terça-feira, março 17, 2026

NADI

 A Nadi foi dar uma volta e não voltou. Ainda pensei que se poderia ter distraído, e não ter dado pelo passar do tempo. Mas esperei, voltei ao lugar, apitei, chamei, dois dias depois andei por ali na mesma zona, procurei, esperei, indaguei, esperei, deixei comida, esperei... e nada de Nadi. Resta divulgar no Facebook, pois já andei nas aldeias e mostrei a foto, e deixei contactos e foto na GNR de Paranhos da Beira. A Nadi tem chip, mas isso de pouco serve num mundo rural onde ainda existem armadilhas para capturar animais selvagens (sejam elas de dentes e "Clac", o animal fica preso ou morre imediatamente, para depois se tirar a pele e vender, ou sejam elas um laço de arame, em que o animal enfia a cabeça e quando se tenta libertar vai apertando mais e mais, e morre "enforcado", cobardemente asfixiado, para depois se tirar a pele, ou caso seja um javali, para se vender a carne). Ainda tenho uma pequena réstia de esperança que assim não tenha sido, e que se tenha desorientado e ande por aí à procura do caminho de casa.

É uma amargura...

Já em jeito de recordação aqui fica uma colecção das fotos que consegui juntar, desta cadela que comigo andou no interior e no litoral, em jardins e floresta, em campos e cidades. Da cadela que não era minha, mas que perfilhei e ajudei a transformar o seu quotidiano solitário, de corrente e casota de cimento, com dias de muita animação e contacto com muitos outros cães. E com gatos também...

A Nadi nasceu em 2018, foi esterilizada, esteve quase a morrer envenenada por ingerir veneno em ratazanas ressequidas. A Nadi foi atropelada, pancada forte na cabeça, o carro passou-lhe por cima, mas não partiu nada, só que ficou surda de um ouvido. Mas ouvia bem demais do outro ouvido, só não conseguia era perceber de que lado vinha o som, tinha que olhar e reolhar para ver se percebia de onde vinha o som. A Nadi tinha o nome de Nádia, mas eu mudei para um nome mais sonoro e canino. Um amigo chamava-lhe Nadine, um nome menos canino.

Ficam as fotos que consegui juntar:

















O que é que eu aprendi? Muita coisa, mas a última coisa foi: com um cão assim, que persegue cheiros por todo o lado e se afasta muitíssimo do ponto de partida, há que comprar um sistema de localização com GPS. Não que ela se perdesse, mas pelo menos para poder tentar salvá-la em caso de acidente ou em caso de ficar presa numa armadilha ilegal.




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