percebido que muitas pessoas não separam sequer as embalagens de vidro, pelo barulho que se ouve quando despejam as suas sacadas de lixo nos contentores. Será difícil perceberem que é um gesto em que todos saímos beneficiados??? Os vidros e os plásticos de pequenas dimensões são aquilo que mais as pessoas deveriam separar em casa e não custa nada!!!
E por falar em lixo deixo-vos com este pequeno video humorístico:
E por falar em lixo deixo-vos com este pequeno video humorístico:
quinta-feira, setembro 24, 2015
PARECE ENSAIADO
Mas acho que é mesmo verdadeiro, estive a pesquisar na net e a coisa é mesmo real (publico aqui a versão com legendas em português que encontrei no Facebook - link para pequeno filme caseiro de menos de 3 minutos):
Garotinha de 6 anos quer que seus pais sejam amigosPara você que acha que as crianças não entendem o ambiente onde vivem. Tiana tem 6 anos, mora com sua mãe solteira e da ultima vez que o pai a visitou, eles brigaram. Cansada, ela resolveu ter uma conversa séria com a mãe.Se é assim com 6 anos, daqui a uns anos vai ser ela que vai resolver o conflito entre os judeus e os muçulmanos! Nobel da Paz para a Tiana, já!!!
Posted by Matias Amariya on Terça-feira, 22 de Setembro de 2015
segunda-feira, setembro 21, 2015
QUANTO VALE A PENA VOTAR?
Aqui está uma pergunta original. E aqui fica, no Malfadado, a minha resposta, relativa ao próximo acto eleitoral de 4 de Outubro, onde se vão eleger as 230 pessoas (sim, são 230 pessoas) que vão representar as várias regiões de Portugal.
É preciso saber que (com links para algumas fontes de informação):
- No Parlamento existem 12 Comissões permanentes, de deputados que se reúnem para debater à volta de diferentes temas. Mas nestas comissões, existem deputados que estão lá em proporção com a composição do parlamento, o que é o mesmo que dizer que há partidos que têm lá deputados a mais, aqueles que entram e saem do Parlamento, das reuniões das Comissões e das reuniões plenárias sem desenvolver nenhum trabalho. São os deputados que ninguém conhece, que existem quase exclusivamente para fazerem número nas votações e assim defenderem a superior posição do partido. Votam em bloco, respeitando aquela estupidez que conhecemos como "disciplina de voto", mesmo que não percebam nada do que estão a votar, e até muitas vezes contra os seus princípios e contra os interesses regionais que deviam defender.
- Os votos correspondem a um valor que sai do Orçamento do Estado, ou seja, das contribuições da sociedade portuguesa (os impostos), para cada partido ou coligação. Mas só recebem estas subvenções os partidos que elegem deputados, ou seja, os votos em branco, ou nulos e nas formações partidárias muito pouco representativas, poupam nas finanças públicas. E é de recordar que nas últimas eleições só 5 partidos e coligações receberam este valor, uma subvenção (um subsidiozinho...). Há ainda uma verba estabelecida no Orçamento de Estado para cada acto eleitoral, que se sobrar algum depois destas subvenções, é distribuído pelos partidos, mas mais uma vez apenas pelos que elegem deputados. Os grandes engordam mais, os pequenos recebem um balão de oxigénio e os muito pequenos emagrecem mais depois de cada investimento em eleições, que se perde sem receber subsídios ao não eleger ninguém. Para a próxima legislatura, até que haja novas eleições, são 3 euros e 15 cêntimos por ano. Se não houver eleições antecipadas, cada pessoa que vota contribui com 12 euros e 60 cêntimos para o partido em que votou. Não parece muito dinheiro, mas se multiplicarmos pelo número de votos dos partidos da alternância, PS e PSD, é fácil chegar a números impressionantes: mais de 27.203.000,00 de euros que o PSD recebeu nos últimos 4 anos, mais de 19.756.000,00 para o PS, para os outros partidos basta fazer as contas multiplicando o valor de 12,60 pelo número de votantes. Só estes dois partidos, em que a maioria das pessoas votam por puro "carneirismo" e influência das campanhas eleitorais, onde normalmente se reduz a representação democrática a duas alternativas governativas, recebem dos nossos dinheiros uma média de cerca de 40 milhões de euros, dez milhões por cada ano de legislatura. 10 MILHÕES, por cada ano! O próprio BE, que é o que menos votos teve mas ainda assim elegeu deputados, em 4 anos foi subsidiado em mais de 3 milhões e 500 mil euros. Um bom orçamento logo à cabeça, "por supuesto".
- Para o BE eu decidi, com o meu voto, que queria que 12,60 euros dos dinheiros públicos fossem entregues a esta formação partidária. Para gastos da própria organização, sedes distritais, comunicações, deslocações, presença na internet e informação impressa distribuída gratuitamente. Tentei ver melhor onde são os gastos no site oficial, mas ainda falta dar este passo da transparência. Um dia vamos ter os partidos a publicar as contas, como o Podemos aqui ao lado.
- O BE, tal como a CDU e o CDS, têm poucos representantes do povo na Assembleia da República. Todos juntos são apenas 48 em 230. É mais fácil que os pequenos partidos tenham pessoas capazes e bem formadas eleitas a representarem os seus eleitores no Parlamento. PS e PSD têm pessoas de valor nas suas estruturas, mas muitos dos seus deputados são nomeados para estarem no parlamento a cumprirem sem problemas a disciplina de voto de forma acéfala. Votar no BE resultou na formação de um grupo parlamentar de apenas 8 deputados, que depois se vão revezando no seu trabalho no parlamento, sendo substituídos regularmente por outros membros da formação. Estes 8 deputados não chegam para ter uma presença, ainda que seja muito minoritária, em cada uma das 12 comissões permanentes.
- Os deputados podem ter um importante papel no controlo das situações pouco claras de intervenção do governo ou autarquias, ou empresas e instituições. De facto, mais do que uma vez recorri, pessoalmente ou com associações, aos deputados para esclarecer determinadas questões. E deu para perceber claramente que não se pode contar com os deputados ligados à alternância no poder. Nas questões mais graves, onde entra a incompetência de figuras do estado, ou as possibilidades de corrupção, esses deputados defensores dos grandes interesses económicos, não mexem uma palha. Só os deputados que sabemos que vão estar na oposição fazem o seu trabalho. É assim, aqui na questão das ilegalidades da Coutada, são ilegalidades de uma receita do PS, as parcerias público-privadas, mas postas em prática pelos poderes locais e nacionais do PSD. Partidos que fizeram alguma coisa: BE e PCP. Os pequeninos partidos, os que não chegam a eleger deputados, nada fizeram, mesmo não tendo deputados poderiam ter abraçado a questão, mas não têm pessoas para acompanhar tantas irregularidades, num país onde ainda reina o clientelismo, o caciquismo.
- A situação nacional é desanimadora. Os nossos eleitores, deram uma maioria absoluta ao Sócrates, e depois uma maioria, com a chantagem da necessidade de haver estabilidade política para se poder ter um estado com reformas no sentido de haver mais justiça, melhor educação, melhor saúde. Toda a gente acredita neste choradinho da estabilidade, e o PS enche os seus cofres com milhões de euros. Há eleições mas a malta, à terceira, já não acredita no Sócrates, e reforça o CDS, que pode servir para controlar uma qualquer governação, do PS ou do PSD, sem haver um corte radical com o sistema capitalista, onde a grande maioria das pessoas participa com os seus depósitos a prazo. E com muita razão se muda a governação nas eleições, vem-se a provar recentemente que Sócrates é uma figura ligada a vários esquemas de corrupção. Não que sejam provas que já conheçamos, mas do pouco que a comunicação social tem divulgado, há coisas evidentes e vem-se confirmar que existe o tal fogo do muito fumo que já havia, com PPPs, Freeport, o processo dos Robalos e tantas outras negociatas. Nada retira a aura de inteligência a Sócrates e a sua habilidade em manipular, com mentiras, uma vez que estes esquemas tiveram que ser montados de forma a ser muito difícil arranjar provas concludentes dos desvios de dinheiro e a corrupção. E nos últimos 4 anos, com a evolução favorável dos juros e com políticas de grande benefício dos bancos e das grandes empresas, tivemos PSD e CDS a aplicar a política que mais gostam. E a malta também gosta, na sua maioria, afinal as pessoas são pessoas honradas e não gostam de deixar dívidas por pagar. Até porque na maioria, as pessoas acham que estas dívidas serviram para investir nos serviços públicos, não percebem que as dívidas só existem porque quantias inimagináveis foram desviadas para os banqueiros, grandes empreiteiros da construção civil e outros magnatas de negócios da China, quem sabe até da China também, mas a maior parte malta cá do burgo.
