aqui se narram as aventuras de um portuguesito que desde tenra idade é vítima de erros vários, mas com abertura para outros textos de reflexão e de intervenção cívica
sexta-feira, outubro 23, 2026
TALKING HEADS - CABECINHAS PENSADORAS!!!!
quinta-feira, outubro 22, 2026
KARANKONKOLOS E A AMIGA FAIRY AMORA
Pois é, há muito tempo que o Malfadado não registava um título tão esquisito. Mais um vídeo (este é mesmo fresquinho!!!) elaborado com muita dedicação por um amigo que nas suas horas livres se envolve com a IA para contar estas histórias fantásticas. Neste canal do Youtube e na descrição de cada vídeo estão as explicações e informações todas.
quarta-feira, outubro 21, 2026
PONTOS DE VISTA - VIGÍLIA POR QUEM SOFRE PELA FALTA DE ACESSO À HABITAÇÃO
Fica aqui o convite para lerem o artigo de opinião publicado no Jornal Maio, que aborda a questão da vigília que foi corrida à pancadaria, por ordens de gente que tem culpas no cartório. (link aqui).
Ainda sobre o mesmo assunto, e por ter sido uma questão que proporcionou sermos brindados com opiniões de comentadeiros, fica aqui o esclarecimento esclarecido da AI (não é a sigla da IA na sua forma inglesa) - Portugal:
No âmbito da campanha global “Protege a Liberdade” cujo
objetivo é a proteção do direito à liberdade de expressão, e do direito à
reunião e à manifestação pacíficas, a Amnistia Internacional – Portugal
preparou esta página com material informativo relativo à legislação portuguesa.
O conteúdo estará em atualização permanente e visa, acima de tudo, garantir o
direito à informação de todos os cidadãos – ativistas e membros de movimentos
sociais ou não – de uma forma clara e acessível.
(Lembramos que estes conteúdos não dispensam a consulta da lei no formato
original, tal como jurisdição relevante já produzida sobre cada uma das
matérias abordadas.)
O DIREITO DE MANIFESTAÇÃO ESTÁ CONSAGRADO NA CONSTITUIÇÃOPORTUGUESA – ARTIGO 45º - (link para publicação no Facebook da AI - Portugal)
O direito à reunião e à manifestação é regido pelo Decreto-lei 406/74
Notificação
Os organizadores da manifestação devem enviar uma notificação por escrito
(carta ou e-mail) às autoridades municipais, com pelo menos dois dias úteis de
antecedência, assinada por três promotores (nome, profissão e morada) (art.2º),
com indicação do local, a hora e o objeto da reunião/manifestação. As
autoridades devem emitir um recibo de receção (art.3º).
NOTIFICAR NÃO É PEDIR AUTORIZAÇÃO
Horário e itinerário
Cortejos e desfiles só podem ter lugar aos domingos e feriados e, aos sábados,
a partir das 12h. Nos restantes dias, podem realizar-se a partir das 19h30 (art.4º).
As autoridades podem alterar itinerários, se tal for indispensável, para
assegurar o bom ordenamento do trânsito. As alterações devem ser comunicadas
por escrito aos promotores (art.6º).
As manifestações podem ser obrigadas a cumprir uma distância de 100 metros de
sedes de órgãos de soberania, instalações militares, prisões, embaixadas ou
consulados e sedes de partidos (art.13º).
Interrupção
As autoridades só podem interromper uma manifestação (notificada ou não) se
houver a prática de atos contrários à lei que perturbem a ordem e a
tranquilidade públicas, e o livre exercício dos direitos das pessoas. Para isso
têm de apresentar auto da interrupção, justificando a decisão e entregar uma
cópia aos promotores (art.5º).
Contramanifestações
Cabe às autoridades assegurar que reuniões, comícios, manifestações ou desfiles
em lugares públicos decorrem sem a interferência de contramanifestações que
possam perturbar o livre exercício dos direitos dos participantes. (art.7º)
Os contramanifestantes que interfiram, impedindo ou tentando impedir o livre
exercício do direito de reunião podem ser punidos de 3 a 10 anos de prisão (art.15º).
Ocupações
Não é permitida a realização de reuniões, comícios ou manifestações com
ocupação abusiva de edifícios públicos ou particulares art.12º.
Sanções e punições
A realização de reuniões, comícios, manifestações ou desfiles contrários ao
disposto na lei (falta de notificação, fora do horário previsto, etc.) incorrem
no crime de desobediência qualificada (art.15º).
