quarta-feira, janeiro 21, 2026

O DISCURSO DE MARK CARNEY A 20 DE JANEIRO 2026 NA ÍNTEGRA


AINDA HÁ ESPERANÇA PARA O MUNDO, PARA ALÉM DA ONU!!!

Do presidente re-eleito dos EUA todos temos que ouvir falar todos os dias. Mas sobre o primeiro-ministro do Canadá pouco sabemos. Chama-se Mark Joseph Carney, e foi eleito pelos Liberais (link para a Wikipedia) em 2025 formando um governo sem maioria absoluta. Discursando em Davos ontem, fez um discurso que está a dar que falar, o qual transcrevo aqui:

CONSTRUIR UMA NOVA ORDEM MUNDIAL

Começa em francês:
"É um prazer — e um dever — estar convosco neste momento crucial para o Canadá e para o mundo. Hoje, vou falar sobre a ruptura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal, na qual as relações entre grandes potências se fazem sem quaisquer limites à sua actuação.
Mas também quero dizer-vos que os outros países, especificamente as potências médias, como o Canadá, não são impotentes. Têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore os nossos valores, como o respeito pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados. O poder dos menos poderosos começa com a honestidade."

Passa ao inglês:
"Todos os dias alguma coisa nos lembra de que vivemos numa era de rivalidade entre grandes potências, que a ordem mundial suportada por regras está a desvanecer-se e que os fortes fazem o que querem, e os fracos sofrem o que têm de sofrer.
E este aforismo de Tucídides é apresentado como inevitável, é apenas a lógica natural das relações internacionais a reorganizar-se. E, perante esta lógica, há uma forte tendência para os países se acomodarem, de forma a evitarem problemas. Esperam que essa aceitação lhes traga segurança.
Mas não trará. Então, quais são as nossas opções?

O PODER DO SISTEMA NÃO ADVÉM DA SUA VERDADE

Em 1978, o dissidente checoslovaco Václav Havel (depois presidente) escreveu um ensaio chamado “O Poder dos Impotentes”. Nele, faz uma pergunta simples: como é que o sistema comunista se sustentava?
A resposta começa com um vendedor de hortaliças. Todas as manhãs, este merceeiro coloca um cartaz na sua montra: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Ele não acredita naquilo. Ninguém acredita. Mas coloca o cartaz na mesma, para evitar problemas, para sinalizar conformidade, para se acomodar. E, porque todos os lojistas em todas as ruas fazem o mesmo, o sistema persiste.
Não apenas através da violência, mas através da participação de pessoas comuns em rituais que sabem, no seu íntimo, serem falsos.
Havel chamou a isto “viver dentro da mentira”. O poder do sistema não advém da sua verdade, mas da disposição de todos a representá-lo como se fosse verdade. E a sua fragilidade vem da mesma fonte: quando uma pessoa, uma pessoa que seja, deixa de representar, quando o vendedor de hortaliças retira o seu cartaz, a ilusão começa a quebrar-se.

Amigos, está na altura de empresas e países retirarem os seus cartazes.

Durante décadas, países como o Canadá prosperaram sob aquilo a que chamávamos ordem internacional baseada em regras. Aderimos às suas instituições, elogiámos os seus princípios e beneficiámos da sua previsibilidade. Pudemos implantar políticas externas sob a protecção destas regras.
Sabíamos que a história desta ordem internacional era parcialmente falsa. Que os mais fortes se eximiriam quando lhes fosse conveniente. Que as regras comerciais eram aplicadas de forma assimétrica. E que o direito internacional se aplicava com rigor variado, dependendo da identidade do acusado ou da vítima.

ESTAMOS A MEIO DE UMA RUPTURA, NÃO DE UMA TRANSIÇÃO

Esta ficção foi útil, e a hegemonia americana, em particular, ajudou-nos a ter acesso a rotas marítimas abertas, um sistema financeiro estável, segurança colectiva, e apoiou organismos que se ocupariam da resolução de conflitos. E foi por isso que colocámos o cartaz na montra. Participámos nos rituais. E evitámos, em boa parte, apontar as lacunas entre retórica e realidade.