- A situação global, em termos políticos, também é muito desanimadora. No sul da América, com a corrupção a continuar a varrer figuras de destaque dos mais variados espectros políticos, como se fizesse parte de um regime tradicional da américa latina (ditadura ou democracia, venha o povo e escolha), na Europa tínhamos, na Grécia, um tira-teimas, com a eleição de um parlamento maioritariamente de esquerda, e de uma "esquerda radical", com muitos deputados eleitos pela coligação Syriza. Mas tudo se desmoronou quando esse governo de esquerda promove um referendo sobre a continuação das medidas de austeridade, impostas pelo grande poder financeiro, em que o povo diz que não quer mais, e depois esse mesmo governo, o melhor que consegue fazer é vender-se por mais e mais gravosas medidas de austeridade. Há uma cisão na coligação e o governo perde a confiança de muitos deputados. A solução encontrada pelo governo é marcar novas eleições, e, com um aumento brutal da abstenção, o Syriza lá consegue eleger nova maioria, desta vez com deputados mais obedientes e que garantam a tal disciplina de voto. Cada vez mais o desencanto e a percepção de que são todos iguais leva a que sejam cada vez mais as pessoas que decidem não ir votar, desta vez na Grécia foram mais 7 em cada 100 pessoas que se juntaram aos abstencionistas, que já eram mais do que 35 gregos em cada 100. Esta eleição de Setembro é o recorde de abstenções em eleições para o parlamento. São cada vez menos as pessoas que carregam a decisão de decidir o futuro colectivo. É verdade que são todos iguais? Não, isso é o que eles querem fazer passar, os que sempre ganham muito com as eleições. São é muito parecidos, na hora dos confrontos com as grandes decisões, principalmente na hora de decidir sobre o futuro do sistema bancário, onde gente de esquerda e de direita, todo o povo, tem o seu dinheiro. Exceptuando aqueles que não têm mesmo dinheiro, uma franja da sociedade com pouca cultura política.
- Já vai longa esta reflexão, e já ninguém se lembra de como começou... ah, pois, as eleições para o parlamento, 230 deputados, gente demais... onde a maioria dos deputados dos partidos da alternância poderiam ser substituídos por bonecos que se levantavam automaticamente quando o lider se levantasse nas votações, e que aplaudissem ou vaiassem quando o seu lider o fizesse. Vou então concluir: na minha opinião vale muito a pena votar. E gosto que o meu voto seja útil, ou seja, que tenha alguma consequência, como a grande maioria das pessoas. Daí que, tendo em conta que há distritos onde os partidos mais pequenos nunca terão hipótese de eleger alguém, tal como há distritos onde os "partidos parlamentares" pequenos também nunca hão-de eleger ninguém, o voto, pelo importante valor financeiro que pode dar, deve ser dirigido para aqueles partidos ou coligações em que podemos confiar para trabalharem na Assembleia da República controlando os mandos e desmandos dos mesmos do costume. Se eu fosse cristão e conservador votaria de caras no CDS, onde sei que há gente com valor e que podem arregaçar as mangas para fazerem alguma coisa pelos outros. Mas como não sou, gostaria de dar a minha contribuição a um partido ou formação ou movimento ou coligação progressista. Em Aveiro só o BE e a CDU acalentam a esperança de eleger deputados, e como tal voto BE. Mas se não houvesse esta esperança, e mesmo que não eleja um deputado, com a minha ajuda, sei que o meu voto vai ser contabilizado para essa contribuição que sai do dinheiro público, contribuindo assim para ajudar quem mais precisa (quem tem menos) e para quem dá provas de exercer um excelente trabalho de fiscalização mas também de trabalhar em propostas para termos uma melhor sociedade.
É preciso saber que (com links para algumas fontes de informação):
- No Parlamento existem 12 Comissões permanentes, de deputados que se reúnem para debater à volta de diferentes temas. Mas nestas comissões, existem deputados que estão lá em proporção com a composição do parlamento, o que é o mesmo que dizer que há partidos que têm lá deputados a mais, aqueles que entram e saem do Parlamento, das reuniões das Comissões e das reuniões plenárias sem desenvolver nenhum trabalho. São os deputados que ninguém conhece, que existem quase exclusivamente para fazerem número nas votações e assim defenderem a superior posição do partido. Votam em bloco, respeitando aquela estupidez que conhecemos como "disciplina de voto", mesmo que não percebam nada do que estão a votar, e até muitas vezes contra os seus princípios e contra os interesses regionais que deviam defender.
- Os votos correspondem a um valor que sai do Orçamento do Estado, ou seja, das contribuições da sociedade portuguesa (os impostos), para cada partido ou coligação. Mas só recebem estas subvenções os partidos que elegem deputados, ou seja, os votos em branco, ou nulos e nas formações partidárias muito pouco representativas, poupam nas finanças públicas. E é de recordar que nas últimas eleições só 5 partidos e coligações receberam este valor, uma subvenção (um subsidiozinho...). Há ainda uma verba estabelecida no Orçamento de Estado para cada acto eleitoral, que se sobrar algum depois destas subvenções, é distribuído pelos partidos, mas mais uma vez apenas pelos que elegem deputados. Os grandes engordam mais, os pequenos recebem um balão de oxigénio e os muito pequenos emagrecem mais depois de cada investimento em eleições, que se perde sem receber subsídios ao não eleger ninguém. Para a próxima legislatura, até que haja novas eleições, são 3 euros e 15 cêntimos por ano. Se não houver eleições antecipadas, cada pessoa que vota contribui com 12 euros e 60 cêntimos para o partido em que votou. Não parece muito dinheiro, mas se multiplicarmos pelo número de votos dos partidos da alternância, PS e PSD, é fácil chegar a números impressionantes: mais de 27.203.000,00 de euros que o PSD recebeu nos últimos 4 anos, mais de 19.756.000,00 para o PS, para os outros partidos basta fazer as contas multiplicando o valor de 12,60 pelo número de votantes. Só estes dois partidos, em que a maioria das pessoas votam por puro "carneirismo" e influência das campanhas eleitorais, onde normalmente se reduz a representação democrática a duas alternativas governativas, recebem dos nossos dinheiros uma média de cerca de 40 milhões de euros, dez milhões por cada ano de legislatura. 10 MILHÕES, por cada ano! O próprio BE, que é o que menos votos teve mas ainda assim elegeu deputados, em 4 anos foi subsidiado em mais de 3 milhões e 500 mil euros. Um bom orçamento logo à cabeça, "por supuesto".
- Para o BE eu decidi, com o meu voto, que queria que 12,60 euros dos dinheiros públicos fossem entregues a esta formação partidária. Para gastos da própria organização, sedes distritais, comunicações, deslocações, presença na internet e informação impressa distribuída gratuitamente. Tentei ver melhor onde são os gastos no site oficial, mas ainda falta dar este passo da transparência. Um dia vamos ter os partidos a publicar as contas, como o Podemos aqui ao lado.
- O BE, tal como a CDU e o CDS, têm poucos representantes do povo na Assembleia da República. Todos juntos são apenas 48 em 230. É mais fácil que os pequenos partidos tenham pessoas capazes e bem formadas eleitas a representarem os seus eleitores no Parlamento. PS e PSD têm pessoas de valor nas suas estruturas, mas muitos dos seus deputados são nomeados para estarem no parlamento a cumprirem sem problemas a disciplina de voto de forma acéfala. Votar no BE resultou na formação de um grupo parlamentar de apenas 8 deputados, que depois se vão revezando no seu trabalho no parlamento, sendo substituídos regularmente por outros membros da formação. Estes 8 deputados não chegam para ter uma presença, ainda que seja muito minoritária, em cada uma das 12 comissões permanentes.
- Os deputados podem ter um importante papel no controlo das situações pouco claras de intervenção do governo ou autarquias, ou empresas e instituições. De facto, mais do que uma vez recorri, pessoalmente ou com associações, aos deputados para esclarecer determinadas questões. E deu para perceber claramente que não se pode contar com os deputados ligados à alternância no poder. Nas questões mais graves, onde entra a incompetência de figuras do estado, ou as possibilidades de corrupção, esses deputados defensores dos grandes interesses económicos, não mexem uma palha. Só os deputados que sabemos que vão estar na oposição fazem o seu trabalho. É assim, aqui na questão das ilegalidades da Coutada, são ilegalidades de uma receita do PS, as parcerias público-privadas, mas postas em prática pelos poderes locais e nacionais do PSD. Partidos que fizeram alguma coisa: BE e PCP. Os pequeninos partidos, os que não chegam a eleger deputados, nada fizeram, mesmo não tendo deputados poderiam ter abraçado a questão, mas não têm pessoas para acompanhar tantas irregularidades, num país onde ainda reina o clientelismo, o caciquismo.
- A situação nacional é desanimadora. Os nossos eleitores, deram uma maioria absoluta ao Sócrates, e depois uma maioria, com a chantagem da necessidade de haver estabilidade política para se poder ter um estado com reformas no sentido de haver mais justiça, melhor educação, melhor saúde. Toda a gente acredita neste choradinho da estabilidade, e o PS enche os seus cofres com milhões de euros. Há eleições mas a malta, à terceira, já não acredita no Sócrates, e reforça o CDS, que pode servir para controlar uma qualquer governação, do PS ou do PSD, sem haver um corte radical com o sistema capitalista, onde a grande maioria das pessoas participa com os seus depósitos a prazo. E com muita razão se muda a governação nas eleições, vem-se a provar recentemente que Sócrates é uma figura ligada a vários esquemas de corrupção. Não que sejam provas que já conheçamos, mas do pouco que a comunicação social tem divulgado, há coisas evidentes e vem-se confirmar que existe o tal fogo do muito fumo que já havia, com PPPs, Freeport, o processo dos Robalos e tantas outras negociatas. Nada retira a aura de inteligência a Sócrates e a sua habilidade em manipular, com mentiras, uma vez que estes esquemas tiveram que ser montados de forma a ser muito difícil arranjar provas concludentes dos desvios de dinheiro e a corrupção. E nos últimos 4 anos, com a evolução favorável dos juros e com políticas de grande benefício dos bancos e das grandes empresas, tivemos PSD e CDS a aplicar a política que mais gostam. E a malta também gosta, na sua maioria, afinal as pessoas são pessoas honradas e não gostam de deixar dívidas por pagar. Até porque na maioria, as pessoas acham que estas dívidas serviram para investir nos serviços públicos, não percebem que as dívidas só existem porque quantias inimagináveis foram desviadas para os banqueiros, grandes empreiteiros da construção civil e outros magnatas de negócios da China, quem sabe até da China também, mas a maior parte malta cá do burgo.