As autoridades que impeçam ou tentem impedir, fora das condições impostas pela
lei, o livre exercício do direito de reunião podem ser punidas e sujeitas a
procedimento disciplinar (art.15º).
Captação de Imagem
Os cidadãos têm legitimidade para capturar imagens da via pública que contenham
elementos policiais em serviço, elementos de segurança privada ou outras
pessoas, sem o seu consentimento, sempre que a imagem destes esteja enquadrada
na de lugares públicos, ou na de factos de interesse público, ou que tenham
decorrido publicamente (art.
79°, n.°2, do Código Civil).
Exceções: Casos em que o enfoque é o rosto ou aspetos físicos distintivos
desenquadrados. ou haja “prejuízo para a honra, reputação ou simples decoro” do
elemento policial (artigo
79°, n.°3 do Código Civil).
Fins comerciais que exigem outras licenças específicas
terça-feira, outubro 20, 2026
MAIS UMA PARTICIPAÇÃO NUM PROCESSO DE DISCUSSÃO PÚBLICA - PORTAL PARTICIPA
Na defesa do nosso mundo rural e de quem ainda lá vive, mas também de quem ainda lá vai para fazer da sua vida uma coisa alegre e com saúde, lá fui reforçar a minha oposição ao megalómano projecto Sophia, que é promovido com os lucros escandalosos de empresas multinacionais (sim, destes que mamam na exploração dos combustíveis), e que neste caso queriam deitar a mão a partes muito significativas da Beira Baixa.
Desta vez, para variar, e para não me repetir nos argumentos, pedi ajuda à IA, e o resultado copio-o já aqui a seguir. A conclusão é que os painéis solares concentrados são realmente vantajosos, mas só para quem os quer construir. Para os cidadãos é sempre prejudicial, sendo de preferir instalar os painéis fotovoltaicos em telhados e/ou parques de estacionamento. Alguém duvida que se não fossem as mais de 8150 pessoas/instituições a participarem (número final, editado posteriormente a 22!!!), este projecto seria desde logo aprovado por todas as instituições públicas que deveriam zelar pelo ordenamento do território, pela conservação da natureza e pela saúde das populações?
"Anexo à participação de João Paulo Pedrosa na consulta
pública do projecto “Central Solar Fotovoltaica de Sophia e LMAT associadas -
projeto reformulado”
Pergunta à IA:
Existe alguma vantagem na instalação de grandes centrais fotovoltaicas, em
comparação com a instalação de várias pequenas centrais fotovoltaicas em
telhados e parques de estacionamento?
Resposta gerada pela IA:
Sim, existem várias vantagens técnicas, económicas e
operacionais na instalação de grandes centrais fotovoltaicas (geralmente
conhecidas como parques solares de utilidade pública) quando comparadas com a
produção descentralizada em telhados e Carports (parques de estacionamento).
Embora ambas as abordagens sejam cruciais para a transição energética, as
grandes centrais destacam-se pelos seguintes fatores: [1]
1. Economias de Escala Significativas
O custo por watt instalado numa grande central é substancialmente inferior ao
de dezenas ou centenas de pequenas instalações dispersas. [1]
Aquisição e Logística: A compra de equipamentos (painéis, inversores de grande
porte, cablagem) em volumes massivos reduz os preços unitários junto dos
fabricantes.
Custos de Instalação: A montagem em solo plano e aberto recorre a processos
padronizados e automatizados (como a cravação de estacas), ao passo que os
telhados exigem trabalho em altura adaptado a cada tipo de cobertura (ardósia,
telha, zinco) e reforços estruturais específicos. [1, 2]
2. Maior Eficiência e Otimização Tecnológica
As grandes centrais conseguem extrair muito mais energia da mesma quantidade de
painéis solares devido a condições técnicas superiores:
Uso de Rastreadores Solares (Trackers): Os grandes parques utilizam
rastreadores solares que movem os painéis ao longo do dia para seguirem o sol,
aumentando a produção de energia em até 25% a 30%. Este tipo de tecnologia
mecânica é economicamente inviável e pesado para a maioria dos telhados
residenciais ou comerciais. [1]
Orientação e Inclinação Perfeitas: Em terra livre, os painéis são instalados
com o azimute e a inclinação ideais para aquela latitude (ex: virados a Sul no
hemisfério norte). Nos telhados, a instalação fica refém da orientação e
inclinação originais do edifício. [1, 2]
Ausência de Sombreamento: Os parques solares são limpos de obstáculos. Já nos
centros urbanos, os painéis sofrem frequentemente com o sombreamento de
árvores, chaminés, edifícios vizinhos ou postes, o que prejudica drasticamente
o rendimento do sistema. [1, 2]
3. Facilidade de Manutenção e Gestão da Rede
Manutenção Centralizada: Monitorizar, limpar ou reparar milhares de painéis num
único local é muito mais rápido e barato do que gerir centenas de
micro-instalações espalhadas pela cidade.