Este acordo já não funciona. Deixem-me ser directo: estamos a meio de uma ruptura, não de uma transição. 
Nas últimas duas décadas, uma série de crises nas finanças, saúde, energia e geopolítica revelou os riscos da integração global.
Mais recentemente, as grandes potências começaram a usar a integração económica como arma: tarifas como vantagem negocial, a infraestrutura financeira como coerção, as cadeias de abastecimento como vulnerabilidades a serem exploradas.

Não se pode “viver dentro da mentira” de benefício mútuo através da integração quando a integração se torna a fonte da nossa subordinação.

SEJAMOS REALISTAS SOBRE ONDE ISTO NOS LEVA

As instituições multilaterais de que os poderes médios dependiam — a OMC [Organização Mundial do Comércio], a ONU, a COP [Conferência das Partes] — e a arquitetura de resolução coletiva de problemas estão muito diminuídas.
Como resultado, muitos países estão a tirar as mesmas conclusões, que devem desenvolver maior autonomia estratégica: em energia, alimentação, minerais críticos, nas finanças e cadeias de abastecimento. 
Este impulso é compreensível. Um país que não pode alimentar-se, abastecer-se ou defender-se a si mesmo tem poucas opções. Quando as regras já não vos protegem, é preciso que se protejam a vocês mesmos.

Mas sejamos realistas sobre onde isto nos leva: a um mundo de fortalezas, mais pobre, mais frágil e menos sustentável.

E há outra verdade: se as grandes potências abandonarem até a aparência de regras e valores pela busca desimpedida do seu poder e dos seus interesses, os ganhos do comercialismo desencapotado tornam-se mais difíceis de replicar.
As potências hegemónicas não podem retirar lucros eternos das suas relações.
Os aliados vão diversificar para se protegerem contra a incerteza: vão comprar segurança, aumentar a lista de opções. Para reconstruir a soberania. A soberania que antes era baseada em regras, mas que estará, a partir de agora, cada vez mais ancorada na capacidade de resistir à pressão.

A QUESTÃO É SE PODEMOS FAZER ALGO MAIS AMBICIOSO

Como disse, esta gestão de risco clássica tem um preço, mas esse custo de autonomia estratégica, de soberania, também pode ser partilhado. Investimentos coletivos em resiliência são mais baratos do que a conta de cada um construir a sua própria fortaleza individualmente.
Padrões partilhados reduzem a fragmentação, as complementaridades são operações com resultado positivo.
A questão para as potências médias, como o Canadá, não é se devemos adaptar-nos a esta nova realidade. Devemos. A questão é se nos adaptamos simplesmente construindo muros mais altos, ou se podemos fazer algo mais ambicioso.

O Canadá esteve entre os primeiros a ouvir o alerta, o que nos levou a modificar fundamentalmente a nossa postura estratégica.

Os canadianos sabem que a antiga e confortável suposição de que a nossa geografia e o nosso sistema de alianças conferiam automaticamente prosperidade e segurança já não é válida.

A nossa nova abordagem assenta no que Alexander Stubb [Presidente da Finlândia] chamou “realismo baseado em valores”, ou, por outras palavras, termos princípios e, ao mesmo tempo, sermos pragmáticos.

FORÇA DOS NOSSOS VALORES

Devemos manter o princípio do nosso compromisso com valores fundamentais: soberania e integridade territorial, a proibição do uso da força exceto quando consistente com a Carta da ONU, respeito pelos direitos humanos. E devemos ser pragmáticos ao reconhecermos que o progresso é frequentemente gradual, que os interesses divergem, que nem todos os parceiros partilham os nossos valores.

Podemos envolver-nos amplamente, estrategicamente, mas com os olhos abertos.

Participamos activamente no mundo como ele é, e não ficamos só à espera de um mundo como desejamos que ele seja.

O Canadá está a calibrar as suas relações para que a profundidade das mesmas reflita os seus valores.

Estamos a dar mais importância a um envolvimento amplo para maximizar a nossa influência, dada a fluidez da ordem mundial, os riscos que isto representa e o que está em jogo para o que vem a seguir.
Já não estamos dependentes apenas da força dos nossos valores, mas também do valor da nossa força.

