sexta-feira, março 06, 2026

AINDA A GUERRA SANTA

 Há uma coisa que me faz muita confusão: então os EUA deixam de apoiar financeiramente a Ucrânia, cortam apoios a mil e uma instituições, nacionais e internacionais, de apoio ao desenvolvimento, e agora gastam milhões e milhões para apoiar um governo de um país que tem instalado um regime totalitário? Para apoiar um país que também não está sob a jurisdição do TPI - Tribunal Penal Internacional?

Com a saída dos EUA, que poupa em gastos militares na Europa, vamos estar todos os europeus a gastar mais em armamento, para ajudar esses mesmo EUA a abrirem novas frentes de guerra? Vamos ser cúmplices de mais e mais matanças de populações inocentes?

Acreditamos mesmo que só as guerras são a solução para resolver todos os problemas que a humanidade tem entre mãos? Ou será que as guerras são mesmo boas mas apenas para estes empresários da indústria de armamento, que vivem à grande, longe dos locais bombardeados?

Quando há um país que tem um regime de apartheid, que ocupa terras e expulsa os seus habitantes, que promove acções terroristas, sendo assim um estado terrorista, que está fora da justiça internacional, que se sente intocável nas Nações Unidas e em várias organizações internacionais (até na UE), é deixado à solta, que podemos esperar de bom?

Como escreveu o nosso Fausto:

"Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver
Ó Ana vem ver


Barcos em chamas erguidas
Parecia coisa sonhada queimados
Os gritos horrendos da besta ferida
E lá dentro ardiam homens encurralados
E cá fora à cutilada
Decepados pela calada
Pelos peitos já desfeitos


Chora por mim ó minha infanta
Escorre sangue o céu e a terra
Ah, pois por mais que seja santa
A guerra é a guerra"

quinta-feira, março 05, 2026

PATÉTICOS, OS COMENTÁRIOS ANÓNIMOS

 A propósito da petição que aqui divulguei há um par de dias, houve alguém, ou um programa de IA americano, que escreveu um comentário. Não era insultuoso, mas eliminei-o na mesma. Ainda assim copio-o aqui, para uma breve reflexão: "Talvez mais uma flotilha. Afinal o Irão apadrinha o Hamas, o Hezbolah, os Houtis e todo o mundo terrorista. E é um país exemplar, um regime onde deve dar gosto viver, repressão da boa. Mas sobre isso nem uma palavra."

Sobre isso, o regime onde deve dar gosto viver, repressão da boa, aqui fica então uma palavra: Israel. Com apartheid para os seus nativos e residentes, repressão da má, país exemplar. E já agora, com arsenal nuclear. E que nos últimos tempos invadiu Palestina (enfim, invadiu...), Líbano, Síria (país com o qual não tem fronteira). E bombardeou o Irão, tendo na altura destruído as instalações onde pretensamente estavam a ser fabricadas as bombas nucleares (o presidente dos EUA gabava-se de terem destruído para sempre), assassinando cientistas. Antes dessa invasão já tinha feito alguns atentados e assassinado pessoas no território do Irão (país com o qual não tem fronteira). Assassínios também no Dubai (em 2010) e mais antigamente em Chipre, França, Itália, Malta, Jordânia. Mais recentemente houve um bombardeamento no Catar, assassinando pelo menos 6 pessoas.

O Irão só apadrinha o Hamas, o Hezbolah e talvez os Houtis, não apadrinha todo o mundo terrorista. E essas organizações todas não foram criadas pelos iranianos, são pessoas de outras nacionalidades que se organizaram para lutar contra uma qualquer injustiça.

Se os EUA quisessem mesmo depor regimes totalitários e que massacram milhares de pessoas anualmente, faziam frente ao Putin, e acabavam com a guerra na Ucrânia e na Europa, antes de irem promover outra guerra e mais milhares de mortos noutro local.

Israel só está a bombardear o Irão porque tem o apoio do exército dos EUA, que por sua vez tem o apoio de ingleses e vários outros países europeus. E está a aproveitar a confusão para alargar a destruição e assassinatos promovidos na Faixa de Gaza a outros territórios palestinianos e ao Líbano, que deveria ser um país independente e as suas fronteiras e população respeitadas.