Estabilidade da Rede Elétrica: É mais simples para as empresas distribuidoras
de eletricidade gerir e integrar na rede o fluxo de energia vindo de um único
ponto de ligação de alta tensão (com sistemas avançados de controlo e
armazenamento por baterias acoplados) do que equilibrar a injeção bidirecional
e intermitente de milhares de pequenos produtores de baixa tensão a nível
local.
4. Menos Restrições de Segurança e Regulamentação
Os sistemas em coberturas urbanas exigem normas de segurança muito estritas
devido ao risco de incêndio acima de áreas habitáveis, exigindo eletrónica
extra de desligamento rápido (rapid shutdown) e proteção contra arcos
elétricos. As centrais no solo têm perímetros isolados, reduzindo a
complexidade de segurança civil imediata. [1]
________________________________
Resumo Comparativo
|
Fator |
Grandes Centrais (Solo) |
Pequenas Centrais (Telhados/Parques) |
|
Custo por Watt |
Muito mais baixo (elevada economia de escala) |
Mais alto (instalações personalizadas) |
|
Rendimento Energético |
Máximo (com rastreadores e orientação ideal) |
Limitado pela estrutura e sombras |
|
Uso do Espaço |
Ocupa terrenos livres (agrícolas/baldios) |
Excelente (aproveita áreas já construídas) |
|
Perdas na Transmissão |
Maiores (a energia viaja do campo até às cidades) |
Mínimas (produzida junto ao local de consumo) |
Se quiseres, posso explicar-te melhor como funcionam as
comunidades de energia renovável (autoconsumo coletivo), que tentam juntar o
melhor destes dois mundos em Portugal. O que te interessa analisar a seguir?
[1]
NOVA PERGUNTA À IA:
Mas nesta análise de custos não aparece considerado o custo
com a construção e manutenção de grandes postes e linhas de alta tensão.
Porquê?
Resposta da IA:
Tem toda a razão na sua observação. A sua crítica é
perfeitamente válida e toca num dos pontos mais debatidos na economia da
energia: o custo total do sistema (system-wide cost).
A razão pela qual esses custos (postos de transformação, subestações e linhas
de alta tensão) muitas vezes não aparecem de forma direta na análise inicial de
custo por watt do promotor é porque, estruturalmente e financeiramente, eles
são contabilizados e pagos de forma diferente.
Eis o porquê de essa componente não aparecer na comparação simples e como ela
afeta o equilíbrio real:
1. Separação de Custos: Produção vs. Transporte
Nas análises de mercado standard, avalia-se o LCOE (Levelized Cost of Energy -
Custo Nivelado da Energia), que mede estritamente o custo de gerar um
megawatt-hora à saída da central.
O custo do parque: O investidor privado paga a ligação da central até ao ponto
de interligação mais próximo (que pode ser a alguns quilómetros).
O custo da rede: A expansão e manutenção da grande rede de transporte de Alta e
Muito Alta Tensão (gerida em Portugal pela REN) é um investimento de
infraestrutura nacional. Este custo é diluído e pago por todos os consumidores
de eletricidade através das tarifas de acesso à rede (as taxas reguladas que vê
na sua fatura da luz), e não diretamente pelo bolso do produtor daquela central
específica.
2. O Impacto Oculto das Linhas de Transmissão
Quando incluímos a perspetiva macroeconómica (o custo para o país e para o
sistema elétrico), a vantagem das grandes centrais diminui devido a dois
fatores que mencionou ou sugeriu:
Custo de Infraestrutura: Construir quilómetros de linhas de alta tensão, torres
e subestações em zonas remotas exige investimentos de milhões de euros.
Perdas de Transporte (Perdas na Rede): A eletricidade que viaja centenas de
quilómetros desde um parque solar no Alentejo até aos centros de consumo (como
Lisboa ou Porto) sofre perdas por efeito Joule (dissipação em calor). Cerca de
5% a 10% da energia produzida dissipa-se nas linhas antes de chegar ao destino.
O Trunfo dos Telhados e Parques de Estacionamento
É precisamente aqui que a geração distribuída (telhados e carports) ganha uma
enorme vantagem competitiva:
Geração junto ao consumo: A energia é consumida no próprio edifício
(autoconsumo) ou no vizinho mais próximo.
