quarta-feira, janeiro 21, 2026

O DISCURSO DE MARK CARNEY A 20 DE JANEIRO 2026 NA ÍNTEGRA


AINDA HÁ ESPERANÇA PARA O MUNDO, PARA ALÉM DA ONU!!!

Do presidente re-eleito dos EUA todos temos que ouvir falar todos os dias. Mas sobre o primeiro-ministro do Canadá pouco sabemos. Chama-se Mark Joseph Carney, e foi eleito pelos Liberais (link para a Wikipedia) em 2025 formando um governo sem maioria absoluta. Discursando em Davos ontem, fez um discurso que está a dar que falar, o qual transcrevo aqui:

CONSTRUIR UMA NOVA ORDEM MUNDIAL

Começa em francês:
"É um prazer — e um dever — estar convosco neste momento crucial para o Canadá e para o mundo. Hoje, vou falar sobre a ruptura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua actuação.
Mas também quero dizer-vos que os outros países, especificamente as potências médias, como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados. O poder dos menos poderosos começa com a honestidade."

Passa ao inglês:
"Todos os dias alguma coisa nos lembra de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências, que a ordem mundial suportada por regras está a desvanecer-se e que os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que têm de sofrer.
E este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável, é apenas a lógica natural das relações internacionais a reorganizar-se. E, perante esta lógica, há uma forte tendência para os países se acomodarem, de forma a evitarem problemas. Esperam que essa aceitação lhes traga segurança.
Mas não trará. Então, quais são as nossas opções?

O PODER DO SISTEMA NÃO ADVÉM DA SUA VERDADE

Em 1978, o dissidente checoslovaco Václav Havel (depois presidente) escreveu um ensaio chamado “O Poder dos Impotentes”. Nele, faz uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?
A resposta começa com um vendedor de hortaliças. Todas as manhãs, este merceeiro coloca um cartaz na sua montra: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Ele não acredita naquilo. Ninguém acredita. Mas coloca o cartaz na mesma, para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para se acomodar. E, porque todos os lojistas em todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.
Não apenas através da violência, mas através da participação de pessoas comuns em rituais que sabem, no seu íntimo, serem falsos.
Havel chamou a isto “viver dentro da mentira”. O poder do sistema não advém da sua verdade, mas da disposição de todos a representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte: quando uma pessoa, uma pessoa que seja, deixa de representar, quando o vendedor de hortaliças retira o seu cartaz, a ilusão começa a quebrar-se.

Amigos, está na altura de empresas e países retirarem os seus cartazes.

Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos implantar políticas externas sob a protecção destas regras.
Sabíamos que a história desta ordem internacional era parcialmente falsa. Que os mais fortes se eximiriam quando lhes fosse conveniente. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variado, dependendo da identidade do acusado ou da vítima.

ESTAMOS A MEIO DE UMA RUPTURA, NÃO DE UMA TRANSIÇÃO

Esta ficção foi útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou-nos a ter acesso a rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança colectiva, e apoiou organismos que se ocupariam da resolução de conflitos. E foi por isso que colocámos o cartaz na montra. Participámos nos rituais. E evitámos, em boa parte, apontar as lacunas entre retórica e realidade.

Este acordo já não funciona. Deixem-me ser directo: estamos a meio de uma ruptura, não de uma transição. 
Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas finanças, saúde, energia e geopolítica revelou os riscos da integração global.
Mais recentemente, as grandes potências começaram a usar a integração económica como arma: tarifas como vantagem negocial, a infraestrutura financeira como coerção, as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a serem exploradas.

Não se pode “viver dentro da mentira” de benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da nossa subordinação.

SEJAMOS REALISTAS SOBRE ONDE ISTO NOS LEVA

As instituições multilaterais de que os poderes médios dependiam — a OMC [Organização Mundial do Comércio], a ONU, a COP [Conferência das Partes] — e a arquitetura de resolução coletiva de problemas estão muito diminuídas.
Como resultado, muitos países estão a tirar as mesmas conclusões, que devem desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. 
Este impulso é compreensível. Um país que não pode alimentar-se, abastecer-se ou defender-se a si mesmo tem poucas opções. Quando as regras já não vos protegem, é preciso que se protejam a vocês mesmos.

Mas sejamos realistas sobre onde isto nos leva: a um mundo de fortalezas, mais pobre, mais frágil e menos sustentável.

E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a aparência de regras e valores pela busca desimpedida do seu poder e dos seus interesses, os ganhos do comercialismo desencapotado tornam-se mais difíceis de replicar.
As potências hegemónicas não podem retirar lucros eternos das suas relações.
Os aliados vão diversificar para se protegerem contra a incerteza: vão comprar segurança, aumentar a lista de opções. Para reconstruir a soberania. A soberania que antes era baseada em regras, mas que estará, a partir de agora, cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.

A QUESTÃO É SE PODEMOS FAZER ALGO MAIS AMBICIOSO

Como disse, esta gestão de risco clássica tem um preço, mas esse custo de autonomia estratégica, de soberania, também pode ser partilhado. Investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que a conta de cada um construir a sua própria fortaleza individualmente.
Padrões partilhados reduzem a fragmentação, as complementaridades são operações com resultado positivo.
A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso.

O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.

Os canadianos sabem que a antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e o nosso sistema de alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.

A nossa nova abordagem assenta no que Alexander Stubb [Presidente da Finlândia] chamou “realismo baseado em valores”, ou, por outras palavras, termos princípios e, ao mesmo tempo, sermos pragmáticos.

FORÇA DOS NOSSOS VALORES

Devemos manter o princípio do nosso compromisso com valores fundamentais: soberania e integridade territorial, a proibição do uso da força exceto quando consistente com a Carta da ONU, respeito pelos direitos humanos. E devemos ser pragmáticos ao reconhecermos que o progresso é frequentemente gradual, que os interesses divergem, que nem todos os parceiros partilham os nossos valores.

Podemos envolver-nos amplamente, estrategicamente, mas com os olhos abertos.

Participamos activamente no mundo como ele é, e não ficamos só à espera de um mundo como desejamos que ele seja.

O Canadá está a calibrar as suas relações para que a profundidade das mesmas reflita os seus valores.

Estamos a dar mais importância a um envolvimento amplo para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que isto representa e o que está em jogo para o que vem a seguir.
Já não estamos dependentes apenas da força dos nossos valores, mas também do valor da nossa força.

Estamos a construir essa força no nosso país.

Desde que o meu Governo tomou posse, cortámos impostos sobre rendimentos, mais-valias e investimento empresarial, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar mil milhões de dólares de investimento em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais.
Estamos a duplicar as nossas despesas na Defesa até ao final desta década e estamos a fazê-lo de forma a desenvolver as nossas indústrias nacionais.
Estamos também a diversificar no estrangeiro, e recentemente acordámos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE [Ação de Segurança para a Europa], os acordos europeus de aquisição e adjudicação de material de Defesa.
Assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes nos últimos seis meses.
Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Catar. Estamos a negociar pactos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.

DIFERENTES COLIGAÇÕES PARA DIFERENTES PROBLEMAS

E estamos a fazer outra coisa. Para ajudar a resolver problemas globais, estamos a aplicar uma geometria variável: diferentes coligações para diferentes problemas, baseadas em valores e interesses.

Assim, sobre a Ucrânia, somos um membro central da Coligação de Vontades e um dos maiores contribuintes per capita para a defesa e segurança do país.

Sobre a soberania do Ártico, estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e demos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5º é inabalável.
Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os Nórdicos-Bálticos) para robustecer ainda mais os flancos norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas no terreno. O Canadá opõe-se fortemente a impostos alfandegários sobre a Gronelândia e apela a conversações focadas em alcançar os nossos objetivos partilhados de segurança e prosperidade para o Ártico.

No comércio plurilateral, estamos a liderar esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1500 milhões de pessoas.

Nos minerais essenciais, estamos a formar grupos de compradores, ancorados no G7, para que o mundo possa diversificar-se da oferta concentrada.

Na inteligência artificial, estamos a cooperar com democracias similares à nossa para garantir que não seremos forçados a escolher apenas entre empresas hegemónicas e hiperescaladores.

Isto não é multilateralismo ingénuo, nem é depender de instituições diminuídas, é construir as coligações que funcionam, questão por questão, com parceiros que partilham terreno comum suficiente para agirem em conjunto.

Nalguns casos, será a grande maioria das nações. E é criar um teia densa de ligações através do comércio, investimento, cultura, nas quais nos podemos apoiar para futuros desafios e oportunidades.

NÃO À REPRESENTAÇÃO DE SOBERANIA ENQUANTO SE ACEITA A SUBORDINAÇÃO

As potências médias devem agir em conjunto, porque se não estão à mesa, estão no menu.

As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm mercado, capacidade militar, alavancagem para ditar termos. As potências médias não.
Mas quando apenas negociamos bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos uns com os outros para sermos os que mais acomodam as suas exigências.