É um bocado patético fazer um comentário anónimo para repetir um discurso de ódio promovido pela imprensa, aquela mais difundida e que está nas mãos de gente com interesses económicos que vivem destas e de outras guerras. Repetir uma visão do mundo que não tem nada de justiça social, mas apenas de valorização de mercadorias. Repetir uma visão do mundo em que o mal está sempre do mesmo lado, nos outros e nos que têm uma cultura diferente.

Não será difícil um programa com IA, promovido pelos defensores das guerras, para produzir comentários como este que aqui reproduzi na íntegra, trazendo confusão e generalizações que promovem a desinformação. Por isso, vou sempre eliminar comentários anónimos, e talvez os aproveite para mais uma longa reflexão como esta.

E aproveito para apelar a assinarem a tal petição do Bloco, ou outra equivalente que peça para acabar com mais esta guerra.

quarta-feira, março 04, 2026

SERÁ PATÉTICO ACREDITAR EM CONTOS DE FADAS? VSM EM NOVA ENTREVISTA

 

"É patético acreditar no conto de fadas do derrube do regime iraniano para instaurar uma democracia"
"Sem a pressão externa dos Estados Unidos, com o acesso aos seus recursos naturais, sem a ameaça do outro regime teocrático, que capturou a democracia israelita, o povo iraniano encontraria — encontrará? — o caminho interno e livre para reformar o seu sistema constitucional e político"
São duas citações das palavras de Viriato Soromenho Marques a propósito dos crimes cometidos por Israel e EUA. Os mais recentes, claro, mas com todos os mais antigos, para ajudar a entender o presente. Toda a entrevista à CNN pode ser lida aqui (link). Recomendo para quem acha que sabe a História.

terça-feira, março 03, 2026

ENTREVISTA SEMPRE ACTUAL - RESIDENTE E O GENOCÍDIO

 

Tem já 2 anos a entrevista, que infelizmente ainda tem partes muito actuais. Fica este resumo, numa publicação do jornal El País.

segunda-feira, março 02, 2026

PETIÇÃO DIRIGIDA AO GOVERNO E AR - CONDENAR A AGRESSÃO ILEGAL

 Deve ser a primeira petição a propósito da ilegalidade dos bombardeamentos executados pelos exércitos de Israel e dos EUA. É lançada pelo Bloco, o texto pode ser lido e subscrito aqui neste link (clicar). O texto fala das Forças de Defesa de Israel, mas por outro lado refere o assassinato.

domingo, março 01, 2026

ELIMINAÇÃO OU ASSASSINATO?

 Aqui está a pergunta que eu aqui deixo. O líder do Irão foi vítima de um atentado, ou foi executado por ser um criminoso?

Pista 1 - Nos EUA a pena de morte ainda é aplicada nalguns estados, pouco mais de 50% dos estados. Mas também a nível federal, aplicando-se em casos de homicídio. As recentes eliminações de cidadãos americanos no Minnesota, por forças policiais comandadas pelas gentes amigas de Trump, não estão incluídas em casos de pena de morte, porque esta condenação está abolida neste estado americano desde 1911.

Pista 2 - Em Israel a pena de morte existe na legislação, mas quase nunca foi aplicada. No entanto, a extrema-direita (no poder) aprovou no final de 2025 uma lei que permite a execução de palestinianos se praticarem crimes graves contra israelitas. Morte mas só de palestinianos. Não é por acaso que o estado israelita é um regime de apartheid.

Pista 3 - Nas notícias em Portugal, as parangonas anunciam: líder do Irão foi eliminado. Os jornalistas escrevem nas suas peças que foi eliminado. O termo é usado indiscriminadamente. Certo é que nas cadeias internacionais americanas e inglesas o termo usado foi a eliminação. Na RTVE (Espanha) vejo pela primeira vez a designação correcta: asesinado (assassinado em bom português). Na Al Jazeera também vi que ele tinha sido murdered (assassinado em bom português).

Pista 4 - O IDF (sigla em inglês de Forças de Defesa de Israel), quando iniciou o genocídio em Gaza, era sempre mencionado como o exército de defesa de Israel. Depois, com o continuado abuso dos direitos humanos e do direito internacional, apareceu menos. Agora que ataca violando todos os princípios já quase não se ouve essa expressão. Quando se referem ao IDF já dizem as forças de Israel, ou o exército de Israel.

Foi assassinado? Então porque temos em Portugal órgãos de comunicação social a usar o termo eliminação?