Poupança na rede: Não há necessidade de construir novas linhas de transporte,
postes ou subestações.
Perdas quase nulas: Como a distância percorrida pela eletricidade é de apenas
alguns metros, as perdas por transmissão são praticamente inexistentes.
Resumo do Equilíbrio Económico
Em suma, as análises simplificadas focam-se apenas no custo de fabrico e
instalação do painel (onde o grande parque ganha por larga vantagem). No
entanto, quando adicionamos o custo real de transportar essa energia, o modelo
descentralizado em telhados torna-se muito mais competitivo e eficiente para a
sociedade como um todo."
sábado, outubro 17, 2026
FILOMENA CAMPUS - NOVO ÁLBUM EM QUARTETO
As coisas que aparecem aqui no Malfadado às vezes são estranhas. Esta é uma delas. Esta manhã surgiu-me no meio da minha colecção de CDs da Maria João, que inclui CDs onde a Maria João também aparece, um CD de edição caseira, numa caixinha de plástico de forma original e irregular. Esse CD tem 7 músicas e é de um duo: Filomena Campus e Rowland Sutherland, chama-se In Kimbe. Fui pesquisar na Net e descobri que esta cantora tem uma longa carreira, não só a cantar mas noutras áreas. (link aqui para o seu site)
E não é que vai lançar um novo álbum já neste dia 20 de Outubro? Fica aqui o single, disponível no Youtube:
quinta-feira, outubro 15, 2026
OPINIÃO NO FUMAÇA: "FUI DETIDO PELO ESTADO SIONISTA"
Fica aqui neste link (para o site do Fumaça), dá para ler ou ouvir, na voz do jornalista detido.
O famoso terrorismo de um estado que tem os seus cidadãos a viver num regime de apartheid, e que tem a Europa e as instituições desportivas europeias a darem-lhes palmadinhas nas costas. Dá para ver que muitos dos estados europeus olham para esta gente como um exemplo a seguir... é revoltante.
quinta-feira, outubro 08, 2026
LER DEVAGAR NO FÓLIO - 11ª EDIÇÃO
terça-feira, outubro 06, 2026
CASTELLERS DE VILAFRANCA DEL PENEDÈS
Quase 3 meses depois, o regresso do Malfadado. Com um vídeo que nos primeiros 4 minutos e meio mostra a construção de um castelo humano do tipo pd9fmp, o primeiro deste género na história desta actividade. Foi há umas semanas atrás, na praça de Vilafranca del Penedès, localidade da Catalunya.
Tanta coisa que ficou por registar aqui neste malfadado blogue, pode ser que vá conseguindo colocar uma coisa aqui e ali, pelo menos uma referência por mês devo conseguir recuperar.domingo, setembro 20, 2026
terça-feira, julho 21, 2026
SOLDADOS DE SALAMINA - BOM FILME ESPANHOL NA RTP 2
Que bom que é ter um canal televisivo financiado pelos dinheiros de todos os contribuintes. É na RTP 2 que temos boa animação, boas tertúlias, boa informação, boa divulgação da cultura nacional, boas séries televisivas e bons filmes. E de vez em quando, muito bons filmes. Este passou há uns dias, mas não consegui ver tudo de uma vez. Argumento muito bom, realização com boas soluções. É um filme que se passa já no início deste século e milénio, mas vai buscar um episódio da guerra civil espanhola, na Catalunha. Fica o trailer curto:
A actriz principal tem uma sólida carreira e o realizador é o David Trueba. Sim, irmão do famoso Fernando Trueba. David que na altura da rodagem era marido da Ariadna Gil. Por mera curiosidade, o filme termina com uma versão de um pasodoble, que faz parte da trama do enredo, cantado pelo Diego El Cigala, que uns anos antes tinha visto o Fernando Trueba realizar um vídeo do disco Lágrimas Negras, em que o cantor "contracena" com o pianista cubano Bebo Valdés. Como nunca falei aqui desse disco e vídeo, aqui fica a chamada de atenção, com um cheirinho que apanhei no Youtube (quem puder que procure a obra toda, em CD é muito bom, em DVD é um roçar da perfeição!):
Não sabia o que era Salamina, por isso perguntei à IA e a resposta é esclarecedora: "No romance de Javier Cercas, o termo "Salamina" no título funciona como uma metáfora histórica directa para a Batalha de Salamina (480 a.C.), onde os gregos defenderam a sua democracia contra a invasão do Império Persa.