Isto não é soberania. É a representação de soberania enquanto se aceita a subordinação.

Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países no meio têm uma escolha: competir uns com os outros para cair “nas graças” ou unirem-se para criar um terceiro caminho, com impacto.

Não devemos permitir que a ascensão do poder nos cegue para o facto de que o poder da legitimidade, integridade e regras permanecerá forte se escolhermos exercê-lo em conjunto.
O que me traz de volta a Havel.
O que significaria para as potências médias “viver na verdade”? 

Significa dizer as coisas como são na realidade.
Parem de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse conforme anunciado. Chamem ao sistema o que ele é: um período de intensificação de rivalidade entre grandes potências, onde os mais poderosos prosseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.

Significa agir consistentemente. Aplicar os mesmos padrões a aliados e rivais. Quando os poderes médios criticam a intimidação económica quando vem de um lado mas ficam em silêncio quando vem de outro, estamos a manter o cartaz na montra.

Significa construir aquilo em que alegamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, criar instituições e acordos que funcionem conforme o que fica escrito nesses acordos.

E significa reduzir a influência que abre espaço à coerção. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de cada governo.
A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é uma fundação estrutural para uma política externa honesta.
Os países ganham o direito a posturas baseadas em princípios ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações.

ESTA RUPTIRA EXIGE MAIS DO QUE SIMPLES ADAPTAÇÃO

Agora o Canadá. O Canadá tem o que o mundo quer. Somos uma superpotência energética, temos vastas reservas de minerais, temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um Governo com imensa capacidade fiscal para agir decisivamente. E temos os valores aos quais muitos outros aspiram.
O Canadá é uma sociedade plural que funciona, a nossa praça pública faz-se ouvir, é diversificada e livre. Os canadianos mantêm-se comprometidos com a sustentabilidade.

Somos um parceiro estável e fiável, num mundo que é tudo menos isso, um parceiro que constrói e valoriza relações a longo prazo.

O Canadá tem algo mais: reconhecemos o que está a acontecer e estamos determinados a agir em conformidade.

Compreendemos que esta ruptura exige mais do que simples adaptação, exige honestidade sobre o mundo como ele é.

Estamos a retirar o cartaz da montra.

A velha ordem não vai voltar. Não devemos lamentá-la. A nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fractura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo. Esta é a tarefa dos poderes médios, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.
Os poderosos têm o seu poder.
Mas nós também temos algo, a capacidade de parar de fingir, de dizer as coisas como são, de construir a nossa força no nosso país e de agir em conjunto.

Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo aberta e confiantemente.

E é um caminho amplamente aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco. Muito obrigado."

FIN - END

Só para terminar, apanhei este discurso numa rede social (que anda a enganar descaradamente os seus utilizadores), numa partilha do jornalista Carlos Fino, mas depois dei um jeito à tradução, retirando o acordo ortográfico, colocando links e fazendo separadores temáticos em negrito, para ficar mais fácil de ser lido. Baseei-me também na publicação integral do discurso em inglês (site do Fórum Económico Mundial de Davos) e numa notícia da Al Jazeera (de hoje mesmo).
Usem e abusem deste serviço público se acharem por bem, e se acharem que está bem traduzido.

sábado, janeiro 17, 2026

E AINDA A JESSIE "WILD ROSE" BUCKLEY

Fui pesquisar na net uma actuação como cantora desta actriz, e logo me sugeriram os motores de busca este video, onde canta numa homenagem da RTV pública irlandesa à falecida Sinead O'Connor. Grande momento para as artes, podem ver e ouvir no YouTube:

sexta-feira, janeiro 16, 2026

SEGUNDA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 Só passam à 2ª volta os dois mais votados. A esquerda não se soube entender, mas o Livre esteve melhor que BE e PCP. Fizeram a campanha, ocuparam o espeço e no final disseram para cada um fazer o seu voto útil. Para mim é difícil escolher quem vai passar à 2ª volta, dentro dos que sabemos que têm hipóteses, porque são todos muito falinhas mansas e mais do mesmo. E já sei que na segunda volta, confirmando-se que um deles é o André Ventura, Mr. Hamburguer, vou ter que votar no outro.  Mas vou deixar a escolha nas mãos dos meus concidadãos. E para não votar em branco, faço um voto McDonalds. Para a malta do Chega embandeirar em arco com a morte dos extremistas de esquerda. E depois perderem esse voto quando for a votação mesmo a contar.

Não sabem em quem vão votar na segunda volta das presidenciais? Assim já sabem o meu voto, mesmo eu não sabendo também em quem...

quinta-feira, janeiro 15, 2026

WILD ROSE - ROSA SELVAGEM

É mais do que devido. Já vi este filme há alguns anos, e como falei sobre a actriz anteriormente, participando num filme que ainda não vi, aqui fica agora o trailer do filme onde ela tem o papel principal e canta e tudo. A história é estranha, por ser tão fora do comum, mas é inesquecível. Quem não viu, ainda está a tempo... JESSIE BUCKLEY

quarta-feira, janeiro 14, 2026

HAMNET - GLOBOS DE OURO 2026

 Este filme, que vai estrear em Portugal no próximo mês, ganhou na categoria de melhor filme - drama. Eu vi o trailer, mas acho que desvenda demais sobre o filme. Pelo que aconselho ir ver o filme mas não ver o trailer. Em vez disso, partilho aqui o vídeo do discurso da actriz, que desempenha o papel de mulher do Shakespeare, uma actriz irlandesa que já vi noutros filmes e que ganhou um destaque na minha memória. Foi distinguida com o Globo de Ouro para a melhor actriz principal num filme - drama.

terça-feira, janeiro 13, 2026

JORNALISMO, DAQUELE QUE NÃO INTERESSA - FUMAÇA

 Num mundo de grandes diferenças culturais é difícil chegar ao outro, é difícil imaginar estar na sua pele. Mas em Portugal temos jornalistas a trabalhar em diferentes projectos editoriais que nos trazem informação que quebra fronteiras e aproxima pessoas e torna possível a expressão individual da solidariedade. Hoje partilho aqui um texto de opinião do Fumaça, intitulado "O colapso do mito dos direitos humanos", de Shawan Jabarin, traduzido por uma das jornalistas da corajosa equipa.

Mais do que apenas divulgar este texto, que ajuda a contextualizar a ausência de futuro das Nações Unidas, desafio à descoberta do Fumaça, e quem sabe possa este trabalho ganhar mais um apoiante/assinante. Porque Ser Solidário faz parte de ser humano, e só se pode ser solidário com quem se conhece.

segunda-feira, janeiro 12, 2026

GLOBOS DE OURO - UMA BATALHA ATRÁS DE OUTRA "BATALHA" - DISCURSO COMPLETO DE TEYANA TAYLOR

 Este filme, que já teve direito a referência aqui no Malfadado, teve 4 galardões atribuídos na cerimónia de ontem. Um deles foi o de melhor argumento. E fica aqui o vídeo do discurso de agradecimento da Teyana Taylor (OMG, OMG), que foi distinguida como melhor actriz secundária.

Visivelmente surpreendida e emocionada, Taylor diz que estava tão longe de ganhar que pensou mesmo em não escrever o discurso de agradecimento. Mas logo a abrir mostra a parte do seu vestido de alta classe que mais impressionava, nas suas costas, umas cuequinhas fio dental com lacinho em diamantes. Com a emoção lembra-se das filhas - my babies (de 5 e 10 aninhos) - que estão em casa no quarto para dormir com a TV ligada, e manda logo um recadinho, dizendo que espera que não estejam com os auriculares, ou headphones, e a vejam/ouçam este momento. Agradece a Deus, em nome de Jesus, agradece dando graças por cada parte do seu caminho de fé, cada lição, cada prova e cada benção. Agradece aos votantes do júri por terem reparado no seu trabalho e se terem lembrado dela. E depois à mãe e ao pai, a dedicatória é sempre para eles em todo o tempo, dizendo que os ama tanto, tanto, agradecendo ainda a sua presença ali. A sua tribo. Oh my god, a sua força ancestral, a sua alegria, o seu lembrete a cada dia de que o amor é uma acção, não só uma palavra. E cada coisa que ela faz está enraízada nessa verdade. Passa depois a agradecer ao realizador (To Paul "Let'em Cook" Thomas Anderson, thank you for your vision, your trust and your brilliance), a quem fica com uma gratidão infindável. Agradece acolhê-la a ela e depois refere todos os outros actores. Refere também todas as equipas de técnicos, cada pessoa que desempenhou uma função neste projecto. Um pequeno aparte ainda, sobre o troféu que carrega, dizendo "oh meus deus! esta merda é pesada..." Agradece ainda a amigos e agentes e termina depois com uma mensagem activista. "And last and most importantly, to my Brown sisters and little Brown girls watching tonight. Our softness is not a liability." E continuou "Our depth is not too much. Our light does not need permission to shine. We belong in every room we walk into. Our voices matter and our dreams deserve space." Activista e poética!

domingo, janeiro 11, 2026

O TORCICOLO - TEATRO PELA AJIDANHA

 Hoje carreguei o meu passe ferroviário para ir de comboio a Pombal ver a representação desta peça, o Torcicolo, recentemente estreada pela Ajidanha em Idanha-a-Nova (link para apresentação no blogue Ajidanha). Foi a primeira apresentação noutra localidade. Não é para aqui deixar a minha crítica (fica para uma próxima oportunidade), mas ainda assim aconselho vivamente a quem possa um dia destes assistir. É uma sátira muito actual.

