sexta-feira, novembro 19, 2021

MONTE BARATA - SEMPRE AS EMOÇÕES

 Agora que a Direcção Nacional da QUERCUS tem uma dinâmica de activismo de bases, tive a oportunidade de voltar ao Monte Barata. Depois de projectos megalómanos e mal estruturados impostos pelo tirano denunciado no Sexta às Nove, sabe-se lá com que interesses pessoais (mas é fácil desconfiar), as casas do Monte Barata estão de cara lavada, mas estão a precisar de ajuda para ficarem funcionais e duráveis. Precisa-se concluir o projecto de transformação das casas em unidade de turismo de natureza com foco numa gama alta, para depois avançar para outras frentes. Por isso é preciso lançar um SOS aos associados e amigos e gente de alma guerreira para deitar mãos à obra, e em pouco tempo tive a oportunidade de dormir no Monte duas vezes. Na primeira vez foi no âmbito de uma ajudada, trinchas na mão. A segunda vez foi mais para trabalhos de seguimento e arrumação, e para mostrar o Monte a associados que nunca lá tinham ido.

Da primeira partilho aqui esta foto (link para a foto no Fb da Quercus, que está a pedir likes), que retrata bem o reencontro de velhos amigos de lutas convergentes, dos tempos de fundadores e dirigentes da AGROBIO.


O Zé Amorim estava já ligado à longa história do Monte Barata, pois na década de 90 foi-me lá visitar e conhecer o projecto das primeiras ovelhas biológicas portuguesas (projecto de pecuária que depois daria origem ao PDAB do  Monte Barata, que durou apenas um ano, mas foi um desafio superado). Nesses anos o Zé Amorim andava com a família toda junta e foram de viagem desde Sintra, mas na auto-estrada andava uma setter irlandesa abandonada por alguém e eles recolheram-na. No dia seguinte tinham que seguir viagem  mas a cadela já ninguém a conseguiu agarrar. E ficou no Monte um bom par de anos, a Ruiva, que deixou saudades, que tanta companhia me fez e que demorou um mês, ou mesmo dois, até lhe conseguir deitar a mão. Seguia-me como uma sombra, mas nada de me deixar tocar-lhe. Um dia foi então para a família do Zé Amorim e lá esteve uns tempos, até que mudou de lar e não deve ter esquecido o Monte até ao seu fim.

Da segunda partilho esta foto (link para a publicação oficial na página oficial da Quercus), onde um dos mais jovens associados da Quercus está a regar uma das plantas transplantadas na ajudada.


É uma foto que gosto em particular, pois junta a paisagem do Monte com as azinheiras centenárias e um jovem que rega as plantas transplantadas pela velha guarda ecologista, mostrando respeito pelo passado mas também deitando a mão de forma esperançada a um futuro que será dele. E que mostra também a importância do voluntariado aberto a todos, em que uns cuidam do trabalho efectuado por outros.

Foram dois fins-de-semana de muita emoção, de recordações, de estar com pessoas que noutros tempos me iluminaram nesses dias de ecologia prática e contra todos os contratempos. De saudades, mas também de ver o futuro ainda a passar pelos meus olhos e pelas minhas mãos. É bom ver a vida a cumprir os seus ciclos num local tão especial e tão forte como o Monte Barata. A semente da regeneração da Quercus passará certamente por este centro de ecologia viva. 

quinta-feira, novembro 18, 2021

FLAMINGOS EM PORTUGAL

 Chega de obituários. O ano de 2021 fica marcado com esta notícia da reprodução de flamingos em Portugal. E a marca fica bem narrada com a National Geographic (link para o site), neste trabalho do João Nunes da Silva, que bem conheci nos primórdios da Quercus, sempre pronto a ajudar e já nessa altura grande fotógrafo de natureza. Fica aqui a ilustrar uma foto sua, que roubei da reportagem aqui partilhada no link acima, e o convite para lerem todo o trabalho.




quarta-feira, novembro 17, 2021

OBITUÁRIO - ARTHUR HOWITZER JR.

 Copiado da wikipédia: "Arthur Howitzer Jr., the editor of the newspaper The French Dispatch, dies suddenly of a heart attack. According to the wishes expressed in his will, publication of the newspaper is immediately suspended following one final farewell issue, in which three articles from past editions of the paper are republished, along with an obituary."