O título carrega três significados principais ligando o passado ao enredo:
3. Uma Ironia Trágica: o herói grego Temístocles acabou exilado pelos seus próprios cidadãos após a vitória. No livro, os soldados que salvaram a República Espanhola também acabaram esquecidos, exilados ou mortos na obscuridade."
segunda-feira, julho 20, 2026
DIVULGANDO UMA PERSPECTIVA - NÚMERO 25
Há uma revista online, a Perspetiva, que na minha visão não se lê como antigamente. Por isso escrevo como aparece no título.
Esta revista, que qualquer um pode ler podendo fazer o download gratuito, dedica-se à visão que os fotógrafos nos dão de um mundo natural que conseguem parar naquele instante. Num clic. (clicar aqui para o site da revista).
Na recente edição deste trimestre temos uma entrevista e muitas e variadas fotografias de natureza do meu amigo João Nunes da Silva.
E esta revista está aberta à participação da comunidade. Qualquer pessoa pode submeter fotos que considere boas para serem seleccionadas para publicação.
segunda-feira, junho 29, 2026
SALVA A TERRA - ECOFESTIVAL - 2026
Ficam só as imagens e um link. Este Festival merecia um site como deve ser, reunindo já o vasto historial. E com destaque para as pessoas de Salvaterra do Extremo, que fizeram, e fazem (e farão) deste Salva a Terra um festival inigualável.
Acabou ontem, tinha começado na quinta-feira. Dei boleia a dois amigos, algumas fotos são do Xico, do Porto (que aparece ao meu lado, na última foto, mas que também está no palco, como parte do Coro Fafá, grupo que foi arrebanhado pelos Maria Silva).
sábado, junho 13, 2026
JUNHO COMEÇA BEM, E PODE ACABAR MELHOR
Pois é, o Malfadado tem ficado para trás, sem o devido registo das pequenas ou grandes coisas que vão passando por mim. Há muitas e boas fotos para partilhar, mas como escrever toma algum tempo, tenho passado por muitas coisas e depois acabo por não conseguir fazer aqui o devido registo, e muito menos tenho tido tempo para reflexões. O que vai acontecer é que, mais uma vez, um dia destes vou dedicar-me a escrever aqui e vou dar uma data anterior, para as coisas ficarem mais ou menos por ordem cronológica. Em Maio completei 62 anos, mas houve muitas coisas dignas de registo, uma ida a Idanha-a-Nova, um convívio no Monte Barata, uma visita ao Ti Ferreira, viagens de comboio, um concurso literário, bicicletas e ida a festivais.
De Abril já não me lembro de nada, mas tenho de certeza um par de coisas para escrever.
E de Junho, que ainda mal começou, mas com feriados à mistura já tenho muitas coisas para registar e partilhar. Estas coisas ainda me lembro bem, mas se não escrevo aqui, daqui a 2 meses já não vou recordar.
terça-feira, maio 26, 2026
MAR - MARIONETAS - FESTIVAL INTERNACIONAL DE MARIONETAS DE ESPINHO
Outro festival em que acabei por participar, ainda que apenas num dos seus espectáculos, foi o MAR, que este ano cumpriu 20 anos. É em Espinho, mas tem actividades descentralizadas. Foi assim que assisti a um bom espectáculo de teatro de Robertos, que envolve o Marquês de Pombal e a expulsão dos Jesuítas, pela companhia S.A. Marionetas, de Alcobaça. Foi em Guetim que estive, na parte da frentre da igreja. O site do festival só regista o histórico das 3 últimas edições, clicar aqui (site do MAR - MARIONETAS).
segunda-feira, maio 25, 2026
FESTIVAL IMAGINARIUS - 25 ANOS DE FESTIVAL DE TEATRO DE RUA
Mais uma vez estive presente num Imaginarius, este festival que transforma Santa Maria da Feira num encontro que rompe fronteiras e espalha cultura e mundos de sonho. Para além de programação diversa, que não se cinge apenas ao teatro de rua mas a diferentes estilos de artes de rua, da mais simples à mais grandiosa produção, nesta edição tive a companhia de amigos e ainda tive direito a uma rápida caricatura feita pelo António La Fata.
Também foi bom rever a equipa de organizadores do voluntariado, talvez para o ano que vem me inscreva outra vez, para ajudar a que esta grande festa seja ainda melhor. Não reencontrei foi nenhum dos voluntários que no ano anterior estiveram a ajudar na fabulosa instalação artística (que na altura não noticiei aqui no Malfadado, devo andar com uns papéis guardados para um dia contar aqui).
quinta-feira, maio 21, 2026
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL TAMBÉM AFECTA OS CÃES
A IA é danada!