Fui de bicicleta, com os alforjes carregados de clementinas e uma dezena de boas laranjas, para actores e técnico levarem de volta a casa. E coloquei a bicicleta no comboio em Alfarelos - Granja do Ulmeiro, num intercidades. Num pulinho estava mesmo por trás do cine-teatro, que ainda não conhecia, muito boa sala, por sinal.

Para variar saí de casa já com o tempo muito curto e tive que pedalar muito bem para apanhar o comboio, quando cheguei à estação já lá estava o comboio paradinho.

Para o regresso lá apanhei um comboio regional até Coimbra, que depois deu lugar ao comboio regional para Aveiro, mas saí na Curia, para depois ir a pedalar até à casinha gandaresa.

A peça teve início às 17, fui de tarde, mas já voltei de noite. E no regresso apanhei alguns períodos de chuva miudinha, mas ia preparado para isso.

Em Pombal ainda tive tempo de fazer uma volta de reconhecimento pelo centro e subi ao castelo. Fiquei muito bem impressionado, tinha lá estado há pouco tempo por altura do Natal, mas dessa vez não deu para ver quase nada, para além da feira de Natal e actividades de entretenimento.

sábado, janeiro 10, 2026

VENEZUELA - UMA VISÃO DOS ACONTECIMENTOS

 O rapto do Nicolás Maduro pelo exército de defesa dos EUA deu origem a um editorial do director do jornal Página Um. Fica aqui o link, para quem puder ler na íntegra.

Um excerto, que resume a perspectiva da análise do jornalista, neste artigo datado de 4 de Janeiro: "Onde outros presidentes falavam em “ordem internacional baseada em regras”, Trump fala de força, sucesso e submissão. Mas o gesto é o mesmo; desapareceu foi a liturgia. Talvez seja essa franqueza brutal que perturba uma parte da opinião pública ocidental, mais habituada à hipocrisia bem-embalada do que à verdade dita sem rodeios."

sexta-feira, janeiro 09, 2026

EU E O GAUCHITO GIL

 Ainda a propósito do dia de ontem, assinalado aqui no Malfadado, aqui ficam fotos obtidas em dois locais bem diferentes. Primeiro na Cuesta de Lipán, a 4170 de altitude, entre Purmamarca e Las Salinas Grandes. Depois na estrada que liga Puerto Iguazú a Posadas, capital da Província de Misiones. Argentina, por supuesto.

















quinta-feira, janeiro 08, 2026

GAUCHITO GIL

 O nosso Ramiro enviou mensagem a dizer que hoje é dia do "santo" Gauchito Gil. Todos os anos se celebra, nesta data, a vida e obra, e principalmente a obra depois da vida, deste gaúcho, originário da província de Corrientes - Argentina, assassinado neste dia em 1878, faz 150 anos daqui a apenas dois anitos. (link para a wikipedia aqui). Aqui fica o registo, colando a imagem emprestada pelo orgão informativo Misiones Online, da província de Misiones.



quarta-feira, janeiro 07, 2026

GRANDE ENTREVISTA A VIRIATO SOROMENHO MARQUES

O homem que nos ensina a compreender a loucura da política mundial entre 2025 e 2030 é o conhecidíssimo Viriato Soromenho Marques. Em belíssima hora o jornalista da CNN Portugal, Tiago Palma esteve com ele em Dezembro do ano passado, na sua casa. Entrevista publicada a 5 de Janeiro de 2026.

"É um insulto chamarmos 'guerra' ao que acontece em Gaza: não é uma guerra, não há dois exércitos" (link para a primeira parte da entrevista, clicar aqui para o site da CNN)


"A nossa virtude é a modéstia e o nosso vício a inveja. A primeira defende-nos de nos embebedarmos de grandeza, o segundo tem-nos diminuído"

domingo, janeiro 04, 2026

CONVITE À LEITURA - PÁGINA UM

 Se eu fosse jornalista também escreveria assim editoriais, como os que vou partilhar aqui. São do Director do Página Um. Que é um jornalista.

Sobre a Justiça em Portugal: Este (link para editorial de Dezembro 2025) e este (link para editorial bem fresquinho, do primeiro dia deste ano) 

Sobre a morte da Clara Pinto Correia, que só por falta de tempo não escrevi sobre a tragédia aqui no Malfadado: (clicar aqui neste link) editorial de Dezembro 2025.

Sobre os desmandos dos americanos: Este é o mais recente, data de hoje mesmo. (link aqui)

Boas leituras, com ou sem assinaturas

sábado, janeiro 03, 2026

MORTE AOS DITADORES - PODRE DE MADURO

 O rapto do Maduro pelo governo americano foi uma benção. Finalmente o petróleo da Venezuela vai poder voltar a ser extraído e comercializado pelos americanos, que podem assim aumentar o preço do petróleo no mercado mundial sem estar a favorecer aquele ditador que está ligado a tudo o que acontece de mal nos EUA. Só se fala da droga, mas de certeza que todos os crimes violentos, a prostituição, as doenças do estilo de vida, a invasão de emigrantes e a estupidez são culpa desse comunista Nicolás Maduro. Na Venezuela o regime já estava podre, bem para lá de Maduro. Agora sim, com a intervenção dos americanos e com o criminoso a aguardar um julgamento justo e democrático por causa do negócio das drogas, onde será condenado sem qualquer problema, vão acabar os viciados em drogas nos EUA.

Razão tiveram os americanos desde sempre em ignorar o Tribunal Penal Internacional, que para nada serve, se nos EUA existem tribunais para fazer julgamentos rápidos. Portugal deveria aderir a este tipo de justiça já. Saía muito mais barato ao erário público. Assim andamos de novelas jurídicas em novelas jurídicas, sempre com o mesmo final: o crime prescreveu... e viveram felizes para sempre.

AD

sexta-feira, janeiro 02, 2026

UMA REFLEXÃO DO QUE AÍ VEM

 Vem aí mais do mesmo. É aquilo que se vê na Palestina, mesmo depois do falso cessar fogo, imposto pelos americanos. É aquilo que se vê na Ucrânia, que ainda resiste às imposições dos americanos, mas será por pouco tempo. E nesse sentido vou continuar a escrever pela pena do Androlfo Donaliago (personagem criada em 2025), sempre que me apetecer registar aqui alguma coisa sobre a paz no mundo, sobre ecologia aqui ou ali e sobre justiça onde quer que a injustiça se abata.

E espero que venha mais cultura, onde as resistências encontram ecos e nos fazem sonhar com um mundo melhor. E nesse mundo melhor não existem negociatas de magnatas. Nem redes sociais onde a desinformação encontra o seu melhor meio de propagação.

Androlfo Donaliago assina AD no final dos textos. Os quais são publicados sem fotos nem imagens fabricadas. Fica feito o aviso.

segunda-feira, dezembro 22, 2025

CARTÃOZINHO DE BOAS FESTAS

 2025, mais um ano no calendário do blogue. Como tem sido hábito nos últimos anos, produzo algumas versões diferentes do cartãozinho de boas festas que enviamos para o nosso círculo de amigos. Uma dessas versões, que não é enviada pelo correio (e-mail, claro, que estar a imprimir e enviar centenas de cartas não se coaduna com os tempos actuais), é a que é exclusiva dos leitores do Malfadado, o contestatário. Aqui fica:


domingo, dezembro 14, 2025

AS CATARATAS DO RIO IGUAÇU, LAS CATARATAS DEL RIO IGUAZÚ

 Gostos não se discutem. Mas partilham-se. Gostei. Muito. Gostei mais das sensações e das panorâmicas no lado brasileiro. Gostei mais das caminhadas pela veredas e passadiços e das deslocações em transporte colectivo no lado brasileiro. Partilho aqui umas fotos.









sábado, novembro 29, 2025

LA MUERTE DE UN COMEDIANTE

 Assistir à estreia de um filme numa sala de cinema é sempre um acontecimento marcante. Mas um filme realizado pelo actor argentino Diego Peretti, pelo enredo, pelos locais, pela forma como está contada a história, pela música, pela nostalgia do passado que aborda e que mexeu com as minhas nostalgias foi mais do que um acontecimento marcante, foi um marco que aconteceu. Partilho aqui o trailer:

segunda-feira, novembro 24, 2025

MAIS UM FILME ACONSELHADO - AFTER THE HUNT

  Um tema muito actual, num filme do realizador Luca Guadagnino , aconselho ver o trailer: Já tinha visto há uns anos um filme deste realizador, mas na TV, o I AM LOVE (Um sonho de amor) , com a Tilda Swinton. Também muito bom. Desta vez a actriz principal é a Julia Roberts, que tem aqui mais uma interpretação inesquecível.

segunda-feira, novembro 03, 2025

MAIS CINEMA - BATALHA ATRÁS DE BATALHA

 Tenho muito pouco tempo pra escrever no meu blogue, muito menos do que gostaria. Mas há coisas que têm que ficar aqui registadas, talvez sirvam para alguém tomar uma decisão. Como ir ver um belo filme. Paul Thomas Anderson, o realizador. Já aqui referi o Licorice Pizza no Malfadado, que revi há pouco tempo na TV.