- A situação global, em termos políticos, também é muito desanimadora. No sul da América, com a corrupção a continuar a varrer figuras de destaque dos mais variados espectros políticos, como se fizesse parte de um regime tradicional da américa latina (ditadura ou democracia, venha o povo e escolha), na Europa tínhamos, na Grécia, um tira-teimas, com a eleição de um parlamento maioritariamente de esquerda, e de uma "esquerda radical", com muitos deputados eleitos pela coligação Syriza. Mas tudo se desmoronou quando esse governo de esquerda promove um referendo sobre a continuação das medidas de austeridade, impostas pelo grande poder financeiro, em que o povo diz que não quer mais, e depois esse mesmo governo, o melhor que consegue fazer é vender-se por mais e mais gravosas medidas de austeridade. Há uma cisão na coligação e o governo perde a confiança de muitos deputados. A solução encontrada pelo governo é marcar novas eleições, e, com um aumento brutal da abstenção, o Syriza lá consegue eleger nova maioria, desta vez com deputados mais obedientes e que garantam a tal disciplina de voto. Cada vez mais o desencanto e a percepção de que são todos iguais leva a que sejam cada vez mais as pessoas que decidem não ir votar, desta vez na Grécia foram mais 7 em cada 100 pessoas que se juntaram aos abstencionistas, que já eram mais do que 35 gregos em cada 100. Esta eleição de Setembro é o recorde de abstenções em eleições para o parlamento. São cada vez menos as pessoas que carregam a decisão de decidir o futuro colectivo. É verdade que são todos iguais? Não, isso é o que eles querem fazer passar, os que sempre ganham muito com as eleições. São é muito parecidos, na hora dos confrontos com as grandes decisões, principalmente na hora de decidir sobre o futuro do sistema bancário, onde gente de esquerda e de direita, todo o povo, tem o seu dinheiro. Exceptuando aqueles que não têm mesmo dinheiro, uma franja da sociedade com pouca cultura política.
- Já vai longa esta reflexão, e já ninguém se lembra de como começou... ah, pois, as eleições para o parlamento, 230 deputados, gente demais... onde a maioria dos deputados dos partidos da alternância poderiam ser substituídos por bonecos que se levantavam automaticamente quando o lider se levantasse nas votações, e que aplaudissem ou vaiassem quando o seu lider o fizesse. Vou então concluir: na minha opinião vale muito a pena votar. E gosto que o meu voto seja útil, ou seja, que tenha alguma consequência, como a grande maioria das pessoas. Daí que, tendo em conta que há distritos onde os partidos mais pequenos nunca terão hipótese de eleger alguém, tal como há distritos onde os "partidos parlamentares" pequenos também nunca hão-de eleger ninguém, o voto, pelo importante valor financeiro que pode dar, deve ser dirigido para aqueles partidos ou coligações em que podemos confiar para trabalharem na Assembleia da República controlando os mandos e desmandos dos mesmos do costume. Se eu fosse cristão e conservador votaria de caras no CDS, onde sei que há gente com valor e que podem arregaçar as mangas para fazerem alguma coisa pelos outros. Mas como não sou, gostaria de dar a minha contribuição a um partido ou formação ou movimento ou coligação progressista. Em Aveiro só o BE e a CDU acalentam a esperança de eleger deputados, e como tal voto BE. Mas se não houvesse esta esperança, e mesmo que não eleja um deputado, com a minha ajuda, sei que o meu voto vai ser contabilizado para essa contribuição que sai do dinheiro público, contribuindo assim para ajudar quem mais precisa (quem tem menos) e para quem dá provas de exercer um excelente trabalho de fiscalização mas também de trabalhar em propostas para termos uma melhor sociedade.
domingo, setembro 20, 2015
PARA VER A NATUREZA DE PERTO
Há fotógrafos em Portugal que nos dão esta hipótese de olhar de perto espécies que a nossa sociedade não valoriza devidamente. Como o Ricardo Lourenço, que partilha as suas fotos num blogue (link para o blogue R.L. Wildlife Photography). São muito boas fotos, que convido a verem também neste dia de festejos aniversariantes caseiros, onde passeámos de bicicleta (sim, é a semana da mobilidade) e vimos alguma bicharada interessante.
sábado, setembro 19, 2015
AUTISMO E DESENVOLVIMENTO DE CAPACIDADES
Já no outro dia tinha apanhado uma palestra muito boa de um professor universitário autista, agora aparece-me este, que apanhei no FB partilhado por um conhecido meu, com este menino prodígio (video bem legendado em português):
sexta-feira, setembro 18, 2015
AS MIGRAÇÕES E OS REFUGIADOS
Uma coisa que já há muito tempo me entristece por dentro é
esta questão dos direitos humanos, que existem no papel mas que depois são
esquecidos nalgumas partes do mundo. Quando outros valores se levantam…
E na verdade é uma coisa que de vez em quando lá sai num ou
noutro texto, ou até numa partilha que cai aqui no meu malfadado blogue.
Mas desde que vim da Escócia há uma coisa que me traz mais
triste, num ponto de negrura que despoleta uma revolta no espírito, uma coisa
que dá vontade de fazer algo mais. E essa coisa é o modo como os meios de
comunicação social abordam a questão e tentam fazer com que os refugiados sejam
encarados como migrantes. É uma comunicação social que papagueia o que as
instituições políticas dominantes, dos governos até à ONU, querem inculcar na
cabeça dos povos: que o grande número de refugiados que procuram a segurança da
Europa são pessoas que decidem "apenas" mudar de país, deixar para trás as suas terras,
as suas casas, os seus familiares, os seus animais domésticos, os seus bens, e
o seu modo de vida, porque querem arriscar o seu futuro indo à procura de
melhores condições de vida.
Para ilustrar esta minha reflexão fui buscar esta fotografia aqui (link para o jornal i on line)
De facto, um refugiado faz um movimento migratório.
Mas não chamamos refugiados aos milhares de jovens portugueses (entre outros
menos jovens) que recentemente, por causa da violência da crise política e do sistema
bancário, emigraram para o Reino Unido, para o Brasil, para sei lá que pontos do
mundo, mas até para a Alemanha. São migrantes. Tal como, por outro lado, a quem
foge de uma terra que todos os dias é notícia porque ali se vive em guerra
permanente chamamos um refugiado. Chamar-lhes migrantes é querer fazer surgir
os naturais movimentos sociais racistas, os nacionalismos estúpidos. Querer
transformar em migrantes as pessoas que trazem os seus filhos ao colo, a pé,
sujeitos a serem humilhados por rasteiras de jornalistas estúpidas (link para ovídeo da jornalista que agride refugiados), ou as pessoas que depois de
percorrerem terras e terras chegam ao mar onde vão morrer, ou ver morrer os filhos
que trazem ao colo, é querer transformar a realidade.
E uma mentira tantas vezes repetida quase chega a ser
verdade. Quase transforma a realidade. Quase… quase transforma as guerras
semeadas pelos governos europeus, em conjunto com o super poder americano ou
russo ou chinês, hoje em dia sabe-se lá, o poder dos interesses financeiros,
com a questão do petróleo à cabeça. Ou as questões do ouro e dos diamantes,
como se ainda vivêssemos na Idade Média ou pouco depois, nos genocídios
africanos e sul americanos para fazer crescer a riqueza de alguns. E as
questões do comércio de drogas e da venda de armas. Em nome de uma Guerra Santa
contra os terríveis ditadores do Oriente, por serem perigosos e
fundamentalistas (pois, nunca estas guerras foram vendidas pelos jornalistas
como sendo guerras de domínio colonialista para poder continuar a explorar os
povos e os seus recursos), semearam-se guerras que originaram refugiados. Mas
muitos são refugiados que não se ficam pelos países vizinhos, amontoados em
campos de tendas sem condições, sujeitos a humilhações e a um tratamento de
gente desgraçadinha e que vive da esmola, como já vimos tantas imagens ao longo
das últimas décadas. Agora são refugiados que querem ir mais longe, que buscam
o “el dorado” como muita gente fez no passado, fugindo de outras guerras, em
terras onde existem condições para começar uma nova vida, onde os seus filhos podem
ter educação e perspectivas de um futuro melhor do que verem os seus pais serem
atingidos por uma qualquer bomba ou bala vinda sabe-se lá de que lado. São pessoas que deixam a sua vida para trás, afastam-se das suas raízes para irem para terras de língua e hábitos estranhos.
Mas nestes dias de revolta que a tristeza funda traz cá para
cima, há também uma luz de alegria que chega ao fundo do poço sem fim que trago
no coração. Há um orgulho nos amigos e conhecidos e até nalgumas figuras
públicas, que trazem a questão humanitária para a luz do dia. Há uns dias que
ando a querer escrever sobre isto, e ainda bem que o faço só agora, para não
ficar um texto ainda mais escuro sobre a estupidez humana e sobre a
subserviência acéfala do jornalismo de massas. E aqui faço então o contraponto,
com dois textos importantes, e que “reproduzo”. O primeiro é da autoria de uma amiga que
não conheço pessoalmente, e que o colocou no seu blogue (link para o texto na Ponte de Palavras). Um
texto que deixa a sua visão global sobre a situação dos refugiados e que
motivou o meu comentário por ter usado o termo migrantes e não refugiados. O segundo colo-o aqui na íntegra, porque
ficou apenas no Facebook de um familiar amigo (mais do que apenas familiar),
que muitos conhecem por ser irmão da São, o Hugo Veiga. E no Facebook as coisas
passam muito depressa e a reflexão triste e corajosa, forte e saborosa, merece
um outro destaque, deixar passar esta outra luz para que possa chegar ao fundo de outros poços de
tristeza. E é uma reflexão de alguém que emigrou, que passou por esta dificuldade
que é deixar a sua terra, os seus familiares, os seus amigos e amigas, os seus
animais domésticos, os seus bens, e o seu modo de vida. Que passou por
situações difíceis e que por agora está na Alemanha. E que vai ser pai de uma
criança muito em breve, num mundo que um dia vai ter que tentar explicar a esse filho como funciona mal…
Já vai longo o meu texto, remato então com o texto integral
do Hugo:
"Para todos os que têm dificuldade em distinguir terroristas de Refugiado..