E pode ser daninha. Esse é um dos temas do momento sobre esta ferramenta a que já muita gente deita a mão. Às vezes sem saber bem as implicações futuras deste presente.
Volvido o prazo para candidatar os trabalhos ao Concurso Literário João Grave, uma iniciativa dirigida aos munícipes de Vagos, encontrei-me casualmente na rua com o meu amigo Tiago, que me tinha cedido uma poesia sua, a letra de uma música que ele tinha composto e produzido com o seu nome artístico Juno the First (link aqui para uma das suas criações, onde fala sobre ele, no Soundcloud), para incluir no meu trabalho criativo.
A dada altura da conversa ele diz-me que na origem dessa letra, sobre as Nações Unidas, esteve um texto gerado pela Inteligência Artificial.
O QUÊ?
Então eu tinha incluído no meu texto uma coisa com recurso à IA? Fiquei surpreendido e ele disse-me que normalmente não usa a IA nos seus poemas. Que, aliás, são mais que muitos. Demasiados, até, para a minha sensibilidade artística. Mas que para ele fazem todo o sentido e o ajudam no seu dia-a-dia, isso é um facto. Mas este em particular, que incluí no meu trabalho como parte de uma narrativa, tinha tido origem na IA e ele depois tinha adaptado.
Nesse dia eu andava com a Pingas em Vagos, uma cadela espectacular que tem heterocromia. E o Tiago, para exemplificar como faz, logo ali na rua e com acesso ao seu telemóvel, pediu à sua IA para fazer um poema para uma cadela que se chama Pingas e que tem heterocromia.
O resultado foi este, que aqui deixo, porque é de facto impressionante.
A PINGAS TEM OS SEUS MUNDOS
Num olhar que o sol desenha,
Um segredo a cadela guarda:
Uma íris de terra castanha,
Outra de céu que a alma guarda.
Ó Pingas, do alto das tuas quatro patas,
Tens um olhar que é bússola e farol,
Unes o azul das manhãs mais exactas
Ao tom doce e quente de um fim de sol.
Se num olho espelha o oceano profundo,
No outro retém o brilho doce do mel;
Traz no focinho a magia do mundo,
Uma pincelada de luar, raio fiel.
Corres livre, entre sombras e luzes,
Com a sorte a brilhar em cada iris,
És a Pingas, que a vida seduzes,
Dona de um encanto que nunca perdes.
terça-feira, maio 19, 2026
CONVÍVIO MONTE BARATA - AMIGOS QUERCUS À VOLTA DO LUÍS MONTEIRO
Decorreu no Monte Barata um convívio de velhos amigos, cujo ponto alto foi um almoço partilhado no sábado, dia 16 de Maio. Cheguei no próprio dia, tinha ido de comboio de Aveiro até Castelo Branco uns dias antes, para participar no festival da Ajidanha, fiquei a dormir em casa da Lena em Idanha-a-Nova e nesse dia precisei de boleia, que tentei combinar na véspera. A amiga Lídia do Ladoeiro arranjou uma boleia até essa conhecida terra da campina, depois pensei ir andando e pedir boleia a quem passasse, até Monforte da Beira. Mas o Tito afinal lá teve que ir a Idanha e deu-me logo boleia directa. Mas, como eu queria ainda ir comprar queijos à queijaria Falcão, para partilhar no almoço, fiquei por ali e o Tito levou a minha mochila e a velha tenda até ao Monte.
Ali fiquei na conversa, na queijaria, com a Júlia e com o Fernando, em despique de contar novidades, ainda vi o grande Sérgio (filho do casal e continuador da tradição ganadeira), até que já muito atrasado lá me despedi e comecei a descer a encosta, disposto a fazer o resto do caminho a pé. Mal tinha descido 20 metros, toca o telemóvel, era a Marta, que estava com o Artur, e iam para o Monte na carrinha da Quercus, queriam saber onde eu andava e se precisava de boleia. Claro! Num instante estava lá no meio de malta que já não via há mais de 30 anos, outros ainda tinha visto entretanto, aqui e ali. Já todos velhos como eu, mas tal como eu, ainda não tão velhos que prescindissem de participar neste convívio.