O mais recente fomos ver ao cinema. Fica o trailer:


domingo, novembro 02, 2025

quarta-feira, outubro 08, 2025

VIDEO COM RESTRIÇÃO DE IDADE

Mas que raio de ideia esta, de colocar a Inteligência Artificial a fazer músicas e misturar com imagens que são inventadas pelos terroristas e que mostram crianças em sofrimento, como se a culpa pela morte de umas poucas crianças fosse do governo israelita, e das pessoas que ainda o apoiam. Este grupo que tem este canal de youtube está mesmo a pedi-las... é capaz de tudo, até de criar uma banda com o Marx a cantar em americano as suas teorias. AD

terça-feira, outubro 07, 2025

NO PASSARÁN - GRETA THUNBERG

 Alguém consegue dar-me o link para a tradução da explicação detalhada desta "activista" sobre o seu famoso passeio turístico até Israel, onde foi bem recebida pelas autoridades locais? Israel deveria era ter afundado os navios todos, com tanto problema para resolver em tantos países, foram para ali perder o seu tempo. E o nosso, uma vez que nas notícias acabaram por tirar tempo ao que todos queríamos saber sobre o Porto-Benfica. Não percebo nada de inglês, mas gostava de ter a certeza de que esta activista, no seu longo discurso, está a falar bem do grande salvador do mundo. AD

https://www.facebook.com/reel/1196555792681462

segunda-feira, outubro 06, 2025

DISCORDÂNCIA PORTAL PARTICIPA - PAINÉIS COM DESTRUIÇÃO DE ECOSSISTEMA E LINHAS DE ALTA TENSÃO COM DESTRUIÇÃO DA PAISAGEM

 Um projecto que entra em conflito com os valores de preservação do ambiente e o desenvolvimento de outras actividades, como o turismo. Aqui está o que escrevi no Portal Participa, antes que o projecto deixe de estar aberto a comentários (termina dia 9):

"Este é mais um projecto megalómano que concentra a produção de electricidade fotovoltaica em vez de se apostar na descentralização e em telhados e coberturas solares, com a agravante de intervir em espaços naturais, que são património público, e de instalar mais postes de alta-tensão e linhas em dezenas de quilómetros, colocando em causa a preservação de espécies protegidas e a preservação da própria paisagem, igualmente património público. Estraga-se o que é de todos, para dar um jeitinho a entidades privadas de gente "amigalhaça".

Deixo aqui a minha opinião e a minha oposição a este projecto, tendo plena consciência que as entidades do governo usam estes esquemas participativos apenas para abrirem a porta a uma falsa sensação de que os projectos em discussão pública podem ser transformados ou anulados se houver uma grande participação e a apresentação de argumentos importantes.

Em última hipótese, havendo graves violações da legislação em vigor (a qual já é bastante permissiva a projectos que degradam  o património público para favorecer esquemas financeiros), tudo poderá acabar por ser analisado por um tribunal, mas mesmo aí será preciso ter sorte para, como é voz corrente, os juízes serem competentes e impermeáveis a favorecimentos ou trocas de favores."

A vontade de participar nestas coisas é pouca. Para a próxima em vez de discordar acho que vou vestir a pele do AD - Androlfo Donaliago, acho que vou concordar e fazer esse discurso estúpido de achar bem o favorecimento a negociatas privadas que exploram aquilo que é de todos.


domingo, outubro 05, 2025

MARIA JOÃO - ABUNDÂNCIA - O ESPECTÁCULO EM OVAR, PARA VER NA NET

 Para os amigos que queiram ver, está disponível neste link (clicar aqui), para o site RTP Play. Eu estava lá, muito atrás, é certo, mas foi a maneira de aparecer no vídeo, mesmo no final, a aplaudir e a levantar-me ao minuto 1h38m35s.

sexta-feira, outubro 03, 2025

FESTA DO CINEMA FRANCÊS - MAS NA NOSSA TV

Em Outubro existe a Festa do Cinema Francês, em diferentes cidades. Mas Vagos, Ílhavo e Aveiro ficam de fora. Há que fazer a festa em casa. Um filme de 2023, Hors-Saison a abrir a sessão dupla. Muito bom na realização, na música, no desempenho da dupla de actores já famosos. E a história é tocante, verosímil e comovente. Logo a seguir a um grande intervalo veio então a comédia, com um hilariante e bem contemporâneo Nouveau Départ, filme também de 2023. Muito bom o argumento (este filme é um “remake” francês de “El Amor Menos Pensado”, realizado pelo argentino Juan Vera), com algumas figuras hilariantes e situações de soltar uma gargalhada. Uma história de amores com final feliz. Fica o trailer:

quinta-feira, outubro 02, 2025

TRASH - YLLANA E TÖTHEM - FESTIVAL "O GESTO ORELHUDO"

     Foi ontem e foi espectacular. Voltar a ver Yllana, mas com maior foco na música, foi surpreendente. Ri-me muitas vezes e uma das vezes foi mesmo de me torcer na cadeira, graças a um elemento do público que foi convidado a subir ao palco, e depois a maneira como um dos elementos do grupo reagiu à sua "provocação". Momentos de improvisação que só se vivem uma vez. E eu estava lá, na primeira fila! Deixo-vos o trailer, que não tem graça, mas é para memória futura.

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quarta-feira, outubro 01, 2025

O CÉU EM QUEDA - CINEMA NO CINEMA - OU MELHOR, NO TEATRO AVEIRENSE

 Ontem fomos ao cinema. Um filme quase português, não fosse o realizador ser catalão e a música ser principalmente a ópera Tristão e Isolda, de Wagner. Este filme falou a todos os meus sentidos, mexendo nos sentimentos. Em estreia, o filme contou com a simpática presença do autor, que nos falou no início, mas não houve conversa no final.

Fica o trailer, mas com um aviso: não é filme para ver em casa. Talvez para rever, mas não estou certo disso. O preto e branco e os grandes planos e contra-luz precisam de um écran no escuro, e o som das respirações e a própria música precisa de um volume alto.

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Muito bom também o trabalho dramático dos dois consagrados actores, que ainda ajudaram o realizador na parte de diálogos, movimentos e tempos.

quarta-feira, setembro 24, 2025

MORTE AOS DETRACTORES

 Morreu um grande pensador dos nossos dias. Depois do atentando ao grande líder mundial, agora este atentado. É triste. Mais triste é ver humoristas e comentadores usarem e abusarem da morte de Charlie Kirk, este grande homem que, apesar da tenra idade, ficará para a história ao lado de grandes figuras mundiais, que lutaram para haver paz no mundo, como Júlio César, Napoleão, Hitler, Mussolini, Lenine e Pinochet, que tanto se esforçaram para eliminar o terrorismo nos seus países.

Ontem tivemos a sorte de ouvir as sábias e esclarecidas palavras do nosso grande líder e promotor da paz, e da qualidade de vida dos povos, sem medo contra terroristas e traficantes de drogas, sem medo contra os poderosos e perigosos emigrantes, criticando essas falsas democracias que andam por aí, que se organizam em nações unidas, mas que nada fazem sem essas verdadeiras nações unidas que são os EUA. Farol que ilumina a esperança em melhores dias.

É por isso que se deve defender o porte de armas por qualquer cidadão de bem. Para apontar a esses terroristas que por aí andam a gozar com as mortes de pessoas como Kirk, que morreu vítima do comunismo, de algum fundamentalista islâmico que veio da Palestina e que era de certezinha emigrante antifascista. O que vale é que já o prenderam e já está no corredor da morte. Já podemos dormir mais em paz e mais descansados.

AD

terça-feira, setembro 23, 2025

CINEMA EM CASA - Mahalia, Woody, Soderbergh et François Ozon

 Só para registo de bons filmezinhos que se vão vendo na TV.


