segunda-feira, junho 29, 2009

UMA ESPÉCIE DE CORRIDA

Pois foi, fiz um emilio colectivo aos amigos de Coimbra a divulgar esta iniciativa (mas não vi lá ninguém que o tenha recebido...), e não a divulguei neste blogue antecipadamente.
Tratou-se de uma actividade da Plataforma do Choupal, em que a ideia era conseguir fazer com que houvesse sempre alguém inscrito numa actividade desportiva, de forma consecutiva, num período de 48 horas. Foi uma maneira diferente de fazer um protesto contra a construção da nova auto-estrada que vai passar no centro de Coimbra e vai misturar o trânsito ligeiro e pesado, de passagem, com o trânsito urbano, ainda por cima inutilizando a parte do Choupal (um espaço de mata que funciona como a melhor área verde de lazer da cidade) que está mais perto do núcleo central e antigo da cidade. Por uns milhões de euros, uma obra que é um hino à falta de coordenação e de estudos, ao compadrio e ao despesismo, para depois dizerem à classe média que o tempo é de crise, e que é preciso trabalhar mais e receber menos (como ouvi esta manhã o Júdice, na Antena 1!!!!).
O início desta espécie de corrida foi na sexta-feira, às 18 horas, e eu estava lá, com a minha bicicleta. No início éramos 3 ciclistas e pouco mais de uma dezena de "atletas" noutras categorias: caminhada, corrida, etc. Estive no início, mas fui pedalar para fora do Choupal, pois estava marcada para a mesma hora, mas no Largo da Portagem, a Massa Crítica (Bicicletada), de que já falei aqui neste blogue (ou não falei???). Juntei-me então aos participantes da Massa Crítica e rumámos todos ao Choupal, depois do nosso percurso urbano habitual, onde todos os participantes se inscreveram também na espécie de corrida e lá fomos a pedalar pelo Choupal fora. Essa maltaa foi-se emborav entretanto, mas eu fiquei no Choupal até bem de noite, na parte da organização, ajudando e convivendo nas horas em que havia menos atletas, mas sempre alguém em actividade. À meia-noite fui dormir um pouco, porque me tinha oferecido para fazer o turno da organização a partir das 4 da manhã, excelente hora para um agricultor que se preze.
Quando lá cheguei já andavam pessoas a correr, um deles o Dr. Jorge Paiva, que depois da corrida ainda foi tomar banho, enviar e-mails e apanhar o comboio para Lisboa (antes do comboio ainda foi ter connosco para ver se estava tudo a correr bem). A partir das 6 e meia da manhã começaram a aparecer os desportistas habituais e com a sua colaboração, inscrevendo-se na espécie de corrida, durante todo o dia foi mesmo um sucesso. As primeiras 24 horas foram asseguradas, a coisa estava a correr bem. Na parte do final da tarde fui comer descansado um jantar e deitei-me cedo, pois o meu turno recomeeçava outra vez às 4 da manhã. Acordo e ouço um barulho familiar lá fora, vou à janela e chovia com intensidade. E agora? Não tinha ali impermeáveis, mas não estava frio como na noite anterior, vesti uns calções, t-shirt e camisa grossa, boné, sandálias e lá fui eu, mais devagar do que estava previsto, por causa da chuva. Chego à entrada do Choupal e lá estava a mesa da organização, com uma lanterna, um chapéu de chuva aberto, e ninguém. Lá perto uma viatura, passo ao lado e abrem-se as portas, a malta da organização ali estava à espera que a chuva passasse. E dizem-me que às 4 horas a malta tinha parado com as actividades, porque a chuva não parava e muita da malta inscrita estava a faltar e os da organização teriam que estar frescos para o dia seguinte. Pararam às 4 da manhã? Foi precisamente a hora em que eu já estava a pedalar, e uma vez que já estava molhado, nada como continuar. Deram-me um casaco para vestir, uma lanterna para colocar na cabeça, e lá fui eu pedalar pelo Choupal fora, escuro de uma noite chuvosa e já sem luar. Para não andar ali às voltas pequenas, pensei que o melhor era atravessar o Choupal por dentro, de ponta a ponta, seguir até aos Casais e voltar para trás até à entrada do Choupal novamente e voltar a fazer a mesma volta. Na segunda volta já estava mais claro, na terceira ainda mais e na quarta volta já era bem de dia, se bem que foi quando a chuva se intensificou. Fiquei molhado até às cuecas, mas uma das pessoas daa organização tinha ido a casa buscar-me roupa seca e uma toalha. Parei às sete da manhã a minha participação na espécie de corrida, seguiram-se dois elementos (também da organização) que foram fazer uma caminhada, de chapéu de chuva na mão, e a seguir a estes começaram a aparecer os desportistas habituais e depois a chuva passou e já não houve problemas para assegurar a actividade. Depois daquelas três horas a pedalar ainda pedalei mais um pouco, mas essa história vai ser relatada noutro local. Até às 18 horas foi um sucesso, com centenas de pessoas a inscreverem-se e a protestarem assim. Uma contagem decrescente nos dez segundos antes das 18 horas(já tinha ido a casa dormir uma sesta) e concluimos com sucesso as 48 horas non stop. Não tirei fotos, mas a organização há-de ter algumas e hão-de aparecer por aí um dia.

1 comentário:

Celeste Gonçalves disse...

Isso é que foi uma azáfama!!!
Mas vale bem a pena, por Coimbra, pelo choupal. Ainda no passado fim-de-semana os meus filhos foram correr para o choupal. Dois deles não o conheciam, pois cresceram no interior do país. Ficaram maravilhados.Eu guardo as melhores recordações do Choupal, no meu tempo de estudante.
Contra ventos e marés, é preciso não calar a razão!