E revi o Armando Carvalho, que a propósito deste convívio o Samuel me tinha dito que lhe tinham contado que ele tinha estado muito mal. Eu não fazia ideia, até que lá fiz uns telefonemas e me contaram assim por alto. Mas a verdadeira história contou-me ele, que sobreviveu mesmo por um triz. Na verdade, apesar de muitos amigos em comum, como andei afastado da net mais de um mês, na altura em que ele foi hospitalizado, acabou por me passar ao lado essa notícia trágica, e que ficou a uns passos de ser fatídica.
Foi um momento para recordar com saudade o Luís Monteiro, que uniu todas aquelas pessoas há muitos anos atrás, e para isso contámos com a presença do Paulo Monteiro.
Voltando atrás no tempo, muito atrás, eu conheci o Luis Monteiro em Montesinho, bem lá no norte. Soubemos que a Quercus estava a organizar um Campo de Verão, e eu e o João Santos fomos de propósito desde Coimbra até lá. Fomos à boleia, mas depois a última parte do trajecto acabámos por apanhar um comboio, uma vez que as boleias escasseavam, na mesma medida em que escasseava o trânsito automóvel. Desse acampamento guardo excelentes memórias, do Armando e da Bebé, da Paula Leitão, da Cristina (de Aveiro) e do Luís Monteiro (os dois que nos deixaram na sequência de trágicos acidentes), do João Santos (como não!), de uma Joana Barbedo (do Porto), de uma jugoslava que já não me lembro do nome mas deve andar por aí perdido em papéis.
Neste meu regresso ao Monte Barata tirei fotografias e verifiquei como as coisas estavam depois da passagem da tempestade que derrubou azinheiras centenárias. Mas as que foram podadas em 2024/2025 estavam todas imponentes e belas. E inspiradoras.
Aqui partilho algumas dessas fotos.
segunda-feira, maio 18, 2026
CONTOS NA OLIVEIRA - FESTIVAL INTERNACIONAL DE CONTOS - 3º EDIÇÃO
Consegui!!! À terceira vez que se realizou participei finalmente como espectador neste Festival, organizado anualmente pela Ajidanha. Foram 4 dias de apresentações/espectáculos. E começou de forma excelente, com uma apresentação de contos de José Saramago, pelos actores da própria Ajidanha.
Fiz algumas fotos, que partilho aqui, das diferentes noites em que consegui estar presente, 14, 15 e 16 de Maio. E fica o cartaz.
sábado, maio 16, 2026
TI FERREIRA - MUDOU DE CASA AOS 93 ANOS
Aquela figura icónica do Monte Barata, o vizinho que passava por ali de vez em quando, mas que nós visitávamos bastas vezes, está internado no Lar de Idanha-a-Nova. E aproveitando uma das tardes da passagem por esta minha terra entrei lá nessa instituição e estive com dois amigos que ali estão. Mas que preferiam não estar. A mãe da minha amiga Lena, com quem estive a falar um pouco, e o inquebrável Ti Ferreira. Ficou todo contente de me ver, talvez mais de eu o ter visto. O Lar é muito bom, mas para ele é um local estranho. Agora não tem acesso livre ao espaço exterior, vive num primeiro andar e ouve muito mal. Anda a caminhar pelos corredores, com um cajado. O seu cajado de pastor, o que segura a sua vida toda, de criança a idoso. Como tem essa dificuldade auditiva, os outros moradores desta grande casa acham que ele tem dificuldades cognitivas, associadas à idade. Mas não tem, está igual a si próprio. Na minha cabeça nasceu um projecto: agarrar nele um dia e levá-lo a caminhar pelas ruas da vila. E sentá-lo à sombra da oliveira, ali ao lado da casa grande que baptizaram com o nome da São. E eu agarro nas minhas pernas e braços e faço aquilo que ele faria: podar a famosa oliveira dos contos. Ficam aqui registadas as suas palavras na década de 90, porque a minha memória não durará para sempre: "- Dá-lhe João Paulo, dá-lhe com força. Mais vale podar mal uma oliveira do que não a podar".