Nem de propósito, fomos ao cinema ver a última obra do realizador Wes Anderson, The French Dispatch (Crónicas de França). Adorei, claro. Quem ainda não viu pode procurar o trailer on line, quem já viu vai gostar de ver este pequeno vídeo musical, realizado pelo mesmo Wes Anderson:


terça-feira, novembro 16, 2021

ROGÉLIO RODRIGUES GOMES PEDROSA

 Aqui fica mais um obituário, juntinho ao da sua amada. O meu pai morreu 9 meses depois da minha mãe, as suas cinzas estão juntas e junto-os aqui também no meu blogue. Ainda viu passar o dia de aniversário do seu casamento, 28 de Setembro, mas nesses últimos dias já a sua cabeça não dava conta dos recados, ainda que estivesse sempre algo lúcido e conversador.

Nasceu em Lisboa em 1933, mas também não se pode dizer que fosse alfacinha de gema, pois os seus ancestrais vieram de fora, das zonas de Pedrógão (Leiria) e de Viana do Castelo. Há pouco tempo tínhamos estado em família por terras do norte e fomos ver familiares a Viana do Castelo, onde fomos bem recebidos e onde o meu pai e a minha mãe falaram dessas memórias do passado, e aproveitei e construí uma pequena árvore genealógica, que devo ter guardado avulso numa pasta de pendentes, que tenho um par delas. É de homem, ter assim um par de pendentes...



O meu pai foi engenheiro mecânico de profissão, depois de alguns trabalhos em tempos de férias a vender Tide de porta em porta, onde ganhou alguma experiência laboral... e de vida, pois como se imagina andar assim a bater à porta das donas de casa... pode trazer surpresas. Começou logo na SECIL (Outão - Setúbal), onde se fixou e criou a família que agora somos, ajudando no desenvolvimento do processo fabril. Foi aí nessa fábrica, onde vivíamos no bairro da fábrica mas no lado privilegiado dos engenheiros, com garagem, galinheiros, horta e jardim, que juntou muitas histórias de vida. A mais marcante terá sido o acidente em que ficou soterrado em carvão, que estavam a descarregar no porto. O carvão era o combustível utilizado nos altos-fornos e rezam as crónicas que a sua salvação foi o capacete que tinha na cabeça. Não evitou danos na coluna vertebral, que o atiraram para a cama durante uns meses até recuperar em pleno. Veio depois a revolução e um clima laboral muito alterado e conflituoso, e mesmo sem ser perseguido teve vontade de partir. Por pouco não fomos todos para a Venezuela, ainda se falou nisso, pois era o que atraía muitos portugueses na altura, mas acabou por ter uma oferta na CIMPOR (Souselas - Coimbra) e como os filhos um dia iriam seguir os estudos foi o destino escolhido.

Dos anos da CIMPOR tenho apenas memória de estarmos de férias no campismo em Penacova e ele ter que se deslocar à fábrica de vez em quando, porque estava de serviço nas horas e dias que normalmente seriam de descanso, e muito vagamente de lá ter ido com ele. Lembro-me também de antes de termos ido para a nossa casa em Santa Clara, o 1º esquerdo de sempre, termos vivido num apartamento num prédio altíssimo, o que foi uma mudança muito grande para quem esteve sempre pertinho da terra. Depois vieram anos de depressões nervosas e desmotivação e acabou por ter sido reformado antecipadamente. Foi então que começou a sua segunda vida laboral, como professor do ensino secundário. Em Coimbra, depois em Soure, depois no Entroncamento, onde fez a profissionalização em serviço, e já como professor de mecânica foi até à idade da reforma numa escola da Figueira da Foz. Quando era professor de matemática, em Soure, havia alunos que quando tinham um furo iam bater à porta onde ele estava a dar aulas e perguntavam se podiam assistir. Não haverá melhor reconhecimento que este, nem medalhas, nem prémios ou comendas. Já neste século, e reformado de tudo, teve ainda a gratificante experiência de leccionar aulas de alfabetização em Santa Clara, junto com a minha mãe.

O meu pai foi fumador, SG Ventil. Fumava em casa, como era hábito na época, mas lembro-me pouco de isso me incomodar quando era mais pequeno. Mas depois, em Coimbra, com os filhos adolescentes, por pressão familiar, quando fumava em casa tinha que o fazer na janela da marquise, ou então na varanda. Foi um precursor desta nova era em que os fumadores têm que fumar na rua, vinte anos antes das leis já ele passava frio para satisfazer o vício. Até que em determinada altura fez um tratamento médico para deixar de fumar e assim conseguiu deixar o vício.