"Significado de Refugiado:
s.m. Indivíduo que se mudou para um lugar seguro, buscando proteção.
Aquele que foi obrigado a sair de sua terra natal por qualquer tipo de perseguição; quem se refugiou; pessoa que busca escapar de um perigo.
Refugiado político. Quem foi obrigado a deixar sua pátria por sofrer perseguição política.
adj. Que se encontra em refúgio, em local seguro e protegido.
(Etm. Part. de refugiar)."
Não tenciono iniciar uma discussão, nem responder a comentários pró ou contra, prefiro a abstenção. Mas sejamos um pouco realistas:
1. Contas feitas, 10 milhões e picos portugueses pagam menos de um euro por 15000 refugiados/mês. Mais pagam por uma cerveja.
2. Políticos roubam toda a gente há anos. Parece-me que o grande problema de Portugal não são os refugiados. "Parece-me"!!!!
3. Muitos dos sem abrigo têm bom corpo para trabalhar. Outros são mesmo desgraçados da vida por más escolhas na vida. Pouca gente encheu o peito a pedir casa para eles. Agora toda a gente se lembra deles. Irónico, no mínimo!!!
4. Os terroristas são "patrocinados " por entidades cujo capital envergonharia o Belmiro de Azevedo. Se eles quiserem vir rebentar a Europa, eles vêm, podem acreditar! Não precisam de vir a pé.
5. Os emigrantes portugueses e a religião Cristã já deram (e dão) muito que falar cá fora. Agora imaginem que rebenta uma guerra em Portugal e os outros países dizem: "não queremos cá esses portugueses cristãos de mer&@..." O que respondiam aos vossos filhos?
6. Minorias que vêm causar problema a Portugal? Detesto usar esta expressão, mas aqui vai: LOL!!! Vão à Amadora beber um café um dia. Ou à noite!! Ao menos estes refugiados estão identificados e podem ser expatriados!!!!
7. Um pequeno conselho: NÃO acreditem em tudo o que vêem nas notícias e na internet por favor!!!!!! Questionem mais a veracidade das imagens, os jornais vendem mais com a criança morta na praia, não com a Mãe a sorrir com um filho nos braços. Aprendam que a comunicação social, quando o interesse existe, é a nossa pior inimiga!!!!!!!
Era para escrever mais pontos. Mas fico por aqui, tenho que ir jantar. Ao menos tenho uma cozinha, acesso a água e a comida. Quando vos faltar isso tudo saberão o verdadeiro significado da palavra "refugiado"...."
terça-feira, setembro 15, 2015
O FILME HUMAN - SEM LEGENDAS
Este filme, que há poucos dias referi aqui no Malfadado, já está on line, para visualização gratuita no youtube. Podem clicar aqui, para ver a primeira parte (link para o youtube, com legendas em inglês) depois de verem este trailer (este com legendas em francês):
segunda-feira, setembro 14, 2015
DESAFIO DO BALDE DE GELO EM 2015
Faz um ano que esta moda solidária passou em Portugal, muito contribuindo para a melhoria dos serviços que a APELA presta, muito contribuindo para o conhecimento geral sobre a ELA. Este ano, porque existe ainda a necessidade de recolher fundos para a investigação científica, e com a presença de algumas figuras públicas, houve uma sessão de sensibilização, num belo dia de Verão. Aqui fica a reportagem fotogáfica desta iniciativa, onde eu estive presente mas só em espírito, uma vez que me foi impossível deslocar ao Jamor.
domingo, setembro 13, 2015
É POSSÍVEL VOTAR POR CORREIO
Sim, mas em Portugal não. É assim o sistema partidário que temos, falam muito sobre a falta de participação das pessoas nos actos eleitorais mas não facilitam a vida de quem quer votar. De facto, interessa-lhes mais que poucas pessoas votem, embora digam o contrário. Porquê este interesse, ou desinteresse por esta questão? Porque assim mantêm o poder de decidir nas pessoas mais facilmente manipuláveis... nas que não se deslocam muito para fora dos seus lugares habituais, nas que passam os fins-de-semana sem ter nenhuma ocupação de cidadania activa, ou cultural ou desportiva. Nas pessoas que se mexem pouco, e que vêm muita TV. Na Catalunha, cada vez mais perto da independência, é possível votar por correio antecipadamente. Aqui fica o video onde se explica o processo (clicar).
sábado, setembro 12, 2015
O PODER DISCRICIONÁRIO DOS JUÍZES
Ainda a propósito do texto de ontem, sobre a Coutada, não posso deixar de partilhar este pequeno video da Porta dos Fundos. Com dedicatória a todos os Juízes portugueses que se cruzaram comigo no decorrer dos meus processos contra as ilegalidades do estado, em menos de dois minutos esta caricatura arrasa mesmo:
sexta-feira, setembro 11, 2015
DE NOVO A COUTADA
Poucas semanas depois de me ter livrado de uma Juíza do Tribunal Administrativo de Castelo Branco, de uma incompetência e falta de imparcialidade indescritíveis, no final de um processo que levou mais de 15 anos para estar concluído, onde o estado português aniquilou uma exploração agrícola através do Ministério da Agricultura e do IFAP (o velhinho IFADAP que mudou de nome mas não mudou de postura, mudaram só as moscas... como se diz em linguagem popular, mas a merda é a mesma), eis que volto à Justiça, desta vez não como contestatário exigindo justiça, mas como acusado de ter denunciado publicamente uma obra ilegal. Estávamos em Janeiro, há 9 meses atrás, e uma parceria público-privada que envolve gente poderosa desrespeitou as leis nacionais. E eu, depois de recorrer "ao sistema" policial e jurídico, sem sucesso, resolvi fazer um pouco de ironia e denunciar a situação. É que o Ministério Público de Ílhavo não fazia nada para parar a ilegalidade na altura. E continua sem dar resposta às queixas apresentadas ainda em 2014. Falta de meios? Dificilmente é essa a razão, uma vez que os mesmos magistrados aceitaram uma queixa apresentada pelos promotores das ilegalidades, que foram fazer queixinhas de que eu tinha inutilizado uma placa informativa (ver video e partilhar, porque ainda está actual). Ora, dava para ver perfeitamente o que dizia a placa depois de pintada, para mais com tinta lavável, era só um complemento informativo, acrescentar que a obra estava licenciada ilegalmente pela Câmara Municipal de Ílhavo, que a obra estava a decorrer ilegalmente, por não cumprir com a legislação e os processos judiciais.. E se tiveram o trabalho de fazer queixa, não teria sido mais simples mandar-me a conta do prejuízo e ver se havia quem o pagasse, em vez de andar a fazer perder tempo as entidades públicas? Enfim, a verdade é que o Ministério Público não deu resposta à queixa sobre as obras ilegais, mas fez andar a queixa sobre a placa que eu utilizei para melhor informar sobre a obra. Já mais do que uma vez as entidades da investigação, sempre a propósito deste caso das ilegalidades na Coutada, quer a Judiciária quer o Ministério Público, quando me queixo do tempo que demoram a investigar ou a dar respostas, alegam que existem outros processos mais urgentes, violência doméstica ou outros. Agora percebo os atrasos: um plástico sujo com tinta lavável é muuuuuiiiittttooooo mais grave do que um caso onde cheira a clientelismo.
Felizmente a partir de hoje há um advogado do meu lado, o Dr. Albano Pina, que tem acompanhado a situação nos processos judiciais da Quercus e arregaçou mangas para ser o meu defensor. Vamos lá ver no que vai dar, mas já posso adivinhar...
Felizmente a partir de hoje há um advogado do meu lado, o Dr. Albano Pina, que tem acompanhado a situação nos processos judiciais da Quercus e arregaçou mangas para ser o meu defensor. Vamos lá ver no que vai dar, mas já posso adivinhar...
domingo, setembro 06, 2015
REVISTA À PORTUGUESA - EXCELÊNCIA PORTUGAL
Para quem gosta de ler coisas variadas, a internet é um mundo. Mas há tanta coisa a passar, tanta informação, que olhando ao acaso há muitas coisas que passam despercebidas. Aqui fica a referência a um blogue colectivo, onde são inseridas variadas coisas sobre Portugal, podemos pesquisar sobre temas, é um nunca acabar de coisas. Bem escrito e sem pretensões, mas também sem as restrições impostas à imprensa tradicional, é como se estivessemos a ler uma boa revista. Uma revista à portuguesa, mas sem ter nada a ver com este género teatral de comédia e música. Basta clicar aqui e começar a explorar (Link para o blogue Excelência Portugal).
sábado, setembro 05, 2015
BALANCETE DA IDA À ESCÓCIA
Foram dez dias de viagem. Tivemos boleia de Vagos até ao Porto, depois foram sempre transportes públicos, até regressarmos a Aveiro, onde uma amiga que pretende manter o anonimato nos foi buscar para chegarmos a casa, cansados mas descansadinhos. Antes de decidir sobre vários assuntos da viagem, estabelecemos um valor que achámos razoável, como sendo o máximo que gastaríamos.