A propósito de idosos e dificuldades cognitivas, há aqui um episódio que envolve também a poda de oliveiras e que tem algo de estranho. E poderia muito bem entrar numa crónica. Nas traseiras de duas ou três vivendas existe um terreno com oliveiras junto aos muros das casas. As oliveiras foram sendo vagamente cuidadas, mas no ano passado um senhor perto dos 60 anos falou com a dona do terreno e ofereceu-se para podar as oliveiras na altura da colheita da azeitona, pois assim apanhava as azeitonas, fazia azeite e ainda oferecia desse azeite aos donos. Cuidava e ainda oferecia algum azeite. Os donos aceitaram e... o resultado foi terrível. Armado da sua motosserra só deixou o tronco principal, cortou e fez lenha para queimar no Inverno, e deixou o terreno cheio de ramagens, ainda alguns panais debaixo dos ramos, para a tal apanha da azeitona. Que nunca fez. Estragou as oliveiras e nunca mais lá foi. Uma vizinha ainda o indagou, se acaso não estaria a estragar as oliveiras, mas ele respondeu que não, que assim é que se fazia a poda da oliveira. De facto não, não é assim que se faz. É uma técnica, rolar uma oliveira, mas não se aplica quando uma oliveira está saudável e em produção. Ali na terra este senhor já é conhecido pelos problemas que arranja, mas nem todos sabem todas essas histórias. Esta é mais uma.
Esqueci-me de tirar fotos ao lado dos meus amigos lá no lar.
quinta-feira, maio 14, 2026
TEMPUS FUGIT - CRÓNICA LITERÁRIA 5
PERDESTE UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO? OU FOI O ANIMAL QUE TE
PERDEU A TI?
No tempo das plantações há quem ande a plantar mato, onde antes houve floresta. Bela ocasião para levar um cão à liberdade de correr montes e vales. No tempo dos fogos a floresta foi derrotada, o ciclo natural foi interrompido, a paisagem agora é um reverdecer rasteiro com hastes queimadas. É nestas terras que a rafeirita Nadi se esgueira entre obstáculos, perseguindo cheiros, focinho para baixo, salta valas e moitas, agora vê-se, depois já não se vê.
Habitualmente esta cadela leva o seu tempo nas suas caçadas, e de vez em quando passa no ponto de partida. Mas há dias que demora um pouco mais. E há dias que demora um pouco demais. Esse demais, este termo que nos remete para alguma transgressão, é aplicado no conceito humano, uma vez que o tempo dessa demora em voltar ao ponto de partida é muito diferente para as pessoas. Para a Nadi é apenas o tempo de andar em liberdade, a usufruir dos cheiros e da sua capacidade em deslocar-se rapidamente. O drama do tempo que nos foge é uma invenção humana.
Temos sempre mais coisas para fazer, do que tempo para fazer essas coisas todas. É por isso que às vezes, os donos de cães como a Nadi, não têm tempo para esperar pelo regresso dos cães ao ponto de partida. É uma coisa que acontece frequentemente com os cães dos caçadores. Sejam eles cães dos próprios caçadores, sejam eles cães de matilhas treinadas para fazer caçadas, as famosas batidas ou montarias, em que os animais selvagens são assustados pelos batedores e sua matilha, em direcção às espingardas dos caçadores. Em direcção à bala, em direcção ao chumbo grosso. O tempo aí passa a correr, e o projéctil não tem tempo para pensar, ou passa ao lado ou fere. Se fere pode ser mortal. Até para a morte o tempo conta, pode ser imediatamente, rápida como o estrondo do tiro, ou pode ser a ferida que leva a uma morte lenta, um, dois dias, uma semana ou um par delas, um mês. A lentidão vai de um tempo que medimos em “breve” ou num “lá mais para diante”.
A Nadi foi passear uma bela manhã de fim de Inverno, e perdeu o seu dono, que não tinha tempo para esperar. O seu dono encontra-se envolvido em compromissos, a Nadi fica em liberdade nas encostas do vale do Mondego, para lá da pequena povoação termal das Caldas da Felgueira.
Noutros tempos (para nós foi há muito tempo, geologicamente foi há muito pouco tempo), nestas terras agora desertificadas, era outra espécie que deambulava entre montes e vales, que espreitava os homens que se adentravam nas florestas. Era o tempo do lobo, agora extinto. Dizem que a extinção é para sempre, mas esta é uma extinção local, os lobos ainda resistem às investidas e destruições de habitats, noutros locais. Talvez o tempo ainda venha a trazer os lobos de volta.
Nas Caldas da Felgueira, nem cão, nem cadela, nem lobo, foi uma gata que não deu tempo à dona para a levar de volta a casa. Foi para lá escondida debaixo do capot do carro, fugiu quando a tentaram agarrar, escondeu-se noutro carro. E noutro. Nunca mais apareceu. Onde terá ido parar? Nem o chip a fez aparecer. O que vale é que a gata tem tempo para viver mais vidas. São 7 no total.
A Nadi só tem uma. E um chip.



