Um dos sonhos do meu pai era fazer um cruzeiro, mas nunca a minha mãe aceitou acompanhá-lo. No início deste ano ainda pensei que ele ia ganhar algum ânimo e um dia destes organizava-lhe uma viagem por esse mundo marítimo fora. Mas depois de recuperar alguma energia, e porque acreditava na sua intuição, começou a fazer uma série de asneiras seguidas que resultaram em problemas com o sono, que depois derivaram no agravar de várias complicações que já trazia do passado. Como não dormia nem deixava o corpo descansar, começou a tomar banho todas as manhãs, dizia que tinha aprendido com uns ingleses, que um banho fazia o corpo reagir e acordar. O problema é que as noites mal dormidas e de levante se foram sucedendo, o corpo não descansava o suficiente e entrou em decadência acelerada. Um dia, ao desistir de o ajudar a contrariar esta sua auto-destruição, ainda lhe disse que a intuição é importante, sim, mas tem que ser muito inteligente. E ele prosseguia, deixando a sua inteligência apenas para o humor e para a gestão das coisas diárias, asneiras atrás de asneiras. Até que o organismo não aguentou mais.

Ficam muitas fotos e muitas memórias, e muitos livros e a herança. Estes últimos meses foram de grande aprendizagem e vou voltar ao tema. Fica aqui esta breve nota biográfica para memória futura, para netos e para bisnetos que não se vão lembrar de algum dia o ter conhecido.


segunda-feira, novembro 15, 2021

MARIA AMÉLIA PINTO FIGUEIREDO

 Mais um obituário, já devido desde Janeiro. A minha mãe nasceu em Lisboa, em 1936, alfacinha mas não de gema, pois toda a sua cultura vinha da província, da zona de Tourais, Seia. Pai dos Figueiredos, família do Chaveiral (freguesia de Paranhos da Beira), mãe dos Pintos, família da aldeia vizinha, Vila Verde (freguesia de Tourais). Vila Verde é agora conhecida como a terra dos samarreiros, como já apareceu aqui no Malfadado.

Os avós paternos da minha mãe abriram uma casa de pasto em Lisboa, depois de umas aventuras no Brasil (a fantástica epopeia da avó Amélia, que vai atrás do marido com um filho pela mão, chega lá e expulsa a amante e acaba por ter lá uma filha, regressando depois a família toda junta a Portugal), e assim se fixou mais uma família em Lisboa. Veio depois mais um restaurante, na zona do Campo Grande, o restaurante dos meus avós maternos. Esse meu avô nasceu no Chaveiral e a minha avó em Vila Verde, indo para Lisboa por causa do casamento. Nasceu o meu tio, José Pinto Figueiredo, a minha mãe e mais uma irmã que na infância teve uma doença fatal.

Em termos de genealogia, este ramo dos Figueiredos termina aqui, pois o meu tio não teve filhos e do lado da minha mãe os 4 filhos ficaram com o Figueiredo ensombrado pelo Pedrosa (do meu pai), não o passando à descendência. Os Pintos, de Vila Verde já tinham desaparecido na geração anterior, neste ramo da família, penso que não resta nenhum, pois o que é neto de um dos dois irmãos (o tio David Pinto) da minha avó, herdou o nome próprio, David, mas já não o apelido.

Os Figueiredos do Chaveiral continuam por uma outra linha de descendência, os que foram para Lisboa entraram numa linha terminal.

A minha sobrinha, única filha da minha irmã Anucha, foi curiosamente readquirir o apelido Pinto, mas vem de outros Pinto de longe, do lado paterno. Seja como for, fica também pelo caminho pelo seu lado, pois os filhos irão caçar o apelido Santos, dos Santos de Cadima - Cantanhede.

A minha mãe foi à escola em Lisboa, fez a escola comercial, trabalhou num escritório até se casar, quando se mudou para a fábrica da Secil, em Setúbal, já casada com o meu pai, que aí era engenheiro, tendo sido atribuída uma residência familiar como era uso aos engenheiros de então. A casa onde fomos criados de pequeninos.

De Setúbal veio então a família toda para Coimbra, na década de 70, um bom par de anos após a revolução, o meu pai deixa a Secil e passa para a Cimpor, em Souselas. A minha mãe contou com a ajuda da sua mãe durante uns bons anos, até que a viu falecer em Coimbra, já na década de 90.