Este é um filme para TV sobre a vida e obra de Mahalia Jackson. Muito bom, não só no relato da biografia mas também nos relacionamentos da artista com a sua pianista e com o grande Martin Luther King. este é de 2020/21, depois em 2022 apareceu um outro no cinema, com outra actriz no papel principal. Depois um filme do Woody Allen de 2000, mais antigo, mas muito bom, uma verdadeira comédia. Só não consegui arranjar um trailer com imagem em condições, só esta miséria: O terceiro é um filme de outro famoso realizador e argumentista, o Steven Soderbergh, fica aqui o trailer de "A sorte dos Logan": O quarto é um filme francês, do François Ozon, que escreve o argumento e realiza "Quando chega o Outono", de 2024. Que seria de nós sem o cinema francês? Fica o trailer deste delicioso drama irónico:

quinta-feira, setembro 18, 2025

PROVA DE VIDA

 Pois é, os acontecimentos em catadupa, as viagens, os espectáculos, as regas e a colheita de frutos, e todo o dia-a-dia não deixam tempo para o Malfadado. Não é por falta de vontade de partilhar e deixar boas dicas aos poucos leitores, nem falta de preocupação com o registo de coisas para a minha memória futura. É falta de tempo, cansaço. Não é falta de organização nem estabelecimento de prioridades. É a prioridade máxima no acompanhamento das coisas que é preciso fazer. E a opção de evitar chás e cafés para ficar desperto mais tempo. Acordo muito cedo e ao fim do dia já não consigo produzir nada, o corpo pede descanso. São muitos anos com a mão na massa, a moldar os diferentes dias-a-dias, o corpo pede descanso. É isto! Estou cansado, mas vivo.

sexta-feira, setembro 12, 2025

QUAL GENOCÍDIO EM GAZA?

 As mortes de civis, homens, mulheres e crianças em Gaza são um facto. Mas ainda são poucos, só judeus, na segunda guerra foram 6 milhões. O que o governo israelita está a fazer é devidamente justificado, estão só a defender a sua terra e o seu povo. Antes do Hamas ter dizimado umas centenas de israelitas, dando início a esta operação de defesa do território israelita, havia um perfeito respeito pelas decisões humanitárias e respirava-se paz e desenvolvimento na Faixa de Gaza. É verdade que no início tanto Donald como Benjamim disseram que era uma operação de defesa rápida e se destinava unicamente a neutralizar o Hamas. O que a imprensa ocidental glorificou como uma acção justa.. Mas agora percebe-se que não, que tiveram que adoptar uma coisa que nunca lhes passou pela cabeça, que é destruir todas as infraestruturas em Gaza, para mostrar ao mundo que a seguir virão todos os outros territórios palestinianos, a única forma de acabar com o terrorismo no mundo. Ainda há terroristas a dizer que Israel é um estado terrorista. Enfim... não percebem nada de nada do que ali se passa.

AD

quarta-feira, setembro 10, 2025

AVISO À NAVEGAÇÃO

Vai uma nova flotilha a caminho dos mais recentes territórios anexados pela voracidade dos fascistas em Israel. Aqui fica o meu aviso à navegação. A partir de agora, sempre que o Malfadado escrever sobre os abusos dos fascistas, seja na Palestina, seja na Ucrânia, seja nos EUA, seja na Venezuela, os escritos vão passar a ser assinados por um pseudónimo, que vai exagerar e agradecer a esses fascistas, e pedir mais, mais fascismo sobre os povos. Androlfo Donaliago, uma mistura de Ventura e Hitler, de Trump e Abascal. São os nomes próprios. Os apelidos poderiam ser Puta, por parte da mãe, e Cabrão, por parte do pai, fazendo do Androlfo um verdadeiro filho da Puta e filho de um Cabrão, apelidos que não existem, nem mesmo no Brasil.

sexta-feira, agosto 08, 2025

terça-feira, agosto 05, 2025

O COLIBRI - O FILME ITALIANO

 

Passou na TV, RTP, pouca gente deve ter conseguido ver. Mas vale bem a pena. Deixo o trailer original, sem legendas.

terça-feira, julho 29, 2025

GOVERNO FRANCÊS MATA FOTÓGRAFO PORTUGUÊS

 Foi há 40 anos. Fica aqui um artigo Greenpeace a recordar o atentado ao Rainbow Warrior (clicar aqui). Não se pode afundar um arco-íris, e nasceu um novo barco. E os guerreiros do arco-íris fazem cada vez mais falta, neste mundo onde vemos um novo Hitler a mandar os seus subordinados matar tanta gente inocente. 60 mil mortos, para já. Não vamos contar os tantos, tantos mais com traumas permanentes, problemas de saúde e um futuro incerto para si e para os seus.

segunda-feira, julho 28, 2025

JÁ NÃO ERA PARA MIM - SOBRAL Y PÉREZ CRUZ

 Mais uma música da irmã do Salvador, a Luísa Sobral, que aqui partilho, para quem puder ter 5 minutos para apreciar. Letra e música.

O catering da cena foi preparado pela Luisa Villar, a mãe dos dois. Imagino que todos tenham apreciado muito todas as suas comidinhas.

domingo, julho 27, 2025

O REINO ANIMAL

Vi este filme na TV. Ainda em Junho. Ficção científica francesa, de grande qualidade. O argumento é poderoso, aborda o amor incondicional de pais e filhos e fala sobre a diferença, sobre os outros e sobre a nossa sociedade actual. Um filme que deveria ser abordado com os jovens, estudado e debatido.

sábado, julho 26, 2025

II FESTIVAL PELA TERRA - IDANHA-A-VELHA - 2,3 E 4 DE MAIO 2025

Não fica bem estar aqui a escrevr sobre um festival em que não participei. Mas amigos meus passaram por lá, e até aparecem neste vídeo. Deixo as imagens e música porque para o ano deve haver o III Festival Pela Terra, e quem sabe não fiquem também com vontade de lá estar. Parabéns aos organizadores, pela iniciativa toda, também por fazerem este pequeno filme resumo.

quarta-feira, julho 02, 2025

FECHEI O MEU FACEBOOK - 2

 Em Dezembro de 2019, quase 2020, já tinha saído do Facebook. Dessa vez, como agora, a página fica activa mas não a vou usar. Fiz uma pesquisa sobre a minha relação com o Facebook, registos aqui no meu Malfadado (link aqui), e assim dá para perceber muita coisa. Desta vez saio chateado com os americanos, mas não com o povo norte-americano. É só guerra e estupidez... o massacre na terra sagrada da Palestina...

quinta-feira, junho 26, 2025

CAIXA D'ÓCULOS

 Não é novidade que desde há uns anos passei a ser uma coisa que agora não sei como se chama, se calhar o politicamente correcto define como "pessoa de acuidade visual reduzida portador de lentes em dispositivo facial". Já me habituei a ser um caixa d'óculos.


Precisei de mudar de lentes porque a acuidade visual com as lentes antigas tinha piorado a olhos vistos, e mudei também de armação. Fiz uma colagem com a minha colecção de óculos graduados. Se me virem por aí, de lentes escuras ou normais, chamem-me, porque para além de serem lentes progressivas, que diminuem o campo de visão, os meus olhos e cérebro têm dificuldade em reconhecimento facial. E memória de nomes então, nem se fala. Mas para isso não há óculos que ajudem. Talvez menos açúcar e menos queijo...

sexta-feira, maio 16, 2025

ELEIÇÕES PARA ESCOLHA DE DEPUTADOS - SEGUNDA TENTATIVA

 Ao cair do pano da campanha eleitoral, há que acabar com as indecisões. Apenas um ano depois é de esperar poucas diferenças no sentido do voto. Mas um ano foi suficiente para muita coisa acontecer, e foi bastante esclarecedor, quer dos rumos do governo que tivemos quer das prestações dos diferentes partidos da oposição. Não me estranha nada que a AD continue à frente nas intenções de voto, que o Chega continue a roubar malas cheias de deputados à esquerda e à direita. Numa situação normal o PSD perderia estas novas eleições. O governo não foi satisfatório em muitas situações, ainda que tenha conseguido desbloquear um bom par de processos que o António Costa deixou arrastar demasiado tempo. Mas as negociatas habituais em tempos de governos de direita voltaram à tona, o caso mais grave envolve o líder, mas há casos e casinhos com especulação imobiliária, há casos e casinhos com exploração de recursos naturais e produção de energia. E os ajustes directos sem justificação são o pão nosso de cada dia dado aos amigos empresários.

Começando pelo princípio: vale a pena ir votar outra vez?

A resposta do Malfadado é sempre a mesma: SIM. Vale a pena e não é preciso grande esforço. Este ano não foi preciso usar o voto antecipado, sempre se poupa no papel. Mas houve milhares de pessoas que já o fizeram, e bem. Votar é colaborarmos num sistema que tem imperfeições, mas que ainda assim não persegue os cidadãos que escolhem livremente. Cada cidadão maior de idade escolhe votar ou não votar, ir lá ou não ir, eleger os candidatos que vão para a Assembleia da República ou apenas deixar um voto que não vai eleger quem se acha mais capaz mas ajudar a financiar uma estrutura partidária.