Esse valor foi de 1300, 130 por dia para gastar em transportes (avião, comboio e autocarros), dormidas, comida, cultura, lembranças. Para ter uma ideia, aqui fica a conversão: 1300 libras - 1785 euros
Do orçamento inicial conseguimos poupar 67 euros nos bilhetes de avião, 120 euros de aluguer de carro (quer dizer, aqui desistimos mesmo de alugar carro por 3 dias..), nos bilhetes de comboio poupámos 237 euros (nas compras antecipadas on line conseguimos marcar viagens com descontos muito significativos) e nas dormidas gastámos mais 281 euros do que no orçamento inicial (porque de facto as dormidas na Escócia são muito mais caras do que aquilo que se pratica aqui pela península ibérica, mas também porque quando marcámos já foi um pouco tarde e os mais baratos já estariam sem vagas). Gastámos também mais 76 euros em autocarros e no táxi (além da deslocação foi a experiência cultural de andar num táxi britânico - inesquecível) no dia da chegada.
Esse valor foi de 1300, 130 por dia para gastar em transportes (avião, comboio e autocarros), dormidas, comida, cultura, lembranças. Para ter uma ideia, aqui fica a conversão: 1300 libras - 1785 euros
Do orçamento inicial conseguimos poupar 67 euros nos bilhetes de avião, 120 euros de aluguer de carro (quer dizer, aqui desistimos mesmo de alugar carro por 3 dias..), nos bilhetes de comboio poupámos 237 euros (nas compras antecipadas on line conseguimos marcar viagens com descontos muito significativos) e nas dormidas gastámos mais 281 euros do que no orçamento inicial (porque de facto as dormidas na Escócia são muito mais caras do que aquilo que se pratica aqui pela península ibérica, mas também porque quando marcámos já foi um pouco tarde e os mais baratos já estariam sem vagas). Gastámos também mais 76 euros em autocarros e no táxi (além da deslocação foi a experiência cultural de andar num táxi britânico - inesquecível) no dia da chegada.
Nas lembranças a aposta foi nas bolachas tipicamente escocesas, mais uma ou outra pequena lembrança.
A comer gastámos cerca de 150 euros, na chulice das conversões bancárias gastámos mais alguns 40 euros, mais uns euros em souvenirs, no final gastámos um total de 1660 euros (dá 166 euros por dia), menos 125 euros do que o nosso orçamento inicial, que foi de 1300 libras. Ou eram 1300 euros???
A comer gastámos cerca de 150 euros, na chulice das conversões bancárias gastámos mais alguns 40 euros, mais uns euros em souvenirs, no final gastámos um total de 1660 euros (dá 166 euros por dia), menos 125 euros do que o nosso orçamento inicial, que foi de 1300 libras. Ou eram 1300 euros???
quinta-feira, setembro 03, 2015
ANIVERSÁRIO NO CABEÇO SANTO - EU ESTIVE LÁ
Para comemorar e para apreciar o trabalho realizado. Toda a reportagem no melhor blogue ibérico sobre um projecto de conservação da natureza (clicar aqui - link para blogue no wordpress).
quarta-feira, setembro 02, 2015
PERFECT SENSE
Passou na RTP 2 e vi até ao fim. Tem bicicletas, pois claro, e foi filmado em Glasgow, nem de propósito. Para quem gosta de reflectir sobre o amor e sobre a sociedade contemporânea, aqui fica a recomendação (em Portugal passa com o título "O sentido do amor"):
terça-feira, setembro 01, 2015
DE BLOGUE EM BLOGUE
Estava eu a ver um blogue de um amigo de Coimbra, o A Funda São (link para o blogue, só para adultos), quando vejo lá um destaque para o blogue que de vez em quando também leio de um outro amigo, este de Aveiro, o Não Compreendo as Mulheres (link para o blogue, só para homens). E no texto re-publicado, estava o convite para visitar o blogue de uma amiga dele, que também é minha amiga (ele e ela conhecidos das minhas actividades políticas no BE). É um blogue novinho em folha, o Utopia é a Meta (link para o blogue, só para quem vê a meta).
É nos blogues que muitas vezes nos apercebemos como vai a vida dos nossos amigos, na ausência de encontros pessoais, que tantas vezes não acontecem pela distância ou pela falta de oportunidades. Pelos acasos...
É nos blogues que muitas vezes nos apercebemos como vai a vida dos nossos amigos, na ausência de encontros pessoais, que tantas vezes não acontecem pela distância ou pela falta de oportunidades. Pelos acasos...
domingo, agosto 30, 2015
ESCÓCIA - AS FOTOS
Para quem não tem tempo a perder, mas ainda assim quer partilhar um pouco da nossa viagem à Escócia, aqui está o álbum rapidinho, com uma foto de cada um dos nossos 10 dias de viagem. É uma por dia. (clicar aqui - link para álbum de fotos no Google).
E a fotografia que mais gosto, da realidade escocesa, é precisamente esta, de um scottish terrier (link para a raça descrita na Wikipedia), numa tarde em Inverness:
Há também um álbum online mas com 66 fotografias, um álbum para ver acompanhado da descrição ao vivo, para se saber o que é e onde e porquê. Fica on line para um dia em casa de amigos, ou com os amigos aqui em casa, relembrar esta viagem. (link para álbum google partilhado).
Há também um álbum on line, no picasa web albuns, disponível para quem tem o link, por ser um álbum com muitas fotografias mais pessoais. Já enviei esse link por mail, mas se alguém não recebeu ou já perdeu, posso enviar, é só pedirem que segue na volta do correio.
E a fotografia que mais gosto, da realidade escocesa, é precisamente esta, de um scottish terrier (link para a raça descrita na Wikipedia), numa tarde em Inverness:
Há também um álbum online mas com 66 fotografias, um álbum para ver acompanhado da descrição ao vivo, para se saber o que é e onde e porquê. Fica on line para um dia em casa de amigos, ou com os amigos aqui em casa, relembrar esta viagem. (link para álbum google partilhado).
Há também um álbum on line, no picasa web albuns, disponível para quem tem o link, por ser um álbum com muitas fotografias mais pessoais. Já enviei esse link por mail, mas se alguém não recebeu ou já perdeu, posso enviar, é só pedirem que segue na volta do correio.
quarta-feira, agosto 26, 2015
HELLO
Depois das imagens da Escócia, com alguns apontamentos, e enquanto não partilho aqui as fotos disponíveis on line, aqui fica um pequeno video que anuncia a chegada para breve de um filme chamado "Human", de um fotógrafo/realizador muito conhecido. Mais de dois minutos e meio a ouvir dizer olá, com mais ou menos sorrisos, mas sempre com a simpatia que caracteriza os seres humanos (exceptuando alguns exemplares...)
terça-feira, agosto 25, 2015
THE BRAES - UMA IDEIA BEM SIMPÁTICA
Em Spean Bridge, uma pequena localidade onde pára o comboio que liga Fort William a Glasgow, fizemos uma paragem e aproveitámos muito bem os excelentes percursos pedestres. Ficámos alojados nesta Guest House e apreciámos esta paisagem, virada para as Nevis Range Mountains. Mas nem todos os dias será possível ver assim as montanhas, e os simpáticos donos desta casa fizeram estes marcadores de livros que aqui reproduzo. Fizeram então uma edição de grande qualidade, na parte de trás tem os contactos e uma descrição do seu projecto (onde os pequenos almoços escoceses tradicionais têm alternativa vegetariana, muito bom mesmo!), mas em vez de estarem a vendê-los, que é sempre chato, ou a oferecer, que depois a malta tende a levar demais e sai caro, têm os "bookmarks" num pequeno expositor, com o preço de 0,25 libras, e ao lado um pequeno mealheiro onde quem tira um exemplar é "convidado" a depositar ali as moedas correspondentes.
segunda-feira, agosto 24, 2015
OS FAMOSOS BOLINHOS DA SORTE CHINESES
Há uma coisa que tenho que assinalar aqui no Malfadado, e é uma futilidade, mas pronto, é para minha memória futura.
Quando era bem miúdo via muitas vezes nas bandas desenhadas os bolinhos da sorte chineses. E isso fez parte do meu imaginário infanto-juvenil. Mas a verdade é que nunca tinha tido um nas mão. Já tenho por hábito comer umas comidas chinesas, em restaurantes mas também em casa, que preparo no meu wok. Mas só agora na ida à Escócia, num pequeno restaurante perdido numa pequena localidade, Carnoustie, e só porque não encontrámos um restaurante com comida mais tradicional e estava a passar a hora em que servem refeições, entrámos e comemos comida chinesa. E estava bem boa, éramos os únicos clientes a comer ali, a maior parte da comida era para vender para fora. No final havia uns bolinhos de oferta e... eram então os famosos. Ainda há coisas que nos surpreendem, e por isso aqui ficam as nossas sortes:
Quando era bem miúdo via muitas vezes nas bandas desenhadas os bolinhos da sorte chineses. E isso fez parte do meu imaginário infanto-juvenil. Mas a verdade é que nunca tinha tido um nas mão. Já tenho por hábito comer umas comidas chinesas, em restaurantes mas também em casa, que preparo no meu wok. Mas só agora na ida à Escócia, num pequeno restaurante perdido numa pequena localidade, Carnoustie, e só porque não encontrámos um restaurante com comida mais tradicional e estava a passar a hora em que servem refeições, entrámos e comemos comida chinesa. E estava bem boa, éramos os únicos clientes a comer ali, a maior parte da comida era para vender para fora. No final havia uns bolinhos de oferta e... eram então os famosos. Ainda há coisas que nos surpreendem, e por isso aqui ficam as nossas sortes:
domingo, agosto 23, 2015
PIRATA URBANO
Quando se viaja e se tem cuidado com o dinheiro que se gasta, há que escolher bem onde comprar souvenirs, pequenas lembranças. Para não gastar muito, para não trazer lixo para casa. E tivemos a sorte de encontrar em Edinburgh um pequeno negócio artesanal, numa feira com alguns artesãos locais com coisas muito interessantes e bonitas, o Urban Pirate. E foi daqui que trouxemos duas pequenas lembranças, coisas artesanais, made in UK. Podem ser vistas aqui em Vagos, num lanchinho que façamos um dia destes. Fica o convite... e fica uma boa recordação da nossa viagem.