Estamos a construir essa força no nosso país.

Desde que o meu Governo tomou posse, cortámos impostos sobre rendimentos, mais-valias e investimento empresarial, removemos todas as barreiras federais ao comércio interprovincial e estamos a acelerar mil milhões de dólares de investimento em energia, inteligência artificial, minerais críticos, novos corredores comerciais e muito mais.
Estamos a duplicar as nossas despesas na Defesa até ao final desta década e estamos a fazê-lo de forma a desenvolver as nossas indústrias nacionais.
Estamos também a diversificar no estrangeiro, e recentemente acordámos uma parceria estratégica abrangente com a União Europeia, incluindo a adesão ao SAFE [Ação de Segurança para a Europa], os acordos europeus de aquisição e adjudicação de material de Defesa.
Assinámos outros doze acordos comerciais e de segurança em quatro continentes nos últimos seis meses.
Nos últimos dias, concluímos novas parcerias estratégicas com a China e o Catar. Estamos a negociar pactos de comércio livre com a Índia, a ASEAN, a Tailândia, as Filipinas e o Mercosul.

DIFERENTES COLIGAÇÕES PARA DIFERENTES PROBLEMAS

E estamos a fazer outra coisa. Para ajudar a resolver problemas globais, estamos a aplicar uma geometria variável: diferentes coligações para diferentes problemas, baseadas em valores e interesses.

Assim, sobre a Ucrânia, somos um membro central da Coligação de Vontades e um dos maiores contribuintes per capita para a defesa e segurança do país.

Sobre a soberania do Ártico, estamos firmemente ao lado da Gronelândia e da Dinamarca e demos pleno apoio ao seu direito de determinar o futuro da Gronelândia. O nosso compromisso com o Artigo 5º é inabalável.
Estamos a trabalhar com os nossos aliados da NATO (incluindo os Nórdicos-Bálticos) para robustecer ainda mais os flancos norte e oeste da aliança, incluindo através dos investimentos sem precedentes em radares de longo alcance, submarinos, aeronaves e tropas no terreno. O Canadá opõe-se fortemente a impostos alfandegários sobre a Gronelândia e apela a conversações focadas em alcançar os nossos objetivos partilhados de segurança e prosperidade para o Ártico.

No comércio plurilateral, estamos a liderar esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia, criando um novo bloco comercial de 1500 milhões de pessoas.

Nos minerais essenciais, estamos a formar grupos de compradores, ancorados no G7, para que o mundo possa diversificar-se da oferta concentrada.

Na inteligência artificial, estamos a cooperar com democracias similares à nossa para garantir que não seremos forçados a escolher apenas entre empresas hegemónicas e hiperescaladores.

Isto não é multilateralismo ingénuo, nem é depender de instituições diminuídas, é construir as coligações que funcionam, questão por questão, com parceiros que partilham terreno comum suficiente para agirem em conjunto.

Nalguns casos, será a grande maioria das nações. E é criar um teia densa de ligações através do comércio, investimento, cultura, nas quais nos podemos apoiar para futuros desafios e oportunidades.

NÃO À REPRESENTAÇÃO DE SOBERANIA ENQUANTO SE ACEITA A SUBORDINAÇÃO

As potências médias devem agir em conjunto, porque se não estão à mesa, estão no menu.

As grandes potências podem dar-se ao luxo de agir sozinhas. Têm mercado, capacidade militar, alavancagem para ditar termos. As potências médias não.
Mas quando apenas negociamos bilateralmente com uma potência hegemónica, negociamos a partir da fraqueza. Aceitamos o que nos é oferecido. Competimos uns com os outros para sermos os que mais acomodam as suas exigências.

Isto não é soberania. É a representação de soberania enquanto se aceita a subordinação.

Num mundo de rivalidade entre grandes potências, os países no meio têm uma escolha: competir uns com os outros para cair “nas graças” ou unirem-se para criar um terceiro caminho, com impacto.

Não devemos permitir que a ascensão do poder nos cegue para o facto de que o poder da legitimidade, integridade e regras permanecerá forte se escolhermos exercê-lo em conjunto.
O que me traz de volta a Havel.
O que significaria para as potências médias “viver na verdade”? 