Em quem votar desta vez?

Um bom princípio é analisar os resultados das últimas eleições ao nível de cada distrito. Aveiro elegeu AD, PS e Chega. Os outros votos não são inúteis, mas... certamente não vão eleger. Quem vota à direita vai votar AD, quem vota à esquerda vai votar PS e quem é anti-sistema ainda vota Chega. É o voto útil. Nas malfadadas previsões a AD vai recuperar alguns votos perdidos para o Chega (graças ao desfile de péssimos deputados que o Chega meteu no parlamento), podendo assim o deputado do Chega deixar de ser eleito, e passando assim para a AD ou para o PS. É aqui que a escolha de votar na bipolarização faz algum sentido, castigar o Chega e mostrar que os portugueses são melhores do que a amostra que o Chega quer fazer acreditar que são muitos.

Num ano o que mais me atormentou na política do governo foi a gritante diferença com a postura dos países progressistas e com a postura da ONU em relação aos crimes da palestina. Não o disseram como Trump, mas o resultado é o mesmo. Custa-me ver um povo humanista como os portugueses, cristãos que vão à missa e rezam pela paz e depois votam num governo que não defende uma solução de paz entre povos. É aqui que faz toda a diferença votar progressista, votar conservador ou liberal, votar nos tontinhos e bobos da corte ou mesmo não votar. E mais diferença faz se o voto conta para eleger um deputado.

2025 o voto útil no distrito de Aveiro é votar no PS. Por um país mais humanista, por um planeta melhor.

Nos outros distritos façam as contas, não é muito difícil escolher como fazer. O povo unido jamais será vencido. A esquerda desunida será sempre vencida. Mas estará lá!

segunda-feira, abril 21, 2025

VEM AÍ MAIS DO MESMO - MERCADO DO CARBONO

Apanhei aqui na net que estava aberta a discussão pública da regulamentação do mercado de carbono. Que na sua proposta feita pelos habituais técnicos competentes do Ministério do Ambiente prevê que as plantações de eucaliptos devem ser apoiadas. Fui ao Portal Participa e ali deixei as minhas ideias. Não valerão de nada, pois sei que nestas coisas não ligam nada ao que pessoas ou entidades ali escrevem, mas pelo menos fica mais um registo de discordância na internet. Quanto mais não seja aqui através do Malfadado: "Parece-me primordial a regulamentação do mercado do carbono, mas a mesma não deve ficar refém de interesses relacionados com a indústria das celuloses. Uma plantação de eucaliptos, mesmo que muito bem gerida (sem mobilizações excessivas de solo, sem aplicação de produtos fito-farmacêuticos, sem aplicação de herbicida e apenas com a aplicação de adubações autorizadas em agricultura biológica) não deve ser considerada para este mercado, uma vez que vai promover a sua implantação e aumentar o risco de ocorrência de incêndios rurais incontroláveis, e levando assim à libertação de quantidades abusivas de CO2 para a atmosfera, bem como de poluentes para o ar e também para o solo e recursos hídricos. Para não falar da pegada ecológica de carros e aviões de bombeiros, quando se regista um incêndio.

A administração deve utilizar  todas as ferramentas possíveis para promover uma floresta diversificada e ajudar os proprietários (individuais, colectivos ou da própria bolsa de terrenos públicos) a fazerem a gestão adequada dos seus bens imóveis, no sentido de um território resistente aos fogos, uma floresta de uso múltiplo e promoção da biodiversidade. A legislação nas mais diversas áreas deve seguir este princípio, principalmente porque nos últimos anos temos tido apenas exemplos de legislação que promove a destruição do nosso património natural. Algumas vezes em nome da ecologia, como é o caso da destruição de carvalhais e até de sobreiros para a colocação de painéis foto-voltaicos, em projectos classificados como de interesse nacional.

Uma legislação que ajude os proprietários de eucaliptos, como esta regulamentação que agora está em discussão pública, vai ajudar quem já tem todas as facilidades e rendimentos assegurados. De resto a regulamentação parece-me bem pensada. O interesse nacional deve ser a defesa do património e não apenas a defesa dos grandes investimentos, porque esses já têm o retorno (ou grande retorno) financeiro garantido."

quarta-feira, março 05, 2025

EL GOLFO DE AMERICA

 Aviso aos mais distraídos: não me surpreendem as trumpalhadas do senhor presidente dos EUA. Fico é a pensar como é possível cidadãos de uma democracia votarem maioritariamente em gente assim para ajudar a resolver os seus problemas. Não é que defenda o anterior presidente e todo o mal que andou a ajudar a espalhar pelo mundo (com grande evidência no massacre dos palestinianos, mas também de pessoas de outros países ligados à sua causa de independência). Não é preto nem branco nestas coisas de avaliar as questões políticas. Mas irmos de mal a pior é o que estamos todos a ver.

A caricatura melhor destes dias de regresso ao poder político deste homem de negócios mal amanhado, é ele na Casa Branca com um cartaz por trás mostrando uma parte do mapa geográfico da América, e nesse cartaz em letras garrafais aparece escrito "Golfo da América". Ora, nesse grande país que são os EUA uma das segundas línguas, quiçá a mais falada, é o espanhol. No México é a língua oficial. E para essa figura triste da política não seria difícil perceber, se não fosse ele próprio de uma grande pobreza linguística, que em espanhol (castelhano) a palavra golfo tem uma segunda utilização, que é a de alguém desonesto, um desavergonhado. Assim, aparecer na "pantalha" uma pessoa como ele e lermos por trás "Golfo de América", é uma perfeita gozação sobre o próprio, pois quer parecer honesto e por trás aparece a dizer que ele sim, é que é o "golfo de américa".

Golfo, tal como aparece descrito no grande dicionário da Real Academia Espanhola, link aqui. Aqui para nós, se o nosso governo continuar a gostar de ser capacho dos governos americanos, como tem sido até agora, é de esperar que também mandem mudar o nome do Golfo do México. Mas nos meus mapas vou sempre ler "México". E vou continuar a evitar usar termos ingleses, pois cada vez mais temos que defender a nossa cultura. Ainda que nas gerações mais novas se use e abuse disso, e já dificilmente consigamos voltar ao que é genuinamente nosso, por herança cultural.

Para não escrever o seu nome muitas vezes vou optar por me referir ao presidente dos EUA como o "golfo de América", sempre que aqui reflectir um pouco sobre a situação do mundo.

sexta-feira, fevereiro 28, 2025

MAIS DE UM MÊS

 A vontade de partilhar aqui a minha revolta tem sido muita, mas os acontecimentos dos dias do meu mundo chegam em catadupa e acabo por ficar sem tempo de qualidade para escrever. Continuo  apoquentado pela escolha do povo americano, ao que chegou a mal tratada democracia. Continuo triste pelo apoio do meu povo português à estupidez e prepotência dos americanos na palestina, e solidário com o povo israelita, que na sua maioria não aprova uma guerra que é um genocídio e que é a semente de nunca mais poderem viver em paz e tranquilos, sem muros. Continuo à espera, sentado, que haja um movimento de boicote à participação de atletas israelitas nas competições desportivas europeias. E nem sequer sonho com a abertura dos campeonatos desportivos europeus aos atletas desse país que é a Palestina, ocupada e subjugada pelo nazismo destes estúpidos judeus. Que, já agora, também foram escolhidos para governar numas eleições democráticas. A situação de pilhagem das terras da Ucrânia continua em aberto, e na ONU nada se consegue avançar para que as coisas voltem a ser como eram até à invasão da Crimeia, com apropriação desse território ucraniano pelo ditador imperialista eleito democraticamente pelos russos. Para os iluminados americanos, agora no poder, uma boa solução republicana passa por ter na Ucrânia uma espécie de territórios palestinianos, mas em vez de judeus a prender palestinianos na sua própria terra, ter russos a prenderem ucranianos em territórios "libertados" mas sem liberdade para viverem em paz.

A última vez que aqui registei alguma coisa foi no final de Janeiro. Enquanto não consigo ter tempo para escrever sobre as misérias deste mundo, resta-me partilhar aqui as pequenas alegrias culturais.

