A IA é danada!
E pode ser daninha. Esse é um dos temas do momento sobre esta ferramenta a que já muita gente deita a mão. Às vezes sem saber bem as implicações futuras deste presente.
Volvido o prazo para candidatar os trabalhos ao Concurso Literário João Grave, uma iniciativa dirigida aos munícipes de Vagos, encontrei-me com o meu amigo Tiago, que me tinha cedido uma poesia sua, a letra de uma música que ele tinha composto e produzido com o seu nome artístico Juno the First (link aqui para uma das suas criações, onde fala sobre ele, no Soundcloud), para incluir no meu trabalho criativo.
A dada altura da conversa ele diz-me que na origem dessa letra, sobre as Nações Unidas, esteve um texto gerado pela Inteligência Artificial.
O QUÊ?
Então eu tinha incluído no meu texto uma coisa com recurso à IA? Fiquei surpreendido e ele disse-me que normalmente não usa a IA nos seus poemas, que são mais que muitos. Demasiados, até, para a minha sensibilidade artística. Mas que para ele fazem todo o sentido e o ajudam no seu dia-a-dia, isso é um facto.
Nesse dia eu andava com a Pingas em Vagos, uma cadela espectacular que tem heterocromia. E para exemplificar como faz, logo ali na rua e com acesso ao seu telemóvel, pediu à sua IA para fazer um poema para uma cadela que se chama Pingas e que tem heterocromia.
O resultado foi este, que aqui deixo, porque é de facto impressionante.
A Pingas tem os seus Mundos
Num olhar que o sol desenha,
Um segredo a cadela guarda:
Uma íris de terra castanha,
Outra de céu que a alma guarda.
Ó Pingas, do alto das tuas quatro patas,
Tens um olhar que é bússola e farol,
Unes o azul das manhãs mais exactas
Ao tom doce e quente de um fim de sol.
Se num olho espelha o oceano profundo,
No outro retém o brilho doce do mel;
Traz no focinho a magia do mundo,
Uma pincelada de luar, raio fiel.
Corres livre, entre sombras e luzes,
Com a sorte a brilhar em cada iris,
És a Pingas, que a vida seduzes,
Dona de um encanto que nunca perdes.
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