Significa dizer as coisas como são na realidade.
Parem de invocar a “ordem internacional baseada em regras” como se ainda funcionasse conforme anunciado. Chamem ao sistema o que ele é: um período de intensificação de rivalidade entre grandes potências, onde os mais poderosos prosseguem os seus interesses usando a integração económica como arma de coerção.

Significa agir consistentemente. Aplicar os mesmos padrões a aliados e rivais. Quando os poderes médios criticam a intimidação económica quando vem de um lado mas ficam em silêncio quando vem de outro, estamos a manter o cartaz na montra.

Significa construir aquilo em que alegamos acreditar. Em vez de esperar que a velha ordem seja restaurada, criar instituições e acordos que funcionem conforme o que fica escrito nesses acordos.

E significa reduzir a influência que abre espaço à coerção. Construir uma economia doméstica forte deve ser sempre a prioridade de cada governo.
A diversificação internacional não é apenas prudência económica; é uma fundação estrutural para uma política externa honesta.
Os países ganham o direito a posturas baseadas em princípios ao reduzirem a sua vulnerabilidade a retaliações.

ESTA RUPTIRA EXIGE MAIS DO QUE SIMPLES ADAPTAÇÃO

Agora o Canadá. O Canadá tem o que o mundo quer. Somos uma superpotência energética, temos vastas reservas de minerais, temos a população mais instruída do mundo. Os nossos fundos de pensões estão entre os maiores e mais sofisticados investidores do mundo. Temos capital, talento e um Governo com imensa capacidade fiscal para agir decisivamente. E temos os valores aos quais muitos outros aspiram.
O Canadá é uma sociedade plural que funciona, a nossa praça pública faz-se ouvir, é diversificada e livre. Os canadianos mantêm-se comprometidos com a sustentabilidade.

Somos um parceiro estável e fiável, num mundo que é tudo menos isso, um parceiro que constrói e valoriza relações a longo prazo.

O Canadá tem algo mais: reconhecemos o que está a acontecer e estamos determinados a agir em conformidade.

Compreendemos que esta ruptura exige mais do que simples adaptação, exige honestidade sobre o mundo como ele é.

Estamos a retirar o cartaz da montra.

A velha ordem não vai voltar. Não devemos lamentá-la. A nostalgia não é uma estratégia. Mas a partir da fractura, podemos construir algo melhor, mais forte e mais justo. Esta é a tarefa dos poderes médios, que têm mais a perder com um mundo de fortalezas e mais a ganhar com um mundo de cooperação genuína.
Os poderosos têm o seu poder.
Mas nós também temos algo, a capacidade de parar de fingir, de dizer as coisas como são, de construir a nossa força no nosso país e de agir em conjunto.

Esse é o caminho do Canadá. Escolhemo-lo aberta e confiantemente.

E é um caminho amplamente aberto a qualquer país disposto a trilhá-lo connosco. Muito obrigado."

FIN - END

Só para terminar, apanhei este discurso numa rede social (que anda a enganar descaradamente os seus utilizadores), numa partilha do jornalista Carlos Fino, mas depois dei um jeito à tradução, retirando o acordo ortográfico, colocando links e fazendo separadores temáticos em negrito, para ficar mais fácil de ser lido. Baseei-me também na publicação integral do discurso em inglês (site do Fórum Económico Mundial de Davos) e numa notícia da Al Jazeera (de hoje mesmo).
Usem e abusem deste serviço público se acharem por bem, e se acharem que está bem traduzido.

sexta-feira, janeiro 16, 2026

SEGUNDA VOLTA DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

 Só passam à 2ª volta os dois mais votados. A esquerda não se soube entender, mas o Livre esteve melhor que BE e PCP. Fizeram a campanha, ocuparam o espeço e no final disseram para cada um fazer o seu voto útil. Para mim é difícil escolher quem vai passar à 2ª volta, dentro dos que sabemos que têm hipóteses, porque são todos muito falinhas mansas e mais do mesmo. E já sei que na segunda volta, confirmando-se que um deles é o André Ventura, Mr. Hamburguer, vou ter que votar no outro.  Mas vou deixar a escolha nas mãos dos meus concidadãos. E para não votar em branco, faço um voto McDonalds. Para a malta do Chega embandeirar em arco com a morte dos extremistas de esquerda. E depois perderem esse voto quando for a votação mesmo a contar.