Foi hoje lançado mais um disco excelente da Maria João. Já ouvi todo, mais do que uma vez. É mais um disco para ouvir e ser transportado pelas emoções que esta artista nos dá, desta vez com a parceria do João Farinha, que traz um toque de grande modernidade na exploração de novas sonoridades, dando colinho musical ao enorme arrojo desta cantora. São 40 anos de carreira, que eu acompanho desde o seu início, é verdade, desde o seu início na Escola de Jazz do Hotclub. Por isso, sem falsas modéstias, quero para mim o título de fã número UM! O disco chama-se ABUNDÂNCIA. Aqui fica a partilha de um bocadinho:




Mas fica também o convite para explorarem mais, pode ser através deste canal do Youtube. Há uma versão, que volta a ser poderosa, do Beatriz. Quem também lançou músicas novas foi a Sally Potter. A artista que realizou alguns dos melhores filmes dos últimos anos dedicou-se também à música (já o fazia nalguns filmes seus), e vai lançar um trabalho musical (música e principalmente letra) sobre a forma como vê os problemas do mundo, o relacionamento com o nosso planeta, com os nossos semelhantes e distintos. Deixo também aqui dois videozinhos musicais, um com realização da própria e que já tinha aqui guardado há uns meses para partilhar no Malfadado, e um outro que é apenas música, já deste novo trabalho em formato LP intitulado ANATOMY.

domingo, janeiro 26, 2025

DAS LÍNGUAS QUE ENTENDEMOS, DA ESTUPIDEZ NATURAL

 A estupidez natural será o contraponto da inteligência artificial?

Estávamos a ver uma série francesa que passa na RTP2. Chama-se Lycée Toulouse-Lautrec, e tem alguma qualidade e muita actualidade. Cada episódio tem um nome, normalmente um conceito ou sentimento. Um dos episódios denomina-se "Peur". A narradora, que é a actriz principal, diz o seguinte (conforme a tradução que aparece nas legendas): "medo, substantivo do género feminino...". O merda que traduziu isto foi a inteligência artificial, ou foi só um tradutor naturalmente estúpida?



Já no jornal "A Bola" aparece a notícia de ontem, sobre o treinador argentino que vem para o Porto. E fala sobre uma comissão técnica do clube mexicano assinada para tratar do assunto. Ora aqui está mais um claro exemplo das traduções do castelhano feitas pelos jornalistas portugueses, aqui não há dúvidas sobre a estupidez natural. Porque uma comissão técnica pode ser nomeada, designada, empossada, indicada, eleita ou constituída, mas nunca assinada! Ainda que uma das possibilidades de assinar possa ser "designar", por via de uma palavra que já não se usa nos nossos dias, que é precisamente "assignar". Traduzir do espanhol não é aportuguesar estupidamente as palavras do castelhano, mas é o mais habitual na nossa imprensa, sempre se poupa nas despesas com tradutores. É por estas e por outras que eu não aconselho a assinatura de um jornal qualquer.

sábado, janeiro 25, 2025

TRAÇAR O DESTINO - CRÓNICA LITERÁRIA 4

Um dos grandes mistérios que nunca se poderá desvendar são os desígnios de Deus. Essa entidade a quem atribuem uma tão grande responsabilidade de dirigir a vida na Terra, e até a vida de cada um de nós. Essa tarefa divina que para alguns crentes lhes exige dedicações e pedidos vários, rezas e ladainhas. A mão de Deus pinta ou não os dias que nos são dados, esta é a pergunta do mistério. Conceição ajoelhou, mas não para rezar em posição de súplica. Antes de cair para o lado ainda conseguiu chamar a filha mais nova, Artemisa. Um destes dias luminosos de final do Outono, enquanto o Inverno se preparava para chegar à boleia das renas do São Nicolau, Conceição dava uns retoques numa das suas pinturas murais naquela que é a sua terra de adopção, onde os seus pés viajantes pisaram a terra lavrada pela paixão ardente e aí criaram raízes sólidas e profundas. Nesse mural, no largo da biblioteca municipal, as crianças têm um destaque especial. O destino fez com que Conceição, nesse final de ano de horizontes que depois se lhe renovaram sem que o tivesse pedido, encontrasse um vizinho que ali passava, desapressado. De pincel na mão lá ouviu esse vizinho e visita de casa comentar que em boa hora via esse trabalho de rejuvenescimento e de nova vida das crianças. É que nessa época religiosa de encontros e fraternidade, a esposa do vizinho tinha tido a ideia de se fotografarem ali mesmo, à frente do mural, para depois fazerem dessa foto o seu habitual cartãozinho de boas-festas. E com as cores reavivadas, era o ideal para a foto. Faltava ainda fazer essa foto. Artemisa já foi criança. Há quem a reconheça nos traços de uma das crianças do mural. A que segura na mão uma pequena ave, um passarinho que poeticamente jaz imóvel na pintura, mas que pode estar apenas ferido. Pode apenas ter batido numa janela, num vôo rumo ao seu destino, e caído do céu nas traseiras da casa dessa criança, que a segura e acarinha, segurando a sua vida. Artemisa é destas jovens que se isola do mundo cinzento em que vive, com a ajuda dos auriculares. A música nos seus ouvidos, a música na sua vida, é o que lhe dá fogo à arte que lhe corre nas veias. Traz nos genes a história de gentes simples de Cabo Verde, onde a arte se exprime de diferentes formas, mas de forma singular pela cultura que ali se desenvolveu. Mas da parte da mãe traz também, nos outros 50% dos genes, a arte e a história de gentes simples da Gândara e Gafanhas. De tempos de lavouras de transformação do moliço em fertilidade das terras agrícolas. Estaria Deus, por acaso, de passagem naquela rua partilhada por estes vizinhos, no dia em que Conceição caiu em prostração, em posição de súplica, e conseguiu ainda chamar por Artemisa? Nesse dia, a essa mesma hora, os vizinhos estão a enviar o seu cartãozinho de boas-festas aos familiares e amigos, desejando felicidades e um mundo melhor no futuro, com sorrisos e paz. Facilmente um ateu poderá constatar ironicamente que seria fácil Deus andar por estas paragens, não seria um acaso do destino. É que Deus não deve andar pelo Médio Oriente há muito tempo, a Palestina de certeza que não faz parte da sua rota turística. E também não anda pelo leste da Europa, nem perto dos demasiados europeus que escavam fossos para estarem longe de outras culturas, semeando ódios e medos do que é estrangeiro. E apesar da confiança cega dos norte americanos n'Ele, só essa cegueira explica que não vejam que Deus não anda nas suas vidas há tempo demais. E assim vai continuar por sua decisão democrática por mais uns aninhos, para infelicidade de outros tantos americanos que Deus também não vê. Estaria Deus de passagem, ou acaso ali criou raízes naquela rua que desemboca numa igreja de um lado, e que do outro lado dá acesso a um santuário mariano regional, cuja existência remonta a mais de 800 anos? Se a madeira falasse, talvez a figura de Santa Inês que ali existe, do lado esquerdo, nos desse a resposta. Ou comentasse, de forma televisiva ou em postura de influenciadora de esquerda, a criticada ausência de Deus dos mares e desertos onde milhares perdem a vida todos os anos, apenas porque vão em busca de uma vida condigna. Quantas vezes se afogam com rezas na boca, que não chegam ao céu? Que não estando lá para atender a essas súplicas, o Altíssimo pode então estar distraidamente a tecer o destino nessa rua. Conceição tem três filhas, todas diferentes, todas iguais. Nessa tarde apenas partilhava a casa com Artemisa, por acaso não estava só, nem no seu isolado atelier de pintura. Estava em casa e tinha companhia. Essa inexperiente companhia, em idade de procura do seu espaço vital, ouvia os últimos compassos da música Cair do Céu, na voz da Maria João, nas notas do Mário Laginha. "se eu escorregar céu abaixo, atiras-me um cometa para me paraquedear, ou então põe-me uma nuvem branca e escura, como uma cama de água quente embaixinho dos meus pés, para eu me deitar". Só por acaso ouviu chamar o seu nome, talvez o final da música deixasse essas quatro sílabas ultrapassarem a barreira dos auriculares, talvez não ouvisse o nome mas sentisse a súplica. E naquela hora, naquele segundo instantâneo, ao contrário de ficar mais um bocadinho no seu mundo de arte, respondeu à chamada. E desceu. Que linhas do destino se podem tecer para, alguns dias depois do chamamento em desespero, os vizinhos que usaram as pinturas de Conceição no seu cartãozinho encontrarem a sua filha Artemisa numa outra cidade, numa pastelaria ao acaso? A pastelaria que por acaso tem o nome da deusa que nasceu numa concha de madrepérola e que Camões nos contou que era a maior fã e a deusa tecedeira do destino das viagens dos portugueses por esses mares afora, assim criando laços com ilhas e terras mais ou menos distantes da lusa atenas. Naquele dia, naquela hora de passagem por um local estranho a todos, e respondendo à pergunta obrigatória do que faziam ali Artemisa e a sua irmã mais velha, ela própria contou que estavam ali na sequência do AVC sofrido por Conceição. E relatou como tudo aconteceu, e como encontrou a vítima já completamente caída e lhe falou sem obter resposta, inanimada. E logo telefonou a pedir ajuda. Emergência chamada, hospital local, encaminhamento para hospital de referência. Nessa tarde estavam ali para a hora da visita, já tinha passado o maior perigo. O perigo da hemorragia no cérebro provocar o coma, a morte cerebral. Em observação médica para evitar sequelas piores, na esperança de escapar sem sequelas. Um quase milagre. É o destino que tem destas coisas, do acaso, das improbabilidades se concretizarem? Ou é caso para pensarmos que nada acontece ao acaso, tudo tem que ter uma explicação? É a nossa imaginação que nos faz criar as linhas do destino, juntando encontros e desencontros pontuais da vida? Ou existem mesmo e não havendo melhor explicação deixamos que sejam as entidades divinas as suas fiadeiras? O postalinho, para quem ainda não viu, malfadado link aqui.

sexta-feira, janeiro 24, 2025

MANUEL DE OLIVEIRA, MAS NÃO É O CINEASTA




No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, o espetáculo Lá no Xepangara – A Cultura Africana em José Afonso pretende refletir sobre a forte presença da cultura africana na vida e obra de José Afonso e sobre o seu papel na luta pela descolonização, democratização e desenvolvimento da sociedade e cultura lusófonas.