De Setúbal guardo poucas memórias, lembro a minha mãe a conduzir e a levar-nos à escola, a minha mãe a cozinhar, a minha mãe a conviver com as comadres e amigos, a minha mãe a acompanhar os nossos estudos básicos, as idas a Lisboa para ver as avós. A minha avó paterna Etelvina, lembro também que foi a Coimbra passar uns dias mas acabou por falecer aí durante a noite, tendo a minha mãe ajudado nessa situação. De Coimbra lembro a minha mãe a fazer tudo isso, mas a ficar doente dos intestinos e passar um mau bocado (cirurgia com remoção de parte do intestino), lembro também a sua iniciativa de produzir rissóis caseiros e vender à consignação na mercearia do bairro. Muitas vezes ia eu ao fim do dia buscar o tabuleirinho dos rissóis, e se sobrassem lá comia um ou dois. Lembro depois os problemas com as depressões do meu pai e como ajudou a avançar na vida, da sua perícia nas contabilidades e economia do lar, como ajudou com os netos mesmo em situações pouco convencionais, como aguentou os embates com o afastamento brusco do meu irmão mais velho, e como reagiu ao regresso, como aguentou a emigração do meu irmão mais novo, como me acompanhou nas variadas peripécias da minha vida, como teve coragem para ir aprender inglês, para ir dar aulas de alfabetização, como tinha sempre projectos de malhas ou rendas entre mãos, como ainda passeou nos tempos da reforma do meu pai, como era amiga dos seus amigos e tantas pequenas coisas que nos deixou. A sua perícia culinária era marcante, herança dos seus avós, e que deixa saudades a tanta gente que com ela e connosco conviveram, pois as nossas festas eram sempre decoradas com as suas coisas doces.

A minha mãe adaptou-se aos computadores e às modernices todas, mas era ao mesmo tempo algo conservadora e crente, religiosa cristã e praticante mas sem extremismos. Chegou a ter uma página de Facebook, mas acho que já não está on line. É por isso que quem a procurar na net vai acabar por ter apenas, neste momento, esta referência aqui no Malfadado. Que é também uma reverência póstuma. Quando se casou adicionou logo dois apelidos ao seu nome, passando a ser Maria Amélia Pinto Figueiredo Gomes Pedrosa. Mas foi sempre uma pessoa simples e popular, disposta a ajudar. Um dos episódios que recordo desse voluntarismo foi pai e mãe terem ido servir de testemunhas no registo de um terreno, a pedido dos compadres Pinto, que depois se provou ser uma apropriação indevida de um terreno e acabaram por ser condenados em tribunal, tendo que pagar multa e despesas com advogados, ainda por cima advogados incompetentes que os prejudicaram ainda mais. Compadres Pinto que nunca assumiram essas despesas.

Os últimos 4 meses da minha mãe foram uma luta desigual contra um tumor que se instalou na sua parte mais fraca, os intestinos. Começou com algumas dores abdominais, poderiam ser gases, mas as dores eram algo distintas e persistiam, voltou à médica e foram pedidos exames, depois mais exames e dois meses depois o diagnóstico estava estabelecido: tumor intestinal ulcerado. Já algumas metástases espalhadas no organismo. A terapêutica não foi logo estabelecida, os caminhos possíveis eram sempre pouco recomendáveis pelo risco que apresentavam. E com o passar dos dias, maior era o risco. A opção foi tratamento com quimio, mas para isso era preciso a minha mãe fortalecer-se um pouco, o que se tornou impossível tendo em conta o progressivo enfraquecimento e dificuldade em alimentar-se ou descansar convenientemente. Drogas para diminuir as dores e lá foi ela trilhando os caminhos dos últimos dias organizando tudo para uma partida anunciada para breve, sempre com muita lucidez e comunicativa, sempre acompanhada pelos filhos e marido, com tempo para despedidas e para chamar um padre franciscano com quem falou na véspera da manhã ensolarada em que o corpo se deixou ir.