sábado, agosto 22, 2015
VIAJAR DE COMBOIO
Há coisas insuperáveis. Uma delas é viajar de comboio, um prazer sempre renovado. Na Escócia há diferentes empresas a prestar o serviço, uma das que mais usámos foi a Scot Rail. Comprámos as viagens via net, com uns dias de antecedência, algumas em comboios com lugar marcado, outras não, mas poupámos umas libras valentes. Nas viagens com lugar marcado, o comboio leva nos assentos reservados um bilhetinho com a informação da reserva. Muito engraçado e útil. E as paisagens da Escócia, pela janela de um comboio, são mesmo fantásticas.
sexta-feira, agosto 21, 2015
ECOS DA ESCÓCIA - UMAS PEQUENAS ENTRADAS "A POSTERIORI"
Como vou fazendo muitas vezes no Malfadado, registo as coisas uns dias depois mas dou-lhes uma data diferente, para separar as entradas. Estou já em meados de Setembro, e com as fotos já tratadinhas e partilhadas em diferentes plataformas, e com algumas coisas digitalizadas, nestas datas em que estivemos por fora, vou colocar breves coisas sobre a nossa viagem. Começo com a passagem pela terra dos Beatles, onde aterrámos e depois apanhámos o comboio para Edinburgh, e de onde voltámos a partir para Portugal, do aeroporto internacional com um nome grande ligado à cultura local e internacional, para um aeroporto internacional com um nome ligado ao provincianismo e caciquismo político nacionais. E o começo faz-se partilhando uma versão de uma música deles e com uma foto das famosas Lambananas (link para o blogue com a foto original), coisas que roubei aqui na net.
quarta-feira, agosto 19, 2015
UMA JUKEBOX PÓS-MODERNA
Fiquem então com esta musiquinha, que amigos me revelaram (tal como este grupo Postmodern Jukebox) por email. A letra defende as rapariguinhas e mulheres roliças, contra as modelos com corpinhos de Barbie. Não sei se este grupo já foi aos festivais de Edimburgo (que são vários e com muito nível), mas se não foi há-de ir em breve.
All about that bass
Meghan Trainor
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Yeah it's pretty clear, I ain't no size two
But I can shake it, shake it like I'm supposed to do
Cause I got that boom boom that all the boys chase
All the right junk in all the right places
I see the magazines working that Photoshop
We know that shit ain't real
Come on now, make it stop
If you got beauty beauty just raise 'em up
Cause every inch of you is perfect
From the bottom to the top
Yeah, my momma she told me don't worry about your size
She says, boys they like a little more booty to hold at night
You know I won't be no stick-figure, silicone Barbie doll
So, if that's what's you're into
Then go ahead and move along
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
I'm bringing booty back
Go ahead and tell them skinny bitches Hey
No, I'm just playing I know you think you're fat
But I'm here to tell you that
Every inch of you is perfect from the bottom to the top
Yeah, my momma she told me don't worry about your size
She says, boys like a little more booty to hold at night
You know I won't be no stick-figure, silicone Barbie doll
So, if that's what's you're into
Then go ahead and move along
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bas
Link: http://www.vagalume.com.br/meghan-trainor/all-about-that-bass.html#ixzz3kZTUDsjN
All about that bass
Meghan Trainor
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Yeah it's pretty clear, I ain't no size two
But I can shake it, shake it like I'm supposed to do
Cause I got that boom boom that all the boys chase
All the right junk in all the right places
I see the magazines working that Photoshop
We know that shit ain't real
Come on now, make it stop
If you got beauty beauty just raise 'em up
Cause every inch of you is perfect
From the bottom to the top
Yeah, my momma she told me don't worry about your size
She says, boys they like a little more booty to hold at night
You know I won't be no stick-figure, silicone Barbie doll
So, if that's what's you're into
Then go ahead and move along
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
I'm bringing booty back
Go ahead and tell them skinny bitches Hey
No, I'm just playing I know you think you're fat
But I'm here to tell you that
Every inch of you is perfect from the bottom to the top
Yeah, my momma she told me don't worry about your size
She says, boys like a little more booty to hold at night
You know I won't be no stick-figure, silicone Barbie doll
So, if that's what's you're into
Then go ahead and move along
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass
Because you know I'm all about that bass
'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bass, no treble
I'm all 'bout that bass, 'bout that bas
Link: http://www.vagalume.com.br/meghan-trainor/all-about-that-bass.html#ixzz3kZTUDsjN
domingo, agosto 16, 2015
VOLTO JÁ
Deixo as plantas regadas, alguma fruta por apanhar, mas o avião tem hora marcada. Volto já, passa num instante, mas não é "muito instantâneo", como se expressava uma popular num dos telejornais da TV, a propósito de um incêndio deste Verão. Espero voltar e não ter más notícias em relação a fogos florestais. Aproveitem as férias e pesquisem a blogosfera, há sempre coisas interessantes. Deixo aqui um pequeno álbum de fotos: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10207442813899444.1073741830.1560687193&type=1&l=ea6e5d5ddd
sábado, agosto 08, 2015
FESTAS BEM POPULARES NA EREIRA
Já aqui partilhei uma vez a reportagem sobre as ruas decoradas da Ereira, povoação bem pertinho de Montemor-o-Velho. Hoje foi o dia... começou a aparelhagem de som, com colunas pela rua principal espalhadas, com as músicas bem populares: malhão e outras do género. Pensei com os meus botões: "começa assim, vai desembocar no Quim Barreiros". Fui à horta levar restos da cozinha, separados em dois baldes distintos, verde e vermelho - para as galinhas e o outro para compostagem dos restos orgânicos. E pronto, lá estava a passar o "quero cheirar teu bacalhau, Maria". Aqui dentro de casa, com o rádio a tocar, conseguimos fugir um pouco deste ambiente bem parolo. Não sei se este ano faço a reportagem fotográfica...
sexta-feira, agosto 07, 2015
GLIFOSATO - NOS HERBICIDAS - MATA-OS BEM MORTOS
Um destaque para este comunicado da Quercus, que ajudei a elaborar - CLICAR AQUI (link para o comunicado no site da Quercus)
quinta-feira, agosto 06, 2015
AS ENERGIAS - AS NOSSAS E AS QUE NOS RODEIAM
Há amigos que partilham coisas interessantes por mail... como é este o caso. Paradoxalmente a partilha é possível graças aos computadores e ao wi-fi... este video é em inglês (e um bocado extenso), sem legendagem. Mas mostra como os aparelhos afectam a nossa energia. Já as explicações deste guru podem ser mais estranhas, mas que muita influência têm que ter na nossa saúde, disso ninguém duvida. Pois não?
Já repararam como os gatos têm por vezes reacções estranhas quando estamos a falar ao telemóvel?
Já repararam como os gatos têm por vezes reacções estranhas quando estamos a falar ao telemóvel?
sexta-feira, julho 31, 2015
IGNITE NA VAGUEIRA
Ontem ao fim da tarde lá peguei na minha bicicleta e fui até à Praia da Vagueira para assistir ao IGNITE. Desta vez fui só assistir. Gosto mesmo daquele formato! E graças a uma interessante comunicação de um amigo, lá apareci numas fotografias da sua apresentação. Um power point que ele disponibiliza a quem pedir, por ser um testemunho importante!
quinta-feira, julho 30, 2015
MANTER UM BLOGUE É MAIS DIFÍCIL DO QUE MANTER UM BLOG?
De facto, isto de escrever as palavras em bom português, e gostar de o fazer, leva sempre mais tempo do que simplesmente botar coisas (postar num blogue, às vezes é mesmo bostar umas coisas). Muitas vezes ponho umas coisas que merecem uma reflexão aqui ao lado do computador, mas como leva algum tempo a escrever aqui vão ficando. E como ando a arrumar papeladas, para as colocar para reciclar, eis que desenterrei uma revista do Expresso (18 de Abril de 2014) com uma entrevista ao Alex Atala (link para a sua biografia na Wikipedia - clicar aqui), com uma citação sua para abrir o apetite para a leitura da mesma conversa em São Paulo com a jornalista Maria da Paz: "Teria vergonha de cobrar os meus preços por um peixe grelhado".
É uma entrevista que aconselho e as minhas reflexões seriam sobre estas questões importantes da sustentabilidade e da versatilidade dos produtos alimentares locais, frutos, ervas, etc, que podem ser incorporados na culinária. Este homem que já numa fase adiantada da sua vida se virou para a culinária é de uma geração em que a questão ambiental é muito importante (não é para todos os da sua geração, mas é verdade que já tocou a muitos) e isso transparece na sua entrevista. O Alex Atala é um dos fundadores do Instituto Atá, criado para promover e defender a biodiversidade brasileira. Perguntado sobre se a ideia do Instituto é criar um Ciclo de Sustentabilidade ele responde: "- A gente não usa mais a palavra sustentabilidade. Pessoas e empresas, atualmente, usam essa palavra para nomear ações que fazem com o mesmo prazer com que vou ao dentista. É uma coisa carregada de culpa, não tem prazer, não é cool. A gente precisa ressignificar essa palavra. Acho que a comida pode ajudar nisso. Porquê? Porque comida é prazer, é sexy, é uma onda. As pessoas precisam entender que pequenas atitudes tomadas por todos são poderosas. Precisamos reentender essa relação do Homem com o meio ambiente e com o seu alimento".