Sob a direção artística de Manuel de Oliveira, tem como principal objetivo a aproximação da comunidade lusófona e dos jovens a uma personalidade incontornável na luta pela Democracia, enaltecendo assim a contemporaneidade e, sobretudo, o caráter universal da obra de José Afonso.

O espetáculo conta com as vozes de Selma Uamusse (Moçambique), Karyna Gomes (Guiné Bissau), Isabel Novella (Moçambique), Edu Mundo (Portugal) e Fred Martins (Brasil), Manuel de Oliveira na guitarra, Carlos Garcia nas teclas, Albano Fonseca no baixo e Dilson Pedro (Angola) na percussão.

quinta-feira, janeiro 23, 2025

A INJUSTIÇA ATACA DE NOVO

 Um destes dias fiquei contente ao ler o título de uma grande notícia (link a seguir): 

Multa diária põe em xeque bolsos do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça


Referia esta notícia que um juiz tinha tido a coragem de aplicar a lei, mesmo sendo a sua decisão a de condenar o presidente do Supremo Tribunal de Justiça - STJ, que lidera, por inerência o Conselho Superior da Magistratura - CSM. Tudo começou em 2021. De um lado estava um órgão de comunicação social. Mas não um qualquer, um com verdadeiros jornalistas, desses com carteira profissional, dos que conhecem e praticam o código deontológico. Do outro lado o CSM, e o caso de esconderem dos jornalistas o inquérito à distribuição do Caso Marquês (sim, o caso que envolve as "fotocópias" do Sócrates).

Ora nestas coisas de chico espertices nos processos judiciais, não são só os advogados a tentarem atrasar a aplicação da lei. É o próprio CSM a ignorar a legislação do acesso aos documentos administrativos. Uma lei que é clara, que quando há dúvidas de alguém mais obtuso a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos esclarece. Mas o CSM insiste em não cumprir. Em 2022 diz uma bem identificada senhora juíza do CSM aos jornalistas para recorrerem ao Tribunal Administrativo, se quiserem que eles cumpram a lei. Incrível? Mas é verdade. Simplesmente para que quem está no alto da magistratura cumpra uma lei que é clarinha como água, exigem que se recorra para o moroso e caro caminho dos tribunais.

Estamos em 2025 e finalmente sai a sentença final, a que vai obrigar o CSM a mostrar na íntegra o tal documento administrativo que durante anos a fio esconderam. Mas nessa sentença final o mesmo juiz avalia o desempenho do CSM em toda esta vergonhosa história e considera que as senhoras juízas e os senhores juízes do CSM que nunca quiseram aplicar a lei, nem seguir um parecer superior, nem sequer acatar duas sentenças e um acórdão, não o fizeram de má-fé. E, como tal, as custas judiciais ficam por conta dos lesados. Só em custas todo o processo passa dos mil euros, a pagar pelo órgão de comunicação social. Que, em boa hora, constituiu um fundo jurídico, aberto a donativos.

Não resisti a comentar esta notícia no Facebook... aqui fica o que escrevi: "A senhora que de forma absolutamente condenável respondeu que se quisessem que se cumprisse a lei teriam que recorrer aos tribunais devia ter vergonha e pagar todas as custas judiciais, por sua iniciativa e do seu próprio bolso. Mas conhecendo eu como conheço este género de gente, que vive muito acima da média com o nosso dinheiro, os mais de mil euros de custas e despesas ficam por conta dos prejudicados. Uma justiça verdadeira colocaria esta senhora na rua, junto das suas congéneres que foram socialmente desfavorecidas, sem hipóteses de estudar e seguir uma carreira."

Estas coisas das injustiças da justiça foram a inspiração primordial para a entrada em cena deste malfadado blogue. Fica a minha dúvida: desde essa data até hoje as coisas evoluíram na Justiça, no sentido de minimizar as injustiças? Acho que sim. Mas não parece nada. E muito menos transparece!

quarta-feira, janeiro 22, 2025

DIVULGANDO O BLOGUE PESSOAL DE UM VERDADEIRO AMIGO DA CULTURA

 Conheci o Pedro Mendes há muitos anos atrás, foi um dos membros mais activos do Maria João - Clube de Fãs. O nosso mestre da informática, ainda que houvessem outros a trabalhar nessa área. Guardo boas memórias com ele. Depois ele e um par de amigos criaram o Coffeepaste, sobre o qual já aqui falei no Malfadado. Um projecto que vale bem a pena apoiar e divulgar. Agora o Pedro decidiu alimentar um blogue, com coisas pessoais que acha importante partilhar ou lançar para reflexão, com vídeos e tudo no seu canal Youtube. Fica aqui o link e o convite para espreitarem (clicar aqui). E lá estará também no cabeçalho o Coffeepaste!

terça-feira, janeiro 21, 2025

FUNDO AMBIENTAL PAGA COMPARTICIPAÇÕES DE 2023

É assim o nosso governo, no que diz respeito a apoios a cidadãos contribuintes. Em 2023 abriu um aviso para candidaturas a projectos de investimento em energias alternativas, mais de um ano depois de fecharem as candidaturas é que andaram a avaliar e a fazer os pagamentos. Assim, ainda antes de acabar 2024, lá conseguimos ver chegar o valor da comparticipação pelo investimento na produção de energia fotovoltaica para autoconsumo na Casinha Gandaresa. Se calhar este importante investimento pessoal, que está a produzir energia eléctrica para a rede nacional (através da Coopérnico!) ainda não tinha sido aqui referido no Malfadado.

O novo governo decidiu então descontinuar muitos dos apoios às energias alternativas. Senão teríamos concorrido em 2024 com a substituição do painel solar para aquecimento de águas (que durou cerca de 15 anos) pelo sistema mais moderno que usa a bomba de calor para produzir água quente. Na verdade é um sistema que consome energia eléctrica, mas de forma muito eficiente, e que trabalha a todas as horas, não dependendo dos dias de sol. Antes não gastávamos nenhuma energia eléctrica, mas nalguns dias tínhamos que recorrer ao esquentador a gás. Agora deixámos de usar o esquentador. Mas não podendo recorrer aos apoios ambientais, o investimento realizado dificilmente será amortizado nos nossos dias. Economicamente falando, em termos de contas pessoais, era melhor continuar a usar o esquentador. E voltar aos banhos de água fria, que também são melhores para a saúde individual.

Não vou falar do excesso de burocracia e da dificuldade em tratar das candidaturas e depois dar resposta às questões levantadas...

quinta-feira, janeiro 02, 2025

ELA ESTÁ DE VOLTA

 

Com indicações úteis, mas ditas de uma forma cómica. Não é para crianças. Depois deste vídeo de regresso, já publicou outro, vão lá ao canal e subscrevam. A Beatriz gosta pouco, gosta...!!!

quarta-feira, janeiro 01, 2025

CONCERTO DE ANO NOVO

 Tal como no ano passado conseguimos ir ao concerto de ano novo, com a Orquestra Filarmonia das Beiras. Só os dois. Desta vez não encontrei ninguém que eu conhecesse (na verdade não me apeteceu falar ao presidente Ribau Esteves). Mas depois do jantar, ao passar de carro numa paragem de autocarro, vejo uma pessoa sozinha, encolhida com o frio, e parece-me reconhecer uma vizinha da nossa rua. Voltámos atrás. Era mesmo ela. A mãe dos irmãos Baker. Já não havia autocarros a essa hora, num dia feriado.


Com este cartãozinho quero ainda agradecer a todos os amigos que de uma forma ou de outra criaram com amor e boa vontade cartõezinhos de amizade, e que nos fizeram chegar em resposta aos nossos votos da temporada festiva. BOAS CAMINHADAS PARA 2025 a todos. Se conseguir partilho aqui um par desses cartões de amigos, mantendo, claro está, o anonimato, nunca se sabe se os autores querem que fique para a posteridade nesta memória malfadada.