Aqui pelo Malfadado já haverá alguma foto dela, aqui fica mais uma, um slide digitalizado recentemente, fotografada pelo meu pai:



domingo, novembro 14, 2021

OUTUBRO

  O meu malfadado blogue andou desaparecido em Outubro. Não por falta de conteúdos para partilhar, apenas por falta de tempo para aqui ir escrevendo e partilhando. O que vale é que estamos em Novembro, e vou ver se arranjo tempo para actualizar.

sábado, novembro 13, 2021

SETEMBRO

 O meu malfadado blogue andou desaparecido em Setembro. Não por falta de conteúdos para partilhar, apenas por falta de tempo para aqui ir escrevendo e partilhando.

quinta-feira, agosto 26, 2021

QUANDO AS PEDRAS FALAM, MAS OS REPÓRTERES SÃO SURDOS

 A minha amiga Amélia Fonseca destacou a emissão deste programa "Vá dar uma curva". Link aqui. A partir do minuto 7 entram nas terras que são as minhas, concelho de Idanha-a-Nova. O percurso começa por Alpedrinha, terra fustigada pela autoestrada A23 por erro técnico e político que acompanhei na altura, quando as pessoas de Alpedrinha pediram o apoio da Quercus Castelo Branco. Processo que dava para escrever um livro irónico. Quem sabe um dia...

A moda das televisões generalistas este ano é esta: andar por aí a mostrar o nosso Portugal, divulgando e promovendo. A falta de imaginação dos que definem a programação tem destas coisas, todos, mais ou menos nos mesmos horários, andam a mostrar o Portugal que merece ser conhecido. 

Nesta reportagem, lá mais para o final, dá para ver que os repórteres de imagem fizeram algo que mostra bem a falta de respeito das pessoas em geral pela conservação da natureza. Uma espécie protegida e que luta todos os dias pela comida que é muito escassa, é incomodada pelo drone da TVI e assustados têm que levantar vôo do local onde estavam a descansar e abrigados da inclemência do Sol. Enfim, as pedras falam, mas há calhaus surdos por todo o lado.

quarta-feira, agosto 25, 2021

ANTÓNIO DA CONCEIÇÃO - PINTOR DE VAGOS COM TRABALHOS DE GRANDE VISIBILIDADE

 Aqui fica o link para uma apresentação deste artista, que é meu vizinho de rua. O pintor fala dele e dos seus trabalhos, video de meia hora publicado no Facebook (clicar aqui). Podem ver também trabalhos seus na sua página de Fb, ou na página da artista Sandra Ferro, que tem igualmente obras interessantes.

VIAJAR EM PORTUGAL, VIAJAR NA NET

 Espetadas em pau de loureiro. Calipolense.

Num restaurante em Mértola, onde a comida até era bem confeccionada, pedi uma promissora espetada de carne de porco ibérico em pau de loureiro. Veio para a mesa e era de verdadeiro pau de loureiro. Era de carne de porco ibérico. Mas não era uma espetada convencional e foi aquele barrete: Carne fina grelhada na brasa, normal e apenas temperada com sal. E depois de grelhada foi espetada num pauzinho de loureiro. Resultado: não trouxe nada de bom à carne, e só deu trabalho ter que a desespetar. Só comparável ao barrete de um dia destes, num restaurante pertinho da Praia da Torreira (Murtosa), onde encomendámos um polvo na telha, à espera de uma coisa original, e vem para a mesa um polvo panado, que depois de frito foi colocado numa travessa de barro vidrado, de facto em forma de telha. Com a agravante da dose dupla vir na mesma travessa estreita, e não caber acompanhamento a condizer, um par de batatas e já está.

Calipolense é um natural de Vila Viçosa. Conimbricense, bracarense, flaviense, egitaniense, albicastrense, quase sempre casos em que o gentílico deriva da denominação em latim, do tempo dos romanos por terras lusas. Mas fui verificar a origem de Calipolense e na net descobri uma versão que explica e uma outra versão de um popular que deixou numa dessas plataformas colaborativas uma invenção. A invenção é clara, Calipolense deriva da denominação romana de Vila Viçosa. A explicação vem da investigação, e diz que vem do grego Calipolis, designação usada para se referir a Vila Viçosa de um historiador da época pós-medieval, que foi buscar ao grego Callum e Polis, para dizer que é uma Vila Formosa. E depois esse termo foi sendo usado e passando de geração em geração. De facto, não fazia nenhum sentido os romanos darem um nome grego a uma localidade. Já se fosse nos dias de hoje, nada me admiraria nascer uma nova povoação num qualquer país já com um nome em inglês, tal é a invasão e colonização de que somos alvo todos os dias. Everiday, you know what I mean!