Este grande cozinheiro de nível mundial usa montes de produtos tradicionais, e cobra um dinheirão (sim, preços que só alguns podem pagar... mas de facto pagam!!!) pelos seus pratos gourmet. Usa insectos brasileiros nalguns dos seus pratos, o que transforma a sua comida gourmet em algo ainda mais exótico. Em 2013 num evento do MAD Symposium - Dinamarca (link para um texto roubado ao blogue Mesa Marcada, sobre a edição desse ano e que quase no final menciona o que vou escrever a seguir) degolou uma galinha, não como uma provocação: " - ...foi um ponto de reflexão. A minha avó e a sua avó matavam galinhas, isso não nos parecia cruel. Cruel não é matar, é não respeitar." E acrescenta mais adiante na entrevista, comentando o facto de haver animais criados em jaulas, sem se poderem mexer: "- Tem muito pior. Mas um porco não dói na minha consciência, o que dói são hectares de floresta sendo derrubada para produzir comida. Para produzir essa comida são colocadas toneladas de agrotóxicos, pesticidas. Em algumas cidades na divisa de São Paulo com Mato Grosso já há índices de cancro, cegueira e doenças respiratórias como nunca existiram em nenhuma época no Brasil. Qual é essa região? Uma das maiores produtoras de soja. Vamos falar sério, o que te dói mais: o porquinho que não vira de lado ou crianças nascendo doentes e condenadas para todo o sempre a viverem assim?"
E pronto, como o tempo é pouco deixo as minhas reflexões para outro dia... para já fica aqui a menção a este cozinheiro, à entrevista e excertos da mesma.
É uma entrevista que aconselho e as minhas reflexões seriam sobre estas questões importantes da sustentabilidade e da versatilidade dos produtos alimentares locais, frutos, ervas, etc, que podem ser incorporados na culinária. Este homem que já numa fase adiantada da sua vida se virou para a culinária é de uma geração em que a questão ambiental é muito importante (não é para todos os da sua geração, mas é verdade que já tocou a muitos) e isso transparece na sua entrevista. O Alex Atala é um dos fundadores do Instituto Atá, criado para promover e defender a biodiversidade brasileira. Perguntado sobre se a ideia do Instituto é criar um Ciclo de Sustentabilidade ele responde: "- A gente não usa mais a palavra sustentabilidade. Pessoas e empresas, atualmente, usam essa palavra para nomear ações que fazem com o mesmo prazer com que vou ao dentista. É uma coisa carregada de culpa, não tem prazer, não é cool. A gente precisa ressignificar essa palavra. Acho que a comida pode ajudar nisso. Porquê? Porque comida é prazer, é sexy, é uma onda. As pessoas precisam entender que pequenas atitudes tomadas por todos são poderosas. Precisamos reentender essa relação do Homem com o meio ambiente e com o seu alimento".
Este grande cozinheiro de nível mundial usa montes de produtos tradicionais, e cobra um dinheirão (sim, preços que só alguns podem pagar... mas de facto pagam!!!) pelos seus pratos gourmet. Usa insectos brasileiros nalguns dos seus pratos, o que transforma a sua comida gourmet em algo ainda mais exótico. Em 2013 num evento do MAD Symposium - Dinamarca (link para um texto roubado ao blogue Mesa Marcada, sobre a edição desse ano e que quase no final menciona o que vou escrever a seguir) degolou uma galinha, não como uma provocação: " - ...foi um ponto de reflexão. A minha avó e a sua avó matavam galinhas, isso não nos parecia cruel. Cruel não é matar, é não respeitar." E acrescenta mais adiante na entrevista, comentando o facto de haver animais criados em jaulas, sem se poderem mexer: "- Tem muito pior. Mas um porco não dói na minha consciência, o que dói são hectares de floresta sendo derrubada para produzir comida. Para produzir essa comida são colocadas toneladas de agrotóxicos, pesticidas. Em algumas cidades na divisa de São Paulo com Mato Grosso já há índices de cancro, cegueira e doenças respiratórias como nunca existiram em nenhuma época no Brasil. Qual é essa região? Uma das maiores produtoras de soja. Vamos falar sério, o que te dói mais: o porquinho que não vira de lado ou crianças nascendo doentes e condenadas para todo o sempre a viverem assim?"
E pronto, como o tempo é pouco deixo as minhas reflexões para outro dia... para já fica aqui a menção a este cozinheiro, à entrevista e excertos da mesma.
domingo, julho 26, 2015
BEM-VINDO A SOLARNIA
Malta, basta uma assinatura para passar umas férias de sonho no Mediterrâneo, desde a Croácia ao Algarve, qualquer localidade é possível. Com 100% de energia solar!!! Um abaixo assinado GREENPEACE (clicar aqui e assinar é 100% fácil).
sábado, julho 25, 2015
VOLUNTARIADO AMBIENTAL - CABEÇO SANTO
Faz hoje uma semana fui participar nesta Jornada de Voluntariado. Desta vez não levei as tradicionais azeitonas, mas na verdade os participantes mereciam essa atençãozinha. Trabalharam mesmo bem, o resultado vê-se à distância. Mesmo aí sentadinho em casa, abres esta janela (clica aqui - link para o melhor blogue de conservação da natureza), espreitas e pelas fotos podes constatar o que acabei de dizer.
sexta-feira, julho 24, 2015
HÁBITOS DE CONSUMO DE CARNE E PEIXE
Actualização Dezembro 2023: vi agora que o video ficou indisponível... fica o texto...
Um video de 18 minutos que nos dá que pensar... a quem ainda não está completamente formatado. Muitos anos não comi carne nem peixe, e agora defendo um consumo muito reduzido e respeitando certas regras. Mas vejam esta pequena palestra, com algumas imagens, que até está bem traduzida, porque o conceito está bem justificado, e se mais alguém se interrogar sobre aquilo que verdadeiramente está a comer, o planeta e a humanidade ficam a ganhar.
Um agradecimento especial à minha amiga que me enviou isto por mail, junto com uma reflexão interessante!
Um agradecimento especial à minha amiga que me enviou isto por mail, junto com uma reflexão interessante!
quinta-feira, julho 23, 2015
GANHAR UMA COMISSÃOZINHA EM NEGÓCIOS
Copio aqui este texto de reflexão do Francisco Louçã, publicado:
É pró menino e prá menina, são só 69 milhões de euros
A história conta-se em poucas palavras: afirma Hernâni Vaz Antunes, a quem chamam o “comissionista”, que participou numa reunião em Paris, no Hotel Shangri-La (e numa data anterior à da fusão da PT e da Oi, ou seja, foi tudo uma fraude destinada a permitir a compra pela Altice), entre a PT, a sua dona Oi e a Altice, que viria a comprar a empresa de telecomunicações portuguesa que passou a ser brasileira e depois passou a ser francesa ou de parte incerta, e que lhe foi prometida uma comissão de 69 milhões se a venda se concretizasse. Era só 1%, coisa moderada.
A venda realizou-se e a Oi não quer pagar. Vai daí, Antunes apresentou o caso a tribunal, que começou por lhe negar a petição, mas Armando Pereira, um dos donos da Altice e actual presidente da PT, veio agora confirmar a sua versão. A Oi, matreira, alega que um tal Otávio Azevedo e um tal Marcos Gonçalves, respectivamente ex-administrador da Oi na PT e o responsável pelas aquisições do banco BTG Patual, metido ao barulho, nem prometeram nem tinham mandato para prometer os tais 1% de comissão. Para melhorar a coisa e os leitores ficarem com o panorama completo, quem se queixa é a Jana General Trading, empresa do tal Antunes, sedeada no Dubai, que é representada legalmente por Jessica Antunes, Antunes como o outro Antunes. Por sua vez, o presidente da PT, o tal Pereira, começou por declarar ao tribunal que nada tem que ver com a dita comissão, isto a 9 de julho, mas esclareceu uns dias depois que assistiu à promessa da comissão e que portanto o amigo tem toda a razão embora ainda não tenha os ditos 69 milhões.
Antes que pense que isto é uma telenovela, note que a vida real é sempre mais manhosa do que a ficção. E se pensa que tudo isto é o cadáver da PT disputado por abutres financeiros, é sem dúvida um exagero da sua parte e neste blog nunca pactuamos com insinuações desse tipo. Uma comissão é uma comissão e 69 milhões são 69 milhões, a conta tem que ser acertada porque senão os mercados ficam nervosos e tudo o que não queremos é os mercados nervosos. Já a PT, isso é outra história.
(em http://blogues.publico.pt/ tudomenoseconomia/2015/07/ 23/ e-pro-menino-e-pra-menina-s ao-so-69-milhoes-de-euros/http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2015/07/23/e-pro-menino-e-pra-menina-sao-so-69-milhoes-de-euros/
)
A história conta-se em poucas palavras: afirma Hernâni Vaz Antunes, a quem chamam o “comissionista”, que participou numa reunião em Paris, no Hotel Shangri-La (e numa data anterior à da fusão da PT e da Oi, ou seja, foi tudo uma fraude destinada a permitir a compra pela Altice), entre a PT, a sua dona Oi e a Altice, que viria a comprar a empresa de telecomunicações portuguesa que passou a ser brasileira e depois passou a ser francesa ou de parte incerta, e que lhe foi prometida uma comissão de 69 milhões se a venda se concretizasse. Era só 1%, coisa moderada.