Não sabem em quem vão votar na segunda volta das presidenciais? Assim já sabem o meu voto, mesmo eu não sabendo também em quem...

quinta-feira, janeiro 15, 2026

WILD ROSE - ROSA SELVAGEM

É mais do que devido. Já vi este filme há alguns anos, e como falei sobre a actriz anteriormente, participando num filme que ainda não vi, aqui fica agora o trailer do filme onde ela tem o papel principal e canta e tudo. A história é estranha, por ser tão fora do comum, mas é inesquecível. Quem não viu, ainda está a tempo... JESSIE BUCKLEY

quarta-feira, janeiro 14, 2026

HAMNET - GLOBOS DE OURO 2026

 Este filme, que vai estrear em Portugal no próximo mês, ganhou na categoria de melhor filme - drama. Eu vi o trailer, mas acho que desvenda demais sobre o filme. Pelo que aconselho ir ver o filme mas não ver o trailer. Em vez disso, partilho aqui o vídeo do discurso da actriz, que desempenha o papel de mulher do Shakespeare, uma actriz irlandesa que já vi noutros filmes e que ganhou um destaque na minha memória. Foi distinguida com o Globo de Ouro para a melhor actriz principal num filme - drama.

terça-feira, janeiro 13, 2026

JORNALISMO, DAQUELE QUE NÃO INTERESSA - FUMAÇA

 Num mundo de grandes diferenças culturais é difícil chegar ao outro, é difícil imaginar estar na sua pele. Mas em Portugal temos jornalistas a trabalhar em diferentes projectos editoriais que nos trazem informação que quebra fronteiras e aproxima pessoas e torna possível a expressão individual da solidariedade. Hoje partilho aqui um texto de opinião do Fumaça, intitulado "O colapso do mito dos direitos humanos", de Shawan Jabarin, traduzido por uma das jornalistas da corajosa equipa.

Mais do que apenas divulgar este texto, que ajuda a contextualizar a ausência de futuro das Nações Unidas, desafio à descoberta do Fumaça, e quem sabe possa este trabalho ganhar mais um apoiante/assinante. Porque Ser Solidário faz parte de ser humano, e só se pode ser solidário com quem se conhece.

segunda-feira, janeiro 12, 2026

GLOBOS DE OURO - UMA BATALHA ATRÁS DE OUTRA "BATALHA" - DISCURSO COMPLETO DE TEYANA TAYLOR

 Este filme, que já teve direito a referência aqui no Malfadado, teve 4 galardões atribuídos na cerimónia de ontem. Um deles foi o de melhor argumento. E fica aqui o vídeo do discurso de agradecimento da Teyana Taylor (OMG, OMG), que foi distinguida como melhor actriz secundária.

Visivelmente surpreendida e emocionada, Taylor diz que estava tão longe de ganhar que pensou mesmo em não escrever o discurso de agradecimento. Mas logo a abrir mostra a parte do seu vestido de alta classe que mais impressionava, nas suas costas, umas cuequinhas fio dental com lacinho em diamantes. Com a emoção lembra-se das filhas - my babies (de 5 e 10 aninhos) - que estão em casa no quarto para dormir com a TV ligada, e manda logo um recadinho, dizendo que espera que não estejam com os auriculares, ou headphones, e a vejam/ouçam este momento. Agradece a Deus, em nome de Jesus, agradece dando graças por cada parte do seu caminho de fé, cada lição, cada prova e cada benção. Agradece aos votantes do júri por terem reparado no seu trabalho e se terem lembrado dela. E depois à mãe e ao pai, a dedicatória é sempre para eles em todo o tempo, dizendo que os ama tanto, tanto, agradecendo ainda a sua presença ali. A sua tribo. Oh my god, a sua força ancestral, a sua alegria, o seu lembrete a cada dia de que o amor é uma acção, não só uma palavra. E cada coisa que ela faz está enraízada nessa verdade. Passa depois a agradecer ao realizador (To Paul "Let'em Cook" Thomas Anderson, thank you for your vision, your trust and your brilliance), a quem fica com uma gratidão infindável. Agradece acolhê-la a ela e depois refere todos os outros actores. Refere também todas as equipas de técnicos, cada pessoa que desempenhou uma função neste projecto. Um pequeno aparte ainda, sobre o troféu que carrega, dizendo "oh meus deus! esta merda é pesada..." Agradece ainda a amigos e agentes e termina depois com uma mensagem activista. "And last and most importantly, to my Brown sisters and little Brown girls watching tonight. Our softness is not a liability." E continuou "Our depth is not too much. Our light does not need permission to shine. We belong in every room we walk into. Our voices matter and our dreams deserve space." Activista e poética!