Mas nem tudo é mau, e sempre haverá um reduto de resistência. Em Mértola, um restaurante e bar só serve produtos nacionais. Cocktails, isso mesmo, coquetailes, só com bebidas nacionais. Um deles só com bebidas alcoólicas produzidas abaixo do Tejo, outro com base em licor de poejo. Assim sim!

CAFÉ DAS CUMADI - AS COMADRES DA MÚSICA BRASILEIRA EM GRAVAÇÕES ÚNICAS

Fica aqui um video, depois é só fazerem um apoio a este canal e aproveitarem todos os muitos e bons videos, e músicas. Esta é já da segunda temporada do Café das Cumadi.

POUSADAS DE PORTUGAL

 Com as 2 noites proporcionadas com os vouchers promo das Pousadas de Portugal na mui nobre Villa Viçoza, chegou o momento para fazer a verificação das Pousadas que conhecemos: 1 - Vila Viçosa, 2 - Arraiolos, 3 - Flor da Rosa, 4 - Alvito, 5 - Convento do Desagravo (esta já fechou por falta de acordo com os proprietários, mas ainda conta), 6 - Palmela, 7 - Ria, 8 - Amares, 9 - Alijó, 10 - Viseu e 11 - Marvão. Em 34, neste momento disponíveis, 31 aqui em Portugal e 3 nos territórios insulares.

Já os Paradores, ainda estão por estrenar.

segunda-feira, agosto 23, 2021

ECOLAND

Mais de um mês depois de ter dado novas no Malfadado, aqui estão as palavras de volta ao meu blogue. São poucas, mas antes agora, do que passar o Agosto com este espaço público às moscas. Estou sentadinho num alpendre de um alojamento turístico - que se designa Ecoland - a apanhar uma aragem fresca da manhã e a ouvir os vizinhos a falarem alentejano, e a ver um pequeno rebanho de ovelhas a restolhar nas ervas secas procurando algum pequeno-almoço. O Ecoland, com as suas bicicletas eléctricas, está situado entre Mértola e o famoso Pulo do Lobo, viemos Portugal abaixo para conhecer estas terras e estas paisagens. E valeu bem a pena. Viemos também ter uma experiência de dias quentes, pois na zona de Aveiro o Verão tem estado fresco, com um par de dias quentes muito de vez em quando. Só tem faltado é a chuva para ir regando, pelo que nas últimas semanas lá tenho passado os dias a regar nos terrenos onde andei a plantar árvores e arbustos. E vindo nós uns dias de férias, lá ficaram amigos e família a regar (aqui fica o nosso reconhecimento público), pois ainda não regressaram os dias de chuva à nossa região. E muito menos aqui ao Alentejo.

Para além das regas, estes dias pós-covid são marcados por tonturas ligeiras, que, curiosamente, todos os dias desaparecem por volta das 17 horas, só voltando depois das 21. Mas são dias úteis, pois lá andei eu a acompanhar as pequenas obras da casinha gandaresa, e a fazer alguns trabalhos de manutenção, aqui e ali. Foi também tempo para se resguardar mais do calor e tentar recuperar algum peso, longe de stresses e mais perto de bons filmes e séries, principalmente na RTP 2.

Hoje iniciamos a viagem de regresso, com um par de noites em Vila Viçosa. Com um bocadinho de sorte ainda partilho aqui umas fotos, mas tendo aqui entre mãos umas reclamações com a EDP Comercial em grande destaque, e com viagens e programas culturais alentejanos, talvez as fotos fiquem só para depois, quem sabe, um dia... quem sabe um dia os linces se vão reproduzindo e encontrando alimento, e possamos vir aqui para os observar livres na sua e nossa natureza castigada.

quinta-feira, julho 15, 2021

COLHER PARA SEMEAR É O MÁXIMO

 Conheci o José Miguel Fonseca há décadas atrás. Depois fixou-se no Olival, povoação pertencente às terras de Figueiró dos Vinhos, onde ainda o visitei e à família. Ele mantém este blogue, que é muito interessante sobre a importância das sementes tradicionais. COLHER PARA SEMEAR. Não é o instrumento/talher, é do verbo da colheita.... fica aqui a referência, em dias em que não posso sequer ir regar, quanto mais recolher sementes.

