Na última semana de Março apanhei na net uma acção online de uma organização que desconhecia. A Humanti (link aqui para o site) (o site adianta pouco sobre esta organização, resume-se a este parágrafo: "We're a grass-roots collective advocating for Palestinian liberation. Humanti Project share resources and strategic actions to mount political and societal pressure to invoke meaningful change.". Ora a Humanti lançou uma campanha em que os activistas de cada país poderiam escrever ao seu ministro dos negócios estrangeiros. Para isso eles criaram uma plataforma onde somos dirigidos para a página do Ministério, e ali escrever um ofício (link aqui). Neste caso, para Portugal, não colocaram a página do próprio ministério no portal do governo, mas sim um endereço dedicado a promover o contacto com portugueses espalhados pelo mundo. E nesta página não dá para mandar ofícios, mas eu inseri o ofício como se fosse uma sugestão / reclamação, e assim já foi aceite.
Havia uma minuta de texto, em inglês. Com a IA fiz uma tradução, que depois revi e adaptei, acrescentando alguns conteúdos. Aqui está o resultado final:
Exmo. Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros
Dr. Paulo RangelEscrevo-lhe este ofício na medida em que gostaria que Vossa Excelência representasse Portugal e os portugueses, e não apenas parte dos eleitores que o elegeram, que não representam, nem de longe, nem de perto, a maioria dos cidadãos nacionais. De facto, mesmo sem nenhuma sondagem, será fácil perceber que num país de maioria cristã, e com uma história plena de bons exemplos (muitos episódios também para esquecer, ou melhor, para nunca esquecer!), os portugueses defendem os direitos humanos e as leis internacionais.
Aqui ficam alguns factos que serão certamente do seu conhecimento, mas que registo para enquadramento da minha solicitação:
- Desde 2 de março de 2026, os ataques israelitas ao Líbano e as ordens de deslocação forçada causaram o deslocamento de quase 1 em cada 5 pessoas no país — mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas. Destas, 134.377 encontram-se em abrigos governamentais, enquanto centenas de milhares vivem com amigos e familiares, ou foram forçadas a dormir nas ruas.
- Desde 2 de março de 2026, Israel matou pelo menos 1.000 pessoas no Líbano, incluindo 118 crianças e 40 profissionais de saúde. Antes da mais recente guerra de Israel contra o Líbano, Israel violava diariamente o anterior acordo de cessar-fogo, com mais de 15.400 violações registadas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2026.
- Atualmente, o sul do Líbano está a ser esvaziado dos seus habitantes pelas forças de ocupação israelitas, que utilizam armas proibidas internacionalmente, como o fósforo branco — uma substância química que se inflama em contacto com o oxigénio e arde a temperaturas extremamente elevadas, causando ferimentos graves, incêndios e danos ambientais duradouros. Israel também está a destruir infraestruturas civis, incluindo pontes, habitações e redes elétricas em todo o país.
- Os bombardeamentos israelitas destruíram edifícios residenciais inteiros nos subúrbios de Beirute — uma área urbana densamente povoada —, matando frequentemente vários membros da mesma família ao mesmo tempo. Os mesmos crimes de guerra cometidos em Gaza estão agora a ser cometidos no Líbano.
O que o mundo está a testemunhar no sul do Líbano é uma limpeza étnica de parte de um território soberano e ocupação. Tal como em Gaza. Dirigentes israelitas ameaçaram explicitamente, há apenas alguns dias, transformar partes do Líbano em Gaza. Não podemos permitir que isto continue.
Apelo-lhe, com urgência, para que:
- Imponha sanções totais e abrangentes a Israel e ponha fim às relações diplomáticas;
- Faça cumprir um embargo comercial completo em ambas as direções, encerrando toda a atividade de importação e exportação;
- Cesse imediatamente todas as vendas de armamento e a cooperação em matéria de informação com o Estado de apartheid;
- Garanta acesso livre e sem restrições às organizações de ajuda humanitária;
- Exija o fim da ocupação ilegal dos territórios palestinianos e sírios.
No mínimo, caso não queira Vossa Excelência expor-se, e à sua família, às pressões e chantagens mais ou menos violentas vindas de interesses sionistas (sejam eles israelitas ou americanos), agradecia que tomasse uma atitude cristã e pró-semita, ao contactar a administração da RTP e a direcção da FPF, no sentido de estas entidades ameaçarem publicamente que vão deixar de participar em competições que envolvam Israel como sendo uma nação europeia de plenos direitos.
Com os meus melhores cumprimentos
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