domingo, janeiro 11, 2026

O TORCICOLO - TEATRO PELA AJIDANHA

 Hoje carreguei o meu passe ferroviário para ir de comboio a Pombal ver a representação desta peça, o Torcicolo, recentemente estreada pela Ajidanha em Idanha-a-Nova (link para apresentação no blogue Ajidanha). Foi a primeira apresentação noutra localidade. Não é para aqui deixar a minha crítica (fica para uma próxima oportunidade), mas ainda assim aconselho vivamente a quem possa um dia destes assistir. É uma sátira muito actual.

Fui de bicicleta, com os alforjes carregados de clementinas e uma dezena de boas laranjas, para actores e técnico levarem de volta a casa. E coloquei a bicicleta no comboio em Alfarelos - Granja do Ulmeiro, num intercidades. Num pulinho estava mesmo por trás do cine-teatro, que ainda não conhecia, muito boa sala, por sinal.

Para variar saí de casa já com o tempo muito curto e tive que pedalar muito bem para apanhar o comboio, quando cheguei à estação já lá estava o comboio paradinho.

Para o regresso lá apanhei um comboio regional até Coimbra, que depois deu lugar ao comboio regional para Aveiro, mas saí na Curia, para depois ir a pedalar até à casinha gandaresa.

A peça teve início às 17, fui de tarde, mas já voltei de noite. E no regresso apanhei alguns períodos de chuva miudinha, mas ia preparado para isso.

Em Pombal ainda tive tempo de fazer uma volta de reconhecimento pelo centro e subi ao castelo. Fiquei muito bem impressionado, tinha lá estado há pouco tempo por altura do Natal, mas dessa vez não deu para ver quase nada, para além da feira de Natal e actividades de entretenimento.

sábado, janeiro 10, 2026

VENEZUELA - UMA VISÃO DOS ACONTECIMENTOS

 O rapto do Nicolás Maduro pelo exército de defesa dos EUA deu origem a um editorial do director do jornal Página Um. Fica aqui o link, para quem puder ler na íntegra.

Um excerto, que resume a perspectiva da análise do jornalista, neste artigo datado de 4 de Janeiro: "Onde outros presidentes falavam em “ordem internacional baseada em regras”, Trump fala de força, sucesso e submissão. Mas o gesto é o mesmo; desapareceu foi a liturgia. Talvez seja essa franqueza brutal que perturba uma parte da opinião pública ocidental, mais habituada à hipocrisia bem-embalada do que à verdade dita sem rodeios."

sexta-feira, janeiro 09, 2026

EU E O GAUCHITO GIL

 Ainda a propósito do dia de ontem, assinalado aqui no Malfadado, aqui ficam fotos obtidas em dois locais bem diferentes. Primeiro na Cuesta de Lipán, a 4170 de altitude, entre Purmamarca e Las Salinas Grandes. Depois na estrada que liga Puerto Iguazú a Posadas, capital da Província de Misiones. Argentina, por supuesto.

















quinta-feira, janeiro 08, 2026

GAUCHITO GIL

 O nosso Ramiro enviou mensagem a dizer que hoje é dia do "santo" Gauchito Gil. Todos os anos se celebra, nesta data, a vida e obra, e principalmente a obra depois da vida, deste gaúcho, originário da província de Corrientes - Argentina, assassinado neste dia em 1878, faz 150 anos daqui a apenas dois anitos. (link para a wikipedia aqui). Aqui fica o registo, colando a imagem emprestada pelo orgão informativo Misiones Online, da província de Misiones.