CAETANO É O MÁXIMO

 Até a cantar em inglês... aqui fica um youtubezinho de um canal que diz o mesmo que escrevi no título, mas em português do Brasil.... um intervalinho musical no Malfadado...


quarta-feira, julho 14, 2021

BLOGUES À SOMBRA DAS ÁRVORES

 Ainda há poucos dias participei on line no encontro Caminhos de Leitura (Pombal - 2021) e agora a minha amiga e grande escritora lança um blogue para ir deixando alguns textos e ilustrações. Fica aqui o convite para seguirem este blogue, À Sombra do Jacarandá (link aqui).

terça-feira, julho 13, 2021

AS MARAVILHAS MUSICAIS DOS ENCONTROS UNIVERSAIS

Na versão realizada pela portuguesa Maro (nem de propósito com a Silvia Perez Cruz)

 

E na versão realizada pela brasileira Jacques Falcheti, o Café das Cumadi, cuja 2ª dose vai ser servida em breve. Todas as grandes músicas brasileiras aqui no youtube dela (link aqui). Qualquer destas duas artistas bem merece que o seu canal youtube tenha muitos e bons seguidores.

UMA MUSIQUINHA PARA AMENIZAR

 Melody Gardot com António Zambujo:


TEREZA BATISTA CANSADA DE GUERRA

 E pronto, ali pelos meados de Maio, acabei de ler este livro que me acompanhou umas semanas. Obra de Jorge Amado dada à estampa vai fazer 50 anos para o ano que vem. Romance que nos leva ao início do século XX ali para os lados da Bahia e Sergipe, no Brasil, e em que uma das partes em que este genial escritor dividiu a obra é bastante actual: a luta contra uma pandemia, em que a Tereza Batista teve então um papel preponderante. Todo o livro é muito bom e quando acabei, de bom grado faria a mala e partiria para o Brasil, o que acontece sempre que aprendo mais sobre este país. A capa da edição que li, a sétima, é igualzinha a esta, que apanhei aqui da 8ª edição, com um texto sobre o livro que se lê depressa e nos dá um resumo bem feito. (link aqui).



NÁUSEA E FESTA

 De volta ao Malfadado, que tão deixado para trás tem estado. Como ainda estou com esta náusea que me acompanha quase desde o início dos sintomas desta gripe com o corona vírus (para memória futura fui infectado no dia 1 de Julho e os sintomas fortes começaram na noite de 5 para 6), também não me vou alongar, mas é certo que nos próximos dias vou aqui deixar as minhas reflexões. Dizem que escrever pode ajudar na resolução de problemas, pode ser que ajude a passar a náusea.

Já a festa pode prolongar-se à vontade, que é disso que bem precisamos, depois de um processo eleitoral em que se conseguiu anular o voto arregimentado e fraudulento na Quercus. Valeu bem a pena aquela que foi a minha última corrida eleitoral, em 2019, pois daí nasceu todo um movimento e junção de forças que culminaram este fim-de-semana, no dia 10 de Julho, com a eleição de novos órgãos sociais. Para memória fica também aqui o texto que partilhei no Facebook, plataforma que utilizei para mais este activismo de apelo às pessoas para participarem de forma empenhada na vida cívica: "Pois é, para ajudar a divulgar uma vaga de democracia que vai tentar arrumar a casa onde nasceram muitos dos ambientalistas que hoje andam por aí a resistir, aqui estou de volta. Depois das minhas denúncias na comunicação social, dos documentos que o "meu" conselho fiscal registou nas actas abrindo a porta à intervenção da justiça - DCIAP - veio finalmente uma auditoria forense à gestão de um déspota, de um falso e de um amigo de negociatas que beneficiou sempre pessoas à sua volta, destruindo por dentro uma organização que já foi forte. E essa auditoria vem confirmar o que eu já sabia e já tinha denunciado. Mas vem agora um momento de suprema importância para, de uma penada, se regenerar a Quercus. Se chocarem com a partilha de alguma coisa sobre esta derradeira luta pela regeneração, façam o favor de partilhar também, mesmo não sendo associados, pois a participação cívica vai para além de uma ligação institucional. Para já aqui fica o site onde podem ver um punhado de gente que dá a cara e o seu tempo para defender um património que eu, nos meus anos antes da reforma, ajudei a construir, tal como muitos amigos ao meu lado."

Agora que a luta se fez, a festa faz-se. E inscrever-se como associado da Quercus também é festejar. (link para o site aqui).