A venda realizou-se e a Oi não quer pagar. Vai daí, Antunes apresentou o caso a tribunal, que começou por lhe negar a petição, mas Armando Pereira, um dos donos da Altice e actual presidente da PT, veio agora confirmar a sua versão. A Oi, matreira, alega que um tal Otávio Azevedo e um tal Marcos Gonçalves, respectivamente ex-administrador da Oi na PT e o responsável pelas aquisições do banco BTG Patual, metido ao barulho, nem prometeram nem tinham mandato para prometer os tais 1% de comissão. Para melhorar a coisa e os leitores ficarem com o panorama completo, quem se queixa é a Jana General Trading, empresa do tal Antunes, sedeada no Dubai, que é representada legalmente por Jessica Antunes, Antunes como o outro Antunes. Por sua vez, o presidente da PT, o tal Pereira, começou por declarar ao tribunal que nada tem que ver com a dita comissão, isto a 9 de julho, mas esclareceu uns dias depois que assistiu à promessa da comissão e que portanto o amigo tem toda a razão embora ainda não tenha os ditos 69 milhões.
Antes que pense que isto é uma telenovela, note que a vida real é sempre mais manhosa do que a ficção. E se pensa que tudo isto é o cadáver da PT disputado por abutres financeiros, é sem dúvida um exagero da sua parte e neste blog nunca pactuamos com insinuações desse tipo. Uma comissão é uma comissão e 69 milhões são 69 milhões, a conta tem que ser acertada porque senão os mercados ficam nervosos e tudo o que não queremos é os mercados nervosos. Já a PT, isso é outra história.
(em http://blogues.publico.pt/
sexta-feira, julho 17, 2015
AS PRIMÁRIAS DO PODEMOS - EM ESPANHA É ASSIM
Estão abertas as eleições para serem os espanhóis a escolherem quem querem ver no parlamento. Em Portugal continuamos a ser os mesmos atrasados do costume...
Depois de termos visto os gregos a votarem em massa num NÂO à austeridade, logo seguido de um SIM pelo governo que elegeram, cada vez mais há que dar razão em quem se está a borrifar para esta democracia vendida aos grandes negócios. Mas pode ser que em Espanha nasça mesmo algo diferente...
Depois de termos visto os gregos a votarem em massa num NÂO à austeridade, logo seguido de um SIM pelo governo que elegeram, cada vez mais há que dar razão em quem se está a borrifar para esta democracia vendida aos grandes negócios. Mas pode ser que em Espanha nasça mesmo algo diferente...
quarta-feira, julho 15, 2015
A INJUSTIÇA - POR JOSÉ SARAMAGO
Quando voltei a casa, depois do meu voluntariado no Salva a Terra, tinha à minha espera um ofício do Ministério Público de Ílhavo, onde me comunicavam que ia ser aberto um processo de instrução por ter denunciado a passividade, até agora sem ser explicada, das autoridades (incluindo o próprio Min. Público de Ílhavo) por causa das obras ilegais do PCI. Faz todo o sentido... já percebo porque é que não conseguem dar resposta aos cidadãos em tempo útil, ficam a aceitar queixas de quem se está borrifando para o cumprimento de leis e para a defesa do interesse público. Mudemos de assunto...
Do meu processo judicial onde acusava o IFADAP e o Ministério da Agricultura de ilegalidades, no Tribunal Administrativo de Castelo Branco, uma Juíza exemplar (que não vou nomear) achou que o processo tinha prescrito, mas só descobriu a prescrição depois de obrigar a um julgamento no mínimo caricato e cuja audição devia ser feita por uma entidade que controlasse a qualidade dos nossos juízes. Entidade essa que não existe.... Uma Juíza que ocupou sala de tribunal, obrigou testemunhas a perderem horas e horas, algumas a voltarem a tribunal noutro dia, ainda chamou mais testemunhas, ocupou funcionários judiciais, uma das vezes ocupando o seu período normal de pausa para almoço, ocupou o seu tempo e o da minha advogada, que teve que ser paga por dinheiros públicos. Uma Juíza que desde o início mostrou ao que ía: não só ilibar o Estado como acusar-me de agir de má fé. Tanto tempo depois chega à conclusão que o processo, iniciado em 2000, tinha prescrito. Valeria a pena recorrer desta decisão? A minha advogada, uma excelente pessoa, daquelas que todos gostaríamos de ter como amiga, achou que sim. Mas quis o destino que afinal o recurso não pudesse dar entrada, e é melhor assim. Arruma-se esta questão definitivamente. Há coisas bem mais interessantes para fazer do que alimentar um sistema judicial caduco, onde a justiça é tão mal tratada, e por arrasto mal tratadas são as pessoas que a ela têm de recorrer. A Justiça é apenas um meio de apaziguar as pessoas quando estas são espezinhadas pelos poderosos. E dá um resultadão.
Se tinha prescrito, porque não fazer a sentença sem fazer o julgamento, ainda para mais quando já tinha decidido sobre as razões e sobre o resultado final antes mesmo de começar o julgamento? Nem quero fazer um pequeno cálculo do que os dinheiros públicos tinham poupado...
Fica aqui o link (clicar aqui) para um texto do José Saramago em 2002, lido na cerimónia de encerramento do Fórum Social Mundial. Aconselho a sua leitura, pois remata na perfeição estas minhas notícias comentadas.
Do meu processo judicial onde acusava o IFADAP e o Ministério da Agricultura de ilegalidades, no Tribunal Administrativo de Castelo Branco, uma Juíza exemplar (que não vou nomear) achou que o processo tinha prescrito, mas só descobriu a prescrição depois de obrigar a um julgamento no mínimo caricato e cuja audição devia ser feita por uma entidade que controlasse a qualidade dos nossos juízes. Entidade essa que não existe.... Uma Juíza que ocupou sala de tribunal, obrigou testemunhas a perderem horas e horas, algumas a voltarem a tribunal noutro dia, ainda chamou mais testemunhas, ocupou funcionários judiciais, uma das vezes ocupando o seu período normal de pausa para almoço, ocupou o seu tempo e o da minha advogada, que teve que ser paga por dinheiros públicos. Uma Juíza que desde o início mostrou ao que ía: não só ilibar o Estado como acusar-me de agir de má fé. Tanto tempo depois chega à conclusão que o processo, iniciado em 2000, tinha prescrito. Valeria a pena recorrer desta decisão? A minha advogada, uma excelente pessoa, daquelas que todos gostaríamos de ter como amiga, achou que sim. Mas quis o destino que afinal o recurso não pudesse dar entrada, e é melhor assim. Arruma-se esta questão definitivamente. Há coisas bem mais interessantes para fazer do que alimentar um sistema judicial caduco, onde a justiça é tão mal tratada, e por arrasto mal tratadas são as pessoas que a ela têm de recorrer. A Justiça é apenas um meio de apaziguar as pessoas quando estas são espezinhadas pelos poderosos. E dá um resultadão.
Se tinha prescrito, porque não fazer a sentença sem fazer o julgamento, ainda para mais quando já tinha decidido sobre as razões e sobre o resultado final antes mesmo de começar o julgamento? Nem quero fazer um pequeno cálculo do que os dinheiros públicos tinham poupado...
Fica aqui o link (clicar aqui) para um texto do José Saramago em 2002, lido na cerimónia de encerramento do Fórum Social Mundial. Aconselho a sua leitura, pois remata na perfeição estas minhas notícias comentadas.
segunda-feira, julho 13, 2015
ATRASOS DE VIDA - ASSIM NÃO HÁ JUSTIÇA
Em Janeiro fiz uma reclamação no Livro das Reclamações do Ministério Público de Ílhavo. Mais de seis meses depois chegou finalmente a resposta. Demoraram mais de 180 dias (!!!) para a Subdiretora-Geral da Administração da Justiça concordar com o arquivamento da queixa devido ao assunto estar para além das competências da Direcção Geral. Mas então não deviam encaminhar para esse "Além"? E em relação aos problemas informáticos dizem que pode ter sido devido às dificuldades sentidas com o funcionamento do sistema Citius?
Nem um pedido de desculpa pelo atraso, nem um pedido de desculpa pelo sucedido, nada! Para que serviu então o Livro das Reclamações? Para que serve um Livro das Reclamações numa coisa que é o "Além" onde ninguém pode levantar qualquer tipo de questões, como é o Ministério Público de Ílhavo?
Não sei quem são os funcionários públicos que trabalham no Ministério da Justiça, mas para além da má imagem que deixam do funcionalismo público, para mim fica uma certeza: não merecem o salário que lhes pagamos mensalmente.
Nem um pedido de desculpa pelo atraso, nem um pedido de desculpa pelo sucedido, nada! Para que serviu então o Livro das Reclamações? Para que serve um Livro das Reclamações numa coisa que é o "Além" onde ninguém pode levantar qualquer tipo de questões, como é o Ministério Público de Ílhavo?
Não sei quem são os funcionários públicos que trabalham no Ministério da Justiça, mas para além da má imagem que deixam do funcionalismo público, para mim fica uma certeza: não merecem o salário que lhes pagamos mensalmente.
terça-feira, julho 07, 2015
A ALIMENTAÇÃO CONTA
Nada de novo. Um dia em Portugal também vamos ter um site assim para alimentar bem os nossos cães e gatos (clicar aqui neste link para site dos EUA - em inglês). Mas até lá era bom que as pessoas que têm animais de companhia aprendessem a comer...
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