quarta-feira, janeiro 07, 2026

GRANDE ENTREVISTA A VIRIATO SOROMENHO MARQUES

O homem que nos ensina a compreender a loucura da política mundial entre 2025 e 2030 é o conhecidíssimo Viriato Soromenho Marques. Em belíssima hora o jornalista da CNN Portugal, Tiago Palma esteve com ele em Dezembro do ano passado, na sua casa. Entrevista publicada a 5 de Janeiro de 2026.

"É um insulto chamarmos 'guerra' ao que acontece em Gaza: não é uma guerra, não há dois exércitos" (link para a primeira parte da entrevista, clicar aqui para o site da CNN)


"A nossa virtude é a modéstia e o nosso vício a inveja. A primeira defende-nos de nos embebedarmos de grandeza, o segundo tem-nos diminuído"

domingo, janeiro 04, 2026

CONVITE À LEITURA - PÁGINA UM

 Se eu fosse jornalista também escreveria assim editoriais, como os que vou partilhar aqui. São do Director do Página Um. Que é um jornalista.

Sobre a Justiça em Portugal: Este (link para editorial de Dezembro 2025) e este (link para editorial bem fresquinho, do primeiro dia deste ano) 

Sobre a morte da Clara Pinto Correia, que só por falta de tempo não escrevi sobre a tragédia aqui no Malfadado: (clicar aqui neste link) editorial de Dezembro 2025.

Sobre os desmandos dos americanos: Este é o mais recente, data de hoje mesmo. (link aqui)

Boas leituras, com ou sem assinaturas

sábado, janeiro 03, 2026

MORTE AOS DITADORES - PODRE DE MADURO

 O rapto do Maduro pelo governo americano foi uma benção. Finalmente o petróleo da Venezuela vai poder voltar a ser extraído e comercializado pelos americanos, que podem assim aumentar o preço do petróleo no mercado mundial sem estar a favorecer aquele ditador que está ligado a tudo o que acontece de mal nos EUA. Só se fala da droga, mas de certeza que todos os crimes violentos, a prostituição, as doenças do estilo de vida, a invasão de emigrantes e a estupidez são culpa desse comunista Nicolás Maduro. Na Venezuela o regime já estava podre, bem para lá de Maduro. Agora sim, com a intervenção dos americanos e com o criminoso a aguardar um julgamento justo e democrático por causa do negócio das drogas, onde será condenado sem qualquer problema, vão acabar os viciados em drogas nos EUA.

Razão tiveram os americanos desde sempre em ignorar o Tribunal Penal Internacional, que para nada serve, se nos EUA existem tribunais para fazer julgamentos rápidos. Portugal deveria aderir a este tipo de justiça já. Saía muito mais barato ao erário público. Assim andamos de novelas jurídicas em novelas jurídicas, sempre com o mesmo final: o crime prescreveu... e viveram felizes para sempre.

AD

sexta-feira, janeiro 02, 2026

UMA REFLEXÃO DO QUE AÍ VEM

 Vem aí mais do mesmo. É aquilo que se vê na Palestina, mesmo depois do falso cessar fogo, imposto pelos americanos. É aquilo que se vê na Ucrânia, que ainda resiste às imposições dos americanos, mas será por pouco tempo. E nesse sentido vou continuar a escrever pela pena do Androlfo Donaliago (personagem criada em 2025), sempre que me apetecer registar aqui alguma coisa sobre a paz no mundo, sobre ecologia aqui ou ali e sobre justiça onde quer que a injustiça se abata.

E espero que venha mais cultura, onde as resistências encontram ecos e nos fazem sonhar com um mundo melhor. E nesse mundo melhor não existem negociatas de magnatas. Nem redes sociais onde a desinformação encontra o seu melhor meio de propagação.

Androlfo Donaliago assina AD no final dos textos. Os quais são publicados sem fotos nem imagens fabricadas. Fica feito o aviso.